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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Obediência da Fé (2ª parte)

As características da fé, continuação...
A Liberdade da fé: Para que o ato de fé seja humano, "o homem deve responder a Deus, crendo por livre vontade. Por conseguinte, ninguém deve ser forçado contra sua vontade a abraçar a fé. Pois o ato de fé é por sua natureza voluntário". "Deus de fato chama os homens para servi-lo em espírito e verdade. Com isso os homens são obrigados em consciência, mas não são forçados... Foi o que se patenteou em grau máximo em Jesus Cristo." Com efeito, Cristo convidou a fé e a conversão, mas de modo algum coagiu. "Deu testemunho da verdade, mas não quis impô-la pela força aos que a ela resistiam. Seu reino... se estende graças ao amor com que Cristo, exaltado na cruz, atrai a si os homens."

A necessidade da fé: É necessário, para obter esta salvação, crer em Jesus Cristo e naquele que o enviou para nossa salvação.
- Como, porém, "sem fé é impossível agradar a Deus' e chegar ao consórcio dos seus filhos, ninguém jamais pode ser justificado sem ela, nem conseguir a vida eterna, se nela não permanecer até o fim".

A perseverança na fé: A fé é um dom gratuito que Deus concede ao homem. Podemos perder este dom inestimável; São Paulo alerta Timóteo sobre isso: 'Combate... o bom combate, com fé e boa consciência; pois alguns, rejeitando a boa consciência, vieram a naufragar na fé".
- Para viver, crescer e perseverar até o fim na fé, devemos alimentá-la com a Palavra de Deus; devemos implorar ao Senhor que a aumente; ela deve "agir pela caridade", ser carregada pela esperança e estar enraizada na fé da Igreja.

A Fé, começo da Vida Eterna: A fé nos faz degustar como por antecipação a alegria e a luz da visão beatífica, meta de nossa caminhada na terra. Veremos então a Deus "face a face", "tal como Ele é".
- A fé já é, portanto, o começo da vida eterna:
  • Enquanto desde já contemplamos as bênçãos da fé, como um reflexo no espelho, é como se já possuíssemos as coisas maravilhosas que um dia desfrutaremos, conforme nos garante nossa fé.
- Por ora, todavia, "caminhamos pela fé, não pela visão", e conhecemos a Deus "como que em um espelho, de uma forma confusa..., imperfeita".
- Luminosa em virtude daquele em que ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade.
- A fé pode ser posta a prova. O mundo em que vivemos muitas vezes parece estar bem longe daquilo que a fé nos assegura; as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa Nova; podem abalar a fé e tornar-se para ela uma tentação.
- É então que devemos nos voltar para as testemunhas da fé:
  • Abraão, que creu, "esperando contra toda esperança";
  • Virgem Maria, que na "peregrinação a fé" foi até a "noite da fé", comungando com o sofrimento de seu Filho e com a noite de seu túmulo e
  • tantas outras testemunhas da fé:
"Com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é autor e realizador da fé, Jesus".

NÓS CREMOS
- A fé é um ato pessoal: a resposta livre do homem a iniciativa de Deus que se revela. Ela não é, porém, um ato isolado. Ninguém pode crer sozinho, assim como ninguém pode viver sozinho. Ninguém deu a fé a si mesmo, assim como ninguém deu a vida a si mesmo. O crente recebeu a fé de outros, deve transmiti-la a outros. Nosso amor por Jesus e pelos homens nos impulsiona a falar a outros de nossa fé. Cada crente é como um elo na grande corrente dos crentes. Não posso crer sem ser carregado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo para carregar a fé dos outros.
- Eu creio: esta é a fé da Igreja, professada pessoalmente por todo crente, principalmente pelo batismo.
- Nós cremos: esta é a fé da Igreja confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, mais comumente, pela assembleia litúrgica dos crentes. "Eu creio" é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus com sua fé e que nos ensina a dizer: "eu creio", "nós cremos".

"Olhai, Senhor, para a fé da vossa Igreja"
- É antes de tudo a Igreja que crê e que desta forma carrega, alimenta e sustenta minha fé. E antes de tudo a Igreja que, em toda parte, confessa o Senhor e com ela e nela também nós somos impulsionados e levados a confessar: "Eu creio", "nos cremos". É por intermédio da Igreja que recebemos a fé e a vida nova no Cristo pelo batismo.
- No Ritual Romano, o ministro do batismo pergunta ao catecúmeno:
"Que pedes à Igreja de Deus?" E a resposta: "A fé."
"E que te dá a fé?" "A vida eterna."
- A salvação vem exclusivamente de Deus, mas, por recebermos a vida de fé por meio da Igreja, esta última é nossa mãe: "Nós cremos na Igreja como a mãe de nosso novo nascimento, e não como se ela fosse a autora de nossa salvação". Por ser nossa mãe, a Igreja é também a educadora de nossa fé.

