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domingo, 12 de janeiro de 2014

Pecado original

O pecado original
A liberdade posta a prova
- Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu em sua amizade.
- Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade como livre submissão a Deus. É o que exprime a proibição, feita ao homem, de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, "pois, no dia em que dela comeres, terás de morrer" (Gn 2,17). "A árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gn 2,l7) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e respeitar com confiança. O homem depende do Criador, está  submetido às leis da criação e às normas morais que regem o uso da liberdade.

O primeiro pecado do homem
- O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem:
  • Todo pecado, daí em diante, será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade.
- Neste pecado, o homem preferiu a si mesmo a Deus, e com isso menosprezou a Deus: optou por si mesmo contra Deus, contrariando as exigências de seu estado de criatura e consequentemente de seu próprio bem.
- Constituído em um estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente "divinizado" por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis "ser como Deus", mas "sem Deus, e antepondo-se a Deus, e não segundo Deus".
- A Escritura mostra as consequências dramáticas desta primeira desobediência. Adão e Eva perdem de imediato a graça da santidade original. Têm medo deste Deus, do qual fizeram uma falsa imagem, a de um Deus enciumado de suas prerrogativas.
- A harmonia na qual estavam, estabelecida graças à justiça original, está destruída:
  • o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo é rompido;
  • a união entre o homem e a mulher é submetida a tensões;
  • suas relações serão marcadas pela cupidez e pela dominação (cf. Gn 3, 16).
  • A harmonia com a criação está rompida:
a criação visível tornou-se para o homem estranha e hostil.
Por causa do homem, a criação está submetida "à servidão da corrupção".
Finalmente, vai realizar-se a consequência explicitamente anunciada para o caso de desobediência: homem "voltará  ao pó do qual é formado" A morte entra na história da humanidade.
- A partir do primeiro pecado, uma verdadeira "invasão" do pecado inunda o mundo:
  • o fratricídio cometido por Caim contra Abel;
  • a corrupção universal em decorrência do pecado;
  • na história de Israel, o pecado se manifesta frequentemente e sobretudo como uma infidelidade ao Deus da Aliança e como transgressão da Lei de Moisés;
  • e mesmo após a Redenção de Cristo, entre os cristãos, o pecado se manifesta de muitas maneiras. A Escritura e a Tradição da Igreja não cessam de recordar a presença e a universalidade do pecado na história do homem:
- O que nos é manifestado pela Revelação divina concorda com a própria experiência. Pois o homem, olhando para seu coração, descobre-se também inclinado ao mal e mergulhado em múltiplos males que não podem provir de seu Criador, que é bom. Recusando-se muitas vezes a reconhecer Deus como seu princípio, o homem destruiu a devida ordem em relação ao fim último e, ao mesmo tempo, toda a sua harmonia consigo mesmo, com os outros homens e com as coisas criadas.

Consequências do pecado de Adão para a humanidade
- Todos os homens estão implicados no pecado de Adão:
  • São Paulo o afirma: "Pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores" (Rm 5,19). "Como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram..." (Rm 5,12).
- A universalidade do pecado e da morte o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo:
  • "Assim como da falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só (a de Cristo), resultou para todos os homens justificação que traz a vida" (Rm 5,18).
- Na linha de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens e sua inclinação para o mal e para a morte são incompreensíveis, a não ser referindo-se ao pecado de Adão e sem o fato de que este nos transmitiu um pecado que por nascença nos afeta a todos e é "morte da alma".
  • Em razão desta certeza de fé, a Igreja ministra o batismo para a remissão dos pecados mesmo às crianças que não cometeram pecado pessoal.
- De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes?
  • O gênero humano inteiro é em Adão “como um só corpo de um só homem" Em virtude desta "unidade do gênero humano", todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo.
- Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao Tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afeta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído:
  • É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado "pecado" de maneira analógica: é um pecado "contraído" e não "cometido", um estado e não um ato.
- Embora próprio a cada um, o pecado original não tem, em nenhum descendente de Adão, um caráter de falta pessoal.
- É a privação da santidade e da justiça originais, mas a natureza humana não é totalmente corrompida: ela é lesada em suas próprias forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (esta propensão ao mal é chamada "concupiscência").
- O Batismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e faz o homem voltar para Deus:
- Porém, as consequências de tal pecado sobre a natureza, enfraquecida e inclinada ao mal, permanecem no homem e o incitam ao combate espiritual.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §396-406

