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terça-feira, 27 de maio de 2014

Igreja: denominações e imagens

§751. A palavra "Igreja" ["ekklésia", do grego "ekkaléin" "chamar fora"] significa "convocação". Designa assembleias do povo, geralmente de caráter religioso. É o termo frequentemente usado no Antigo Testamento grego para a assembleia do povo eleito diante de Deus, sobretudo para a assembleia do Sinai, onde Israel recebeu a Lei e foi constituído por Deus como seu Povo santo. Ao denominar-se "Igreja", a primeira comunidade dos que criam em Cristo se reconhece herdeira dessa assembleia. Nela, Deus "convoca" seu Povo de todos os confins da terra.

§752. Na linguagem cristã, a palavra "Igreja" designa a assembleia litúrgica, mas também a comunidade local ou toda a comunidade universal dos crentes. Esses três significados são inseparáveis. "A Igreja" é o Povo que Deus reúne no mundo inteiro. Existe nas comunidades locais e se realiza como assembleia litúrgica, sobretudo eucarística. Ela vive da Palavra e do Corpo de Cristo e se torna, assim, Corpo de Cristo.

Os símbolos da Igreja
§753. Na Sagrada Escritura, encontramos uma multidão de imagens e figuras interligadas, pelas quais a revelação fala do mistério inesgotável da Igreja. As imagens tiradas do Antigo Testamento constituem variações de uma ideia de fundo, a do "Povo de Deus".
No Novo Testamento, todas essas imagens encontram um novo centro pelo fato de Cristo tornar-se "a Cabeça" deste povo, que é, então, seu Corpo. Em torno deste centro agruparam-se imagens "tiradas ou da vida pastoril ou da vida dos campos, ou do trabalho de construção ou da família e do casamento".

  • §754. "Com efeito, a Igreja é o redil, do qual Cristo é: a única e necessária porta. Ela é também a grei, da qual o próprio Deus prenunciou que seria o pastor. Suas ovelhas, embora governadas por pastores humanos, são, contudo, incessantemente conduzidas e alimentadas pelo próprio Cristo, Bom Pastor e Príncipe dos pastores, que deu sua vida por suas ovelhas".

  • §755. "A Igreja é a lavoura ou campo de Deus (1 Coríntios 3, 9). Nesse campo cresce a oliveira antiga, cuja raiz santa foram os Patriarcas e em que foi feita e se fará a reconciliação dos judeus e dos gentios. Ela foi plantada pelo celeste Viticultor como vinha eleita. Cristo é a verdadeira Vide, que dá vida e fecundidade aos ramos, quer dizer, a nós, que pela Igreja permanecemos nele, sem o qual nada podermos fazer".

  • §756. "Com frequência a Igreja é também chamada de construção de Deus. O próprio Senhor comparou-se à pedra que os construtores rejeitaram e se tornou a pedra angular. Sobre este fundamento a Igreja é construída pelos apóstolos, e dele recebe firmeza e coesão. Essa construção recebe vários nomes: casa de Deus (1 Timóteo 3,15) na qual habita sua família, morada de Deus no Espírito, tenda de Deus entre os homens e principalmente templo santo, que, representado pelos santuários de pedra, é louvado pelos santos Padres e, não sem razão, comparado na Liturgia com a Cidade santa, a nova Jerusalém. Pois nela somos, nesta terra, como as pedras vivas que entram na construção. E João contempla esta cidade santa que, na renovação do mundo, desce do céu, de junto de Deus, adornada como uma esposa enfeitada para seu esposo (Apocalipse 21,1-2).

  • §757. "A Igreja é chamada também de 'Jerusalém celeste' e 'nossa Mãe' (Gálatas 4,26). É ainda descrita como a esposa imaculada do Cordeiro imaculado. Cristo 'amou-a e por Ela se entregou, a fim de santificá-la' (Efésios 5,26); associou-a a si por uma aliança indissolúvel e incessantemente 'a nutre e dela cuida' (Efésios 5,29)."

CIC-Catecismo da Igreja Católica

sábado, 9 de novembro de 2013

Cristo, médico

A enfermidade na vida humana
- A enfermidade e o sofrimento sempre estiveram entre problemas mais graves da vida humana. Na doença, o homem experimenta sua impotência, seus limites e sua finitude. Toda doença pode fazer-nos entrever a morte.
- A enfermidade pode levar a pessoa à angústia, a fechar-se sobre si mesma e, às vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tomar a pessoa mais madura, ajudá-la a discernir em sua vida o que não é essencial, para voltar-se àquilo que é essencial.
Não raro, a doença provoca uma busca de Deus, um retomo a Ele.

