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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O Verbo se fez carne

Porque o Verbo se fez Carne?
§456. Com o Credo niceno-constantinopolitano, respondemos, confessando: "E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espirito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem"

§457. O Verbo se fez carne para salvar-nos, reconciliando-nos com Deus: "Foi Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados" (1Jo 4,10). "O Pai enviou seu Filho como o Salvador do mundo" (1Jo 4,14). "Este apareceu para tirar os pecados" (1Jo 3,5):
  • Doente, nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada.
  • Havíamos perdido a posse do bem, era preciso no-la restituir.
  •  Enclausurados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador.
- Essas razões eram sem importância?
- Não eram tais que comoveriam a Deus a ponto de fazê-lo descer até nossa natureza humana para visita-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um estado tão miserável e tão infeliz?

§458. O Verbo se fez carne para que, assim, conhecêssemos o amor de Deus: "Nisto manifestou-se o amor de Deus por nós: Deus enviou seu Filho Único ao mundo para que vivamos por Ele" (1 Jo 4,9).
"Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Único, a fim de que todo o que crer nele não pereça, mas tenha a Vida Eterna" (Jo 3,16).

§459. O Verbo se fez carne para ser nosso modelo de santidade: "Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim..." (Mt 11,29). "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6). E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: "Ouvi-o" (Mc 9,7). Pois Ele é o modelo das Bem-aventuranças e a norma da Nova Lei: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12). Este amor implica a oferta efetiva de si mesmo em seu seguimento.

§460. O Verbo se fez carne para tornar-nos "participantes da natureza divina" (2Pd 1,4): "Pois esta é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: é para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo, assim, a filiação divina, se torne filho de Deus".
"Pois o Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus.”
“O Filho Unigênito de Deus, querendo-nos participantes de sua divindade, assumiu nossa natureza para que aquele que se fez homem dos homens fizesse deuses."

A Encarnação
§461. Retomando a expressão de São João ("O Verbo se fez carne" Jo 1,14), a Igreja denomina "Encarnação" o fato de Filho de Deus ter assumido uma natureza humana para realizar nela a nossa salvação.
- Em um hino atestado por São Paulo, a Igreja canta o mistério da Encarnação:
  • Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus:
Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente.
Mas esvaziou-se a si mesmo, assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana.
E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,5-8).
§462. A Epístola aos Hebreus fala do mesmo mistério:
  • Por isso, ao entrar no mundo, ele afirmou: Não quiseste sacrifício e oferenda. Tu, porém, formaste-me um corpo.
Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não foram de teu agrado.
Por isso eu digo: Eis-me aqui... para fazer a tua vontade (Hb 10,5-7)
§463. A fé na Encarnação verdadeira do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus. Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus" (1Jo 4,2). Esta é a alegre convicção da Igreja desde o seu começo, quando canta "o grande mistério da piedade": "Ele foi manifestado na carne" (1 Tm 3,16).

Verdadeiro Deus e verdadeiro homem
§464. O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que ele seja o resultado da mescla confusa entre o divino e o humano. Ele se fez verdadeiramente homem permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
- A Igreja teve de defender e clarificar esta verdade de fé no decurso dos primeiros séculos, diante das heresias que a falsificavam.

§466. Maria se tornou de verdade Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio: Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne.

§467. Na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de um alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, "semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado"; gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação.
- A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida por sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase.

§468. "Não há senão uma única hipóstase [ou pessoa], que é Nosso Senhor Jesus Cristo, Um da Trindade". Na humanidade de Cristo, portanto, tudo deve ser atribuído à sua pessoa divina como ao seu sujeito próprio; não somente os milagres, mas também os sofrimentos, e até a morte: "Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e Um da Santíssima Trindade".

§469. A Igreja confessa, assim, que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele é verdadeiramente o Filho de Deus que se fez homem, nosso irmão, e isto sem deixar de ser Deus, nosso Senhor:
- Canta a liturgia romana:
"Ele permaneceu o que era, assumiu o que não era",
- E a liturgia de São João Crisóstomo proclama e canta:
"Ó Filho Único e Verbo de Deus, sendo imortal, vos dignastes por nossa salvação encarnar-vos da Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, vós que sem mudança vos tomastes homem e fostes crucificado, ó Cristo Deus, que por vossa morte esmagastes a morte, sois Um da Santíssima Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo, salvai-nos!".