A linguagem da fé
- Não cremos em fórmulas, mas nas realidades que elas expressam e que a fé nos permite "tocar". "O ato (de fé) do crente não pára no enunciado, mas chega até a realidade (enunciada). Todavia, temos acesso a essas realidades com o auxílio das formulações da fé. Estas permitem expressar e transmitir a fé, celebrá-la em comunidade, assimilá-la e vivê-la cada vez mais.
- A Igreja, que é "a coluna e o sustentáculo da verdade", guarda fielmente a fé uma vez por todas confiada aos santos. E ela que conserva a memória da Palavra de Cristo, é ela que transmite de geração em geração a confissão de fé dos apóstolos. Como uma mãe que ensina seus filhos a falar e, com isto, a, compreender e a comunicar; a Igreja, nossa Mãe, nos ensina a linguagem da fé para introduzir-nos na compreensão e na vida da fé.

Uma única fé
- Há séculos, mediante tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar sua única fé, recebida de um só Senhor, transmitida por um único batismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm um só Deus e Pai.
- Pois, se no mundo as línguas diferem, o conteúdo da Tradição é uno e idêntico. E nem as Igrejas estabelecidas na Germânia têm outra fé ou outra Tradição, nem as que estão entre os iberos, nem as que estão entre os celtas, nem as do Oriente, do Egito, da Líbia, nem as que estão estabelecidas no centro do mundo. A mensagem da Igreja é, portanto, verídica e sólida, pois é nela que um único caminho de salvação aparece no mundo inteiro.
- Esta fé que recebemos da Igreja, nós a guardamos com cuidado, pois sem cessar, sob a ação do Espírito de Deus, a guisa de um depósito de grande preço encerrado em um vaso precioso, ela rejuvenesce e faz rejuvenescer o próprio vaso que a contém.

CIC-Catecismo da Igreja Católica 160-165

Obediência da Fé (1ª parte)

Resposta do homem a Deus
- Por sua Revelação, "o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos, e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber".
A resposta adequada a este convite é a fé.
- Pela fé, o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus. Com todo o seu ser, o homem dá seu assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura denomina "obediência da fé" esta resposta do homem ao Deus que revela.
Obediência da fé
- Obedecer na fé significa submeter-se livremente a palavra ouvida, visto que sua verdade é garantida por Deus, a própria Verdade. Desta obediência, Abraão é o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe, e a Virgem Maria, sua mais perfeita realização.

Abraão: o Pai de todos os crentes
- Em Hebreus cap 11, no grande elogio à fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: "Foi pela fé que Abraão, respondendo ao chamado, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia". Pela fé, viveu como estrangeiro e como peregrino na Terra Prometida. Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu seu filho único em sacrifício.
- O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus proclama o elogio da fé exemplar dos antigos, "que deram o seu testemunho". No entanto, "Deus previa para nós algo melhor": a graça de crer em seu Filho Jesus, "o autor e realizador da fé, que a leva à perfeição".

Maria: Bem aventurada que acreditou
- A Virgem Maria realiza da maneira mais perfeita a obediência da fé. Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazida pelo anjo Gabriel, acreditando que "nada é impossível a Deus" e dando seu assentimento: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra". Isabel a saudou: "Bem-aventurada a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido". É em virtude desta fé que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada (Lc 1,37-38;45).
- Maria não deixou de crer "no cumprimento" da Palavra de Deus. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé.

"Sei em quem pus minha fé" (2Tm 1,12)
- A fé é diferente da fé em uma pessoa humana; ela é:
  • uma adesão pessoal do homem a Deus;
é, ao mesmo tempo e inseparavelmente,
  • o assentimento livre a toda a verdade que Deus revelou.
- É justo e bom entregar-se totalmente a Deus e crer absolutamente no que ele diz. Seria vão e falso pôr tal fé em uma criatura.
- Para o cristão, crer em Deus é, inseparavelmente, crer naquele que Ele enviou, "seu Filho bem-amado", no qual Ele pôs toda à sua complacência; Deus mandou que O escutássemos. O próprio Senhor disse a seus discípulos: "Crede em Deus, crede também em mim". Podemos crer em Jesus Cristo por que ele mesmo é Deus, o Verbo feito carne: "Ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito, que está voltado para o seio do Pai; este o deu a conhecer".
Por ter ele "visto o Pai", ele é o único que o conhece e pode revelá-lo.

