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sábado, 7 de janeiro de 2017

Vida Consagrada


Vida Consagrada
§914 "O estado de vida constituído pela profissão dos conselhos evangélicos, embora não pertença à estrutura hierárquica da Igreja, está, contudo, firmemente relacionado com sua vida e santidade."

CONSELHOS EVANGÉLICOS, VIDA CONSAGRADA
§915 Os conselhos evangélicos, em sua multiplicidade, são propostos a todo discípulo de Cristo. A perfeição da caridade à qual todos os fiéis são chamados comporta para os que assumem livremente o chamado à vida consagrada a obrigação de praticar, a castidade no celibato pelo Reino, a pobreza e a obediência. E a profissão desses conselhos em um estado de vida estável reconhecido pela Igreja que caracteriza a "vida consagrada" a Deus.

- O estado da vida consagrada aparece, portanto, como uma das maneiras de conhecer uma consagração "mais íntima", que se radica no Batismo e se dedica totalmente a Deus. Na vida consagrada, os fiéis de Cristo se propõem, sob a moção do Espírito Santo, seguir a Cristo mais de perto, doar-se a Deus amado acima de tudo e, procurando alcançar a perfeição da caridade a serviço do Reino, significar e anunciar na Igreja a glória do mundo futuro.

UMA GRANDE ÁRVORE, DE MÚLTIPLOS RAMOS
§917 Disso resultou que, como numa árvore frondosa e admiravelmente variegada na seara do Senhor - e isto em virtude do germe divinamente plantado -, floresceram as diversas modalidades da vida solitária ou comum, assim como as várias famílias quais vão aumentando tanto para proveito dos próprios membros quanto para o bem de todo o Corpo de Cristo."
- "Desde os primórdios da Igreja existiram homens e mulheres que se propuseram, pela prática dos conselhos evangélicos, seguir a Cristo com maior liberdade e imitá-lo mais de perto, e levaram, cada qual a seu modo, uma vida consagrada a Deus. Dentre eles, muitos, por inspiração do Espírito Santo, ou passaram a vida na solidão ou fundaram famílias religiosas, que a Igreja, de boa vontade, recebeu e aprovou com sua autoridade."
Os Bispos hão de empenhar-se sempre em discernir os novos dons de vida consagrada confiados pelo Espírito Santo à sua Igreja; a aprovação de novas formas de vida consagrada é reservada à Sé Apostólica.

A VIDA EREMÍTICA
§920 Embora nem sempre professem publicamente os três conselhos evangélicos, os eremitas, "por uma separação mais rígida do mundo, pelo silêncio da solidão, pela assídua oração e penitência, consagram a vida ao louvor de Deus e à salvação do mundo.
- Os eremitas mostram a cada um este aspecto interior do mistério da Igreja, que é a intimidade pessoal com Cristo. Escondida aos olhos dos homens, a vida do eremita é pregação silenciosa daquele ao qual entregou sua vida, pois é tudo para Ele. É um chamado peculiar a encontrar no deserto, precisamente no combate espiritual, a glória do Crucificado.

AS VIRGENS E AS VIÚVAS CONSAGRADAS
§922 Desde os tempos apostólicos, virgens e viúvas cristãs, chamadas pelo Senhor a apegar-se a Ele sem partilha em uma liberdade maior de coração, de corpo e de espírito, tomaram a decisão, aprovada pela Igreja, de viver respectivamente no estado de virgindade ou de castidade perpétua "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12).
- "Emitindo o santo propósito de seguir a Cristo mais de perto, [as Virgens] são consagradas a Deus pelo Bispo diocesano segundo o rito litúrgico aprovado, misticamente desposadas com Cristo, Filho de Deus, e dedicadas ao serviço da Igreja." Por este rito solene ("Consecratio virginum"), "a virgem é constituída pessoa consagrada, sinal transcendente do amor da Igreja a Cristo, imagem escatológica desta Esposa do Céu e da vida futura".
- "Acrescentada às outras formas de vida consagrada", a ordem das virgens constitui a mulher que vive no mundo (ou a monja) na oração, na penitência, no serviço a seus irmãos e no trabalho apostólico, conforme o estado e os carismas respectivos oferecidos a cada uma. As virgens consagradas podem associar-se para guardar mais fielmente seus propósitos.