O enfermo diante de Deus
- O homem do Antigo Testamento vive a doença diante de Deus. E diante de Deus que ele faz sua queixa sobre a enfermidade, e é dele, o Senhor da vida e da morte, que implora a cura.
- A enfermidade se torna caminho de conversão e o perdão de Deus de início à cura.
- Israel chega à conclusão de que a doença, de uma forma misteriosa, está ligada ao pecado e ao mal e que a fidelidade a Deus, segundo sua Lei, dá a vida: "Porque eu sou Iahweh, aquele que te restaura" (Ex 15,26).
- O profeta entrevê que o sofrimento também pode ter um sentido redentor para os pecados dos outros (Cf Is 53,11).
- Finalmente, Isaías anuncia que Deus fará chegar um tempo para Sião em que toda falta será perdoada e toda doença ser curada (Cf Is 33,24).

Cristo, Médico
- A compaixão de Cristo para com os doentes e suas numerosas curas de enfermos de todo tipo são um sinal evidente de que "Deus visitou o seu povo” e de que o Reino de Deus está bem próximo.
- Jesus não só tem poder de curar, mas também de perdoar os pecados: ele veio curar o homem inteiro, alma e corpo; é o médico de que necessitam os doentes.
- Sua compaixão para com todos aqueles que sofrem é tão grande que ele se identifica com eles: "Estive doente e me visitastes" (Mt 25,36).
- Seu amor de predileção pelos enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de despertar a atenção toda especial dos cristãos para com todos os que sofrem no corpo e na alma. Esse amor está na origem dos incansáveis esforços para aliviá-los.
- Muitas vezes Jesus pede aos enfermos que creiam. Serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos, lama e ablução.
- Os doentes procuram tocá-lo, "porque dele saía uma força que a todos curava" (Lc 6,19).
Também nos sacramentos Cristo continua a nos "tocar" para nos curar.

- Comovido com tantos sofrimentos, Cristo não apenas se deixa tocar pelos doentes, mas assume suas misérias: "Ele levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças".
- Não curou todos os enfermos. Suas curas eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte por sua Páscoa.
- Na cruz, Cristo tomou sobre si todo o peso do mal e tirou o "pecado do mundo" (Jo 1,29). A enfermidade não é mais do que uma consequência do pecado.
- Por sua paixão e morte na cruz, Cristo deu um novo sentido ao sofrimento, que doravante pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora.

“Curai os enfermos...”
- Cristo convida seus discípulos a segui-lo, tomando cada um sua cruz.
- Seguindo-o, adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus os associa á sua vida pobre e de servidor. Faz com que participem de seu ministério de compaixão e de cura:                                          "Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo" (Mc 6,12-13).
- O Senhor ressuscitado renova este envio: "Em meu nome... eles imporão as mãos sobre os enfermos e estes ficarão curados". (Mc 16,17-18) e o confirma por meio dos sinais realizados pela Igreja ao invocar seu nome.
- Esses sinais manifestam de um modo especial que Jesus é verdadeiramente "Deus que salva".
- O Espírito Santo dá a algumas pessoas um carisma especial de cura para manifestar a força da graça do ressuscitado. Todavia, mesmo as orações mais intensas não conseguem obter a cura de todas as doenças. Por isso, São Paulo deve aprender do Senhor que "basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que minha força manifesta todo o seu poder" (2Cor 12,9),
e que os sofrimentos que temos de suportar podem ter como sentido "completar na minha carne o que falta às tribulações de Cristo por seu corpo, que é a Igreja" (Cl 1,24).

- "Curai os enfermos!" (Mt 10,8). A Igreja recebeu esta missão do Senhor e esforça-se por cumpri-la tanto pelos cuidados aos doentes como pela oração de intercessão com que os acompanha.
- Ela crê na presença vivificante de Cristo, médico da alma e do corpo. Esta presença age particularmente por intermédio dos sacramentos e, de modo especial, pela Eucaristia, pão que dá vida eterna a cujo liame com a saúde corporal São Paulo se refere.
- Entretanto, a Igreja apostólica conhece um rito próprio em favor dos doentes, atestado por São Tiago: "Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados" (Tg 5,14-l5)
- A Tradição reconheceu neste rito um dos sete sacramentos da Igreja, a Unção dos enfermos.
CIC-Catecismo da Igreja Católica 1500-1510
Assim como Marta e Maria
- Marta e Maria, rogaram a Jesus por seu irmão Lázaro:
“Senhor, aquele que amas está doente’ A esta noticia, Jesus disse:
‘Essa doença não é mortal, mas para a glória de Deus, para que, por ela, seja glorificado o Filho de Deus”  João 11,1-43

- Rezemos nós também pelos doentes:
“Senhor, aquele que amas, o(a) ......................, está doente”
- Reze interiormente esta jaculatória durante todo o dia e a noite.

- Por pior que esteja a situação, insista orando, pois Jesus na agonia no Monte das Oliveiras além de não desistir de orar, “orava com mais insistência ainda”:

“...cheio de angústia, orava com mais insistência ainda...” Lucas 22,44