Mostrando postagens com marcador Maria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Maria, Mãe da Igreja

Maria, discípula e missionária
§266. A máxima realização da existência cristã como um viver trinitário de “filhos no Filho” nos é dada na Virgem Maria que, através de sua fé (cf. Lc 1,45) e obediência à vontade de Deus (cf. Lc 1,38), assim como por sua constante meditação da Palavra e das ações de Jesus (cf. Lc 2,19.51), é a discípula mais perfeita do Senhor.
Interlocutora do Pai em seu projeto de enviar seu Verbo ao mundo para a salvação humana, com sua fé Maria chega a ser o primeiro membro da comunidade dos crentes em Cristo, e também se faz colaboradora no renascimento espiritual dos discípulos. Sua figura de mulher livre e forte, emerge do Evangelho conscientemente orientada para o verdadeiro seguimento de Cristo. Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem estar livre da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai. Alcançou, dessa forma, o fato de estar ao pé da cruz em comunhão profunda, para entrar plenamente no mistério da Aliança.

§267. Com ela, providencialmente unida à plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4), chega a cumprimento a esperança dos pobres e o desejo de salvação. A Virgem de Nazaré teve uma missão única na história da salvação, concebendo, educando e acompanhando seu Filho até seu sacrifício definitivo. Do alto da cruz, Jesus Cristo confiou a seus discípulos, representados por João, o dom da maternidade de Maria, que brota diretamente da hora pascal de Cristo: “E desse momento em diante, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,27). Perseverando junto aos apóstolos à espera do Espírito (cf. At 1,13-14), ela cooperou com o nascimento da Igreja missionária, imprimindo-lhe um selo mariano que a identifica profundamente. Como mãe de tantos, fortalece os vínculos fraternos entre todos, estimula a reconciliação e o perdão e ajuda os discípulos de Jesus Cristo a se experimentarem como família, a família de Deus. Em Maria, encontramo-nos com Cristo, com o Pai e com o Espírito Santo, e da mesma forma com os irmãos.

§268. Como na família humana, a Igreja-família é gerada ao redor de uma mãe, que confere “alma” e ternura à convivência familiar. Maria, Mãe da Igreja, além de modelo e paradigma da humanidade, é artífice de comunhão. Um dos eventos fundamentais da Igreja é quando o “sim” brotou de Maria. Ela atrai multidões à comunhão com Jesus e sua Igreja, como experimentamos muitas vezes nos santuários marianos. Por isso, como a Virgem Maria, a Igreja é mãe. Esta visão mariana da Igreja é o melhor remédio para uma Igreja meramente funcional ou burocrática.

§269. Maria é a grande missionária, continuadora da missão de seu Filho e formadora de missionários. Ela, da mesma forma como deu à luz o Salvador do mundo, trouxe o Evangelho à nossa América. No acontecimento em Guadalupe, presidiu, junto com o humilde João Diego, o Pentecostes que nos abriu aos dons do Espírito. A partir desse momento, são incontáveis as comunidades que encontraram nela a inspiração mais próxima para aprenderem como ser discípulos e missionários de Jesus.
Com alegria constatamos que ela tem feito parte do caminhar de cada um de nossos povos, entrando profundamente no tecido de sua história e acolhendo as ações mais nobres e significativas de sua gente. Os diversos títulos e os santuários espalhados por todo o Continente testemunham a presença próxima de Maria às pessoas, e ao mesmo tempo manifestam a fé e a confiança que os devotos sentem por ela. Ela pertence a eles e eles a sentem como mãe e irmã.

§270. Hoje, quando em nosso continente latino-americano e caribenho se quer enfatizar o discipulado e a missão, é ela quem brilha diante de nossos olhos como imagem acabada e fidelíssima do seguimento de Cristo. Esta é a hora da seguidora mais radical de Cristo, de seu magistério discipular e missionário ao qual nos envia o Papa Bento XVI:
“Maria Santíssima, a Virgem pura e sem mancha, é para nós escola de fé destinada a nos conduzir e a nos fortalecer no caminho que conduz ao encontro com o Criador do céu e da terra. O Papa veio a Aparecida com viva alegria para nos dizer em primeiro lugar:
  • Permaneçam na escola de Maria.
  • Inspirem-se em seus ensinamentos.
  • Procurem acolher e guardar dentro do coração as luzes que ela, por mandato divino, envia a vocês a partir do alto”.