Homem e mulher, um para o outro

"Homem e mulher os criou"
Igualdade e diferença queridas por Deus
- O homem e a mulher são criados, isto é, são queridos por Deus: por um lado, em perfeita igualdade como pessoas humanas e, por outro, em seu ser respectivo de homem e de mulher. "Ser homem, 'ser mulher" é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível que lhes vem diretamente de Deus, seu Criador.
- O homem e a mulher são criados em idêntica dignidade, "à imagem de Deus". Em seu "ser-homem" e seu "ser-mulher" refletem a sabedoria e a bondade do Criador.
  • Deus não é de modo algum à imagem do homem. Não é nem homem nem mulher. Deus é puro espírito, não havendo nele lugar para a diferença dos sexos. Mas as "perfeições" do homem e da mulher refletem algo da infinita perfeição de Deus: as de uma mãe e as de um pai e esposo.
“Um para o outro” – “Uma unidade a dois”
- Criados conjuntamente, Deus quer o homem e a mulher um para o outro.
- A Palavra de Deus dá-nos a entender isto por meio de diversas passagens do texto sagrado. "Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda" (Gn 2,18).
- A mulher que Deus "modela" da costela tirada do varão e que leva a ele provoca da parte do homem um grito de admiração, uma exclamação de amor e de comunhão: "É osso de meus ossos e carne de minha carne" (Gn 2,23). O homem descobre a mulher como um outro "eu" da mesma humanidade.
- O homem e a mulher são feitos "um para o outro": não que Deus os tivesse feito apenas "pela metade" e "incompletos"; criou-os para uma comunhão de pessoas, na qual cada um dos dois pode ser "ajuda" para o outro, por serem ao mesmo tempo iguais enquanto pessoas ("osso de meus ossos...") e complementares enquanto masculino e feminino.
- No matrimônio, Deus os une de maneira que, formando "uma só carne" (Gn 2,24), possam transmitir a vida humana:
"Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra" (Gn 1,28).

- Ao transmitir a seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos e pais, cooperam de forma única na obra do Criador.
- No desígnio de Deus, o homem e a mulher têm a vocação de "submeter" a terra como "intendentes" de Deus. Esta soberania não deve ser uma dominação arbitrária e destrutiva. À imagem do Criador "que ama tudo o que existe" (Sb 11,24), o homem e a mulher são chamados a participar da Providência divina em relação às demais criaturas.
- Daí a responsabilidade deles para com o mundo que Deus lhes confiou.

O homem no Paraíso
- O primeiro homem não só foi criado bom, mas também foi constituído em uma amizade com seu Criador e em tal harmonia consigo mesmo e com a criação que o rodeava que só serão superadas pela glória da nova criação em Cristo.
- Interpretando de maneira autêntica o simbolismo da linguagem bíblica à luz do Novo Testamento e da Tradição, a Igreja ensina que nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos em um estado "de santidade e de justiça original". Esta graça da santidade original era uma participação da vida divina.
- Pela irradiação desta graça, todas as dimensões da vida do homem eram fortalecidas. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não devia nem morrer nem sofrer. A harmonia interior da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher e, finalmente, a harmonia entre o primeiro casal e toda a criação constituíam o estado denominado "justiça original".
- O "domínio" do mundo que Deus havia outorgado ao homem desde o início realizava-se antes de tudo no próprio homem como “domínio de si mesmo”.
- O homem estava intacto e ordenado em todo o seu ser, porque livre da tríplice concupiscência que o submete aos prazeres dos sentidos, à cobiça dos bens terrestres e à auto-afirmação contra os imperativos da razão.
- O sinal da familiaridade com Deus é o fato de Deus o colocar no jardim. Lá  vive "para cultivá-lo e guardá-lo" (Gn 2,15): o trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível.
  • E toda esta harmonia da justiça original, prevista para o homem pelo desígnio de Deus, que será perdida pelo pecado de nossos primeiros pais.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §369-379

O mundo visível

O mundo visível
- Foi Deus mesmo quem criou o mundo visível em toda a sua riqueza, diversidade e ordem. A Escritura apresenta a obra do Criador simbolicamente como uma sequência de seis dias "de trabalho" divino que terminam com o "descanso" do sétimo dia.
- O texto sagrado ensina, a respeito da criação, verdades reveladas por Deus para nossa salvação que permitem "reconhecer a natureza profunda da criação, seu valor e sua finalidade, que é a glória de Deus".

* Não existe nada que não deva sua existência a Deus criador:
- O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus; todos os seres existentes, toda a natureza, toda a história humana têm suas raízes neste acontecimento primordial: é a própria gênese pela qual o mundo foi constituído e o tempo começou.

*Cada criatura possui sua bondade e sua perfeição próprias:
- Para cada uma das obras dos "seis dias" se diz:
"E Deus viu que isto era bom".
- "Pela própria condição da criação, todas as coisas são dotadas de fundamento próprio, verdade, bondade, leis e ordens especificas."
- As diferentes criaturas, queridas em seu próprio ser, refletem, cada uma a seu modo, um raio da sabedoria e da bondade infinitas de Deus.
- É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura para evitar um uso desordenado das coisas, que menospreze o Criador e acarrete consequências nefastas para os homens e seu meio ambiente.

