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domingo, 8 de junho de 2014

Igreja: Templo do Espírito Santo

A Igreja - Templo do Espírito Santo
§797. O que é o nosso espírito, isto é, a nossa alma em relação a nossos membros, assim é o Espírito Santo em relação aos membros de Cristo, ao corpo de Cristo que é a Igreja.
"A este Espírito de Cristo, em princípio invisível, deve-se atribuir também a união de todas as partes do Corpo tanto entre si como com sua Cabeça, pois ele está todo na Cabeça, todo no Corpo e todo em cada um de seus membros.
" O Espírito Santo faz da Igreja "o Templo do Deus Vivo" (2 Cor 6, 16):
  • "Com efeito, é à própria Igreja que foi confiado o Dom de Deus. É nela que foi depositada a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, penhor da incorruptibilidade, confirmação de nossa fé e escada de nossa ascensão para Deus. Pois lá onde está a Igreja, ali também está o Espírito de Deus; e lá onde está o Espírito de Deus, ali está a Igreja e toda graça".
§798. O Espírito Santo é "o Princípio de toda ação vital e verdadeiramente salutar em cada uma das diversas partes do Corpo". Ele opera de múltiplas maneiras a edificação do Corpo inteiro na caridade:
  • pela Palavra de Deus, "que tem o poder de edificar" (At 20,32);
  • pelo Batismo, por meio do qual forma o Corpo de Cristo;
  • pelos sacramentos, que proporcionam crescimento e cura aos membros de Cristo;
  • pela "graça concedida aos apóstolos, que ocupa o primeiro lugar entre seus dons";
  • pelas virtudes, que fazem agir segundo o bem; e, enfim,
  • pelas múltiplas graças especiais (chamadas de "carismas"), por meio das quais "torna os fiéis aptos e prontos a tomarem sobre si os vários trabalhos e ofícios que contribuem para a renovação e maior incremento da Igreja".
Os Carismas
§799. Quer extraordinários quer simples e humildes, os carismas são graças do Espírito Santo que, direta ou indiretamente, têm urna utilidade eclesial, pois são ordenados:
·         à edificação da Igreja,
·         ao bem dos homens e
·         às necessidades do mundo.

§800. Os carismas devem ser acolhidos com reconhecimento por aquele que os recebe, mas também por todos os membros da Igreja, pois são uma maravilhosa riqueza de graça para a vitalidade apostólica e para a santidade de todo o Corpo de Cristo, contanto que se trate de dons que provenham verdadeiramente do Espírito Santo e que sejam exercidos de maneira plenamente conforme aos impulsos autênticos deste mesmo Espírito, isto é, segundo a caridade, verdadeira medida dos carismas.

§801. É neste sentido que se faz sempre necessário o discernimento dos carismas. Nenhum carisma dispensa da reverência e da submissão aos Pastores da Igreja. "A eles em especial cabe não extinguir o Espírito, mas provar as coisas e ficar com o que é bom", a fim de que todos os carismas cooperem, em sua diversidade e complementaridade, para o "bem comum" (1Cor 12,7).

CIC - Catecismo da Igreja Católica

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Igreja: Corpo de Cristo

A Igreja é Comunhão com Jesus
§787. Desde o início, Jesus associou seus discípulos à sua vida revelou-lhes o Mistério do Reino, deu-lhes participar de sua missão, de sua alegria e de seus sofrimentos. Jesus fala de uma comunhão ainda mais íntima entre Ele e os que o seguiriam: "Permanecei em mim, como eu em vós... Eu sou a videira, e vós os ramos" (Jo 15,4-5). E anuncia uma comunhão misteriosa e real entre o seu próprio corpo e o nosso: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56).

§788. Quando sua presença visível lhes foi tirada, Jesus não deixou seus discípulos órfãos. Prometeu ficar com eles até o fim dos tempos, enviou-lhes seu Espírito. A comunhão com Jesus tornou-se, de certa maneira, mais intensa: "Ao comunicar seu Espírito, fez de seus irmãos, chamados de todos os povos, misticamente os componentes de seu próprio Corpo".

§789. A comparação da Igreja com o corpo projeta uma luz sobre os laços íntimos entre a Igreja e Cristo. Ela não é somente congregada em torno dele; é unificada nele, em seu Corpo. Cabe destacar mais especificamente três aspectos da Igreja-Corpo de Cristo:
·         a unidade de todos os membros entre si por sua união com Cristo;
·         Cristo Cabeça do Corpo;
·         a Igreja, Esposa de Cristo.

Um só corpo
§790. Os crentes que respondem à Palavra de Deus e se tornam membros do Corpo de Cristo ficam estreitamente unidos a Cristo: "Neste corpo, a vida de Cristo se difunde por meio dos crentes que os sacramentos, de forma misteriosa e real, unem a Cristo sofredor e glorificado" Isto é particularmente verdade com relação ao Batismo, pelo qual somos unidos à morte e à Ressurreição de Cristo, e com relação à Eucaristia, pela qual, "participando realmente do Corpo de Cristo", "somos elevados à comunhão com ele e entre nós"'

§791. A unidade do corpo não acaba com a diversidade dos membros: "Na edificação do corpo de Cristo, há diversidade de membros e de funções. Um só é o Espírito que distribui dons variados para o bem da Igreja segundo suas riquezas e as necessidades dos ministérios". A unidade do Corpo Místico produz e estimula entre os fiéis a caridade: "Por isso, se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; ou, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele". Finalmente, a unidade do Corpo Místico vence todas as divisões humanas: "Todos vós, com efeito, que fostes batizados em Cristo, vos vestistes de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus" (Gl 3,27-28).