§271. Ela, que “conservava todas estas recordações e as meditava no coração” (Lc 2,19; cf. 2,51), ensina-nos o primado da escuta da Palavra na vida do discípulo e missionário. O Magnificat “está inteiramente tecido pelos fios da Sagrada Escritura, os fios tomados da Palavra de Deus.
- Assim, revela-se que nela a Palavra de Deus se encontra de verdade em sua casa, de onde sai e entra com naturalidade.
- Ela fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se faz a sua palavra e sua palavra nasce da Palavra de Deus.
Além disso, assim se revela que seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que seu querer é um querer junto com Deus.
- Estando intimamente penetrada pela Palavra de Deus, Ela pode chegar a ser mãe da Palavra encarnada”. Essa familiaridade com o mistério de Jesus é facilitada pela reza do Rosário, onde: “o povo cristão aprende de Maria a contemplar a beleza do rosto de Cristo e a experimentar a profundidade de seu amor. Mediante o Rosário, o cristão obtém abundantes graças, como recebendo-as das próprias mãos da mãe do Redentor”.

§272. Com os olhos postos em seus filhos e em suas necessidades, como em Caná da Galiléia, Maria ajuda a manter vivas as atitudes de atenção, de serviço, de entrega e de gratuidade que devem distinguir os discípulos de seu Filho. Indica, além do mais, qual é a pedagogia para que os pobres, em cada comunidade cristã, “sintam-se como em casa”.
- Cria comunhão e educa para um estilo de vida compartilhada e solidária, em fraternidade, na atenção e acolhida do outro, especialmente se é pobre ou necessitado. Em nossas comunidades, sua forte presença tem enriquecido e continuará enriquecendo a dimensão materna da Igreja e sua atitude acolhedora, que a converte em “casa e escola da comunhão” e em espaço espiritual que prepara para a missão.

Os apóstolos e os santos
§273. Também os apóstolos de Jesus e os santos marcaram a espiritualidade e o estilo de vida de nossas Igrejas. Suas vidas são lugares privilegiados de encontro com Jesus Cristo. Seu testemunho se mantém vigente e seus ensinamentos inspiram o ser e ação das comunidades cristãs do Continente.
Entre eles, Pedro o apóstolo, a quem Jesus confiou a missão de confirmar a fé de seus irmãos (cf. Lc 22,31-32), os ajuda a estreitar o vínculo de comunhão com o Papa, seu sucessor, e a buscar em Jesus as palavras de vida eterna.
Paulo, o evangelizador incansável, lhes indicou o caminho da audácia missionária e a vontade de se aproximar de cada realidade cultural com a Boa Nova da salvação.
João, o discípulo amado do Senhor, lhes revelou a força transformadora do mandamento novo e a fecundidade de permanecer em seu amor.

§274. Nossos povos nutrem carinho e especial devoção por José, esposo de Maria, homem justo, fiel e generoso que sabe perder-se para se achar no mistério do Filho.
São José, o silencioso mestre, fascina, atrai e ensina, não com palavras mas com o resplandecente testemunho de suas virtudes e de sua firme simplicidade.

§275. Nossas comunidades levam o selo dos apóstolos e, além disso, reconhecem o testemunho cristão de tantos homens e mulheres que espalharam em nossa geografia as sementes do Evangelho, vivendo valentemente sua fé, inclusive derramando seu sangue como mártires.
Seu exemplo de vida e santidade constitui um presente precioso para o caminho cristão dos latino-americanos e, simultaneamente, um estímulo para imitar suas virtudes nas novas expressões culturais da história.
Com a paixão de seu amor a Jesus Cristo, foram membros ativos e missionários em sua comunidade eclesial.
Com valentia, perseveraram na promoção dos direitos das pessoas, foram perspicazes no discernimento crítico da realidade à luz do ensino social da Igreja e críveis pelo testemunho coerente de suas vidas.
Nós, cristãos de hoje, acolhemos sua herança e nos sentimos chamados a continuar com renovado ardor apostólico e missionário o estilo evangélico de vida que nos transmitiram.