CIC-Catecismo da Igreja Católica

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Jesus: Filho Único de Deus

Filho Único de Deus
- Filho de Deus, no Antigo Testamento, é um título dado aos anjos, ao povo da Eleição, aos filhos de Israel e a seus reis.
- Significa então uma filiação adotiva que estabelece entre Deus e sua criatura relações de uma intimidade especial. Quando o Rei-Messias prometido é chamado "filho de Deus", isso não implica necessariamente, segundo o sentido literal desses textos, que ele ultrapasse o nível humano.
- Os que designaram Jesus como Messias de Israel talvez não tenham tido a intenção de dizer mais do que isto.
- Não acontece o mesmo com Pedro, quando confessa Jesus como "o Cristo, o Filho do Deus vivo", pois este lhe responde com solenidade:
"Não foi a carne e o sangue que te revelaram isso,
e sim meu Pai que está  nos Céus" (Mt 16,17).
- Paralelamente, Paulo dirá a propósito de sua conversão no caminho para Damasco:
“Quando, porém, aquele que me separou desde o seio materno e me chamou, por sua graça houve por bem revelar em mim o seu Filho, para que eu o evangelizasse entre os gentios..." (Gl 1,15-16). "Imediatamente, nas sinagogas, começou a proclamar Jesus, afirmando que ele é o Filho de Deus" (At 9,20).
- Este será  desde o início o centro da fé apostólica professada primeiro por Pedro como fundamento da Igreja.

- Se Pedro pôde reconhecer o caráter transcendente da filiação divina de Jesus Messias foi porque este o deu a entender claramente.
- Diante do Sinédrio, a pergunta de seus acusadores: "Tu és então o Filho de Deus?", Jesus respondeu: "Vós dizeis que eu Sou" (Lc 22,70).
- Já bem antes, Ele se designara como "o Filho" que conhece o Pai e que é diferente dos "servos" que Deus enviou anteriormente a seu povo, superior aos próprios anjos. Distinguiu sua filiação daquela de seus discípulos, não dizendo nunca "nosso Pai", a não ser para ordenar-lhes:
"Portanto, orai desta maneira: Pai Nosso" (Mt 6,9); e sublinhou esta distinção: "Meu Pai e vosso Pai" (Jo 20,17).
- Os Evangelhos narram em dois momentos solenes - o Batismo e a Transfiguração de Cristo - a voz do Pai a designá-lo como seu "Filho bem-amado". Jesus designa-se a si mesmo como "o Filho Único de Deus" (Jo 3,16) e afirma com este título sua preexistência eterna.
- Exige a fé "em nome do Filho Único de Deus" (Jo 3,18).
- Esta confissão cristã aparece já na exclamação do centurião diante de Jesus na cruz: "Verdadeiramente este homem era Filho de Deus" (Mc 15,39), pois somente no Mistério Pascal o fiel cristão pode entender o pleno significado do título "Filho de Deus".
- É depois de sua Ressurreição que a filiação divina de Jesus aparece no poder de sua humanidade glorificada: "Estabelecido Filho de Deus com poder por sua Ressurreição dos mortos" (Rm 1,4). Os apóstolos poderão confessar: "Nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filhos Único, cheio de graça e de verdade" (Jo 1,14).

CIC-Catecismo da Igreja Católica §441-445

Jesus: Senhor

Senhor
- Na versão grega dos livros do Antigo Testamento, o nome inefável com o qual Deus se revelou a Moisés, Iahweh, traduzido por "Kýrios" ["Senhor"]. - Senhor torna-se desde então o nome mais habitual para designar a própria divindade do Deus de Israel. É neste sentido forte que o Novo Testamento utiliza o título de "Senhor" para o Pai, e também - e aí está a novidade - para Jesus reconhecido assim como o próprio Deus.
- Jesus mesmo atribui-se de maneira velada este título quando discute com os fariseus sobre o sentido do Salmo 110, mas também de modo explícito dirigindo-se a seus apóstolos.
- Ao longo de toda a sua vida pública, seus gestos de domínio sobre a natureza, sobre as doenças, sobre os demônios, sobre a morte e o pecado demonstravam sua soberania divina.
- Muito frequentemente nos Evangelhos determinadas pessoas se dirigem a Jesus chamando-o de "Senhor".
- Este título exprime o respeito e a confiança dos que se achegam a Jesus e esperam dele ajuda e cura. Sob a moção do Espírito Santo, ele exprime o reconhecimento do Mistério Divino de Jesus.
- No encontro com Jesus ressuscitado, ele se transforma em expressão de adoração: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20,28).
- Assume então uma conotação de amor e afeição que tornar-se-á peculiar à tradição cristã: "É o Senhor!" (Jo 21,7).
- Ao atribuir a Jesus o título divino de Senhor, as primeiras confissões de fé da Igreja afirmam, desde o início, que o poder, a honra e a glória devidos a Deus Pai cabem também a Jesus, por ser Ele "de condição divina" (Fl 2,6) e ter o Pai manifestado esta soberania de Jesus ressuscitando-o dos mortos e exaltando-o em sua glória.
- Desde o principio da história cristã a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter sua liberdade de pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder terrestre, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é "o Senhor".
"A Igreja crê... que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram em seu Senhor e Mestre."
- A oração cristã é marcava pelo título "Senhor", quer se trate do convite à oração "o Senhor esteja convosco" ou da conclusão da oração, "por Jesus Cristo nosso Senhor", ou ainda do grito cheio de confiança e de esperança: "Maran atha" ("o Senhor vem!") ou "Marana tha" ("Vem, Senhor!") (1Cor 16,22): "Amém, vem, Senhor Jesus!" (Ap 2,20).