* A interdependência das criaturas é querida por Deus:
- O sol e a lua, o cedro e a pequena flor, a águia e o pardal: as inúmeras diversidades e desigualdades significam que nenhuma criatura se basta a si mesma, que só existem em dependência recíproca, para se completarem mutuamente, a serviço umas das outras.

* A beleza do universo:
- A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações que existem entre eles. O homem as descobre progressivamente como leis da natureza. Elas despertam a admiração dos sábios.
- A beleza da criação reflete a infinita beleza do Criador. Ela deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência do homem e de sua vontade.

* A hierarquia das criaturas...: é expressa pela ordem dos "seis dias", que vai do menos perfeito ao mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas, cuida de cada uma, até mesmo dos pássaros.
- Apesar disso, Jesus diz: "Vós valeis mais do que muitos pardais", ou ainda: "Um homem vale muito mais do que uma ovelha".

* O homem é a obra-prima do obra do criação:
- A narração bíblica exprime isto distinguindo nitidamente a criação do homem da criação das outras criaturas.

* Existe uma solidariedade entre todas as criaturas... pelo fato de terem todas o mesmo Criador e de todas estarem ordenadas à sua glória:
  •  Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e com sua LUZ nos alumia.
  • Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é muito útil e humilde, preciosa e casta...
  • Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas.
  • Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças, e servi-o com grande humildade. (São Francisco de Assis)

* O Sábado - fim da obra dos "seis dias":
- O texto sagrado diz que "Deus concluiu no sétimo dia a obra que tinha feito", e assim "o céu e a terra foram terminados", e no sétimo dia Deus "descansou", e santificou e abençoou este dia (Gn 2,1-3).
- Essas palavras inspiradas são ricas de ensinamentos salutares:
- Na criação, Deus depositou um fundamento e leis que permanecem estáveis, nos quais o crente poderá apoiar-se com confiança e que para ele serão o sinal e a garantia da fidelidade inabalável da Aliança de Deus.
- Por sua parte, o homem deverá ficar fiel a este fundamento e respeitar as leis que o Criador inscreveu nele.
- A criação está em função do Sábado e portanto do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação. "Nada se anteponha à obra de Deus", diz a regra de São Bento, indicando assim a ordem correta das preocupações humanas.
- O Sábado constitui o coração da lei de Israel. Observar os mandamentos é corresponder à sabedoria e à vontade de Deus expressa em sua obra de criação.

*O oitavo dia:
- Mas para nós nasceu um dia novo: o dia da Ressurreição de Cristo.
- O sétimo dia encerra a primeira criação. O oitavo dia dá início à nova criação. Assim, a obra da criação culmina na obra maior da redenção.
- A primeira criação encontra seu sentido e seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira.
CIC-Catecismo da Igreja Católica §337-349

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Deus Criador, 2ª parte


"O mundo foi criado para a glória de Deus"
- Eis uma verdade fundamental que a Escritura e a Tradição não cessam de ensinar e de celebrar: "O mundo foi criado para a glória de Deus".
- Deus criou todas as coisas, explica São Boaventura, - não para aumentar a [sua] glória, mas para manifestar a glória e para comunicar a sua glória.
- Pois Deus não tem outra razão para criar a não ser seu amor e sua bondade: Aberta a mão pela chave do amor, as criaturas surgiram.
- E o Concílio Vaticano I explica:
Este único e verdadeiro Deus, por sua bondade e por sua "virtude onipotente", não para aumentar sua felicidade nem para adquirir sua perfeição, mas para manifestar essa perfeição por meio dos bens que prodigaliza as criaturas, com vontade plenamente livre, criou simultaneamente no início do tempo ambas as criaturas do nada:
  • a espiritual e a corporal.
- A glória de Deus consiste em que se realize esta manifestação e esta comunicação de sua bondade em vista das quais o mundo foi criado. Fazer de nós "filhos adotivos por Jesus Cristo: conforme o beneplácito de sua vontade para louvor à glória da sua graça" (Ef 1,5-6):
"Pois a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus: se já a revelação de Deus por meio da criação proporcionou a vida a todos os seres que vivem na terra, quanto mais a manifestação do Pai pelo Verbo proporciona a vida àqueles que vêem a Deus".

O mistério da criação
Deus cria um mundo ordenado e bom
- Já que Deus cria com sabedoria, a criação é ordenada: "Tu dispuseste tudo com medida número e peso" (Sb 11,20). Feita no e por meio do Verbo eterno, "imagem do Deus invisível" (Cl 1,15), a criação está destinada, dirigida ao homem, imagem de Deus, chamado a uma relação pessoal com Ele. Nossa inteligência, que participa da luz do Intelecto divino, pode entender o que Deus nos diz por sua criação, sem dúvida não sem grande esforço e num espírito de humildade e de respeito diante do Criador e de sua obra. Originada da bondade divina, a criação participa desta bondade: "E Deus viu que isto era bom... muito bom" (Gn 1,4.10.12.18.21.31).
- Pois a criação é querida por Deus como um dom dirigido ao homem, como uma herança que lhe é destinada e confiada. Repetidas vezes a Igreja teve de defender a bondade da criação, inclusive do mundo material.
  