Documento de Aparecida 2007

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Cristo, Concebido pelo Espírito Santo

Cristo, concebido pelo poder do Espírito Santo.
§484 A Anunciação a Maria inaugura a "plenitude dos tempos" (Gl 4,4), isto é, o cumprimento das promessas e das preparações. Maria é convidada a conceber aquele em quem habitará "corporalmente a plenitude da divindade" (Cl 2,9). 
- A resposta divina à sua pergunta "Como se fará isto, se não conheço homem algum?" (Lc 1,34) é dada pelo poder do Espírito: "O Espírito Santo virá  sobre ti" (Lc 1,35).
§485 A missão do Espírito Santo está sempre conjugada e ordenada à do Filho. O Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que é "o Senhor que dá a Vida", fazendo com que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma humanidade proveniente da sua.
§486 Ao ser concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho Único do Pai é "Cristo", isto e, ungido pelo Espirito Santo desde o início de sua existência humana, ainda que sua manifestação só se realize progressivamente: aos pastores, aos magos, a João Batista, aos discípulos.
Toda a Vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, "como Deus o ungiu com o Espírito e com poder" (At 10,38).

Nascido da Virgem Maria
§487 O que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo, mas o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo.

A Predestinação de Maria
§488 "Deus enviou Seu Filho" (Gl 4,4), mas, para "formar-lhe um corpo" quis a livre cooperação de uma criatura. Por isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galiléia, "uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria" (Lc 1,26-27):
  • Quis o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida.
§489 Ao longo de toda a Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão de santas mulheres. No princípio está Eva: a despeito de sua desobediência, ela recebe a promessa de uma descendência que será vitoriosa sobre o Maligno e a de ser a mãe de todos os viventes. Em virtude dessa promessa, Sara concebe um filho, apesar de sua idade avançada. 
- Contra toda expectativa humana, Deus escolheu o era tido como impotente e fraco para mostrar sua fidelidade à sua promessa: Ana, a mãe de Samuel, Débora, Rute, Judite e Ester, e muitas outras mulheres. Maria "sobressai entre (esses) humildes e pobres do Senhor, que dele esperam e recebem com confiança a Salvação. Com ela, Filha de Sião por excelência, depois de uma demorada espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova economia"

A Imaculada Conceição
§490 Para ser a Mãe do Salvador, Maria "'foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função". No momento da Anunciação, o anjo Gabriel a saúda como "cheia de graça". Efetivamente, para poder dar o assentimento livre de sua fé ao anúncio de sua vocação era preciso que ela estivesse totalmente sob a moção da graça de Deus.
§491 Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, "cumulada de graça" por Deus, foi redimida desde a concepção. E isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo papa Pio IX:
  • A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano foi preservada imune de toda mancha do pecado original.
§492 Esta "santidade resplandecente, absolutamente única" da qual Maria é "enriquecida desde o primeiro instante de sua conceição lhe vem inteiramente de Cristo: "Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime". Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a "abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo" (Ef 1,3). Ele a "escolheu nele (Cristo), desde antes da fundação do mundo, para ser santa e imaculada em sua presença, no amor" (Ef 1,4).
§493 Os Padres da tradição oriental chamam a Mãe de Deus "a toda santa", celebram-na como "imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espirito Santo, e formada como uma nova criatura".
Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.

“Faça-se em mim segundo a Tua Palavra...
§494 Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude do Espírito Santo, Maria respondeu com a "obediência da fé", certa de que "nada é impossível a Deus": "Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,37-38).
Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tomou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção:
  • Como diz Santo Irineu, "obedecendo, se fez causa de salvação tanto para si como para todo o gênero humano". Do mesmo modo, não poucos antigos Padres dizem com ele: "O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade a virgem Maria desligou pela fé". Comparando Maria com Eva, chamam Maria de "mãe dos viventes" e com frequência afirmam: "Veio a morte por Eva e a vida por Maria".

A Maternidade Divina de Maria
§495 Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor" (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos).

A Virgindade de Maria
§496 Desde as primeiras formulações da fé, a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando também o aspecto corporal deste evento:
  • Jesus foi concebido "do Espírito Santo, sem sêmen".
- Os Padres vêem na conceição virginal o sinal de que foi verdadeiramente o Filho de Deus que veio numa humanidade como a nossa:
  • Assim, Santo Inácio de Antioquia: "Estais firmemente convencidos acerca de Nosso Senhor, que é verdadeiramente da raça de Davi segundo a carne, Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus, verdadeiramente nascido de uma virgem... ele foi verdadeiramente pregado, na sua carne, {à cruz} por nossa salvação sob Pôncio Pilatos... ele sofreu verdadeiramente, como também ressuscitou verdadeiramente".

CIC-Catecismo da Igreja Católica

domingo, 8 de dezembro de 2013

Encarnação do Verbo Divino

Encarnação
- A Igreja denomina "Encarnação" o fato de o Filho de Deus ter assumido uma natureza humana para realizar nela a nossa salvação:
Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus: Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,5-8).
- A fé na Encarnação verdadeira do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus. Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus" (1Jo 4,2).