CIC-Catecismo da Igreja Católica §446-451

Jesus Cristo: a Boa Nova do Pai

A Boa Nova: Deus enviou seu Filho
- "Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei, para remir os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial" (Gl 4,4-5).
- Este é "o Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus": Deus visitou seu povo, cumpriu as promessas feitas a Abraão e à sua descendência; fê-lo para além de toda expectativa: enviou seu "Filho bem-amado".
- Cremos e confessamos que Jesus de Nazaré, nascido judeu de uma filha de Israel, em Belém, no tempo do rei Herodes Magno e do imperador César Augusto, carpinteiro de profissão, morto e crucificado em Jerusalém, sob o procurador Pôncio Pilatos, durante o reinado do imperador Tibério, é o Filho eterno de Deus feito homem que ele:
  • "veio de Deus" (Jo 13,3),
  • "desceu do céu" (Jo 3,13; 6,33),
  • "veio na carne", pois "o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos sua glória, glória que ele tem junto ao Pai, como Filho único, cheio de graça e de verdade... Pois de sua plenitude nós recebemos graça por graça" (Jo 1,14-16).
- Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, cremos e confessamos acerca de Jesus: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16,16). Foi sobre a rocha desta fé, confessada por São Pedro, que Cristo construiu sua Igreja.

“Anunciar...a insondável riqueza de Cristo” Ef 3,8
- A transmissão da fé cristã é primeiramente o anúncio de Jesus Cristo, para levar à fé nele. Desde o começo, os primeiros discípulos ardiam do desejo de anunciar Cristo: "Pois não podemos, nós, deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos" (At 4,20). E convidam os homens de todos os tempos a entrarem na alegria de sua comunhão com Cristo:
  • O que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida – porque a Vida manifestou-se: nós a vimos e lhe damos testemunho e vos anunciamos a Vida Eterna, que estava voltada para o Pai e que no; apareceu -, o que vimos e ouvimos, vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco. E nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. E isto vos escrevemos para que nossa alegria seja completa (1Jo 1,1-4).
Cristo é o centro da Catequese
- No centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa, a de Jesus de Nazaré, Filho único do Pai..., que sofreu e morreu por nós e agora, ressuscitado, vive conosco para sempre...
- Catequizar é desvendar na Pessoa de Cristo todo o desígnio eterno de Deus que nela se realiza. E procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais realizados por Ele.
-  A finalidade definitiva da catequese é "levar à comunhão com Jesus Cristo: só ele pode conduzir ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar da vida da Santíssima Trindade.
- "Na catequese, é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado - todo o resto está  em relação com ele; e somente Cristo ensina; todo outro que ensine, fá-lo na medida em que é seu porta-voz, permitindo a Cristo ensinar por sua boca... Todo catequista deveria poder aplicar a si mesmo a misteriosa palavra de Jesus:
'Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou' (Jo 7,16)."

- Aquele que é chamado a "ensinar o Cristo" deve, portanto, procurar primeiro "este ganho supereminente que é o conhecimento de Cristo"; é preciso "aceitar perder tudo... a fim de ganhar a Cristo e ser achado nele", e "conhecer o poder de sua Ressurreição e a participação em seus sofrimentos, conformando-me com ele em sua Morte, para ver se alcanço a ressurreição de entre os mortos" (Fl 3,8-11).