A VIDA RELIGIOSA
§925 Nascida no Oriente nos primeiros séculos do cristianismo e vivida nos institutos canonicamente erigidos pela Igreja, a vida religiosa se distingue das outras modalidades de vida consagrada pelo aspecto cultual, pela profissão pública dos conselhos evangélicos, pela vida fraterna levada em comum, pelo testemunho da união de Cristo com a Igreja.
- A vida religiosa faz parte do mistério da Igreja. É um dom que a Igreja recebe de seu Senhor e que oferece como um estado de vida permanente ao fiel chamado por Deus na profissão dos conselhos. Assim, a Igreja pode ao mesmo tempo manifestar o Cristo e reconhecer-se como esposa do Salvador. A vida religiosa é convidada a significar, em suas variadas formas, a própria caridade de Deus, em linguagem de nossa época.
- Todos os religiosos, isentos ou não, são contados entre os cooperadores do Bispo diocesano em seu ministério pastoral. A implantação e a expansão missionária da Igreja exigiram a presença da vida religiosa sob todas as suas formas desde os inícios da evangelização. "A história atesta os grandes méritos das famílias religiosas na propagação da fé e na formação de novas Igrejas, desde as antigas instituições monásticas e as ordens medievais até as congregações modernas."

OS INSTITUTOS SECULARES"
§928 Instituto secular é um instituto de vida consagrada no qual os fiéis, vivendo no mundo, tendem à perfeição da caridade e procuram cooperar para a santificação do mundo, principalmente a partir de dentro.
- "Por uma "vida perfeita [= perfeitamente] e inteiramente consagrada a [esta] santificação", os membros desses institutos participam da tarefa de evangelização da Igreja, "no mundo e partir do mundo", onde sua presença age "à guisa de um fermento". Seu "testemunho de vida cristã" visa "organizar as coisas temporais de acordo com Deus e impregnar o mundo com a força do Evangelho". Eles assumem por vínculos sagrados os conselhos evangélicos e mantêm entre si a comunhão e a fraternidade próprias de seu "modo de vida secular".
  
AS SOCIEDADES DE VIDA APOSTÓLICA
§930 Às formas diversas de vida consagrada "acrescentam-se as sociedades de vida apostólica, cujos membros, sem os votos religiosos, buscam a finalidade apostólica própria de sua sociedade e, levando vida fraterna em comum, segundo o próprio modo de vida, tendem à perfeição da caridade pela observância das constituições. Entre elas há sociedades cujos membros assumem os conselhos evangélicos" por meio de algum vínculo determinado pelas constituições.

CONSAGRAÇÃO E MISSÃO: ANUNCIAR O REI QUE VEM
§931 Entregue a Deus supremamente amado, aquele que pelo Batismo já estava consagrado a ele é assim consagrado mais intimamente ao serviço divino e dedicado ao bem da Igreja. Pelo estado de consagração a Deus, a Igreja manifesta Cristo e mostra como o Espírito Santo age nela de maneira admirável.
- Os que professam os conselhos evangélicos têm, pois, por missão primeiramente viver sua consagração. Mas "enquanto dedicados, em virtude da própria consagração, ao serviço da Igreja têm obrigação de se entregar, de maneira especial, à ação missionária no modo próprio de seu instituto".
- Na Igreja -ela é como sacramento, isto é, o sinal e o instrumento da vida de Deus-, a vida consagrada aparece como um sinal peculiar do mistério da redenção. Seguir e imitar a Cristo "mais de perto", manifestar "mais claramente" seu aniquilamento é estar "mais profundamente" presente a seus contemporâneos, no coração de Cristo. Pois os que estão nesta via "mais estreita" estimulam seus irmãos por seu exemplo, dão este testemunho brilhante de "que o mundo não pode ser transfigurado e oferecido a Deus sem o espírito das bem-aventuranças".
- Seja este testemunho público, como no estado religioso, ou mais discreto, ou até secreto, o advento de Cristo permanece para todos os consagrados a origem e a orientação de sua vida:
- Como o povo de Deus não possui aqui na terra morada permanente, o estado religioso manifesta já aqui neste mundo a todos os crentes a presença dos bens celestes, dá testemunho da vida nova e eterna adquirida pela redenção de Cristo, prenuncia a, ressurreição futura e a glória do Reino celeste.
Catecismo da Igreja Católica


