Mostrando postagens com marcador Esperança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esperança. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de dezembro de 2013

Virtudes Divinas

Virtudes teologais
- As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina.
- Pois as virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto.
- As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais.
- São infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna.
- São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.

- A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade.
- Pela fé, "o homem livremente se entrega todo a Deus. Por isso o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus.
"O justo viverá da fé" (Rm 1,17).
A fé viva "age pela caridade" (Gl 5,6).
- O dom da fé permanece naquele que não pecou contra ela.
- Mas "é morta a fé sem obras" (Tg 2,26): privada da esperança e do amor, a fé não une plenamente o fiel a Cristo e não faz dele um membro vivo de seu Corpo.
- O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la:
"Todos devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens e segui-lo no caminho da Cruz, entre perseguições que nunca faltam à Igreja.”
- O serviço e o testemunho da fé são requisitos da salvação:
"Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus.
Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus" (Mt 10,32-33).

Esperança
- A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo.
"Continuemos a afirmar nossa esperança,
porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23).
"Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna" (Tt 3,6-7).
- A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem;
  • assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens;
  •  purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus;
  • protege contra o desânimo;
  • dá alento em todo esmorecimento;
  • dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna.
- O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.
- A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem sua origem e modelo na esperança de Abraão, cumulada em Isaac, das promessas de Deus, e purificada pela prova do sacrifício.
"Ele, contra toda a esperança,
acreditou na esperança de tornar-se pai de muitos povos" (Rm 4,18).
- A esperança cristã se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provação reservadas aos discípulos de Jesus.
- Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na "esperança que não decepciona" (Rm 5,5).
- A esperança é a "âncora da alma” segura e firme, "penetrando... onde Jesus entrou por nós, como precursor" (Hb 6,19-20).
- Também é uma arma que nos protege no combate da salvação:
 "Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação" (l Ts 5,8)
- Ela nos traz alegria mesmo na provação:
"alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação" (Rm 12,12).
- Ela se exprime e se alimenta na oração, especialmente no Pai-Nosso resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.
- Podemos esperar, pois, a glória do céu prometida por Deus aos que o amam e fazem sua vontade.
- Em qualquer circunstância, cada qual deve esperar, com a graça de Deus, "perseverar até o fim" e alcançar a alegria do céu como recompensa eterna de Deus pelas boas obras praticadas com a graça de Cristo.
- Na esperança, a Igreja pede que "todos ó homens sejam salvos" (1Tm 2,4). Ela aspira a estar unida a Cristo, seu Esposo, na glória do céu.
  • Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar.
(Santa Tereza de Jesus)

Caridade
- A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
- Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus "até o fim" (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe.
- Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem.
- Por isso diz Jesus:
"Assim como o Pai me amou, também eu vos amei.
Permanecei em meu amor" (Jo 15,9).
E ainda:
"Este é o meu preceito:
Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12).
- Fruto do Espírito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo:
"Permanecei em meu amor.
Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor" (Jo 15,9-10).
- Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda "inimigos" (Rm 5,10). O Senhor exige que amemos, como Ele, mesmo os nossos inimigos, que nos tornemos o próximo do mais afastado, que amemos como Ele as crianças e os pobres.
- O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade:
"A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (l Cor 13,4-7).
- Diz ainda o apóstolo:
"Se não tivesse a caridade, nada seria...".
- E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude...
"se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria".
- A caridade superior a todas as virtudes. E a primeira das virtudes teologais:
"Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas.
A maior delas, porém, é a caridade" (1 Cor 13,13).
- O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o "vinculo da perfeição" (Cl 3,14); é a forma das virtudes, articulando-as e ordenando-as entre si; é fonte e termo de sua prática cristã.
- A caridade assegura purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à feição sobrenatural do amor divino.
- A prática da vida moral, animada pela caridade, dá ao cristão a liberdade espiritual dos filhos de Deus. Já não está diante de Deus como escravo em temor servil, nem como mercenário à espera do pagamento, mas como um filho que responde ao amor daquele "que nos amou primeiro" (1 Jo 4,19):
  • Ou nos afastamos do mal por medo do castigo, estando assim na posição do escravo; ou buscamos o atrativo da recompensa, assemelhando-nos aos mercenários; ou é pelo bem em si mesmo e por amor de quem manda que nós obedecemos... e estaremos então na posição de filhos. (São Basilio)
- A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia exige a beneficência e a correção fraterna; é benevolência; suscita a reciprocidade; é desinteressada e liberal; é amizade e comunhão:
  • A finalidade de todas as nossas obras é o amor. Este é o fim, é para alcançá-lo que corremos, é para ele que corremos; uma vez chegados, é nele que repousaremos.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1812-1829