- É deste conhecimento amoroso de Cristo que jorra o desejo de anunciá-lo, de "evangelizar" e de levar outros ao "sim" da fé em Jesus Cristo. Mas ao mesmo tempo se faz sentir a necessidade de conhecer cada vez melhor esta fé.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §422-429

domingo, 12 de janeiro de 2014

Deus Criador: do homem

"À imagem de Deus"
- De todas as criaturas visíveis, só o homem é "capaz de conhecer e amar seu Criador"; ele é "a única criatura na terra que Deus quis por si mesma"; só ele é chamado a compartilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Foi para este fim que o homem foi criado, e aí reside a razão fundamental de sua dignidade:
  • Que motivo vos fez constituir o homem em dignidade tão grande? O amor inestimável pelo qual enxergastes em vós mesmo vossa criatura, e vos apaixonastes por ela; foi por amor que a criastes, foi por amor que lhe destes um ser capaz de degustar vosso Bem eterno.
- Por ser à imagem de Deus, o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas alguma coisa, mas alguém. É capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente e entrar em comunhão com outras pessoas, e é chamado, por graça, a uma aliança com seu Criador, a oferecer-lhe uma resposta de fé e de amor que ninguém mais pode dar em seu lugar.
- Deus criou tudo para o homem, mas o homem foi criado, para servir e amar a Deus e oferecer-lhe toda a criação:
  • Quem é, pois, o ser que vai vir à existência cercado de tal consideração? É o homem, grande e admirável figura viva, mais precioso aos olhos de Deus do que a criação inteira: é o homem, é para ele que existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação, e é à salvação dele que Deus atribuiu tanta importância que nem sequer poupou seu Filho único em seu favor. Pois Deus não cessou de tudo empreender para fazer o homem subir até ele e fazê-lo sentar-se à sua direita.
- Na realidade o mistério do homem só se torna claro  verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado:
  • Dois homens estão na origem do gênero humano: Adão e Cristo...
*O primeiro Adão, foi criado como um ser humano que recebeu a vida; o segundo é um ser espiritual que dá a vida. O primeiro foi criado pelo segundo, de quem recebeu a alma que o faz viver...
*O segundo Adão estabeleceu sua imagem no primeiro Adão quando o modelou. E assim se revestiu da natureza deste último e dele recebeu o nome, a fim de não deixar perder aquilo que havia feito à sua imagem. Primeiro Adão, segundo Adão: o primeiro começou, o segundo não acabará. Pois o segundo é verdadeiramente o primeiro, como ele mesmo disse: "Eu sou o Primeiro e o último"
- Graças à origem comum, o gênero humano forma uma unidade.
Pois Deus "de um só fez toda a raça humana" (At 1 7,26):
  • Maravilhosa visão que nos faz contemplar o gênero humano...
na unidade de sua origem em Deus...;
na unidade de sua natureza, composta igualmente em todos de um corpo material e de uma alma espiritual;
na unidade de seu fim imediato e de sua missão no mundo;
na unidade de seu hábitat: a terra, de cujos bens todos os homens, por direito natural, podem usar para sustentar e desenvolver a vida;
na unidade de seu fim sobrenatural: Deus mesmo, ao qual todos devem tender;
na unidade dos meios para atingir este fim;...
na unidade do seu resgate, realizado em favor de todos por Cristo.
- "Esta lei de solidariedade humana e de caridade", sem excluir a rica variedade das pessoas, das culturas e dos povos, nos garante que todos os homens são verdadeiramente irmãos.

Uno de alma e corpo
- A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. O relato bíblico exprime esta realidade com uma linguagem simbólica, ao afirmar que "O Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente" (Gn 2,7).
- Portanto, o homem em sua totalidade é querido por Deus.
- Muitas vezes o termo alma designa na Sagrada Escritura a vida humana ou a pessoa humana inteira. Mas designa também o que há de mais íntimo no homem e o que há nele de maior valor, aquilo que mais particularmente o faz ser imagem de Deus: "alma" significa o princípio espiritual no homem.
- O corpo do homem participa da dignidade da "imagem de Deus": ele é corpo humano precisamente porque é animado pela alma espiritual, e é a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito.

- Unidade de corpo e de alma, o homem, por sua própria condição corporal, sintetiza em si os elementos do mundo material, que nele assim atinge sua plenitude e apresenta livremente ao Criador uma voz de louvor. Não é, portanto, lícito ao homem desprezar a vida corporal; ao contrario, deve estimar e honrar seu corpo, porque criado por Deus e destinado à ressurreição no último dia.
- A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a "forma" do corpo; ou seja, é graças à alma espiritual que o corpo constituído de matéria é um corpo humano e vivo; o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza.

- A Igreja ensina que cada alma espiritual é diretamente criada por Deus - não é "produzida" pelos pais - e é imortal: ela não perece quando da separação do corpo na morte e se unirá novamente ao corpo na ressurreição final.
- Por vezes ocorre que a alma aparece distinta do espírito. Assim, São Paulo ora para que nosso "ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo", seja guardado irrepreensível na Vinda do Senhor (1 Ts 5,23).
- A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade na alma. "Espírito" significa que o homem está ordenado desde a sua criação para seu fim sobrenatural, e que sua alma é capaz de ser elevada gratuitamente à comunhão com Deus.
- A tradição espiritual da Igreja insiste também no coração, no sentido bíblico de "fundo do ser" (Jr 31,33), onde a pessoa se decide ou não por Deus.
CIC-Catecismo da Igreja Católica §355-368


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O homem é capaz de Deus (1ª parte)

O desejo de Deus
- O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar:
  • O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do homem à comunhão com Deus. Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com a existência humana. Pois se o homem existe, é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu Criador.