Verdadeiro Deus e verdadeiro homem
- O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que ele seja o resultado da mescla confusa entre o divino e o humano. Ele se fez verdadeiramente homem permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: Ele permaneceu o que era, assumiu o que não era.

A Maternidade de Maria no desígnio de Deus
- Jesus é concebido pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, pois ele é o Novo Adão que inaugura a nova criação: "O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo homem vem do Céu"
- A humanidade de Cristo é, desde a sua concepção, repleta do Espírito Santo, pois Deus "lhe dá o Espírito sem medida" (Jo 3,34). É da "plenitude dele", cabeça da humanidade remida, que "nós recebemos graça sobre graça"
- Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe de seu Filho. "Cheia de graça", ela é "o fruto mais excelente da Redenção": Desde o primeiro instante de sua concepção, foi totalmente preservada da mancha do pecado original e permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.

Razões da encarnação
- A Palavra se fez carne para salvar-nos, reconciliando-nos com Deus:
"Foi Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados" (1Jo 4,10).
"O Pai enviou seu Filho como o Salvador do mundo" (1Jo 4,14). 
"Este apareceu para tirar os pecados" (1Jo 3,5):
  • Doente, nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada. Havíamos perdido a posse do bem, era preciso no-la restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador.
- Essas razões eram sem importância? Não eram tais que comoveriam a Deus a ponto de fazê-lo descer até nossa natureza humana para visitá-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um estado tão miserável e tão infeliz?

- A Palavra se fez carne para que, assim, conhecêssemos o amor de Deus: 
"Nisto manifestou-se o amor de Deus por nós: Deus enviou seu Filho Único ao mundo para que vivamos por Ele" (1 Jo 4,9).
"Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Único, a fim de que todo o que crer nele não pereça, mas tenha a Vida Eterna" (Jo 3,16).

- A Palavra se fez carne para ser nosso modelo de santidade:
"Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim" (Mt 11,29). 
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6). 
E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: "Ouvi-o" (Mc 9,7).
- Ele é o modelo das Bem-aventuranças e a norma da Nova Lei: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12). Este amor implica a oferta efetiva de si mesmo em seu seguimento.

- A Palavra se fez carne para tornar-nos "participantes da natureza divina": 
"Pois esta é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: é para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo, assim, a filiação divina, se torne filho de Deus".
“O Filho Unigênito de Deus, querendo-nos participantes de sua divindade, assumiu nossa natureza para que aquele que se fez homem dos homens fizesse deuses."

CIC-Catecismo da Igreja Católica 456-483

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Maria nos últimos tempos

Ofício Especial de Maria nos Últimos Tempos
§49. A salvação do mundo começou por Maria, e é por Ela que se deve consumar.
- Na primeira vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu, a fim de que os homens, ainda pouco instruídos e esclarecidos sobre a pessoa de seu Filho, não se afastassem da verdade, apegando-se muito intensa e grosseiramente a Ela.
- Sendo a Virgem conhecida, é provável que isso tivesse acontecido por causa dos encantos admiráveis
que o Altíssimo lhe tinha concedido, mesmo exteriormente.
- Tanto assim é que São Dionísio Areopagita deixou escrito que, quando a viu, a teria tomado por uma divindade, - devido aos Seus secretos atrativos e à sua beleza incomparável -, se a fé, em que estava bem confirmado, lhe não tivesse garantido o contrário.
- Mas, na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria tem de ser conhecida e, por isso, deve ser manifestada pelo Espírito Santo.
- Por Ela fará Conhecer, Amar e Servir Jesus Cristo, uma vez que já não subsistem as razões que o levaram a ocultar, durante a vida, a sua Esposa, e a revelá-la só muito pouco, desde a pregação do Santo Evangelho.