Deus transcende a criação e está presente nela
- Deus é infinitamente maior que todas as suas obras: "Sua majestade é mais alta do que os céus" (Sl 8,2), "é incalculável a sua grandeza".
- Mas, por ser o Criador soberano e livre, causa primeira de tudo o que existe, Ele está presente no mais íntimo das suas criaturas:
  • "Nele vivemos, nos movemos e existimos" (At 17,28).
- Segundo as palavras Santo Agostinho, ele é maior do que o que há de maior em mim e íntimo do que o que há de mais íntimo em mim.


CIC-Catecismo da Igreja Católica §293-301

domingo, 5 de janeiro de 2014

Deus Todo Poderoso

- De todos os atributos divinos, só a onipotência de Deus é mencionada no Símbolo:
  • confessá-la é de grande importância para nossa vida.
- Nós cremos que a onipotência de Deus:
  • é universal, pois Deus que criou tudo, governa tudo e pode tudo;
·         é de amor, pois Deus é nosso Pai;
·         é misteriosa, pois somente a fé pode discerni-la, quando (a onipotência divina) "se manifesta na fraqueza" (2Cor 12,9).

"Ele faz tudo o que quer" (Sl 115,3)
- As Sagradas Escrituras professam reiteradas vezes o poder universal de Deus. Ele é chamado:
·         "o Poderoso de Jacó" (Gn 49,24; Is 1,24 e.o.),
·         "o Senhor dos exércitos", "o Forte, o Valente" (Sl 24,8-10).
- Se Deus é Todo-Poderoso "no céu e na terra" (Sl 135,6), é porque os fez.
- Por isso, nada lhe é impossível, e Ele dispõe a vontade de sua obra;
  • Ele é o Senhor do universo, cuja ordem estabeleceu, ordem esta que lhe permanece inteiramente submissa e disponível;
  • Ele é o Senhor da história: governa os corações e os acontecimentos a vontade.
"Teu grande poder está sempre a teu serviço, e
quem pode resistir à força de teu braço?" (Sb 11,21).

"Tu te compadeces de todos, porque tudo podes" (SB 11,23)
- Deus é o Pai Todo-Poderoso.
- Sua paternidade e seu poder iluminam-se mutuamente.
- Com efeito, ele mostra sua onipotência paternal pela maneira como cuida de nossas necessidades, pela adoção filial que nos outorga:
"Serei para vós um pai, e sereis para mim filhos e filhas,
diz o Senhor Todo-Poderoso": 2Cor 6,18,
e finalmente por sua misericórdia infinita, pois mostra seu poder no mais alto grau, perdoando livremente os pecados.

- A onipotência divina de modo algum é arbitrária:
"Em Deus o poder e a essência, a vontade e a inteligência, a sabedoria e a justiça são uma só e mesma coisa, de sorte que nada pode estar no poder divino que não possa estar na vontade justa de Deus ou em sua inteligência sábia".

O mistério da aparente impotência de Deus
- A fé em Deus Pai Todo-Poderoso pode ser posta a prova pela experiência do mal e do sofrimento.
- Por vezes, Deus pode parecer ausente e incapaz de impedir o mal.
- Ora, Deus Pai revelou sua Onipotência da maneira mais misteriosa no rebaixamento voluntário e na Ressurreição de seu Filho, pelos quais venceu o mal. Assim, Cristo crucificado é:
"poder de Deus e sabedoria de Deus.
Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens" (1Cor 1,25).
- Foi na Ressurreição e na exaltação de Cristo que o Pai "desdobrou o vigor de sua força" e manifestou "que extraordinária grandeza reveste seu poder para nós, os que cremos" (Ef 1,19-22).

- Somente a fé pode aderir aos caminhos misteriosos onipotência de Deus.
- Esta fé gloria-se de suas fraquezas a fim de atrair sobre si o poder de Cristo.
- Desta fé, a Virgem Maria é o modelo supremo, ela que acreditou que "nada impossível a Deus" (Lc 1,37) e que pôde engrandecer o Senhor:
"O Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor,
seu nome é Santo" (Lc 1,49).