Deste corpo, Cristo é a cabeça
§792. Cristo "é a Cabeça do Corpo que é a Igreja" (Cl 1,18) Ele é o Princípio da criação e da redenção. Elevado na glória do Pai "Ele tem em tudo a primazia" (Cl 1,18), principalmente sobre a Igreja, por meio da qual estende seu reino sobre todas as coisas.

§793. Ele nos une a sua Páscoa. Todos os membros devem esforçar-se por se assemelhar a ele "até Cristo ser formado neles" (Gl 4,19). "Por isso somos inseridos nos mistérios de sua vida, associamo-nos a suas dores como o corpo à Cabeça, para que padecendo com ele, sejamos com ele também glorificados”.

§794. Ele provê o nosso crescimento. Para fazer-nos crescer em direção a ele, nossa Cabeça, Cristo ordena em seu corpo, a Igreja, os dons e os serviços pelos quais nós nos ajudamos mutuamente no caminho da salvação.

§795. Cristo e a Igreja, eis, portanto, o "Cristo total" ("Christus totus"). A Igreja é una com Cristo. Os Santos têm uma consciência bem viva desta unidade:
  • Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornado não somente cristãos, mas o próprio Cristo. Compreendeis, irmãos, a graça que Deus nos concedeu ao dar-nos Cristo como Cabeça? Admirai e rejubilai, nós nos tornamos Cristo. Com efeito, uma vez que Ele é a Cabeça e nós somos os membros, o homem inteiro é constituído por Ele e por nós. A plenitude de Cristo é, portanto, a Cabeça e os membros. O que significa isto: a Cabeça e os membros? Cristo e a Igreja. (Santo Agostinho)
  • Nosso Redentor mostrou-se como uma só pessoa com a santa Igreja, que ele assumiu. (São Gregório Magno)
  • Cabeça e membros são como uma só pessoa mística. (São Tomas de Aquino)
  • Uma palavra de Santa Joana d'Arc a seus juízes resume a fé dos santos Doutores e exprime o bom senso do crente: "Quanto a Jesus Cristo e à Igreja, parece-me que são uma só coisa e que não se deve fazer objeções a isso”.
A Igreja é a esposa de Cristo
§796. A unidade entre Cristo e a Igreja, Cabeça e membros do Corpo, implica também a distinção dos dois em uma relação pessoal. Este aspecto é muitas vezes expresso pela imagem do Esposo e da Esposa. O tema de Cristo Esposo da Igreja foi preparado pelos Profetas e anunciado por João Batista. O Senhor mesmo designou-se como "o Esposo" (Mc 2,19). O apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro de seu Corpo, como uma Esposa "desposada" com Cristo Senhor, para ser com Ele um só Espírito. Ela é a Esposa imaculada do Cordeiro imaculado, a qual Cristo "amou, pela qual se entregou, a fim de santificá-la" (Ef 5,26), que associou a si por uma Aliança eterna e da qual não cessa de cuidar como de seu próprio Corpo.
  • Eis o Cristo total, Cabeça e Corpo, um só formado por muitos... Seja a cabeça a falar, seja os membros, é sempre Cristo quem fala. Fala desempenhando o papel da Cabeça ["ex persona capitis"], fala desempenhando o papel do Corpo ["ex persona corporis"]. Conforme o que está escrito: "Serão dois em uma só carne. Eis um grande mistério: refiro-me a Cristo e à Igreja" (Ef 5,31-32). E o Senhor mesmo diz no Evangelho: "Já não são dois, mas uma só carne" (Mt 19,6). Como vistes, há de fato duas pessoas diferentes, e todavia elas constituem uma só coisa no amplexo conjugal. Na qualidade de Cabeça ele se diz "Esposo", na qualidade de Corpo se diz "Esposa". (Santo Agostinho)

CIC - Catecismo da Igreja Católica

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Morte dos Santos inocentes

Menino Bernardo
Herodes daqui, Herodes de lá. O tirano continua a matar.
Matou os inocentes, matou Isabela, Joaquim, e agora Bernardo.
Quantos outros ainda irá matar? Quantos outros teremos de chorar?
Aquele menino gaúcho, tranquilo, abraços ele pedia sem cessar.
Pedia ajuda, queria um lar.
A nossa justiça, senhora falida, o menino Bernardo à Herodes mandou entregar.
Parecia Pilatos, suas mãos a lavar.
Era um doce menino que queria um lar.
Na comunidade ele sempre estava a ajudar.
Era coroinha, servia ao altar, na igreja da Mártir Inês, e ele estava a trabalhar.
Na sua comunidade encontrava forças para voltar para casa e a Herodes encontrar.
Quantos outros nós iremos chorar?
Choremos agora, choremos sem cessar, mas saiamos de nós mesmos e nos coloquemos a lutar, a gritar, a reclamar!
Os inocentes não devem mais pagar! Sua vida Herodes não pode mais tirar!
No céu ele está, num Santo lugar.
O menino Bernardo não precisa mais chorar.
Pela sua morte dolorosa, com Jesus a Cruz, ele estava a carregar.
E agora com Jesus, Bernardo ressuscitado está.
Pequeno gaúchinho, menino carinhoso, pede por nós a Jesus.
Que ele nos console. Que Herodes não retorne.
Que os inocentes vivam, em paz, tranquilos, na Luz.
Seminarista Adailton Gomes
https://www.facebook.com/adailtongomesnogueira
23/04/2014

sábado, 12 de abril de 2014

Boa nova da Família

A boa nova da família
§114. Proclamamos com alegria o valor da família na América Latina e no Caribe. O Papa Bento XVI afirma que a família, “patrimônio da humanidade, constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos. Ela tem sido e é escola da fé, palestra de valores humanos e cívicos, lar em que a vida humana nasce e se acolhe generosa e responsavelmente...
- A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação de seus filhos”.