§50. Deus quer, portanto, revelar e manifestar Maria, a obra-prima das suas mãos, nesses derradeiros tempos.
1.       Porque Ela se escondeu neste mundo, e se colocou mais abaixo que o pó, em sua humildade profunda, tendo obtido de Deus, dos Seus Apóstolos e Evangelistas, que não fosse manifestada.
2.       Porque Ela é obra-prima saída das mãos de Deus, tanto na Terra pela graça, como no Céu pela glória. Por isso Deus quer, por meio d’Ela, ser louvado e glorificado sobre a terra pelos viventes.
3.       Sendo a aurora que precede e descobre o Sol da Justiça, Jesus Cristo, Maria deve ser conhecida e vista, para que Jesus o seja também.
4.       Visto ser Ela o caminho por onde Jesus Cristo veio a nós da primeira vez, haverá de sê-lo ainda quando Ele vier pela segunda, embora de maneira diversa.
5.       Como é Maria o meio seguro, a via reta e imaculada para ir a Jesus Cristo e para o encontrar perfeitamente, é por Ela que o devem achar as almas chamadas a brilhar em santidade.
- Aquele que achar Maria, achará a vida (Pr 8, 35), isto é, encontrará Jesus Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6).
- Mas não a pode achar quem a não procurar; não pode procurá-la quem a não conhecer: pois não se busca nem se deseja um objeto desconhecido.
- É pois necessário que Maria seja conhecida mais do que nunca, para maior conhecimento e glória da Santíssima Trindade.
6.       Maria deve brilhar mais do que nunca em misericórdia, em força e em graça nestes últimos tempos:
- Em misericórdia, para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e extraviados, que se converterão e regressarão à Igreja Católica.
- Em força, para se opor aos inimigos de Deus, aos idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios endurecidos, que se revoltarão terrivelmente, para seduzir e fazer cair, por meio de promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários.
- Em graça, para animar e suster os valorosos soldados e fiéis servos de Jesus Cristo, que combaterão pelos Seus interesses.
7.       Enfim, Maria deve ser terrível para o demônio e seus sequazes, como um exército disposto em linha de batalha (Ct 6, 3.9), principalmente nestes últimos tempos.
- A razão disso é que o demônio intensifica todos os dias seus esforços e combates, visto saber bem que tem pouco tempo (Ap 12, 12), e muito menos do que nunca, para perder as almas.
- Suscitará em breve cruéis perseguições, e armará terríveis emboscadas aos servos fiéis e verdadeiros filhos de Maria, pois lhe são precisos mais esforços para vencer estes do que os outros.

§ 51. Estas últimas e cruéis perseguições do demônio aumentarão dia a dia, até vir o Reino do Anticristo. É principalmente a estas que se deve aplicar a primeira e célebre predição e maldição de Deus proferida no Paraíso Terrestre contra a serpente. Vem a propósito explicá-la aqui, para a glória da
Santíssima Virgem, salvação dos Seus filhos e confusão do demônio.
“Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência
e a d'Ela; Ela te esmagará a cabeça, e tu armarás
ciladas ao seu calcanhar” (Gn 3, 15).

§52. Deus nunca estabeleceu e formou senão uma única inimizade, mas esta irreconciliável, devendo durar e mesmo aumentar até o fim.
- É a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e satélites de Lúcifer.
- Deste modo, o inimigo mais terrível que Deus constituiu contra o demônio é Maria, sua Santa Mãe.
- E Maria, ainda existindo apenas na mente de Deus, foi por Ele dotada, desde o Paraíso Terrestre, de tanto ódio contra este maldito inimigo, tanta diligência em descobrir a malícia desta antiga serpente, tanta força para vencer, aniquilar e esmagar este ímpio orgulhoso, que este a teme, não só mais que a todos os anjos e homens, mas, num certo sentido, mais do que ao próprio Deus.
- Não é que a ira, o ódio e o poder de Deus não sejam infinitamente superiores aos da Santíssima Virgem, visto as perfeições d'Ela serem limitadas.
Mas é que:
  • Em primeiro lugar, Satanás, sendo orgulhoso, sofre infinitamente mais em ser vencido e castigado por uma pequena e humilde serva de Deus, e a humildade desta humilha-o mais que o poder divino.
  • Em segundo lugar, Deus conferiu a Maria um tão grande poder sobre os demônios, que eles temem mais um único dos Seus suspiros por alguma alma, que as orações de todos os santos, e uma só das suas ameaças, mais que qualquer outro tormento. Isto foram eles obrigados a confessar muitas vezes, ainda que de má vontade, pela boca dos possessos.
§53. O que Lúcifer perdeu por orgulho, ganhou-o Maria pela sua humildade; o que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria obedecendo.
- Eva, ao obedecer à serpente, perdeu consigo todos os seus filhos e entregou-os ao demônio.
- Maria, tendo sido perfeitamente fiel a Deus, salvou juntamente consigo todos os Seus filhos e servos, e consagrou-os à Divina Majestade (Santo Irineu).