Eucaristia, antídoto para a vida eterna

Eucaristia, penhor da glória futura
- Em uma oração, a Igreja aclama o mistério da Eucaristia:
“O sagrado banquete, em que de Cristo nos alimentamos. Celebra-se a memória de sua Paixão, o espírito é repleto de graças e se nos dão penhor da glória".
- Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa do Senhor, se por nossa comunhão ao altar somos repletos "de todas as graças e bênçãos do céu", a Eucaristia é também a antecipação da glória celeste.
- Quando da última Ceia, o Senhor mesmo dirigia o olhar de seus discípulos para a realização da Páscoa no Reino de Deus:
"Desde agora não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino de meu Pai" (Mt 26,29).
- Toda vez que a Igreja celebra a Eucaristia lembra-se desta promessa, e seu olhar se volta para "aquele que vem" (Ap 1,4).
- Em sua oração, suspira por sua vinda:
"Maran athá" (1 Cor 16,22), "Vem, Senhor Jesus" (Ap 22,20),
"Venha vossa graça e passe este mundo!"

- A Igreja sabe que, desde agora, o Senhor vem em sua Eucaristia, e que ali Ele está, no meio de nós.
- Contudo, esta presença é velada. Por isso, celebramos a Eucaristia
“expectantes aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda de nosso Salvador Jesus Cristo", pedindo "saciar-nos eternamente da vossa glória, quando enxugardes toda lágrima dos nossos olhos. Então, contemplando-vos como sois, seremos para sempre semelhantes a vós e cantaremos sem cessar os vossos louvores, por Cristo, Senhor nosso".
- Desta grande esperança, a dos céus novos e da terra nova nos quais habitará a justiça, não temos penhor mais seguro, sinal mais manifesto do que a Eucaristia.
- Com efeito, toda vez que é celebrado este mistério, "opera-se a obra da nossa redenção" e nós "partimos um mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto não para a morte, mas para a vida eterna em Jesus Cristo".
CIC-Catecismo da Igreja Católica §1402-1405

Já não é pão
- Que aconteceu exatamente quando Jesus disse na Última Ceia (e os sacerdotes esta manhã na Missa): “Isto é o meu corpo” sobre o pão, e “Este é o cálice do meu sangue” sobre o vinho?
- Cremos que a substância do pão deixou de existir completa e totalmente, e que a substância do próprio Corpo de Cristo substituiu a substância do pão que foi aniquilada.
- Cremos também que Jesus, pelo seu poder onipotente como Deus, preservou as aparências do pão e do vinho, apesar de as respectivas substâncias terem desaparecido.

- Por ‘aparências’ de pão e de vinho entendemos todas as formas externas e acidentais que de um modo ou de outro podem ser percebidas pelos sentidos (audição, visão, olfato, paladar, tato).
- A Sagrada Eucaristia ainda parece pão e vinho, ainda tem o sabor do pão e do vinho e cheira a pão e vinho, ainda é sensível ao tato como pão e vinho, e, se a partíssemos ou derramássemos, espalhar-se-ia como o pão e ovinho.
- Mesmo que fizéssemos um exame microscópico, eletrônico e radiológico, só poderíamos perceber nela as qualidades do pão e do vinho.

- Com efeito, a observação humana só pode obter a aparência externa de qualquer coisa. A sua configuração, a sua reação a determinadas circunstâncias, as leis físicas a que parece obedecer, são as únicas questões que a ciência pode investigar.
- Mas a substância de uma coisa, o que lhe está subjacente, a substância como substância, está fora do alcance dos sentidos e dos instrumentos humanos.
- Evidentemente, é um milagre; um milagre contínuo, realizado centenas de milhares de vezes por dia pelo poder infinito de Deus.