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Fiéis de Cristo: Hierarquia, Leigos e Vida Consagrada

§871. "Fiéis são os que, incorporados a Cristo pelo Batismo, foram constituídos em povo de Deus e, assim, feitos participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, são chamados a exercer, seguindo a condição própria de cada um, a missão que Deus confiou para a Igreja cumprir no mundo."

§872. "Entre todos os fiéis de Cristo, por sua regeneração em Cristo, vigora, no que se refere à dignidade e à atividade, uma verdadeira igualdade, pela qual todos, segundo a condição e os múnus próprios de cada um, cooperam na construção do Corpo de Cristo."

§873. As próprias diferenças que o Senhor quis estabelecer entre os membros de seu Corpo servem à sua unidade e à sua missão. Pois, embora "exista na Igreja diversidade de serviços, há unidade de missão.
·         Cristo confiou aos apóstolos e a seus sucessores o múnus de ensinar, de santificar e de governar em seu nome e por seu poder.
·         Os leigos, por sua vez, participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, compartilham a missão de todo o povo de Deus na Igreja e no mundo".
·         Finalmente, "em ambas as categorias [hierarquia e leigos] há fiéis que, pela profissão dos conselhos evangélicos, se consagram, em seu modo especial, a Deus e servem à missão salvífica da Igreja; seu estado, embora não faça parte da estrutura hierárquica da Igreja, pertence, não obstante, à sua vida e santidade".

A constituição hierárquica da Igreja
Por que o Ministério Eclesial?
§874. O próprio Cristo é a fonte do ministério na Igreja. Instituiu-a, deu-lhe autoridade e missão, orientação e finalidade:
  • Para apascentar e aumentar sempre o Povo de Deus, Cristo Senhor instituiu em sua Igreja uma variedade de ministérios que tendem ao bem de todo o Corpo. Pois os ministros que são revestidos do sagrado poder servem a seus irmãos para que todos os que formam o Povo de Deus... cheguem à salvação.
§875. "Como poderiam crer naquele que não ouviram? E como poderiam ouvir sem pregador? E como podem pregar se não forem enviados?" (Romanos 10,14-15).
Ninguém, nenhum indivíduo, nenhuma comunidade pode anunciar a si mesmo o Evangelho. "A fé vem da pregação" (Romanos 10,17).
Ninguém pode dar a si mesmo o mandato e a missão de anunciar o Evangelho.
  • O enviado do Senhor fala e age não por autoridade própria, mas em virtude da autoridade de Cristo;
  • não como membro da comunidade, mas falando a ela em nome de Cristo.
Ninguém pode conferir a si mesmo a graça;
·         ela precisa ser dada e oferecida.
Isto supõe ministros da graça autorizados e habilitados da parte de Cristo. Dele, os bispos e os presbíteros recebem a missão e a faculdade (o "poder sagrado") de agir "na pessoa de Cristo-Cabeça", os diáconos, a força de servir o Povo de Deus na "diaconia" da liturgia, da palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e seu presbitério.
A tradição da Igreja chama de "sacramento" este ministério, pelo qual os enviados de Cristo fazem e dão, por dom de Deus, o que não podem fazer nem dar por si mesmos. O ministério da Igreja é conferido por um sacramento específico.

§876. Intrinsecamente ligado à natureza sacramental do ministério eclesial está o seu caráter de serviço.
Com efeito, inteiramente dependentes de Cristo, que dá missão e autoridade, os ministros são verdadeiramente "servos de Cristo", a imagem de Cristo que assumiu livremente por nós "a forma de servo" (Filipenses 2,7).
Já que a palavra e a graça de que são ministros não são deles, mas de Cristo, que lhas confiou aos outros, eles se farão livremente servos de todos.