§54. Deus constituiu não somente uma inimizade, mas “inimizades”, não apenas entre Maria e o demônio, mas também entre a descendência da Virgem Santa e a de Satanás.
- Isto quer dizer que Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e escravos do demônio:
  • eles não se amam, nem têm qualquer correspondência interior uns com os outros.
- Os filhos de Belial (Dt 13, 13), os escravos de Satanás, os amigos do mundo (não há diferença), até hoje perseguiram sempre, e perseguirão mais do que nunca, aqueles que pertencem à Santíssima Virgem, como outrora Caim perseguiu seu irmão Abel, e Esaú perseguiu Jacó, figuras dos réprobos e
dos predestinados.
- Mas a humilde Maria alcançará sempre a vitória sobre este orgulhoso, e essa vitória será tão grande
que chegará a esborrachar-lhe a cabeça, onde reside o seu orgulho.
- Ela descobrirá sempre a sua malícia de serpente, e porá a descoberto as suas tramas infernais.
- Dissipará os seus conselhos e protegerá, até o fim dos tempos, os Seus servos fiéis contra aquelas garras cruéis.
- Mas o poder de Maria sobre todos os demônios brilhará particularmente nos últimos tempos, em que Satanás armará ciladas contra o seu calcanhar, ou seja, contra os humildes escravos e pobres filhos, que Ela suscitará para lhe fazer guerra.
- Eles serão pequenos e pobres na opinião do mundo, humilhados perante todos, calcados e perseguidos como o calcanhar o é em relação aos outros membros do corpo.
- Mas, em troca, serão ricos da graça de Deus, que Maria lhes distribuirá abundantemente.
- Serão grandes e de elevada santidade diante de Deus, e superiores a toda criatura pelo seu zelo ardente.
- Estarão tão fortemente apoiados no socorro divino que esmagarão, com a humildade de seu calcanhar e em união com Maria, a cabeça do demônio, fazendo triunfar Jesus Cristo.
Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria

São Luis Maria Grignion de Monfort

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Marcos 10, 13-16

“Apresentaram-lhe, então, crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
Vendo-os, Jesus indignou-Se e disse-lhes: ‘Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se assemelham a eles. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará’.

Em seguida, Ele abraçou e abençoou as crianças, impondo-lhes Suas Mãos.”

“Ele está no meio de nós”, hoje.
‘Toque’ e ação de Jesus
Efeito do ‘Toque’
Palavra         (Deus se Revela)
Purifica a Alma
Sacramentos (Deus se Doa)
Purifica o Corpo
Próximo        (Deus dá sentido a vida)
Purifica o Coração
Quanto mais unido a Jesus, mais purificado se fica.

Deus faz a parte D’Ele, nós fazemos a nossa
Temos que ter ‘disposição’, ‘desejo santo’, ‘acolhimento (Jo 12, 47)’, e ‘adesão ao projeto Divino’.
“Minha alma tem sede de ti, minha carne te deseja com ardor” Salmo 62

2-tipos de ‘desejo’
Pureza e Impureza Tito 1, 15-16
“Para os puros, todas as coisas são puras;
mas para os impuros e descrentes, nada é puro:
  • Tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.
  • Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos, pois são abomináveis, desobedientes e incapazes para qualquer boa obra.”

A adesão a Cristo supõe a Imitação de Cristo

Entrada Impureza
Resgate Pureza
CORPO                       Sentidos*                                      Jejum Corporal
(Sede dos Sentidos)                                                                    Castidade
Tiago 1, 13-15

ALMA                         Vontade                                         Fugir das ocasiões
(Sede das Potências)                                                                  Inteligência c/ Sabedoria
                                                                                                   Memória constante Deus
                                                                                                   Vontade de Deus
Sabedoria 7, 22-30
10º Mandamento Desejo desordenado-Instrui nos desejos do Espírito Santo CIC 2534-57

CORAÇÃO                    Amor próprio                            * Desprendimento bens:
(Sede Personalidade Moral)                                                      materiais e criaturas
                                                 Egoísmo                                     * Preparado para perder:
                                                                                                   tudo e todos
Marcos 7, 20-23 / Filipenses 4, 8-9
9º Mandamento: Desejo da carne-Luta pela pureza do coração CIC 2514-33

- Nada existe no intelecto sem antes passar pelos sentidos:
* “A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa a vista, e que essa árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou o fruto e comeu. Deu também ao seu marido” Gênesis 3, 6
Viu: corpo
Desejável: alma
Deu ao marido: coração

* “Aquele que olha para a mulher com desejo já cometeu adultério no seu coração” Mateus 5, 27
Olha: corpo
Desejo: alma
Coração: coração


‘Aderir’ e ‘Permanecer’ em Jesus
- O Senhor nos convida 11-vezes em João 15 a ‘permanecer’ N’Ele:
  • O Espírito Santo nos capacita a fazer o mundo a voltar a Deus;
  • Restauramos a Beleza Original;
  • Levantamos uma barreira a nossa volta contra o mal e o pecado;
  • Obtemos nossa conversão e daqueles a quem o Senhor nos confiar.