- Não se pode crer em Jesus Cristo sem participar de seu Espírito. É o Espírito Santo que revela aos homens quem é Jesus. Pois "ninguém pode dizer 'Jesus é Senhor' a não ser no Espírito Santo". "O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus... O que está em Deus, ninguém o conhece a não ser o Espírito de Deus". Só Deus conhece a Deus por inteiro. Cremos no Espírito Santo porque Ele é Deus.
A Igreja não cessa de confessar sua fé em um só Deus,
Pai, Filho e Espírito Santo

As características da fé
A Fé é uma graça: 
- Quando São Pedro confessa que Jesus é o Cristo, Filho do Deus vivo, Jesus lhe declara que esta revelação não lhe veio "da carne e do sangue, mas de meu Pai que está nos céus". A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. "Para que se preste esta fé, exigem-se a graça prévia e adjuvante de Deus e os auxílios internos do Espírito Santo, que move o coração e o converte a Deus, abre os olhos da mente e dá a todos suavidade no consentir e crer na verdade."

A Fé é um ato humano: 
- Crer só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não contraria nem a liberdade nem a inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas.
- Já no campo das relações humanas, não é contrário a nossa própria dignidade crer no que outras pessoas nos dizem sobre si mesmas e sobre suas intenções e confiar nas promessas delas, para entrar assim em comunhão recíproca. Por isso, é ainda menos contrário a nossa dignidade prestar, pela fé, a revelação de Deus plena adesão do intelecto e da vontade" e entrar, assim, em comunhão íntima com ele.
- Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: Crer é um ato da inteligência que assente à verdade divina a mando da vontade movida por Deus através da graça.

A Fé e a Inteligência: 
- O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis a luz de nossa razão natural. Cremos "por causa da autoridade de Deus que revela e que não pode nem enganar-se nem enganar-nos". "Todavia, para que o obséquio de nossa fé fosse conforme a razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados das provas exteriores de sua Revelação. Por isso, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, sua fecundidade e estabilidade "constituem sinais certíssimos da Revelação, adaptados a inteligência de todos", "motivos de credibilidade" que mostram que o assentimento da fé não é "de modo algum um movimento cego do espírito".

- A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras a razão e a experiência humanas, mas "a certeza dada pela luz divina é maior que a que é dada pela luz da razão natural. "Dez mil dificuldades não fazem uma única dúvida.

- A fé procura compreender: e característico da fé o crente desejar conhecer melhor Aquele em quem pôs sua fé e compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais penetrante despertará por sua vez uma fé maior, cada vez mais ardente de amor. A graça da fé abre "os olhos do coração" para uma compreensão viva dos conteúdos da Revelação, isto é, do conjunto do projeto de Deus e dos mistérios da fé, do nexo deles entre si e com Cristo, centro do Mistério revelado. Ora, para "tornar cada vez mais profunda a compreensão da Revelação, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa continuamente a fé por meio de seus dons.
"eu creio para compreender, e compreendo para melhor crer".

- Fé e ciência. "Porém, ainda que a fé esteja acima da razão, não poderá jamais haver verdadeira desarmonia entre uma e outra, porquanto o mesmo Deus que revela os mistérios e infunde a fé dotou o espírito humano da luz da razão; e Deus não poderia negar-se a si mesmo, nem a verdade jamais contradizer a verdade." "Portanto, se a pesquisa metódica, em todas as ciências, proceder de maneira verdadeiramente científica, segundo as leis morais, na realidade nunca será oposta a fé: tanto as realidades profanas quanto as da fé originam-se do mesmo Deus. Mais ainda: quem tenta perscrutar com humildade e Perseverança, os segredos das coisas, ainda que disso não tome consciência, e como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todas as coisas, fazendo com que elas sejam o que são."

A Liberdade da fé: Para que o ato de fé seja humano, "o homem deve responder a Deus, crendo por livre vontade. Por conseguinte, ninguém deve ser forçado contra sua vontade a abraçar a fé. Pois o ato de fé é por sua natureza voluntário". "Deus de fato chama os homens para servi-lo em espírito e verdade. Com isso os homens são obrigados em consciência, mas não são forçados... Foi o que se patenteou em grau máximo em Jesus Cristo." Com efeito, Cristo convidou a fé e a conversão, mas de modo algum coagiu. "Deu testemunho da verdade, mas não quis impô-la pela força aos que a ela resistiam. Seu reino... se estende graças ao amor com que Cristo, exaltado na cruz, atrai a si os homens."