- Em sua história, e até os dias de hoje, os homens têm expressado de múltiplas maneiras sua busca de Deus por meio de suas crenças e de seus comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações etc.).
- Apesar das ambigüidades que podem comportar, estas formas de expressão são tão universais que o homem pode ser chamado de um ser religioso:
  • De um só (homem), Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, fixando os tempos anteriormente determinados e os limites de seu hábitat. Tudo isto para que procurassem a divindade e, mesmo se às apalpadelas, se esforçassem por encontrá-la, embora Ele não esteja longe de cada um de nós. Pois nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,23-28).

- Mas esta "união íntima e vital com Deus" pode ser esquecida, ignorada e até rejeitada explicitamente pelo homem.
Tais atitudes podem ter origens muito diversas:
  • a revolta contra o mal no mundo,
  • a ignorância ou a indiferença religiosas,
  • as preocupações com as coisas do mundo e com as riquezas,
  • o mau exemplo dos crentes,
  • as correntes de pensamento hostis à religião, e finalmente
  • a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde diante de Deus e foge diante de seu chamado.

- "Alegre-se o coração dos que buscam o Senhor!" (Sl 105,3). Se o homem pode esquecer ou rejeitar a Deus, este, de sua parte, não cessa de chamar todo homem a procurá-lo, para que viva e encontre a felicidade.
- Mas esta busca exige do homem todo o esforço de sua inteligência, a retidão de sua vontade, "um coração reto", e também o testemunho dos outros, que o ensinam a procurar a Deus.

  • Vós sois grande, Senhor, e altamente digno de louvor:
grande é o vosso poder, e a vossa sabedoria não tem medida.
E o homem, pequena parcela de vossa criação, pretende louvar-vos, precisamente o homem que, revestido de sua condição mortal, traz em si o testemunho de seu pecado e de que resistis aos soberbos.
A despeito de tudo, o homem, pequena parcela de vossa criação, quer louvar-vos.
Vós mesmo o incitais a isto, fazendo com que ele encontre suas delícias no vosso louvor, porque nos fizestes para vós e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em vós. (Santo Agostinho)

As vias de acesso ao conhecimento de Deus
- Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas "vias" para aceder ao conhecimento de Deus.
- Chamamo-las também de "provas da existência de Deus", não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de "argumentos convergentes e convincentes" que permitem chegar a verdadeiras certezas.
- Estas "vias" para chegar a Deus tem como ponto de partida a criação:
  • o mundo material e
  • a pessoa humana.
- O mundo: a partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode-se conhecer a Deus como origem e fim do universo.
- São Paulo afirma a respeito dos pagãos:
"O que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível - seu eterno poder e sua divindade - tornou-se inteligível desde a criação do mundo através das criaturas" (Rm 1,19-20).
- E Santo Agostinho:
  • "Interroga a beleza da terra,
interroga a beleza do mar,
interroga a beleza do ar que se dilata e se difunde,
interroga a beleza do céu...
 interroga todas estas realidades.
Todas elas te respondem:
  • olha-nos, somos belas.
Sua beleza é um hino de louvor.
- Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo, não sujeito a mudança?"

- O homem: Com sua abertura à verdade e a beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus.
- Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como "semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível a só matéria" sua alma não pode ter origem senão em Deus.

- O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmo nem seu princípio primeiro nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim. Assim por estas diversas "vias", o homem pode aceder ao conhecimento da existência de uma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, "e que todos chamam Deus"

- As faculdades do homem o tornam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal.
- Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé.
- Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.
CIC-Catecismo da Igreja Católica §27-35


domingo, 15 de dezembro de 2013

A vida do homem: conhecer e amar a Deus

"PAI,... a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o Deus único verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo" (Jo 17,3).

"Deus, nosso Salvador... quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2,3-4).

"Não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,12), afora o nome de JESUS.

A vida do homem: conhecer e amar a Deus
- Deus, infinitamente Perfeito e Bem-aventurado em si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada.
- Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, a conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade de sua família, a Igreja.
- Faz isto por meio do Filho, que enviou como Redentor e Salvador quando os tempos se cumpriram.
- Nele e por Ele, chama os homens a se tornarem, no Espírito Santo, seus filhos adotivos, e portanto os herdeiros de sua vida bem-aventurada.