- Cabe ainda dizer que é um duplo milagre: é o milagre da transformação do pão e do vinho em Jesus Cristo; e o milagre adicional pelo qual Deus mantém as aparências do pão e do vinho ainda que a substância subjacente tenha desaparecido, como se o rosto de uma pessoa permanecesse num espelho depois de a pessoa ter-se retirado.
- A mudança operada pelas palavras da consagração é de um tipo especial, e a Igreja teve de cunhar um termo especial para a designar: transubstanciação, que, literalmente, significa a passagem de uma substância para outra; neste caso, é uma singular espécie de mudança.

- Jesus Cristo, todo e inteiro, está presente na Sagrada Eucaristia sob as aparências do pão e do vinho.
- Está presente simultaneamente em cada uma das hóstias consagradas de cada altar de todo o mundo e em cada cálice consagrado onde quer que se celebre a Santa Missa.
- Mais ainda, Jesus todo e inteiro está presente em cada partícula consagrada e em cada gota de vinho consagrado.

- Se a Sagrada Hóstia se divide –como o sacerdote o faz durante a missa- , Jesus está totalmente presente em cada uma das partes. Se caísse ao chão uma partícula da Hóstia consagrada ou se derramasse uma gota do Cálice, Jesus estaria presente todo e inteiro nessa partícula e nessa gota.
- É por isso que os panos de altar têm que ser lavados com a máxima reverência, porque pode haver aderida a eles uma partícula das Sagradas Espécies. Estes panos de altar compreendem o corporal, sobre o qual se coloca a patena com a Hóstia e o Cálice consagrados durante a Missa; e o sanguíneo, o pano com que o sacerdote enxuga os lábios depois de consumir o precioso Sangue e seca os dedos e o cálice depois de lavar o cálice com vinho e água, ou só com água.
- Jesus, evidentemente, não deixa o seu lugar no céu, ‘a direita do Pai’, para se tornar presente na Sagrada Eucaristia. Permanece no céu e está no altar. Quem se faz presente sob as aparências do pão e do vinho é o corpo glorificado de Jesus, o seu corpo tal como está no céu.

- A presença de Jesus na Eucaristia –sob dimensões tão pequenas e em tantos lugares ao mesmo tempo- parece suscitar duas aparentes dificuldades:
*Como pode um corpo humano estar presente num espaço tão pequeno?
*Como pode um corpo humano estar em vários lugares ao mesmo tempo?
- Estas dificuldades, é claro, são apenas aparentes.
- Deus assim o fez; portanto, pode ser feito. Deve-se recordar que Deus é o autor da natureza, o amo e o Senhor da Criação.
- As leis físicas do universo foram estabelecidas por Ele, e Ele pode suspender a sua ação se assim o quiser, sem que o seu poder infinito tenha que fazer nenhum esforço.

- Portanto, Jesus está ali na plenitude da sua Pessoa Glorificada, de uma maneira espiritualizada, sem extensão nem espaço. Não tem altura, largura ou espessura.

sábado, 30 de novembro de 2013

Cristão, reconhece tua dignidade

A vida em Cristo
Cristão, reconhece a tua dignidade.
- Por participares agora da natureza divina, não te degeneres, retornando à decadência de tua vida passada:
  • Lembra-te da Cabeça a que pertences e do Corpo de que és membro.
  • Lembra-te de que foste arrancado do poder das trevas e transferido para a luz e o Reino de Deus.

- O Símbolo da fé professou a grandeza dos dons de Deus ao homem na obra de sua criação e, mais ainda, pela redenção e santificação.
- O que a fé confessa os sacramentos comunicam; pelos "sacramentos que os fizeram renascer", os cristãos se tornaram:
·         "filhos de Deus" (1Jo 3,1),
·         "participantes da natureza divina" (Pd 1,4).
- Reconhecendo na fé sua nova dignidade, os cristãos são chamados a levar a partir de então uma "vida digna do Evangelho de Cristo".
- Pelos sacramentos e pela oração, recebem a graça de Cristo e os dons de seu Espírito, que os tomam capazes disso.

- Jesus Cristo sempre fez o que era do agrado do Pai. Sempre viveu em perfeita comunhão com Ele.
- Também os discípulos são convidados a viver sob o olhar do Pai, "que vê o que esta oculto" (Mt 6,6), para se tomarem "perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" Mt 5,48).
- Incorporados a Cristo pelo Batismo, os cristãos estão "mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus", participando assim da vida do Ressuscitado.
- Seguindo a Cristo e em união com ele, podem procurar "tornar-se imitadores de Deus como filhos amados e andar no amor", conformando seus pensamentos, palavras e ações aos "sentimentos de Cristo Jesus e seguindo seus exemplos".