A necessidade da fé: É necessário, para obter esta salvação, crer em Jesus Cristo e naquele que o enviou para nossa salvação.
- Como, porém, "sem fé é impossível agradar a Deus' e chegar ao consórcio dos seus filhos, ninguém jamais pode ser justificado sem ela, nem conseguir a vida eterna, se nela não permanecer até o fim".

A perseverança na fé: A fé é um dom gratuito que Deus concede ao homem. Podemos perder este dom inestimável; São Paulo alerta Timóteo sobre isso: 'Combate... o bom combate, com fé e boa consciência; pois alguns, rejeitando a boa consciência, vieram a naufragar na fé".
- Para viver, crescer e perseverar até o fim na fé, devemos alimentá-la com a Palavra de Deus; devemos implorar ao Senhor que a aumente; ela deve "agir pela caridade", ser carregada pela esperança e estar enraizada na fé da Igreja.

A Fé, começo da Vida Eterna: A fé nos faz degustar como por antecipação a alegria e a luz da visão beatífica, meta de nossa caminhada na terra. Veremos então a Deus "face a face", "tal como Ele é".
- A fé já é, portanto, o começo da vida eterna:
  • Enquanto desde já contemplamos as bênçãos da fé, como um reflexo no espelho, é como se já possuíssemos as coisas maravilhosas que um dia desfrutaremos, conforme nos garante nossa fé.
- Por ora, todavia, "caminhamos pela fé, não pela visão", e conhecemos a Deus "como que em um espelho, de uma forma confusa..., imperfeita".
- Luminosa em virtude daquele em que ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade.
- A fé pode ser posta a prova. O mundo em que vivemos muitas vezes parece estar bem longe daquilo que a fé nos assegura; as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa Nova; podem abalar a fé e tornar-se para ela uma tentação.
- É então que devemos nos voltar para as testemunhas da fé:
  • Abraão, que creu, "esperando contra toda esperança";
  • Virgem Maria, que na "peregrinação a fé" foi até a "noite da fé", comungando com o sofrimento de seu Filho e com a noite de seu túmulo e
  • tantas outras testemunhas da fé:
"Com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é autor e realizador da fé, Jesus".

CIC-Catecismo da Igreja Católica 142-159

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Transmissão da Revelação Divina

Deus "quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4), isto é, de Jesus Cristo.

A Tradição apostólica
- "Cristo Senhor, em quem se consuma a revelação do Sumo Deus, ordenou aos Apóstolos que o Evangelho, prometido antes pelos profetas, completado por ele e por sua própria boca promulgado, fosse por eles pregado a todos os homens como fonte de toda a verdade salvífica e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes os dons divinos."
A pregação Apostólica...
- A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras:
  • oralmente "pelos apóstolos, que na pregação oral, por exemplos e instituições, transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam das sugestões do Espírito Santo";
  • por escrito "como também por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação"
...continuada na Sucessão Apostólica
- "Para que o Evangelho sempre se conservasse inalterado e vivo na Igreja, os apóstolos deixaram como sucessores os bispos, a eles 'transmitindo seu próprio encargo de Magistério." Com efeito, "a pregação apostólica, que é expressa de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se por uma sucessão contínua até a consumação dos tempos".
- Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, é chamada de Tradição enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora intimamente ligada a ela.
- Por meio da Tradição, "a Igreja, em sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo o que ela é, tudo o que crê".
- Assim, a comunicação que o Pai fez de si mesmo por seu Verbo no Espírito Santo permanece presente e atuante na Igreja:
  • "O Deus que outrora falou mantém um permanente diálogo com a esposa de seu dileto Filho, e o Espírito Santo, pelo qual a voz viva do Evangelho ressoa na Igreja e através dela no mundo, leva os crentes à verdade toda e faz habitar neles abundantemente a palavra de Cristo"
A relação entre a Tradição e a Sagrada Escritura
Uma Fonte comum...
- "Elas estão entre si estreitamente unidas e comunicantes. Pois, promanando ambas da mesma fonte divina, formam de certo modo um só todo e tendem para o mesmo fim." Tanto uma como outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo, que prometeu permanecer com os seus "todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,20).