- A fim de que este chamado ressoe pela terra inteira, Cristo enviou os apóstolos que escolhera, dando-lhes o mandato de anunciar o Evangelho:
"Ide, fazei que todas as nações se tornem discípulos,
 batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e
ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei.
E eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28,19-20).
- Fortalecidos com esta missão, os apóstolos:
"saíram a pregar por toda parte, agindo com eles o Senhor, e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam" (Mc 16,20).

- Os que com a ajuda de Deus acolheram o chamado de Cristo e lhe responderam livremente foram por sua vez impulsionados pelo amor de Cristo a anunciar por todas as partes do mundo a Boa Notícia.
- Este tesouro recebido dos apóstolos foi guardado fielmente por seus sucessores.
- Todos os fiéis de Cristo são chamados a transmiti-lo de geração em geração:
·         anunciando a fé,
·         vivendo-a na partilha fraterna,
·         celebrando-a na liturgia e
·         na oração.

Transmitir a fé - a catequese
- Bem cedo passou-se a chamar de catequese o conjunto de esforços empreendidos na Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a crerem que Jesus é o Filho de Deus, a fim de que, por meio da fé, tenham a vida em nome dele, para educá-los e instruí-los nesta vida, e assim construir o Corpo de Cristo.

"A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com o fim de os iniciar na plenitude da vida cristã."

- Sem confundir-se com eles, a catequese se articula em torno de determinado número de elementos da missão pastoral da Igreja que têm um aspecto catequético e que preparam a catequese ou dela derivam:
  • primeiro anúncio do Evangelho ou pregação missionária para suscitar a fé;
  • busca das razões de crer;
  • experiência de vida cristã;
  • celebração dos sacramentos;
  • integração na comunidade eclesial;
  • testemunho apostólico e missionário.
"A catequese anda intimamente ligada com toda a vida da Igreja. Não é somente a extensão geográfica e o aumento numérico, mas também e mais ainda o crescimento interior da Igreja, sua correspondência ao desígnio de Deus que dependem da catequese mesma."

- Os períodos de renovação da Igreja são também tempos fortes da catequese. Eis por que, na grande época dos Padres da Igreja, vemos Santos Bispos dedicarem uma parte importante de seu ministério à catequese. É a época de São Cirilo de Jerusalém e de São João Crisóstomo, de Santo Ambrósio e de Santo Agostinho, e de muitos outros Padres cujas obras catequéticas permanecem como modelos.

Fazer-se tudo para todos
- Aquele que ensina deve "fazer-se tudo para todos" (1 Cor 9,22), a fim de conquistar todos para Jesus Cristo...
- Particularmente, não imagine ele que lhe é confiado um único tipo de almas, e que consequentemente lhe é permitido ensinar e formar de modo igual todos os fiéis à verdadeira piedade, com um só e mesmo método, sempre igual!
- Saiba ele bem que uns são em Jesus Cristo como que criancinhas recém-nascidas, outros, como que adolescentes, e finalmente alguns estão como que na posse de todas as suas forças...
- Os que são chamados ao ministério da pregação devem, na transmissão dos mistérios da fé e das regras dos costumes, adaptar suas palavras ao espírito e à inteligência de seus ouvintes.

Acima de tudo a caridade
- Toda a finalidade da doutrina e do ensinamento deve ser posta no amor que não acaba.
- Com efeito, pode-se facilmente expor o que é preciso crer, esperar ou fazer; mas sobretudo é preciso fazer sempre com que apareça o Amor de Nosso Senhor, para que cada um compreenda que cada ato de virtude perfeitamente cristão não tem outra origem senão o Amor, e outro fim senão o Amor.

CIC-Catecismo da Igreja Católica  §1-25

domingo, 8 de dezembro de 2013

Encarnação do Verbo Divino

Encarnação
- A Igreja denomina "Encarnação" o fato de o Filho de Deus ter assumido uma natureza humana para realizar nela a nossa salvação:
Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus: Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,5-8).
- A fé na Encarnação verdadeira do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus. Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus" (1Jo 4,2).

Verdadeiro Deus e verdadeiro homem
- O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que ele seja o resultado da mescla confusa entre o divino e o humano. Ele se fez verdadeiramente homem permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: Ele permaneceu o que era, assumiu o que não era.