- "Justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus" (1Cor 5,11), "santificados... chamados a ser santos", os cristãos se tornaram "templo do Espírito Santo" (1Cor 6,19).
- Esse "Espírito do Filho" os ensina a orar ao Pai e, tendo-se tornado vida deles, os faz agir para carregarem em si "os frutos do Espírito" pela caridade operante.
- Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo nos "renova pela transformação espiritual de nossa mente", ele nos ilumina e fortifica para vivermos como "filhos da luz" (Ef 5,8), na "bondade, justiça e verdade" em todas as coisas (Ef 5,9).

O caminho de Cristo "conduz à vida",
um caminho contrário "leva à perdição".
- A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. Significa a importância das decisões morais para nossa salvação. Há dois caminhos, um da vida e outro da morte; mas entre os dois há grande diferença.

  • “Peço que considereis que Jesus Cristo nosso Senhor é vossa verdadeira Cabeça e que vós sois um de seus membros. Ele é para vós o que a Cabeça é para os membros; tudo o que é dele é vosso, seu espírito, coração, corpo, alma e todas as suas faculdades, e deveis fazer uso disso como coisa vossa para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Vós sois em relação a Ele o que os membros são em relação à cabeça. Assim, Ele deseja ardentemente fazer uso de tudo o que está em vós para o serviço e a glória de seu Pai, como coisa sua.” (São João Eudes)
CIC-Catecismo da Igreja Católica 1691-1696

Para mim , viver é Cristo (Fl 1,21)
  • Tu, que segues Cristo e o imitas;
  • Tu, que vives na Palavra de Deus;
  • Tu, que meditas sobre sua lei noite e dia;
  • Tu, que observas os seus mandamentos;
  • Tu, estás sempre no santuário e nunca sais dele.
- Não é em um lugar que se deve procurar o santuário, mas nos atos, na vida, nos costumes.
- Se eles são conforme os preceitos de Deus e se eles se cumprem segundo os seus desígnios, pouco importa que estejas em tua casa ou no fórum, pouco importa que estejas até mesmo no teatro: Se tu serves ao Verbo de Deus, tu estás no santuário, não tenha nenhuma duvida.

Homilias sobre Orígenes- Levitico, XII,4

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Marcos 10, 13-16

“Apresentaram-lhe, então, crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
Vendo-os, Jesus indignou-Se e disse-lhes: ‘Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se assemelham a eles. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará’.

Em seguida, Ele abraçou e abençoou as crianças, impondo-lhes Suas Mãos.”

“Ele está no meio de nós”, hoje.
‘Toque’ e ação de Jesus
Efeito do ‘Toque’
Palavra         (Deus se Revela)
Purifica a Alma
Sacramentos (Deus se Doa)
Purifica o Corpo
Próximo        (Deus dá sentido a vida)
Purifica o Coração
Quanto mais unido a Jesus, mais purificado se fica.

Deus faz a parte D’Ele, nós fazemos a nossa
Temos que ter ‘disposição’, ‘desejo santo’, ‘acolhimento (Jo 12, 47)’, e ‘adesão ao projeto Divino’.
“Minha alma tem sede de ti, minha carne te deseja com ardor” Salmo 62

2-tipos de ‘desejo’
Pureza e Impureza Tito 1, 15-16
“Para os puros, todas as coisas são puras;
mas para os impuros e descrentes, nada é puro:
  • Tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.
  • Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos, pois são abomináveis, desobedientes e incapazes para qualquer boa obra.”

A adesão a Cristo supõe a Imitação de Cristo

Entrada Impureza
Resgate Pureza
CORPO                       Sentidos*                                      Jejum Corporal
(Sede dos Sentidos)                                                                    Castidade
Tiago 1, 13-15

ALMA                         Vontade                                         Fugir das ocasiões
(Sede das Potências)                                                                  Inteligência c/ Sabedoria
                                                                                                   Memória constante Deus
                                                                                                   Vontade de Deus
Sabedoria 7, 22-30
10º Mandamento Desejo desordenado-Instrui nos desejos do Espírito Santo CIC 2534-57