§115. Agradecemos a Cristo que nos revela que “Deus é amor e vive em si mesmo um mistério pessoal de amor” e, optando por viver em família em meio a nós, a eleva à dignidade de ‘Igreja Doméstica’.

§116. Bendizemos a Deus por haver criado o ser humano, homem e mulher, ainda que hoje se queira confundir esta verdade:
“Criou Deus os seres humanos à sua imagem; à imagem de Deus os criou, homem e mulher os criou” (Gn 1,27). Pertence à natureza humana que o homem e a mulher busquem um no outro sua reciprocidade e complementaridade.

§117. O fato de sermos amados por Deus enche-nos de alegria.
- O amor humano encontra sua plenitude quando participa do amor divino, do amor de Jesus que se entrega solidariamente por nós em seu amor pleno até o fim (cf. Jo 13,1; 15,9).
- O amor conjugal é a doação recíproca entre um homem e uma mulher, os esposos: é fiel e exclusivo até à morte e fecundo, aberto à vida e à educação dos filhos, assemelhando-se ao amor fecundo da Santíssima Trindade.
- O amor conjugal é assumido no Sacramento do Matrimônio para significar a união de Cristo com sua Igreja. Por isso, na graça de Jesus Cristo encontra sua purificação, alimento e plenitude (Ef 5,23-33).

§118. No seio de uma família, a pessoa descobre os motivos e o caminho para pertencer à família de Deus. Dela recebemos a vida que é a primeira experiência do amor e da fé. O grande tesouro da educação dos filhos na fé consiste na experiência de uma vida familiar que recebe a fé, a conserva, a celebra, a transmite e dá testemunho dela. Os pais devem tomar nova consciência de sua alegre e irrenunciável responsabilidade na formação integral dos filhos.

§119. Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões. - A presença invocada de Cristo através da oração em família nos ajuda a superar os problemas, a curar as feridas e abre caminhos de esperança.
- Muitos vazios de lar podem ser atenuados através de serviços prestados pela comunidade eclesial, família de famílias.

A boa nova da atividade humana
O trabalho
§120. Louvamos a Deus porque na beleza da criação, que é obra de suas mãos, resplandece o sentido do trabalho como participação na sua tarefa criadora e como serviço aos irmãos e irmãs. Jesus, o carpinteiro (cf. Mc 6,3), dignificou o trabalho e o trabalhador e recorda que o trabalho não é mero apêndice da vida, mas que “constitui uma dimensão fundamental da existência do homem na terra”, pela qual o homem e a mulher se realizam como seres humanos. O trabalho garante a dignidade e a liberdade do homem, e é provavelmente “a chave essencial de toda ‘a questão social’”.

§121. Damos graças a Deus porque sua palavra nos ensina que, apesar do cansaço que muitas vezes acompanha o trabalho, o cristão sabe que este, unido à oração, serve não só para o progresso terreno, mas também para a santificação pessoal e a construção do Reino de Deus. O desemprego, a injusta remuneração pelo trabalho e o viver sem querer trabalhar são contrários ao desígnio de Deus. O discípulo e o missionário, respondendo a esse desígnio, promovem a dignidade do trabalhador e do trabalho, o justo reconhecimento de seus direitos e de seus deveres, desenvolvem a cultura do trabalho e denunciam toda injustiça.
- A salvaguarda do domingo, como dia de descanso, de família e de culto ao Senhor, garante o equilíbrio entre trabalho e repouso.
- Cabe à comunidade criar estruturas que ofereçam trabalho às pessoas deficientes, segundo suas possibilidades.

§122. Louvamos a Deus pelos talentos, estudo e decisão de homens e mulheres para promover iniciativas e projetos geradores de trabalho e produção, que elevam a condição humana e o bem-estar da sociedade. A atividade empresarial é boa e necessária quando respeita a dignidade do trabalhador, o cuidado do meio-ambiente e se orienta para o bem comum.
- Perverte-se quando, buscando só o lucro, atenta contra os direitos dos trabalhadores e a justiça.

A ciência e a tecnologia
§123. Louvamos a Deus por aqueles que cultivam as ciências e a tecnologia, oferecendo imensa quantidade de bens e valores culturais que têm contribuído, entre outras coisas, para prolongar a expectativa de vida e sua qualidade. No entanto, a ciência e a tecnologia não têm as respostas às grandes interrogações da vida humana. A resposta última às questões fundamentais do homem só pode vir de uma razão e ética integrais, iluminadas pela revelação de Deus. Quando a verdade, o bem e a beleza se
separam; quando a pessoa humana e suas exigências fundamentais não constituem o critério ético, a ciência e a tecnologia voltam-se contra o homem que as criou.

§124. Hoje em dia as fronteiras traçadas entre as ciências se desvanecem. Com este modo de compreender o diálogo, sugere-se a ideia de que nenhum conhecimento é completamente autônomo. Esta situação abre um terreno de oportunidades à teologia para interagir com as ciências sociais.