- Por isso, nada é mais adequado para consolidar nossa Fé e nossa esperança do que a convicção profundamente gravada em nossas almas de que nada é impossível a Deus.
- Pois tudo o que a Profissão de Fé [o Credo] nos propõe a crer - as maiores coisas, as mais incompreensíveis, bem como as que mais ultrapassam as leis ordinárias da natureza, desde que nossa: razão tenha pelo menos idéia da onipotência divina, ela admitirá facilmente e sem qualquer hesitação.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §268-274

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Liberdade

Beleza original
- A Bíblia mostra que, quando Deus criou o mundo com Sua Palavra, expressou satisfação, dizendo que era ‘bom’, e quando criou o ser humano disse que era ‘muito bom’.
- O mundo e o homem criado por Deus são Belos.
- Procedemos de um desígnio Divino de Sabedoria e Amor.
- Mas através do pecado essa beleza originária foi desonrada e essa bondade ferida.
- Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, em seu mistério pascal, recriou o homem fazendo-o filho e dando-lhe a garantia de novos céus e de uma nova terra.
* Adão perdeu a beleza original, tornou o homem: escravo, infiel, desobediente, feio e impaciente.
* Jesus Cristo recriou o homem para ser: livre, fiel, obediente, bonito e paciente.

O que é Liberdade?
- Liberdade é a condição de uma pessoa poder dispor de si, é a faculdade de praticar o que não é proibido por lei, é poder fazer ou deixar de fazer alguma coisa; é franqueza, ousadia, direitos e regalias.
- A liberdade é um dom que os seres inteligentes receberam de Deus para escolherem entre várias formas de bem, de verdade e de beleza.

Modelo de Liberdade
- Todos nós seguimos ‘modelos’ e ‘referências’ humanas no que diz respeito a conhecimento, liberdade, beleza e verdade; mas todo ser humano deve se ‘modelar’ em seu Criador que diz:
“Se permanecerdes na minha Palavra,
sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade e
a verdade vos libertaráJoão 8, 31-32
A Palavra de Deus é a verdade absoluta e é ela que nos liberta de tudo.

- Embora sabendo que Deus cria o ser humano livre, confunde a liberdade, pensando que ser livre é apenas gozar a vida. Com isso muitos buscam a liberdade no prazer, nas drogas, no álcool, na prostituição e tornam-se escravos das coisas e de pessoas (Conforme 1ª Corintios 6, 12-20).

- Qual imagem estou refletindo ao exercer a Liberdade que recebi de presente? A imagem de Adão ou do Novo Adão-JESUS CRISTO.
Escolher o pecado é escolher a escravidão
- O ser humano tem, obviamente, a capacidade concreta de pecar, mas não tem o direito de fazê-lo.
- Muita gente pensa que ser livre é fazer o que quiser, é ‘pisar’ (ignorar) sua razão e sua consciência e realizar todas as ‘fantasias’, como se diz modernamente. Erro grosseiro e pura ilusão. Quem age assim não é mais livre; tornou-se escravo do pecado.
- Livres são os que se mantêm fiéis à sua razão, a qual, por sua vez, mostra-lhes que não podem praticar o mal, mas devem observar a lei natural e a lei divina, da qual aquela se origina.

- Em outras palavras, quem é mais livre do que Deus, Senhor de todas as coisas? Entretanto, por sua própria natureza Ele nunca poderia escolher o mal, o erro ou o feio moral.
- Se a opção pelo mal constituísse uma forma de liberdade, isso significaria que Deus, como todos os que estão no Céu, seriam menos livres do que o pecador (e do que os demônios e os condenados ao fogo eterno), o que é um absurdo.“A possibilidade de pecar não é liberdade, mas escravidão”
“Aquele que comete o pecado é escravo do pecado” João 8,34

De escravo à liberdade
- O Espírito Santo é aquele que nos faz passar: do caos ao cosmo; /da desordem, da confusão e da dispersão, à ordem, unidade e beleza. Essa beleza que consiste em ser conformes à vontade de Deus e à imagem de Cristo, passando do homem velho (escravo) ao homem novo (liberto).
“É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se dia a dia2ª Cor 4, 16.
- A evolução do espírito não acontece paralelamente à do corpo, mas em sentido contrário. Nós nascemos como “homens velhos” e devemos nos converter em “homens novos”. Toda a vida, não apenas a adolescência é uma idade evolutiva!

- São Máximo define o Tempo da Páscoa como uma passagem “dos pecados à santidade, /dos vícios à virtude, /da velhice à juventude, que se entende não em idade, mas em simplicidade. Éramos de fato decadentes pela velhice dos pecados, mas pela Ressurreição de Cristo fomos renovados na inocência das crianças” (Padre Raniero Cantalamessa 13/03/2009)
Liberdade dos filhos de Deus e ‘liberdade’ dos rebeldes
- O ser humano deve agir segundo sua razão, ainda que suas paixões a contrariem, que isso lhe custe esforço, e por maiores que sejam os obstáculos a enfrentar.
- A razão pede obediência à lei, natural e divina, e mostra que o contrário não é liberdade, mas libertinagem.
“Deus deu a lei ao homem, não para privá-lo de sua liberdade,
 mas para manifestar-lhes seu apreço” Tertuliano
- Na história do mundo, os primeiros a agir contra a razão foram Adão e Eva, quando cometeram o pecado original. Confundiram liberdade com independência, e nesse caso não foram livres, mas libertinos. Seus descendentes até o fim do mundo, vão arcar com as conseqüências desse pecado, levando uma vida árdua nesta terra, em meio a doenças, guerras, crimes, etc...
- Aqueles que se rebelam contra a lei de Deus, e se crêem livres por se negarem a obedecer, são escravos de seus vícios e de suas paixões desordenadas.
Livres, realmente, são os que se submetem com amor à vontade divina, desfrutando da liberdade de filhos de Deus.
- Os rebeldes são chamados pela graça para se lembrarem de que são seres humanos e, enquanto tais, não lhes é lícito abraçar uma falsa liberdade que os assemelha aos animais.
Livre arbítrio e Liberdade são capacidades dadas por Deus ao homem (e ao anjo) para escolher a verdade, o bem e o belo moral, de modo que possam se assemelhar mais a Ele, que é a Liberdade em essência.
(Extraído da Revista Arautos do Evangelho-10/2005)