CORAÇÃO                    Amor próprio                            * Desprendimento bens:
(Sede Personalidade Moral)                                                      materiais e criaturas
                                                 Egoísmo                                     * Preparado para perder:
                                                                                                   tudo e todos
Marcos 7, 20-23 / Filipenses 4, 8-9
9º Mandamento: Desejo da carne-Luta pela pureza do coração CIC 2514-33

- Nada existe no intelecto sem antes passar pelos sentidos:
* “A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa a vista, e que essa árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou o fruto e comeu. Deu também ao seu marido” Gênesis 3, 6
Viu: corpo
Desejável: alma
Deu ao marido: coração

* “Aquele que olha para a mulher com desejo já cometeu adultério no seu coraçãoMateus 5, 27
Olha: corpo
Desejo: alma
Coração: coração


‘Aderir’ e ‘Permanecer’ em Jesus
- O Senhor nos convida 11-vezes em João 15 a ‘permanecer’ N’Ele:
  • O Espírito Santo nos capacita a fazer o mundo a voltar a Deus;
  • Restauramos a Beleza Original;
  • Levantamos uma barreira a nossa volta contra o mal e o pecado;
  • Obtemos nossa conversão e daqueles a quem o Senhor nos confiar.

Maria, nosso modelo de pureza
- Escolhida para ser pura e receber o puro.
“Quando o Espírito Santo, seu Esposo encontra Maria numa alma, voa para ela, entra na alma com plenitude e comunicasse-lhe tanto mais abundantemente quanto maior lugar esta alma dá a sua Esposa”
São Luiz Maria G Monfort


Homem novo
- Deus nos ‘concedeu’ os meios para nos ‘aperfeiçoar’ até que alcancemos:
  • a unidade da fé;
  • o pleno conhecimento do Filho de Deus,
  • e o estado do Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo.
- Por isso,
  • remova o vosso modo de vida anterior –Homem velho- e 
  • revista-se do –Homem novo- criado na justiça e santidade da verdade. Efésios 4

  

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Céu

- Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem "tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12):
·         Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (...) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, (...) ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, (...) antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura.
- Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada "o Céu".
- O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.
·         Viver no Céu é "viver com Cristo". Os eleitos vivem "nele", mas lá conservam - ou melhor, lá encontram – sua verdadeira identidade, seu próprio nome.
- Vida é, de fato, estar com Cristo; aí onde está Cristo, aí está a Vida, aí está o Reino.
- Por sua Morte e Ressurreição, Jesus Cristo nos "abriu" o Céu.
- A vida dos bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada por Cristo, que associou à sua glorificação celeste os que creram nele e que ficaram fiéis à sua vontade.
- O céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Ele.

- Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação.
- A Escritura fala-nos dele em imagens:
·         vida,
·         luz,
·         paz,
·         festim de casamento,
·         vinho do Reino,
·         casa do Pai,
·         Jerusalém celeste,
·         Paraíso.
"O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9).

- Em razão de sua transcendência, Deus só poderá ser visto tal como é quando Ele mesmo abrir seu mistério à contemplação direta do homem e o capacitar para tanto.
- Esta contemplação de Deus em sua glória celeste é chamada pela Igreja de "visão beatifica":
·         Qual não será tua glória e tua felicidade: ser admitido a ver a Deus, ter a honra de participar das alegrias da salvação e da luz eterna na companhia de Cristo, o Senhor teu Deus (...) desfrutar no Reino dos Céus, na companhia dos justos e dos amigos de Deus, as alegrias da imortalidade adquirida.

- Na glória do Céu, os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus em relação aos outros homens e à criação inteira.
- Já reinam com Cristo; com Ele "reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22,5).

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1023-1029

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Onde encontro Jesus

Lugares de encontro com Jesus Cristo
§246. O encontro com Cristo, graças à ação invisível do Espírito Santo, realiza-se na fé recebida e vivida na Igreja.
- Com as palavras do papa Bento XVI, repetimos com certeza:
“A Igreja é nossa casa! Esta é nossa casa! Na Igreja Católica temos tudo o que é bom, tudo o que é motivo de segurança e de consolo!
Quem aceita a Cristo: Caminho, Verdade e Vida, em sua totalidade, tem garantida a paz e a felicidade, nesta e na outra vida!”