A boa nova do destino universal dos bens e da ecologia
§125. Junto com os povos originários da América, louvamos ao Senhor que criou o universo como espaço para a vida e a convivência de todos os seus filhos e filhas e no-los deixou como sinal de sua bondade e de sua beleza. A criação também é manifestação do amor providente de Deus; foi-nos entregue para que cuidemos dela e a transformemos em fonte de vida digna para todos. Ainda que hoje se tenha generalizado maior valorização da natureza, percebemos claramente de quantas maneiras o homem ameaça e inclusive destrói seu ‘hábitat’. “Nossa irmã a mãe terra” é nossa casa comum e o lugar da aliança de Deus com os seres humanos e com toda a criação. Desatender as mútuas relações e o equilíbrio que o próprio Deus estabeleceu entre as realidades criadas, é uma ofensa ao Criador, um atentado contra a biodiversidade e, definitivamente, contra a vida. O discípulo missionário, a quem Deus confiou a criação, deve contemplá-la, cuidar dela e utilizá-la, respeitando sempre a ordem dada pelo Criador.

§126. A melhor forma de respeitar a natureza é promover uma ecologia humana aberta à transcendência que, respeitando a pessoa e a família, os ambientes e as cidades, segue a indicação paulina de recapitular as coisas em Cristo e de louvar com Ele ao Pai (cf. 1 Cor 3,21-23). O Senhor entregou o mundo para todos, para os das gerações presentes e futuras. O destino universal dos bens exige a solidariedade com as gerações presentes e as futuras.
- Visto que os recursos são cada vez mais limitados, seu uso deve estar regulado segundo um princípio de justiça distributiva, respeitando o desenvolvimento sustentável.

O Continente da esperança e do amor
§127. Como discípulos e missionários agradecemos a Deus porque a maioria dos latino-americanos e caribenhos estão batizados.
- A providência de Deus nos confiou o precioso patrimônio de pertencer à Igreja pelo dom do batismo que nos tem feito membros do Corpo de Cristo, povo de Deus peregrino em terras americanas há mais de quinhentos anos.
- Alenta nossa esperança a multidão de nossas crianças, os ideais de nossos jovens e o heroísmo de muitas de nossas famílias que, apesar das crescentes
dificuldades, seguem sendo fiéis ao amor. Agradecemos a Deus a religiosidade de nossos povos que resplandece na devoção ao Cristo sofredor e à sua Mãe bendita, na veneração aos Santos com suas festas patronais, no amor ao Papa e aos demais pastores, no amor à Igreja universal como grande família de Deus que nunca pode nem deve deixar seus próprios filhos a sós ou na miséria.

§128. Reconhecemos o dom da vitalidade da Igreja que peregrina na América Latina e no Caribe, sua opção pelos pobres, suas paróquias, suas comunidades, suas associações, seus movimentos eclesiais, novas comunidades e seus múltiplos serviços sociais e educativos. Louvamos ao Senhor por ter feito deste continente um espaço de comunhão e comunicação de povos e culturas indígenas. Também agradecemos o protagonismo que vão adquirindo setores que foram deslocados: mulheres, indígenas, afro-americanos, homens do campo e habitantes de áreas marginais das grandes cidades. Toda a vida de nossos povos fundada em Cristo e redimida por Ele, pode olhar para o futuro com esperança e alegria, acolhendo o chamado do Papa Bento XVI:
“Só da Eucaristia brotará a civilização do amor que transformará a América latina e o Caribe para que, além de ser o Continente da esperança, seja também o Continente do amor!”

Documento de Aparecida-2007

sábado, 30 de novembro de 2013

Cristão, reconhece tua dignidade

A vida em Cristo
Cristão, reconhece a tua dignidade.
- Por participares agora da natureza divina, não te degeneres, retornando à decadência de tua vida passada:
  • Lembra-te da Cabeça a que pertences e do Corpo de que és membro.
  • Lembra-te de que foste arrancado do poder das trevas e transferido para a luz e o Reino de Deus.

- O Símbolo da fé professou a grandeza dos dons de Deus ao homem na obra de sua criação e, mais ainda, pela redenção e santificação.
- O que a fé confessa os sacramentos comunicam; pelos "sacramentos que os fizeram renascer", os cristãos se tornaram:
·         "filhos de Deus" (1Jo 3,1),
·         "participantes da natureza divina" (Pd 1,4).
- Reconhecendo na fé sua nova dignidade, os cristãos são chamados a levar a partir de então uma "vida digna do Evangelho de Cristo".
- Pelos sacramentos e pela oração, recebem a graça de Cristo e os dons de seu Espírito, que os tomam capazes disso.

- Jesus Cristo sempre fez o que era do agrado do Pai. Sempre viveu em perfeita comunhão com Ele.
- Também os discípulos são convidados a viver sob o olhar do Pai, "que vê o que esta oculto" (Mt 6,6), para se tomarem "perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" Mt 5,48).
- Incorporados a Cristo pelo Batismo, os cristãos estão "mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus", participando assim da vida do Ressuscitado.
- Seguindo a Cristo e em união com ele, podem procurar "tornar-se imitadores de Deus como filhos amados e andar no amor", conformando seus pensamentos, palavras e ações aos "sentimentos de Cristo Jesus e seguindo seus exemplos".