A liberdade da fé
- Para que o ato de fé seja humano, o homem deve responder a Deus, crendo por livre vontade. Por conseguinte, ninguém deve ser forçado contra sua vontade a abraçar a fé. Pois o ato de fé é por sua natureza voluntário.
- Deus de fato chama os homens para servi-lo em espírito e verdade.
Com isso os homens são obrigados em consciência, mas não são forçados... Foi o que se patenteou em grau máximo em Jesus Cristo.
- Com efeito, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo algum coagiu. Deu testemunho da verdade, mas não quis impô-la pela força aos que a ela resistiam. Seu reino se estende graças ao amor com que Cristo, exaltado na cruz, atrai a si os homens.

CIC-Catecismo da Igreja Católica 160;1730-1748

Liberdade, Efésios 1


- A Bíblia mostra reiteradamente que, quando Deus criou o mundo com sua Palavra, expressou satisfação, dizendo que era ‘bom’, e quando criou o ser humano disse que era ‘muito bom’.
“Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a
terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra”
- O mundo e o homem criado por Deus é Belo.
- Procedemos de um desígnio Divino de Sabedoria e Amor.
- Mas através do pecado essa beleza originária foi desonrada e essa bondade ferida.
- Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, em seu mistério pascal, recriou o homem fazendo-o filho e dando-lhe a garantia de novos céus e de uma nova terra.
- Levamos a imagem do primeiro Adão, mas somos chamados também, desde o principio, a produzir a imagem de Jesus Cristo-Novo Adão.
            Adão: escravo, infiel, desobediente e impaciente.
Jesus Cristo: livre, fiel, obediente e paciente.
- A criação leva a marca do Criador e deseja ser libertada e ‘participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus’. DA 27; Gênesis 1, 28; CIC 1606-1608; 2402-2406.

Leitura e Meditação da Carta de São Paulo aos Efésios 1:
Resumo de tudo: 1, 3.
“Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo:
Ele nos abençoou com toda benção espiritual, no céu, em Cristo.”

Primeira benção: Ele nos escolheu 1, 4.
“Ele nos escolheu em Cristo
antes de criar o mundo
para que sejamos santos e sem defeito
diante dele, no amor.”

Segunda benção: Ele nos predestinou 1, 5-6
“Ele nos predestinou
para sermos seus filhos adotivos
por meio de Jesus Cristo,
conforme a benevolência de sua vontade,
para o louvor da sua glória e da graça
que Ele derramou abundantemente sobre nós
por meio de seu Filho querido”
Terceira benção: Ele nos libertou 1, 7-8.
“Por meio do Sangue de Cristo é que fomos libertos e
nele nossas faltas foram perdoadas,
conforme a riqueza de sua graça.
Deus derramou sobre nós essa graça,
abrindo-nos para toda sabedoria e inteligência(#).”

Quarta benção: Ele nos fez conhecer o mistério de sua vontade 1, 9-10.
“Ele nos fez conhecer(#) o mistério da sua vontade,
a livre decisão que havia tomado outrora
de levar a história à sua plenitude,
reunindo o universo inteiro,
tanto as coisas celestes como as terrestres,
sob uma só Cabeça, Cristo.”

Quinta benção: Ele nos tornou herdeiros do Reino 1, 11-12.
“Em Cristo recebemos nossa parte na herança,
conforme o projeto daquele que tudo conduz segundo a sua vontade:
Fomos predestinados a ser louvor da sua glória,
nós, que já antes esperávamos em Cristo.”

Sexta benção: Ele nos deu o Espírito Santo 1, 13-14.
“Em Cristo, também vocês
ouviram a Palavra da Verdade, o Evangelho que os salva.

Em Cristo, ainda, vocês creram,
e foram marcados com o selo do Espírito prometido,
o Espírito Santo,
que é a garantia da nossa herança,
enquanto esperamos a completa libertação
do povo que Deus adquiriu
para o louvor da sua glória.”