§247. Encontramos Jesus na Sagrada Escritura, lida na Igreja.
- A Sagrada Escritura, “Palavra de Deus escrita por inspiração do Espírito Santo”, é, com a Tradição, fonte de vida para a Igreja e alma de sua ação evangelizadora. Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo. Daí o convite de Bento XVI:
“Ao iniciar a nova etapa que a Igreja missionária da América Latina e do Caribe se dispõe a empreender, a partir desta V Conferência em Aparecida, é condição indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus.
- Por isso, é necessário educar o povo na leitura e na meditação da Palavra: que ela se converta em seu alimento para que, por experiência própria, vejam que as palavras de Jesus são espírito e vida (cf.Jo 6,63).
- Do contrário, como vão anunciar uma mensagem cujo conteúdo e espírito não conhecem profundamente? É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida na rocha da Palavra de Deus”.

§248. Faz-se, pois, necessário propor aos fiéis a Palavra de Deus como dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de “autêntica conversão e de renovada comunhão e solidariedade”.
- Essa proposta será mediação de encontro com o Senhor se for apresentada a Palavra revelada, contida na Escritura, como fonte de evangelização.
- Os discípulos de Jesus desejam alimentar-se com o Pão da Palavra: querem chegar à interpretação adequada dos textos bíblicos, empregá-los como mediação de diálogo com Jesus Cristo, e a que sejam alma da própria evangelização e do anúncio de Jesus a todos.
- Por isso, a importância de uma “pastoral bíblica”, entendida como animação bíblica da pastoral, que seja escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, de comunhão com Jesus ou oração com a Palavra, e de evangelização inculturada ou de proclamação da Palavra.
- Isso exige, da parte dos bispos, presbíteros, diáconos e ministros leigos da Palavra, uma aproximação à Sagrada Escritura que não seja só intelectual e instrumental, mas com coração “faminto de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11).

§249. Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura existe uma privilegiada à qual todos somos convidados:
  • a Lectio divina ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura.
- Essa leitura orante, bem praticada:
  • conduz ao encontro com Jesus-Mestre,
  • ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias,
  • à comunhão com Jesus-Filho de Deus
  • e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo.
- Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração, contemplação), a leitura orante favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo semelhante ao modo de tantos personagens do evangelho:
  • Nicodemos e sua ânsia de vida eterna (cf. Jo 3,1-21),
  • a Samaritana e seu desejo de culto verdadeiro (cf. Jo 4,1-42),
  • o cego de nascimento e seu desejo de luz interior (cf. Jo 9),
  • Zaqueu e sua vontade de ser diferente (cf. Lc 19,1-10)...
- Todos eles, graças a esse encontro, foram iluminados e recriados porque se abriram à experiência da misericórdia do Pai que se oferece por sua Palavra de verdade e vida. Não abriram o coração para algo do Messias, mas ao próprio Messias, caminho de crescimento na “maturidade conforme a sua plenitude” (Ef 4,13), processo de discipulado, de comunhão com os irmãos e de compromisso com a sociedade.

§250. Encontramos Jesus Cristo, de modo admirável, na Sagrada Liturgia.
- Ao vivê-la, celebrando o mistério pascal, os discípulos de Cristo penetram mais nos mistérios do Reino e expressam de modo sacramental sua vocação de discípulos e missionários.
- A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano II nos mostra o lugar e a função da liturgia no seguimento de Cristo, na ação missionária dos cristãos, na vida nova em Cristo e na vida de nossos povos nEle.

§251. A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo. Com este Sacramento, Jesus nos atrai para si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Existe estreito vínculo entre as três dimensões da vocação cristã:
  • crer,
  • celebrar e
  • viver o mistério de Jesus Cristo, de tal modo que a existência cristã adquira verdadeiramente forma eucarística.
- Em cada Eucaristia, os cristãos celebram e assumem o mistério pascal, participando nEle. Portanto, os fiéis devem viver sua fé na centralidade do mistério pascal de Cristo através da Eucaristia, de maneira que toda a sua vida seja cada vez mais vida eucarística.
- A Eucaristia, fonte inesgotável da vocação cristã é, ao mesmo tempo, fonte inextinguível do impulso missionário. Aí, o Espírito Santo fortalece a identidade do discípulo e desperta nele a decidida vontade de anunciar com audácia aos demais o que tem escutado e vivido.