- "Justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus" (1Cor 5,11), "santificados... chamados a ser santos", os cristãos se tornaram "templo do Espírito Santo" (1Cor 6,19).
- Esse "Espírito do Filho" os ensina a orar ao Pai e, tendo-se tornado vida deles, os faz agir para carregarem em si "os frutos do Espírito" pela caridade operante.
- Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo nos "renova pela transformação espiritual de nossa mente", ele nos ilumina e fortifica para vivermos como "filhos da luz" (Ef 5,8), na "bondade, justiça e verdade" em todas as coisas (Ef 5,9).

O caminho de Cristo "conduz à vida",
um caminho contrário "leva à perdição".
- A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. Significa a importância das decisões morais para nossa salvação. Há dois caminhos, um da vida e outro da morte; mas entre os dois há grande diferença.

  • “Peço que considereis que Jesus Cristo nosso Senhor é vossa verdadeira Cabeça e que vós sois um de seus membros. Ele é para vós o que a Cabeça é para os membros; tudo o que é dele é vosso, seu espírito, coração, corpo, alma e todas as suas faculdades, e deveis fazer uso disso como coisa vossa para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Vós sois em relação a Ele o que os membros são em relação à cabeça. Assim, Ele deseja ardentemente fazer uso de tudo o que está em vós para o serviço e a glória de seu Pai, como coisa sua.” (São João Eudes)
CIC-Catecismo da Igreja Católica 1691-1696

Para mim , viver é Cristo (Fl 1,21)
  • Tu, que segues Cristo e o imitas;
  • Tu, que vives na Palavra de Deus;
  • Tu, que meditas sobre sua lei noite e dia;
  • Tu, que observas os seus mandamentos;
  • Tu, estás sempre no santuário e nunca sais dele.
- Não é em um lugar que se deve procurar o santuário, mas nos atos, na vida, nos costumes.
- Se eles são conforme os preceitos de Deus e se eles se cumprem segundo os seus desígnios, pouco importa que estejas em tua casa ou no fórum, pouco importa que estejas até mesmo no teatro: Se tu serves ao Verbo de Deus, tu estás no santuário, não tenha nenhuma duvida.

Homilias sobre Orígenes- Levitico, XII,4

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Marcos 10, 13-16

“Apresentaram-lhe, então, crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
Vendo-os, Jesus indignou-Se e disse-lhes: ‘Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se assemelham a eles. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará’.

Em seguida, Ele abraçou e abençoou as crianças, impondo-lhes Suas Mãos.”

“Ele está no meio de nós”, hoje.
‘Toque’ e ação de Jesus
Efeito do ‘Toque’
Palavra         (Deus se Revela)
Purifica a Alma
Sacramentos (Deus se Doa)
Purifica o Corpo
Próximo        (Deus dá sentido a vida)
Purifica o Coração
Quanto mais unido a Jesus, mais purificado se fica.

Deus faz a parte D’Ele, nós fazemos a nossa
Temos que ter ‘disposição’, ‘desejo santo’, ‘acolhimento (Jo 12, 47)’, e ‘adesão ao projeto Divino’.
“Minha alma tem sede de ti, minha carne te deseja com ardor” Salmo 62

2-tipos de ‘desejo’
Pureza e Impureza Tito 1, 15-16
“Para os puros, todas as coisas são puras;
mas para os impuros e descrentes, nada é puro:
  • Tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.
  • Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos, pois são abomináveis, desobedientes e incapazes para qualquer boa obra.”

A adesão a Cristo supõe a Imitação de Cristo

Entrada Impureza
Resgate Pureza
CORPO                       Sentidos*                                      Jejum Corporal
(Sede dos Sentidos)                                                                    Castidade
Tiago 1, 13-15

ALMA                         Vontade                                         Fugir das ocasiões
(Sede das Potências)                                                                  Inteligência c/ Sabedoria
                                                                                                   Memória constante Deus
                                                                                                   Vontade de Deus
Sabedoria 7, 22-30
10º Mandamento Desejo desordenado-Instrui nos desejos do Espírito Santo CIC 2534-57

CORAÇÃO                    Amor próprio                            * Desprendimento bens:
(Sede Personalidade Moral)                                                      materiais e criaturas
                                                 Egoísmo                                     * Preparado para perder:
                                                                                                   tudo e todos
Marcos 7, 20-23 / Filipenses 4, 8-9
9º Mandamento: Desejo da carne-Luta pela pureza do coração CIC 2514-33

- Nada existe no intelecto sem antes passar pelos sentidos:
* “A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa a vista, e que essa árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou o fruto e comeu. Deu também ao seu marido” Gênesis 3, 6
Viu: corpo
Desejável: alma
Deu ao marido: coração

* “Aquele que olha para a mulher com desejo já cometeu adultério no seu coraçãoMateus 5, 27
Olha: corpo
Desejo: alma
Coração: coração


‘Aderir’ e ‘Permanecer’ em Jesus
- O Senhor nos convida 11-vezes em João 15 a ‘permanecer’ N’Ele:
  • O Espírito Santo nos capacita a fazer o mundo a voltar a Deus;
  • Restauramos a Beleza Original;
  • Levantamos uma barreira a nossa volta contra o mal e o pecado;
  • Obtemos nossa conversão e daqueles a quem o Senhor nos confiar.