Maria, nosso modelo de pureza
- Escolhida para ser pura e receber o puro.
“Quando o Espírito Santo, seu Esposo encontra Maria numa alma, voa para ela, entra na alma com plenitude e comunicasse-lhe tanto mais abundantemente quanto maior lugar esta alma dá a sua Esposa”
São Luiz Maria G Monfort


Homem novo
- Deus nos ‘concedeu’ os meios para nos ‘aperfeiçoar’ até que alcancemos:
  • a unidade da fé;
  • o pleno conhecimento do Filho de Deus,
  • e o estado do Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo.
- Por isso,
  • remova o vosso modo de vida anterior –Homem velho- e 
  • revista-se do –Homem novo- criado na justiça e santidade da verdade. Efésios 4

  

sábado, 16 de novembro de 2013

Parecido com Jesus

§136. A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão a toda a sua pessoa ao saber que Cristo o chama pelo nome (cf. Jo 10,3). É um “sim” que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6). É uma resposta de amor a quem o amou primeiro “até o extremo”
(cf. Jo 13,1). A resposta do discípulo amadurece neste amor de Jesus:
“Eu te seguirei por onde quer que vás” (Lc 9,57).

§137. O Espírito Santo, que o Pai nos presenteia:
·         identificam-nos com Jesus-Caminho, abrindo-nos a seu mistério de salvação para que sejamos filhos seus e irmãos uns dos outros;
·          identifica-nos com Jesus-Verdade, ensinando-nos a renunciar a nossas mentiras e ambições pessoais;
·         e nos identifica com Jesus-Vida, permitindo-nos abraçar seu plano de amor e nos entregar para que outros “tenham vida nEle”.

§138. Para ficar verdadeiramente parecido com o Mestre, é necessário assumir a centralidade do Mandamento do amor, que Ele quis chamar seu e novo: “Amem-se uns aos outros, como eu os amei” (Jo 15,12). Este amor, com a medida de Jesus, com total dom de si, além de ser o diferencial de cada cristão, não pode deixar de ser a característica de sua Igreja, comunidade discípula de Cristo, cujo testemunho de caridade fraterna será o primeiro e principal anúncio:
“Todos reconhecerão que sois meus discípulos” (Jo 13,35).

§139. No seguimento de Jesus Cristo, aprendemos e praticamos as bem-aventuranças do Reino, o estilo de vida do próprio Jesus:
  • seu amor e obediência filial ao Pai,
  • sua compaixão entranhável frente à dor humana,
  • sua proximidade aos pobres e aos pequenos,
  • sua fidelidade à missão encomendada,
  • seu amor serviçal até à doação de sua vida.
- Hoje, contemplamos a Jesus Cristo tal como os Evangelhos nos transmitem para conhecermos o que Ele fez e para discernirmos o que nós devemos fazer nas atuais circunstâncias.

§140. Identificar-se com Jesus Cristo é também compartilhar seu destino: “Onde eu estiver aí estará também o meu servo” (Jo 12,26).
- O cristão vive o mesmo destino do Senhor, inclusive até a cruz:
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo,
carregue a sua cruz e me siga” (Mc 8,34).
- Estimula-nos o testemunho de tantos missionários e mártires de ontem e de hoje em nossos povos que têm chegado a compartilhar a cruz de Cristo até à entrega da própria vida.

§141. A Virgem Maria é a imagem esplêndida da conformação ao projeto trinitário que se cumpre em Cristo. Desde a sua Concepção Imaculada até sua Assunção, recorda-nos que a beleza do ser humano está toda no vínculo do amor com a Trindade, e que a plenitude de nossa liberdade está na resposta positiva que lhe damos.

§142. Na América Latina e no Caribe, inumeráveis cristãos procuram buscar a semelhança do Senhor:
·         ao encontrá-lo na escuta orante da Palavra,
·         no receber seu perdão no Sacramento da Reconciliação,
·         e sua vida na celebração da Eucaristia e dos demais sacramentos,
·         na entrega solidária aos irmãos mais necessitados
·         e na vida de muitas comunidades que reconhecem com alegria o Senhor em meio a eles.