§254. O sacramento da reconciliação é o lugar onde o pecador experimenta de maneira singular o encontro com Jesus Cristo, que se compadece de nós e nos dá o dom de seu perdão misericordioso, nos faz sentir que o amor é mais forte que o pecado cometido, nos liberta de tudo o que nos impede de permanecer em seu amor, e nos devolve a alegria e o entusiasmo de anunciá-lo aos demais de coração aberto e generoso.

§255. A oração pessoal e comunitária é o lugar onde o discípulo, alimentado pela Palavra e pela Eucaristia, cultiva uma relação de profunda amizade com Jesus Cristo e procura assumir a vontade do Pai.
- A oração diária é sinal do primado da graça no caminho do discípulo missionário. Por isso, “é necessário aprender a orar, voltando sempre a aprender essa arte dos lábios do Mestre”.

Documento de Aparecida

sábado, 2 de novembro de 2013

Igreja, Comunhão entre o céu e a terra


A comunhão entre a Igreja do Céu e a terra
Os três estados da Igreja:
- Até que o Senhor venha em Sua majestade e, com ele, todos os anjos e, tendo sido destruída a morte, todas as coisas lhe forem sujeitas,
  1. alguns dentre os seus discípulos peregrinam na terra;
  2. outros, terminada esta vida, são purificados;
  3. enquanto outros são glorificados, vendo claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é.
  • Todos, porém, em grau e modo diverso, participamos da mesma caridade de Deus e do próximo e cantamos o mesmo hino de glória a nosso Deus. Pois todos quantos são de Cristo, tendo o seu Espírito, congregam-se em uma só Igreja e nele estão unidos entre si.
- A união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo de maneira alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé perene da Igreja, vê-se fortalecida pela comunicação dos bens espirituais.
LG-Lumen Gentium §49

A intercessão dos santos:
- Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus.
- Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio:
  • Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida. São Domingos
  • Passarei meu céu fazendo bem na terra. Santa Terezinha Menino Jesus

A comunhão com os santos:
- Veneramos a memória dos habitantes do céu não somente a título de exemplo; fazemo-lo ainda mais para corroborar a união de toda a Igreja no Espírito, pelo exercício da caridade fraterna.
- Pois, assim como a comunhão entre os cristãos da terra nos aproxima de Cristo, da mesma forma o consórcio com os santos nos une a Cristo, do qual como de sua fonte e cabeça, promana toda a graça e a vida do próprio Povo de Deus.
  • Nós adoramos Cristo qual Filho de Deus. Quanto aos mártires, os amamos quais discípulos e imitadores do Senhor e, o que é justo, por causa de sua incomparável devoção por seu Rei e Mestre. Possamos também nós ser companheiros e condiscípulos seus.
São Policarpo

A comunhão com os falecidos:
- Reconhecendo cabalmente esta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os tempos primevos da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos (...) e,
`já que é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados' (II Macabeus 12, 46),
também ofereceu sufrágios em favor deles.
- Nossa oração por eles pode não somente ajudá-los, mas também tornar eficaz sua intercessão por nós.

... na única família de Deus:
- Todos os que somos filhos de Deus e constituímos uma única família em Cristo, enquanto nos comunicamos uns com os outros em mútua caridade e num mesmo louvor à Santíssima Trindade, realizamos a vocação própria da Igreja.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §954-959