Maria, nosso modelo de pureza
- Escolhida para ser pura e receber o puro.
“Quando o Espírito Santo, seu Esposo encontra Maria numa alma, voa para ela, entra na alma com plenitude e comunicasse-lhe tanto mais abundantemente quanto maior lugar esta alma dá a sua Esposa”
São Luiz Maria G Monfort


Homem novo
- Deus nos ‘concedeu’ os meios para nos ‘aperfeiçoar’ até que alcancemos:
  • a unidade da fé;
  • o pleno conhecimento do Filho de Deus,
  • e o estado do Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo.
- Por isso,
  • remova o vosso modo de vida anterior –Homem velho- e 
  • revista-se do –Homem novo- criado na justiça e santidade da verdade. Efésios 4

  

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Igreja cresce por atração

Viver em comunhão
§158. Igual às primeiras comunidades de cristãos, hoje nos reunimos assiduamente para:
  • “escutar o ensinamento dos apóstolos,
  • viver unidos e tomar parte no partir do pão e nas orações”
- A comunhão da Igreja se nutre com o Pão da Palavra de Deus e com o Pão do Corpo de Cristo. A Eucaristia, participação de todos no mesmo Pão de Vida e no mesmo Cálice de Salvação, nos faz membros do mesmo Corpo (cf. 1 Cor 10,17).
Ela é a fonte e o ponto mais alto da vida cristã, sua expressão mais perfeita e o alimento da vida em comunhão. Na Eucaristia, nutrem-se as novas relações evangélicas que surgem do fato de sermos filhos e filhas do Pai e irmãos e irmãs em Cristo. A Igreja que a celebra é “casa e escola de comunhão”, onde os discípulos compartilham a mesma fé, esperança e amor a serviço da missão evangelizadora.

§159. A Igreja, como “comunidade de amor” é chamada a refletir a glória do amor de Deus, que é comunhão, e assim atrair as pessoas e os povos para Cristo. No exercício da unidade desejada por Jesus, os homens e mulheres de nosso tempo se sentem convocados e recorrem à formosa aventura da fé.
“Que também eles vivam unidos a nós para que o mundo creia” (Jo 17,21). 
- A Igreja cresce, não por proselitismo mas “por ‘atração’:
  • como Cristo ‘atrai tudo para si’ com a força do seu amor”.
  • A Igreja “atrai” quando vive em comunhão, pois os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou (cf. Rm 12,4-13; Jo 13,34). (Bento XVI/13.05.2007)

§160. A Igreja peregrina vive antecipadamente a beleza do amor que se realizará no final dos tempos na perfeita comunhão com Deus e com os homens. Sua riqueza consiste em viver, já neste tempo, a “comunhão dos santos”, ou seja, a comunhão nos bens divinos entre todos os membros da Igreja, em particular entre os que peregrinam e os que já gozam da glória. Constatamos que em nossa Igreja existem numerosos católicos que expressam sua fé e sua pertença de forma esporádica, especialmente através da piedade a Jesus Cristo, à Virgem e sua devoção aos santos.
- Convidamos esses a aprofundarem sua fé e participarem mais plenamente na vida da Igreja recordando-lhes que:
“em virtude do batismo,
são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo”.

§161. A Igreja é comunhão no amor. Esta é sua essência e o sinal através do qual é chamada a ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade. O novo mandamento é o que une os discípulos entre si, reconhecendo-se como irmãos e irmãs, obedientes ao mesmo Mestre, membros unidos à mesma Cabeça e, por isso, chamados a cuidarem uns dos outros (1Cor 13; Cl 3,12-14).

§162. A diversidade de carismas, ministérios e serviços, abre o horizonte para o exercício cotidiano da comunhão através da qual os dons do Espírito são colocados à disposição dos demais para que circule a caridade (cf. 1Cor 12,4-12).
- De fato, cada batizado é portador de dons que deve desenvolver em unidade e complementaridade com os dons dos outros, a fim de formar o único Corpo de Cristo, entregue para a vida do mundo. O reconhecimento prático da unidade orgânica e da diversidade de funções assegurará maior vitalidade missionária e será sinal e instrumento de reconciliação e paz para nossos povos.
- Cada comunidade é chamada a descobrir e integrar os talentos escondidos
e silenciosos que o Espírito presenteia aos fiéis.

Documento de Aparecida

domingo, 10 de novembro de 2013

Função Régia

Somos participantes da função Régia de Cristo
- Por sua obediência até a morte, Cristo comunicou a seus discípulos o dom da liberdade régia, "para que vençam em si mesmos o reino do pecado, por meio de sua abnegação e vida santa":
  • Aquele que submete seu próprio corpo e governa sua alma, sem deixar-se submergir pelas paixões, é seu próprio senhor (é dono de si mesmo): pode ser chamado rei porque é capaz de reger sua própria pessoa; é livre e independente e não se deixa aprisionar por uma escravidão culposa.
- Além disso, com forças conjugadas, que os leigos sanem as instituições e condições do mundo, caso estas incitem ao pecado. E isto de tal modo que todas essas coisas se conforme com as normas da justiça e, em vez de a elas se opor, antes favoreçam o exercício das virtudes:
  • Agindo dessa forma impregnarão de valor moral a cultura e as obras humanas.
- Os leigos podem também sentir-se chamados ou vir a ser chamados para colaborar com os próprios pastores no serviço da comunidade eclesial, para o crescimento e a vida da mesma, exercendo ministérios bem diversificados, segundo a graça e os carismas que o Senhor quiser depositar neles:
  • Na Igreja, "os fiéis leigos podem cooperar juridicamente no exercício do poder de governo" Isto se diz de sua presença nos concílios particulares, nos sínodos diocesanos nos conselhos pastorais; do exercício do encargo pastoral de uma paróquia; da colaboração nos conselhos de assuntos econômicos; da participação nos tribunais eclesiásticos etc.
- Os fiéis devem distinguir acuradamente entre os direitos e os deveres que lhes incumbem enquanto membros da Igreja e os que lhes competem enquanto membros da sociedade humana:
  • Procurarão conciliar ambos harmonicamente entre si, lembrados de que em qualquer situação temporal devem conduzir-se pela consciência cristã, uma vez que nenhuma atividade humana, nem mesmo nas coisas temporais, pode ser subtraída ao domínio de Deus.
- Assim, todo leigo, em virtude dos dons que lhe foram conferidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da própria missão da Igreja "pela medida do dom de Cristo" (Efésios 4,7).