Documento de Aparecida/2007

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Jesus nasceu de Maria


Jesus Cristo... foi Concebido pelo Espírito Santo...
- A Anunciação a Maria inaugura a "plenitude dos tempos" (Gl 4,4), isto é, o cumprimento das promessas e das preparações. Maria é convidada a conceber aquele em quem habitará "corporalmente a plenitude da divindade" (Cl 2,9). A resposta divina à sua pergunta "Como se fará isto, se não conheço homem algum?" (Lc 1,34) é dada pelo poder do Espírito:
"O Espírito Santo virá  sobre ti" (Lc 1,35).

- A missão do Espírito Santo está sempre conjugada e ordenada à do Filho. O Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que é "o Senhor que dá a Vida", fazendo com que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma humanidade proveniente da sua.
- Ao ser concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho Único do Pai é "Cristo", isto é, ungido pelo Espírito Santo desde o início de sua existência humana, ainda que sua manifestação só se realize progressivamente: aos pastores, aos magos, a João Batista, aos discípulos. Toda a Vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, "como Deus o ungiu com o Espírito e com poder" (At 10,38).

Jesus Cristo...Nasceu da Virgem Maria...
- O que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo, mas o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo.
A Predestinação de Maria
- "Deus enviou Seu Filho" (Gl 4,4), mas, para "formar-lhe um corpo" quis a livre cooperação de uma criatura. Por isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galiléia, "uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria" (Lc 1,26-27):
  • Quis o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida.
 A Imaculada Conceição
- Para ser a Mãe do Salvador, Maria "'foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função". No momento da Anunciação, o anjo Gabriel a saúda como "cheia de graça". Efetivamente, para poder dar o assentimento livre de sua fé ao anúncio de sua vocação era preciso que ela estivesse totalmente sob a moção da graça de Deus.

- Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, "cumulada de graça" por Deus, foi redimida desde a concepção. É isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo papa Pio IX:
  • A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano foi preservada imune de toda mancha do pecado original.
- Esta "santidade resplandecente, absolutamente única" da qual Maria é "enriquecida desde o primeiro instante de sua conceição lhe vem inteiramente de Cristo: "Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime". Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a "abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo" (Ef 1,3). Ele a "escolheu nele (Cristo), desde antes da fundação do mundo, para ser santa e imaculada em sua presença, no amor" (Ef 1,4).

- Os Padres da tradição oriental chamam a Mãe de Deus "a toda santa", celebram-na como "imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo, e formada como uma nova criatura". Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.

Faça-se em mim segundo a Tua Palavra
- Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude do Espírito Santo, Maria respondeu com a "obediência da fé", certa de que "nada é impossível a Deus": "Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,37-38).
- Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tornou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção:
  • Como diz Santo Irineu, "obedecendo, se fez causa de salvação tanto para si como para todo o gênero humano. O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade a virgem Maria desligou pela fé". Comparando Maria com Eva, chamam Maria de "mãe dos viventes" e com freqüência afirmam: "Veio a morte por Eva e a vida por Maria".

A maternidade Divina de Maria
- Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor" (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus.

A Virgindade de Maria
- Desde as primeiras formulações da fé, a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando também o aspecto corporal deste evento: Jesus foi concebido "do Espírito Santo, sem sêmen". Os Padres vêem na conceição virginal o sinal de que foi verdadeiramente o Filho de Deus que veio numa humanidade como a nossa:
  • Assim, Santo Inácio de Antioquia (início do século II) disse: "Estais firmemente convencidos acerca de Nosso Senhor, que é verdadeiramente da raça de Davi segundo a carne, Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus, verdadeiramente nascido de uma virgem... ele foi verdadeiramente pregado, na sua carne, {à cruz} por nossa salvação sob Pôncio Pilatos... ele sofreu verdadeiramente, como também ressuscitou verdadeiramente".

- Os relatos evangélicos entendem a conceição virginal como uma obra divina que ultrapassa toda compreensão e toda possibilidade humanas: "O que foi gerado nela vem do Espírito Santo", diz o anjo a José acerca de Maria, sua noiva (Mt 1,20). A Igreja vê aí o cumprimento da promessa divina dada pelo profeta Isaias: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho" (Is 7,14; Mt 1,23).

CIC-Catecismo da Igreja Católica 484-570