§877. Igualmente, é da natureza sacramental do ministério eclesial que exista um caráter colegial.
Efetivamente, desde o início de seu ministério o Senhor Jesus instituiu os Doze, "os germes do Novo Israel e ao mesmo tempo a origem da sagrada hierarquia. Escolhidos conjuntamente são também enviados conjuntamente, e sua união fraterna estará a serviço da comunhão fraterna de todos os fiéis; esta união será como um reflexo e um testemunho da comunhão das pessoas divinas.
Por isso, todo bispo exerce seu ministério dentro do colégio episcopal, em comunhão com o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro e chefe do colégio; os presbíteros exercem seu ministério dentro do presbitério da diocese, sob a direção de seu Bispo.

§878. Finalmente, é da natureza sacramental do ministério eclesial que haja um caráter pessoal.
Se os ministros de Cristo agem em comunhão, agem também sempre de maneira pessoal. Cada um é chamado pessoalmente - "Tu, segue-me (João 21,22) - para ser, na missão comum, testemunha pessoal, assumindo pessoalmente a responsabilidade diante daquele que dá a missão, agindo "em sua pessoa" e em favor de pessoas: "Eu te batizo em nome do Pai... "Eu te perdôo...".

§879. O ministério sacramental na Igreja é um serviço exercido em nome de Cristo, que tem caráter pessoal e forma colegial.
Isto verifica-se nos vínculos entre o colégio episcopal e seu chefe, o sucessor de Pedro, e na relação entre a responsabilidade pastoral do Bispo por sua Igreja particular e a solicitude comum do colégio episcopal pela Igreja Universal.

CIC - Catecismo da Igreja Católica

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Discípulos Missionários

O processo de formação dos discípulos missionários
- A vocação e o compromisso de ser hoje discípulos e missionários de Jesus Cristo, requerem clara e decidida opção pela formação dos membros de nossas comunidades, a favor de todos os batizados, qualquer que seja a função que desenvolvem na Igreja.
- Olhamos para Jesus, o Mestre que formou pessoalmente a seus apóstolos e discípulos. Cristo nos dá o método:
  • “Venham e vejam” (Jo 1, 39).
  • “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6) 
- Com Ele podemos desenvolver as potencialidades que há nas pessoas e formar discípulos missionários.
- Com perseverante paciência e sabedoria, Jesus convidou a todos para que o seguissem.
- Àqueles que aceitaram segui-lo, os introduziu no mistério do Reino de Deus, e depois de sua morte e ressurreição os enviou a pregar a Boa Nova na força do Espírito.

- Seu estilo se torna emblemático para os formadores e adquire especial relevância quando pensamos na paciente tarefa formativa que a Igreja deve empreender no novo contexto sócio-cultural.

- O caminho de formação do seguidor de Jesus lança suas raízes na natureza dinâmica da pessoa e no convite pessoal de Jesus Cristo, que chama os seus pelo nome e estes o seguem porque lhe conhecem a voz.
- O Senhor despertava as aspirações profundas de seus discípulos e os atraía a si, maravilhados.

- O seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena.
- O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e acompanha.

- No processo de formação de discípulos missionários, destacamos cinco aspectos fundamentais que aparecem de maneira diversa em cada etapa do caminho, mas que se complementam intimamente e se alimentam entre si:

1-O encontro com Jesus Cristo:
Aqueles que serão seus discípulos já o buscam (cf. Jo 1,38), mas é o Senhor quem os chama:
“Segue-me” (Mc 1,14; Mt 9,9).
- É necessário descobrir o sentido mais profundo da busca, assim como é necessário propiciar o encontro com Cristo que dá origem à iniciação cristã.
- Esse encontro deve renovar-se constantemente pelo testemunho pessoal, pelo anúncio do querigma e pela ação missionária da comunidade.
- O querigma não é somente uma etapa, mas o fio condutor de um processo
que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo.
- Sem o querigma, os demais aspectos desse processo estão condenados à esterilidade, sem corações verdadeiramente convertidos ao Senhor.
- Só a partir do querigma acontece a possibilidade de uma iniciação cristã verdadeira. Por isso, a Igreja precisa tê-lo presente em todas as suas ações.