CIC-Catecismo da Igreja Católica §908-913

Função Profética

Somos participantes da função Profética de Cristo
- Cristo... exerce seu múnus profético não somente por meio da hierarquia... mas também por meio dos leigos, fazendo deles testemunhas e provendo-os do senso da fé e da graça da palavra:
  • Ensinar alguém para levá-lo à fé é a tarefa de cada pregador e até de cada crente.

- Os leigos exercem sua missão profética também pela evangelização, "isto é, o anúncio de Cristo feito pelo testemunho da vida e pela palavra". Nos leigos, esta evangelização... adquire características específicas e eficácia peculiar pelo fato de se realizar nas condições comuns do século:
  • Este apostolado não consiste apenas no testemunho da vida: o verdadeiro Apóstolo procura as ocasiões para anunciar Cristo pela palavra, seja aos descrentes... seja aos fiéis.

- Os leigos que forem capazes e que se formarem para isto podem também dar sua colaboração na formação catequética, no ensino das ciências sagradas e atuar nos meios de comunicação social.
  • De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, deem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis.

 CIC-Catecismo da Igreja Católica §901-903

Função Sacerdotal


Os fiéis leigos
- Sob o nome de leigos entendem-se aqui todos os cristãos, exceto os membros das Sagradas Ordens ou do estado religioso reconhecido na Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados a Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e a seu modo feitos participantes da função sacerdotal, profética e régia de Cristo, exercem, em seu âmbito, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo.

A vocação dos leigos
- É especifico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus.
- A eles, portanto, cabe de maneira especial iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, as quais estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor.
- A iniciativa dos cristãos leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar as realidades sociais, políticas e econômicas com as exigências da doutrina e da vida cristãs. Esta iniciativa é um elemento normal da vida da Igreja.
  • Os fiéis leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja: graças a eles a Igreja é o princípio vital da sociedade humana. Por isso, especialmente eles devem ter uma consciência sempre mais clara não somente de pertencerem à Igreja, mas de serem Igreja, isto é, a comunidade dos fiéis na terra sob a direção do Chefe comum, o Papa, e dos Bispos em comunhão com ele. Eles são a Igreja.
- Uma vez que, como todos os fiéis, os leigos são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, eles têm a obrigação e gozam do direito, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente por meio deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que sem ela o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito.

Somos participantes da função Sacerdotal de Cristo
- Os leigos, em virtude de sua consagração a Cristo e da unção do Espírito Santo, recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos sempre mais abundantes.
  • Assim, todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal e familiar, trabalho cotidiano, descanso do corpo e da alma, se praticados no Espírito, e mesmo as provações da vida, pacientemente suportadas, se tornam 'hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo' (l Pd 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a oblação do Senhor na celebração da Eucaristia.

- É assim que os leigos consagram a Deus o próprio mundo, prestando a Ele, em toda parte, na santidade de sua vida, um culto de adoração.

  • De maneira especial, os pais participam do múnus de santificação quando levam uma vida conjugal com espírito cristão e velando pela educação cristã dos filhos.
  • Se tiverem as qualidades exigidas os leigos podem ser admitidos de maneira estável aos ministérios' de leitores e de acólitos.
  • Onde a necessidade da Igreja o aconselhar, podem também os leigos, na falta de ministros mesmo não sendo leitores ou acólitos, suprir alguns de seus ofícios, a saber, exercer o ministério da palavra, presidir às orações litúrgicas administrar o Batismo e distribuir a sagrada Comunhão de acordo com as prescrições do direito.
CIC-Catecismo da Igreja Católica §897-900