A Maternidade de Maria no desígnio de Deus
- Jesus é concebido pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, pois ele é o Novo Adão que inaugura a nova criação: "O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo homem vem do Céu"
- A humanidade de Cristo é, desde a sua concepção, repleta do Espírito Santo, pois Deus "lhe dá o Espírito sem medida" (Jo 3,34). É da "plenitude dele", cabeça da humanidade remida, que "nós recebemos graça sobre graça"
- Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe de seu Filho. "Cheia de graça", ela é "o fruto mais excelente da Redenção": Desde o primeiro instante de sua concepção, foi totalmente preservada da mancha do pecado original e permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.

Razões da encarnação
- A Palavra se fez carne para salvar-nos, reconciliando-nos com Deus:
"Foi Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados" (1Jo 4,10).
"O Pai enviou seu Filho como o Salvador do mundo" (1Jo 4,14)
"Este apareceu para tirar os pecados" (1Jo 3,5):
  • Doente, nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada. Havíamos perdido a posse do bem, era preciso no-la restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador.
- Essas razões eram sem importância? Não eram tais que comoveriam a Deus a ponto de fazê-lo descer até nossa natureza humana para visitá-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um estado tão miserável e tão infeliz?

- A Palavra se fez carne para que, assim, conhecêssemos o amor de Deus: 
"Nisto manifestou-se o amor de Deus por nós: Deus enviou seu Filho Único ao mundo para que vivamos por Ele" (1 Jo 4,9).
"Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Único, a fim de que todo o que crer nele não pereça, mas tenha a Vida Eterna" (Jo 3,16).

- A Palavra se fez carne para ser nosso modelo de santidade:
"Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim" (Mt 11,29)
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6)
E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: "Ouvi-o" (Mc 9,7).
- Ele é o modelo das Bem-aventuranças e a norma da Nova Lei: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12). Este amor implica a oferta efetiva de si mesmo em seu seguimento.

- A Palavra se fez carne para tornar-nos "participantes da natureza divina": 
"Pois esta é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: é para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo, assim, a filiação divina, se torne filho de Deus".
“O Filho Unigênito de Deus, querendo-nos participantes de sua divindade, assumiu nossa natureza para que aquele que se fez homem dos homens fizesse deuses."

CIC-Catecismo da Igreja Católica 456-483

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Marcos 10, 13-16

“Apresentaram-lhe, então, crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
Vendo-os, Jesus indignou-Se e disse-lhes: ‘Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se assemelham a eles. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará’.

Em seguida, Ele abraçou e abençoou as crianças, impondo-lhes Suas Mãos.”

“Ele está no meio de nós”, hoje.
‘Toque’ e ação de Jesus
Efeito do ‘Toque’
Palavra         (Deus se Revela)
Purifica a Alma
Sacramentos (Deus se Doa)
Purifica o Corpo
Próximo        (Deus dá sentido a vida)
Purifica o Coração
Quanto mais unido a Jesus, mais purificado se fica.

Deus faz a parte D’Ele, nós fazemos a nossa
Temos que ter ‘disposição’, ‘desejo santo’, ‘acolhimento (Jo 12, 47)’, e ‘adesão ao projeto Divino’.
“Minha alma tem sede de ti, minha carne te deseja com ardor” Salmo 62

2-tipos de ‘desejo’
Pureza e Impureza Tito 1, 15-16
“Para os puros, todas as coisas são puras;
mas para os impuros e descrentes, nada é puro:
  • Tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.
  • Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos, pois são abomináveis, desobedientes e incapazes para qualquer boa obra.”

A adesão a Cristo supõe a Imitação de Cristo

Entrada Impureza
Resgate Pureza
CORPO                       Sentidos*                                      Jejum Corporal
(Sede dos Sentidos)                                                                    Castidade
Tiago 1, 13-15

ALMA                         Vontade                                         Fugir das ocasiões
(Sede das Potências)                                                                  Inteligência c/ Sabedoria
                                                                                                   Memória constante Deus
                                                                                                   Vontade de Deus
Sabedoria 7, 22-30
10º Mandamento Desejo desordenado-Instrui nos desejos do Espírito Santo CIC 2534-57

CORAÇÃO                    Amor próprio                            * Desprendimento bens:
(Sede Personalidade Moral)                                                      materiais e criaturas
                                                 Egoísmo                                     * Preparado para perder:
                                                                                                   tudo e todos
Marcos 7, 20-23 / Filipenses 4, 8-9
9º Mandamento: Desejo da carne-Luta pela pureza do coração CIC 2514-33

- Nada existe no intelecto sem antes passar pelos sentidos:
* “A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa a vista, e que essa árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou o fruto e comeu. Deu também ao seu marido” Gênesis 3, 6
Viu: corpo
Desejável: alma
Deu ao marido: coração

* “Aquele que olha para a mulher com desejo já cometeu adultério no seu coraçãoMateus 5, 27
Olha: corpo
Desejo: alma
Coração: coração


‘Aderir’ e ‘Permanecer’ em Jesus
- O Senhor nos convida 11-vezes em João 15 a ‘permanecer’ N’Ele:
  • O Espírito Santo nos capacita a fazer o mundo a voltar a Deus;
  • Restauramos a Beleza Original;
  • Levantamos uma barreira a nossa volta contra o mal e o pecado;
  • Obtemos nossa conversão e daqueles a quem o Senhor nos confiar.