Agradecimento e pedido: 1, 15-19
“Fiquei sabendo da fé* que vocês tem no Senhor Jesus e do amor* de vocês para com todos os cristãos. Por isso, não cesso de dar graças a respeito de vocês, quando os menciono em minhas orações.
- Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, lhes dê:
- Um espírito de sabedoria que lhes revele Deus, e faça que vocês o conheçam profundamente.
- Que lhes ilumine os olhos da mente (#), para que:
compreendam a esperança (*) para a qual ele os chamou;
entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos, conforme a sua força poderosa e eficaz.”
# (Potências da alma recebidas na concepção: Inteligência, Memória e Vontade).
* (Virtudes Teologais recebidas no Batismo: Fé, Esperança e Caridade).

Recebi de presente a:
LIBERDADE
  • Liberdade de ser filho de Deus
  • Liberdade Espiritual
  • Liberdade Profissional
  • Liberdade Financeira
  • Liberdade Moral
  • Liberdade Afetiva
  • Liberdade de corpo
- Como estou administrando este presente?
- Como estou testemunhando este presente?
- Como estou ensinando este presente?
- Qual imagem que reflito ao exercer a Liberdade que recebi de presente?
- A imagem de Adão ou do Novo Adão-JESUS CRISTO.

Oremos:
- Deus Pai Todo-Poderoso, /Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, /que és a essência da Verdade, /do Amor, /da Bondade, /da Beleza, /da Pureza /da Sabedoria /da alegria e da paz;
//e que pelos méritos de Seu Filho Jesus Cristo nos escolheu, /nos predestinou, /nos libertou, /nos fez conhecer os mistérios de Sua Vontade, /nos tornou herdeiros de Seu Reino /e nos concedeu o Espírito Santo para que sejamos verdadeiramente livres.

//Nos conceda em todos os dias de nossa vida terrena a graça de vos honrar e glorificar pelo exercício da liberdade que vós mesmos nos concedestes, /e cheguemos a contemplá-lo na vida futura e viver na alegria eterna convosco com a Virgem Maria, todos os santos e anjos, amem.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Céu

- Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem "tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12):
·         Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (...) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, (...) ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, (...) antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura.
- Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada "o Céu".
- O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.
·         Viver no Céu é "viver com Cristo". Os eleitos vivem "nele", mas lá conservam - ou melhor, lá encontram – sua verdadeira identidade, seu próprio nome.
- Vida é, de fato, estar com Cristo; aí onde está Cristo, aí está a Vida, aí está o Reino.
- Por sua Morte e Ressurreição, Jesus Cristo nos "abriu" o Céu.
- A vida dos bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada por Cristo, que associou à sua glorificação celeste os que creram nele e que ficaram fiéis à sua vontade.
- O céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Ele.

- Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação.
- A Escritura fala-nos dele em imagens:
·         vida,
·         luz,
·         paz,
·         festim de casamento,
·         vinho do Reino,
·         casa do Pai,
·         Jerusalém celeste,
·         Paraíso.
"O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9).

- Em razão de sua transcendência, Deus só poderá ser visto tal como é quando Ele mesmo abrir seu mistério à contemplação direta do homem e o capacitar para tanto.
- Esta contemplação de Deus em sua glória celeste é chamada pela Igreja de "visão beatifica":
·         Qual não será tua glória e tua felicidade: ser admitido a ver a Deus, ter a honra de participar das alegrias da salvação e da luz eterna na companhia de Cristo, o Senhor teu Deus (...) desfrutar no Reino dos Céus, na companhia dos justos e dos amigos de Deus, as alegrias da imortalidade adquirida.

- Na glória do Céu, os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus em relação aos outros homens e à criação inteira.
- Já reinam com Cristo; com Ele "reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22,5).

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1023-1029

sábado, 19 de outubro de 2013

Anticristo

- Existem pessoas que gostam de falar do Anticristo. Existem filmes que tratam deste assunto. Existem seitas religiosas que anunciaram o nascimento desse personagem, que ainda está escondido e logo aparecerá, muitas destas seitas ainda dizem que o Anticristo é o Papa.
- Irmãos católicos, não se deixem guiar por fantasias e lendas. Sempre houve e sempre haverá gente insensata que semeia dúvidas e mentiras; eles são filhos da ‘mentira’.
A expressões que podemos traduzir para a palavra Anticristo é:
o que está contra Cristo, malvado, homem do pecado, rebelde e sem lei.
- Não devemos tomar ao pé da letra os textos, visões e imagens que são consideradas em alguns textos; não é esta a intenção dos autores sagrados. A grande mensagem de fundo de todos estes textos é a seguinte:
Cristo é o centro de toda a história; O mundo é o cenário da luta entre:
 os eleitos de Cristo (sua Igreja) e as forças do demônio (pai da mentira);
Mas Cristo já venceu o mal, e os cristãos são chamados a dar corajosamente seu testemunho.