2-A Conversão
- Conversão é a resposta inicial de quem:
·          escutou o Senhor com admiração,
·          crê nEle pela ação do Espírito,
·          decide ser seu amigo e ir após Ele,
·          mudar sua forma de pensar e de viver,
·          aceitar a cruz de Cristo,
·          ser consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida.
- No Batismo e no sacramento da Reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo.
  
3-O Discipulado
- A pessoa amadurece constantemente:
·         no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre,
·         se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina.
- Para esse passo são de fundamental importância:
·         a catequese permanente e a vida sacramental, que
·         fortalecem a conversão inicial e
·         permitem que os discípulos missionários possam
·         perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que os desafia.

4-A Comunhão
- Não pode existir vida cristã fora da comunidade:
  • nas famílias,
  • nas paróquias,
  • nas comunidades de vida consagrada,
  • nas comunidades de base,
  • nas outras pequenas comunidades e movimentos.
- Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, o discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária.
- É também acompanhado e estimulado pela comunidade e por seus pastores para amadurecer na vida do Espírito.

5-A Missão
- O discípulo, à medida que conhece e ama o seu Senhor, experimenta a necessidade de compartilhar com outros a sua alegria de ser enviado, de ir ao mundo para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, e tornar realidade o amor e o serviço na pessoa dos mais necessitados, em uma palavra, a construir o Reino de Deus.
- A missão é inseparável do discipulado, o qual não deve ser entendido como etapa posterior à formação, ainda que esta seja realizada de diversas maneiras de acordo com a própria vocação e com o momento da maturidade humana e cristã em que se encontre a pessoa.

Documento de Aparecida §276-278

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ordem


O que é Sacramento?
- Sacramento é uma representação material, visível, de uma realidade invisível, que está contida nele e é comunicada quando há convivência e correspondência; são sete:
Iniciação Cristã:Batismo / Crisma / Eucaristia;
Cura: Penitência / Unção dos Enfermos;
Serviço: Matrimônio / Ordem (CIC-Catecismo da Igreja Católica 1536-1600)
- Os sete Sacramentos atingem todas as etapas e todos os momentos importantes da vida do cristão. Dão à vida de fé do cristão: origem e crescimento, cura e missão. Nisto existe certa semelhança entre as etapas da vida natural e as etapas da vida sobrenatural.

O que é um sacerdote?
- Para saber o que é um sacerdote, é preciso saber primeiro o que é sacrifício.
- Hoje em dia, a palavra, ‘sacrificio’ é usada em muitos sentidos.
- Mas, no seu significado estrito e original, é a oferenda de um dom a Deus, feita por determinado grupo, por intermédio de alguém que tenha o direito de representar esse grupo. Hebreus 5, 1-3
- O propósito da oferenda é prestar culto coletivo a Deus; quer dizer, reconhecer o supremo domínio de Deus sobre os homens, agradecer-lhe as suas graças, satisfazer pelos pecados do homem e pedir-lhe os seus benefícios.
- Deus não necessita dos nossos dons, pois tudo o que existe, foi Ele que o fez. Mesmo que lhe oferecêssemos uma montanha de diamantes, estes em si não teriam nenhum valor aos olhos de Deus.
- Antes de Jesus se ter dado a nós como oferenda perfeita no Sacrifício da Missa, o homem nada tinha a oferecer a Deus que fosse realmente digno dEle.
- Desde o começo da história humana, foi do agrado de Deus que o homem lhe manifestasse os seus sentimentos por meio de sacrifícios.
- De tudo o que Ele nos desse, tomaríamos o melhor (fossem cordeiros, bois, frutas ou grãos), e lho restituiríamos, sacrificando no altar como símbolo da nossa oferenda. Essas oferendas não podiam ser senão um gesto simbólico.
- Um sacrifício é a oração em ação de um grupo. E aquele que oferece o sacrifício em nome do grupo –como ministro de Deus- é o Sacerdote.
- Mas quem seria o sacerdote humano que estaria diante do altar, o homem cujos lábios e mãos Cristo usaria para a oferenda de Si?
- Quem seria o sacerdote humano a quem Cristo daria o poder de tornar Deus-Homem presente no altar, sob as aparências de pão e de vinho?
Resposta: “Todo sacerdote é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens em suas relações com Deus... Ninguém se apropria desta honra, senão somente o que foi chamado por Deus” Hebreus 5,1.4