Maria, nosso modelo de pureza
- Escolhida para ser pura e receber o puro.
“Quando o Espírito Santo, seu Esposo encontra Maria numa alma, voa para ela, entra na alma com plenitude e comunicasse-lhe tanto mais abundantemente quanto maior lugar esta alma dá a sua Esposa”
São Luiz Maria G Monfort


Homem novo
- Deus nos ‘concedeu’ os meios para nos ‘aperfeiçoar’ até que alcancemos:
  • a unidade da fé;
  • o pleno conhecimento do Filho de Deus,
  • e o estado do Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo.
- Por isso,
  • remova o vosso modo de vida anterior –Homem velho- e 
  • revista-se do –Homem novo- criado na justiça e santidade da verdade. Efésios 4

  

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Novo Céu, Nova Terra

- No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude.
- Depois do Juízo Universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado:
·         Então a Igreja será "consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas, e com o gênero humano também o mundo todo, que está intimamente ligado ao homem e por meio dele atinge sua finalidade, encontrará sua restauração definitiva em Cristo"

- Esta renovação misteriosa, que há de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura a chama de "céus novos e terra nova" (2Pd 3,13).
- Será a realização definitiva do projeto de Deus de "reunir, sob um só chefe, Cristo, todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra" (Ef 1,10).

- Neste "universo novo", a Jerusalém celeste, Deus terá sua morada entre os homens:
"Enxugará toda lágrima de seus olhos, pois nunca mais haverá morte,
nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais.
Sim! As coisas antigas se foram!" (Ap 21,4).

- Para o homem, esta consumação será a realização última da unidade do gênero humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrinante era "como o sacramento".
- Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos remidos, a cidade santa de Deus (Ap 21,2), "a Esposa do Cordeiro" (Ap 21,9).
- Esta não será mais ferida pelo pecado, pelas impurezas, pelo amor-próprio, que destroem ou ferem a comunidade terrestre dos homens.
- A visão beatífica, na qual Deus se revelará de maneira inesgotável aos eleitos, será a fonte inexaurível de felicidade, de paz e de comunhão mútua.

- Quanto ao cosmos, a Revelação afirma a profunda comunidade de destino do mundo material e do homem:
·         Pois a criação em expectativa anseia pela revelação dos filhos de Deus (...) na esperança de ela também ser libertada da escravidão da corrupção (...). Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, suspirando pela redenção de nosso corpo (Rm 8,19-23).

- Também o universo visível está, portanto, destinado a ser transformado, "a fim de que o próprio mundo, restaurado em seu primeiro estado, esteja, sem mais nenhum obstáculo, a serviço dos justos", participando de sua glorificação em Cristo ressuscitado.

- Ignoramos o tempo da consumação da terra e da humanidade e desconhecemos a maneira de transformação do universo.
- Passa certamente a figura deste mundo deformada pelo pecado, mas aprendemos que Deus prepara uma nova morada e nova terra.
- Nela reinará a justiça, e sua felicidade irá satisfazer e superar todos os desejos de paz que sobem aos corações dos homens.

- Contudo, a expectativa de uma terra nova, longe de atenuar, deve impulsionar em vós a solicitude pelo aprimoramento desta terra.
- Nela cresce o corpo da nova família humana que já pode apresentar algum esboço do novo século. Por isso, ainda que o progresso terrestre se deva distinguir cuidadosamente do aumento do Reino de Cristo, ele é de grande interesse para o Reino de Deus, na medida em que pode contribuir para melhor organizar a sociedade humana.

- Com efeito, depois que propagarmos na terra, no Espírito do Senhor e por ordem sua, os valores da dignidade humana, da humanidade fraterna e da liberdade, todos estes bons frutos da natureza e de nosso trabalho, nós os encontraremos novamente, limpos, contudo, de toda impureza, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal. Deus será, então, "tudo em todos" (1 Cor 15,28), na Vida Eterna:
·         A vida, em sua própria realidade e verdade, é o Pai que, pelo Filho e no Espírito Santo, derrama sobre todos, sem exceção, dons celestes. Graças à sua misericórdia também nós, os homens, recebemos a promessa indefectível da Vida Eterna.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1042-1050