Textos Bíblicos
“Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos. Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho. Muitos sedutores têm saído pelo mundo afora, os quais não proclamam Jesus Cristo que se encarnou. Quem assim proclama é o sedutor e o Anticristo.” (1ªJoão 2,18-22; 2ªJoão 7)

 “Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus. Porque o mistério da iniqüidade já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. (2ª Tessalonicenses 2,3-12) + (Apocalipse 12; 13 e 17)
Cristo já Reina pela Igreja a espera que tudo lhe seja submetido.
Tempo da Misericórdia (Jesus Caminho)
- Já presente em sua Igreja, o Reino de Cristo ainda não está consumado "com poder e grande glória" (Lc 21, 17) pelo advento do Rei na terra. Esse Reino é ainda atacado pelos poderes maus, embora estes já tenham sido vencidos em suas bases pela Páscoa de Cristo.

- Enquanto tudo não for submetido a ele, "enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, a Igreja peregrina leva consigo em seus sacramentos e em suas instituições, que pertencem à idade presente, a figura deste mundo que passa, e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como que dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus" Por este motivo os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para apressar a volta de Cristo, dizendo-lhe: "Vem, Senhor" (Ap 22,20).

- Cristo afirmou antes de sua Ascensão que ainda não chegara a hora do estabelecimento glorioso do Reino messiânico esperado por Israel, que deveria trazer a todos os homens, segundo os profetas a ordem definitiva da justiça, do amor e da paz.
- O tempo presente é, segundo o Senhor, o tempo do Espírito e do testemunho mas é também um tempo ainda marcado pela "tristeza" e pela provação do mal, que não poupa a Igreja e inaugura os combates dos últimos dias. É um tempo de expectativa e de vigília. CIC 671-672

Viver na Verdade (Jesus Verdade)
- O Antigo Testamento atesta: Deus é fonte de toda verdade. Sua Palavra é verdade. Sua lei é verdade. "Sua fidelidade continua de geração em geração" (Sl 119,90). Uma vez que Deus é "veraz" (Rm 3,4), os membros de seu Povo são chamados a viver na verdade.
- Em Jesus Cristo, a verdade de Deus se manifestou plenamente. "Cheio de graça e verdade, Ele é a "luz do mundo" (Jo 8,12), é a Verdade.".. para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas." O discípulo de Jesus "permanece em sua palavra" para conhecer "a verdade que liberta" (Jo 8,32) e santifica. Seguir a Jesus é viver do "Espírito da verdade" que o Pai envia em seu nome e conduz "à verdade plena" (Jo 16,13). Jesus ensina a seus discípulos o amor incondicional da verdade: "Seja o vosso 'sim', sim, e o vosso 'não', não" (Mt 5,37).
- O homem tende naturalmente para a verdade. É obrigado a honrá-la e testemunhá-la: "É postulado da própria dignidade que os homens todos, por serem pessoas... se sintam por natureza impelidos e moralmente obrigados a procurar a verdade, sobretudo a que concerne à religião. São obrigados também a aderir à verdade conhecida e a ordenar toda a vida segundo as exigências da verdade"
- "Os homens não poderiam viver juntos se não tivessem confiança recíproca, quer dizer, se não manifestassem a verdade uns aos outros." A virtude da verdade devolve ao outro o que lhe é devido. Por justiça, "um homem deve honestamente a outro a manifestação da verdade".
- O discípulo de Cristo aceita "viver na verdade", isto é, na simplicidade de uma vida conforme o exemplo do Senhor, permanecendo em sua verdade. "Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade" (1 Jo 1,6). CIC 2464-2470

A esperança dos céus novos e terra nova / Tempo da Justiça (Jesus Vida)
- No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude. Depois do Juízo Universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado:
Então a Igreja será "consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas, e com o gênero humano também o mundo todo, que está intimamente ligado ao homem e por meio dele atinge sua finalidade, encontrará sua restauração definitiva em Cristo"
- Esta renovação misteriosa, que há de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura a chama de "céus novos e terra nova" (2Pd 3,13). Ser a realização definitiva do projeto de Deus de "reunir, sob um só chefe, Cristo, todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra" (Ef 1,10).

- Neste "universo novo", a Jerusalém celeste, Deus terá sua morada entre os homens. "Enxugará toda lágrima de seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim! As coisas antigas se foram!" (Ap 21,4).
- Para o homem, esta consumação será a realização última da unidade do gênero humano, querida por Deus desde a criação...
- Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos remidos, a Cidade Santa de Deus (Ap 21,2), "a Esposa do Cordeiro" (Ap 21,9).
- Esta não será mais ferida pelo pecado, pelas impurezas, pelo amor-próprio, que destroem ou ferem a comunidade terrestre dos homens.

 (CIC-Catecismo da Igreja Católica 1042-1045)