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Vida em Cristo

Cristão, reconhece a tua dignidade.
- Por participares agora da natureza divina, não te degeneres, retornando à decadência de tua vida passada:
  • Lembra-te da Cabeça a que pertences e do Corpo de que és membro.
  • Lembra-te de que foste arrancado do poder das trevas e transferido para a luz e o Reino de Deus.
- Em nossa profissão de fé (Creio em Deus Pai Todo Poderoso...) professamos a grandeza dos dons de Deus ao homem na obra de sua criação, redenção e santificação.
- O que a fé confessa os sacramentos comunicam:
  • pelos sacramentos que os fizeram renascer, os cristãos se tornaram "filhos de Deus" e "participantes da natureza divina".
- Reconhecendo na fé sua nova dignidade, os cristãos são chamados a levar a partir de então uma "vida digna do Evangelho de Cristo":
  • Pelos sacramentos e pela oração, recebem a graça de Cristo e os dons de seu Espírito, que os tornam capazes disso.
Cristão, seja imitador de Cristo.
- Jesus Cristo sempre fez o que era do agrado do Pai. Sempre viveu em perfeita comunhão com Ele. Também os discípulos são convidados a viver sob o olhar do Pai, "que vê o que está oculto", para se tornarem "perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48).
- Incorporados a Cristo pelo Batismo, os cristãos estão "mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus", participando assim da vida do Ressuscitado. Seguindo a Cristo e em união com ele, podem procurar "tornar-se imitadores de Deus como filhos amados e andar no amor", conformando seus pensamentos, palavras e ações aos "sentimentos de Cristo Jesus e seguindo seus exemplos".
- "Justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus", "santificados... chamados a ser santos", os cristãos se tornaram "templo do Espírito Santo" (1Cor 6,19).
  • Esse "Espírito do Filho" os ensina a orar ao Pai e, tendo-se tornado vida deles, os faz agir para carregarem em si "os frutos do Espírito" pela caridade operante.
  • Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo nos "renova pela transformação espiritual de nossa mente", ele nos ilumina e fortifica para vivermos como "filhos da luz, na bondade, justiça e verdade" em todas as coisas (Ef 5,8-9).
Viver em Cristo.
- O caminho de Cristo "conduz à vida", um caminho contrário "leva à perdição". A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. Significa a importância das decisões morais para nossa salvação.
  • Há dois caminhos: um da vida e a felicidade e outro da morte e a infelicidade; mas entre os dois há grande diferença.(Deut 30, 15-20)
- A Igreja revela com toda clareza a alegria e as exigências do caminho de Cristo, ou seja, a "vida nova" em Cristo é:
* Viver do Espírito Santo, Mestre interior da vida segundo Cristo, doce hóspede e amigo que inspira, conduz, retifica e fortifica esta vida. Por ser o Espírito Santo a unção de Cristo, é Cristo, a Cabeça do Corpo, que o difunde em seus membros, para alimentá-los, curá-los, organizá-los em suas funções mútuas, vivificá-los, enviá-los a testemunhar, associá-los à sua oferta ao Pai e à sua intercessão pelo mundo inteiro.

* Viver da graça, pois é pela graça que somos salvos, e é pela graça que nossas obras podem produzir frutos para a vida eterna.
* Viver as bem-aventuranças, pois o caminho de Cristo se resume às bem-aventuranças (Mt 5, 3-12), único caminho para a felicidade eterna, à qual o coração do homem aspira. As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem, a fim de atraí-lo a si, pois só ELE pode satisfazê-lo.

* Viver o perdão após o pecado, pois, sem reconhecer-se pecador, o homem não pode conhecer a verdade sobre si mesmo, condição do reto agir, e sem a oferta do perdão não poderia suportar essa verdade. "Deus nos criou sem nós, mas não quis salvar-nos sem nós." Acolher sua misericórdia exige de nossa parte a confissão de nossas faltas. "Se dissermos: 'Não temos pecado', enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos nossos pecados, Ele, que é fiel e justo, perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça".
* Viver as virtudes humanas, que faz abraçar a beleza e a atração das retas disposições em vista do bem. As virtudes humanas são disposições estáveis da inteligência e da vontade que, regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Podem ser agrupadas em torno de quatro virtudes cardeais: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
* Viver as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade, que se inspira com prodigalidade no exemplo dos santos. As virtudes teologais dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade. Têm a Deus por origem, motivo e objeto, Deus conhecido pela fé, esperado e amado por causa de si mesmo.

* Viver o duplo mandamento da caridade desenvolvido no Decálogo. Os Dez Mandamentos enunciam as exigências do amor de Deus e do próximo. Os três primeiros se referem mais ao amor de Deus, e os outros sete ao amor do próximo. O que Deus manda, torna-o possível por sua graça.

* Viver em comunidade, pois é nos múltiplos intercâmbios dos "bens espirituais" na "comunhão dos santos" que a vida cristã pode crescer, desenvolver-se e comunicar-se. "Uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros... Assim, é preciso crer que existe uma comunhão dos bens na Igreja. Mas o membro mais importante é Cristo, por ser a Cabeça... Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz por meio dos sacramentos da Igreja." Como esta Igreja é governada por um só e mesmo Espírito, todos os bens que ela recebeu se tornam necessariamente um fundo comum. O menor dos nossos atos praticado na caridade irradia em benefício de todos, nesta solidariedade com todos os homens, vivos ou mortos, que se funda na comunhão dos santos. Todo pecado prejudica esta comunhão.

Jesus Cristo, é "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6).
- Contemplando-o na fé, os fiéis podem esperar que Cristo realize neles suas promessas e, amando-o com o amor com que Ele os amou, façam as obras que correspondem à sua dignidade:
  • “Peço que considereis que Jesus Cristo nosso Senhor é vossa verdadeira Cabeça e que vós sois um de seus membros. Ele é para vós o que a Cabeça é para os membros; tudo o que é dele é vosso, seu espírito, coração, corpo, alma e todas as suas faculdades, e deveis fazer uso disso como coisa vossa para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Vós sois em relação a Ele o que os membros são em relação à cabeça. Assim, Ele deseja ardentemente fazer uso de tudo o que está em vós para o serviço e a glória de seu Pai, como coisa sua.” (São João Eudes)
  • “Para mim, viver é Cristo” (São Paulo Fl 1,21)

CIC-Catecismo da Igreja Católica 1691-1698