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Santidade Cristã

"E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam:
  • Porque os que de antemão Ele conheceu, esses também predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de ser ele o primogênito entre muitos irmãos. E os que predestinou, também os chamou; e os que chamou, também os justificou; e os que justificou, também os glorificou" (Rm 8,28-30).
- Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.
- Todos são chamados à santidade:
"Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48):
  • Com o fim de conseguir esta perfeição, façam os fiéis uso das forças recebidas, a fim de que, cumprindo em tudo a vontade do Pai, se dediquem inteiramente à glória de Deus e ao serviço do próximo. Assim, a santidade do povo de Deus se expandirá em abundantes frutos, como se demonstra luminosamente na história da Igreja pela vida de tantos santos.
- O progresso espiritual tende à união sempre mais íntima com Cristo. Esta união recebe o nome de "mística", pois ela participa no mistério de Cristo pelos sacramentos -"os santos mistérios"- e, nele, no mistério da Santíssima Trindade, Deus nos chama a todos a esta íntima união com Ele, mesmo que graças especiais ou sinais extraordinários desta vida mística sejam concedidos apenas a alguns, em vista de manifestar o dom gratuito feito a todos.
O caminho da perfeição passa pela cruz.
Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual.
- O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças:
  • Aquele que vai subindo jamais cessa de progredir de começo em começo, por começos que não têm fim. Aquele que sobe jamais cessa de desejar aquilo que já conhece.
- Os filhos da Santa Igreja, nossa Mãe, esperam justamente a graça da perseverança final e a recompensa de Deus, seu Pai, pelas boas obras realizadas com sua graça, em comunhão com Jesus.
- Observando a mesma regra de vida, os fiéis cristãos partilham "a feliz esperança" daqueles que a misericórdia divina reúne na "Cidade santa, uma Jerusalém nova que desce do céu de junto de Deus, preparada como uma esposa" (Ap 21,2).
Um Duro Combate
- A doutrina sobre o pecado original ligada à doutrina da Redenção por meio de Cristo propicia um olhar de discernimento lúcido sobre a situação do homem e de sua ação no mundo. Pelo pecado dos primeiros pais, o Diabo adquiriu certa dominação sobre o homem, embora este último permaneça livre.
- O pecado original acarreta a ''servidão debaixo do poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo". Ignorar que o homem tem uma natureza lesada, inclinada ao mal, dá lugar a graves erros no campo da educação, da política, da ação social e, dos costumes.

- As consequências do pecado original e de todos os pecados pessoais dos homens conferem ao mundo em seu conjunto uma condição pecadora, que pode ser designada com a expressão de São João: "O pecado do mundo" (Jo 1,29). Com esta expressão quer-se exprimir também a influência negativa que exercem sobre as pessoas, as situações comunitárias e as estruturas sociais, que são o fruto dos pecados dos homens.

- Esta situação dramática do mundo, que "inteiro está sob o poder do Maligno" (1Jo 5,19), faz da vida do homem um combate:
  • Uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo vai durar até o último dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem; não consegue alcançar a unidade interior senão com grandes labutas e o auxílio da graça de Deus.

“Não o abandonaste ao poder da morte”
- Depois da queda, o homem não foi abandonado por Deus.
- Ao contrário, Deus o chama e lhe anuncia de modo misterioso a vitória sobre o mal e o soerguimento da queda. Esta passagem do Gênesis foi chamada de "proto-evangelho", por ser o primeiro anúncio do Messias redentor, a do combate entre a serpente e a Mulher e a vitória final de um descendente desta última.
- A tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do "novo Adão", que, por sua "obediência até a morte de Cruz" (Fl 2,8), repara com superabundância a desobediência de Adão.
- De resto, numerosos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher anunciada no "proto-evangelho" a mãe de Cristo, Maria, como "nova Eva". - Foi ela que, primeiro e de uma forma única, se beneficiou da vitória sobre o pecado conquistada por Cristo: ela foi preservada de toda mancha do pecado original e durante toda a vida terrestre, por uma graça especial de Deus, não cometeu nenhuma espécie de pecado.

- Mas por que Deus não impediu o primeiro homem de pecar?
* São Leão Magno responde: "A graça inefável de Cristo deu-nos bens melhores do que aqueles que a inveja do Demônio nos havia subtraído".
* E Santo Tomás de Aquino: "Nada obsta' a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais elevado após o pecado. Com efeito, Deus permite que os males aconteçam para tirar deles um bem maior.
* Donde a palavra de São Paulo: 'Onde abundou o pecado superabundou a graça" (Rm 5,20).
* E o canto do Exultet: "Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor".

O combate da oração
- A oração é um dom da graça e uma resposta decidida de nossa parte: Supõe sempre um esforço.
- Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, como também a Mãe de Deus e os santos com Ele, nos ensinam:
A oração é um combate. Contra quem?
Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador, que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com seu Deus.
  • Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não quisermos habitualmente agir segundo o Espírito de Cristo, também não poderemos habitualmente rezar em seu Nome. O "combate espiritual" da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração.
- A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração. Fundada sobre o Sacramento do Matrimônio, ela é a "Igreja doméstica", onde os filhos de Deus aprendem a orar "como Igreja" e a perseverar na oração.
- Para as crianças, particularmente, a oração familiar cotidiana é o primeiro testemunho da memória viva da Igreja reavivada pacientemente pelo Espírito Santo.

CIC-Catecismo da Igreja Católica 2012-2016; 2685; 2725; 407-409