O Sacramento da Ordem
- Os Sacramentos da Ordem e do Matrimônio, estão ordenados à salvação do outro. Contribuem também para a salvação pessoal; isto acontece por meio do serviço aos outros.
- O Sacramento da Ordem é uma graça que o próprio Cristo confiou aos seus apóstolos; transcende uma simples eleição, designação, delegação ou instituição pela comunidade, pois confere um dom do Espírito Santo que permite exercer um ‘poder sagrado’ que só pode vir do próprio Cristo, por meio de sua Igreja.
- O Sacramento da Ordem torna a pessoa semelhante a Cristo por meio de uma graça especial do Espírito Santo, para servir de instrumento de Cristo para o bem de toda a Igreja. O padre age como representante de Cristo, Cabeça da Igreja, em sua tríplice função: Sacerdote, Profeta e Rei.
- No serviço comunitário do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja enquanto: Cabeça de seu Corpo, /Pastor de seu rebanho, /Sumo Sacerdote do sacrifício redentor, /Mestre da Verdade.
- Quem age e opera a salvação é Cristo, por meio do Sacerdote. Mesmo que o Sacerdote esteja em pecado, isto não impede Cristo de agir por meio dele.

“Sem o Sacramento da Ordem não teríamos o Senhor:
* Quem O colocou ali naquele sacrário?
* Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida?
* Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação?
* Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no Sangue de Jesus Cristo?
* E se esta alma chega a morrer (pelo pecado), quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz?
Resposta: O Sacerdote, sempre o Sacerdote.
- Depois de Deus, o Sacerdote é tudo!... Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no Céu.
- Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto mas de amor.
Sem o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra.

- Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta?
O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador de seus bens.
O Padre não é padre para si mesmo é para vós.(Cura D’arns)

Pensar para não julgar
Quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem Miguel, nem Rafael, nem Gabriel, nem príncipe algum daqueles que venceram lúcifer podem fazer o que um sacerdote faz;

Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a lhe faltar esse pouquinho de pão e esse pouquinho de vinho;

Quando se pensa que isso pode acontecer, porque estão faltando às vocações sacerdotais; e que quando isso acontecer se estremecerão os céus e se romperá a Terra, como se a mão de Deus tivesse deixado de sustentá-la; e as pessoas gritarão de fome e angústia, e pedirão por esse Pão, e não haverá ninguém que lhes dê; e pedirão a absolvição de suas culpas, e não haverá quem as absolva, e morrerão com os olhos abertos pelo maior dos espantos...

Quando se pensa que um sacerdote é mais necessário que um presidente, mais do que um militar, mais do que um banqueiro, mais do que um médico, mais do que um professor, porque ele pode substituir a todos e ninguém pode substituí-lo;

Quando se pensa tudo isso,...

Compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações sacerdotais;

Compreende-se que, se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um titulo de honra incomparável;

Compreende-se que ajudar a construir ou manter um seminário ou noviciado é multiplicar os nascimentos do Redentor;

Compreende-se que ajudar a custear os estudos de um jovem seminarista ou de um noviço é aplainar o caminho por onde chegará ao altar um homem que, durante meia hora, todos os dias, será muito mais que todas as celebridades da Terra e que todos os santos do Céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando o seu Corpo e o seu Sangue, para alimentar o mundo.

Fonte: Hugo Wast (Romancista Mexicano) - Legionários de Cristo