...duas modalidades distintas de Transmissão
- A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto redigida sob a moção do Espírito Santo.
- A Sagrada Tradição, "transmite integralmente aos sucessores dos apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos apóstolos para que, sob a luz do Espírito de verdade, eles, por sua pregação, fielmente a conservem, exponham e difundam".
- Dai resulta que a Igreja, à qual estão confiadas a transmissão e a interpretação da Revelação, "não deriva a sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado somente da Sagrada Escritura. Por isso, ambas devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência"

A interpretação do depósito da fé
- "O patrimônio sagrado" da fé, contido na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, foi confiado pelos apóstolos à totalidade da Igreja. Apegando-se firmemente ao mesmo, o povo santo todo, unido a seus Pastores, persevera continuamente na doutrina dos apóstolos e na comunhão, na fração do pão e nas orações, de sorte que na conservação, no exercício e na profissão da fé transmitida se crie uma singular unidade de espírito entre os bispos e os fiéis.

O Magistério da Igreja
- O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, isto é, foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma.
- Todavia, tal Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas a serviço dela, não ensinando senão o que foi transmitido, no sentido de que, por mandato divino, com a assistência do Espírito Santo, piamente ausculta aquela palavra, santamente a guarda e fielmente a expõe, e deste único depósito de fé tira o que nos propõe para ser crido como divinamente revelado.

Os dogmas da fé
- Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. - Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé.
- Os laços mútuos e a coerência dos dogmas podem ser encontrados no conjunto da Revelação do Mistério de Cristo. "Existe uma ordem ou 'hierarquia' das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente.

O Senso sobrenatural da fé
- Todos os fiéis participam da compreensão e da transmissão da verdade revelada. Receberam a unção do Espírito Santo, que os instrui e os conduz à verdade em sua totalidade.
- O conjunto dos fiéis... não pode enganar-se no ato de fé. E manifesta esta sua peculiar piedade mediante o senso sobrenatural da fé de todo o povo, quando, 'desde os bispos até o último dos fiéis leigos', apresenta um consenso universal sobre questões de fé e costumes.
- Por este senso da fé, excitado e sustentado pelo Espírito da verdade, o Povo de Deus, sob a direção do sagrado Magistério, adere indefectivelmente a fé 'uma vez para sempre transmitida aos santos'; e, com reto juízo, penetra-a mais profundamente e na sua vida a coloca mais perfeitamente em obra.

O crescimento na compreensão da fé
- Graças a assistência do Espírito Santo, a compreensão das realidades como das palavras do depósito da fé pode crescer na vida da Igreja:
  • Pela contemplação e estudo dos que creem, os quais as meditam em seu coração, é em especial “a pesquisa teológica que aprofunda o conhecimento da verdade revelada.”
  • Pela íntima compreensão que os fiéis desfrutam das coisas espirituais: as palavras divinas crescem com o leitor.
  • Pela pregação daqueles que, com a sucessão episcopal, receberam o carisma seguro da verdade.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §74-100

domingo, 15 de dezembro de 2013

A vida do homem: conhecer e amar a Deus

"PAI,... a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o Deus único verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo" (Jo 17,3).

"Deus, nosso Salvador... quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2,3-4).

"Não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,12), afora o nome de JESUS.

A vida do homem: conhecer e amar a Deus
- Deus, infinitamente Perfeito e Bem-aventurado em si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada.
- Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, a conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade de sua família, a Igreja.
- Faz isto por meio do Filho, que enviou como Redentor e Salvador quando os tempos se cumpriram.
- Nele e por Ele, chama os homens a se tornarem, no Espírito Santo, seus filhos adotivos, e portanto os herdeiros de sua vida bem-aventurada.

- A fim de que este chamado ressoe pela terra inteira, Cristo enviou os apóstolos que escolhera, dando-lhes o mandato de anunciar o Evangelho:
"Ide, fazei que todas as nações se tornem discípulos,
 batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e
ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei.
E eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28,19-20).
- Fortalecidos com esta missão, os apóstolos:
"saíram a pregar por toda parte, agindo com eles o Senhor, e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam" (Mc 16,20).

- Os que com a ajuda de Deus acolheram o chamado de Cristo e lhe responderam livremente foram por sua vez impulsionados pelo amor de Cristo a anunciar por todas as partes do mundo a Boa Notícia.
- Este tesouro recebido dos apóstolos foi guardado fielmente por seus sucessores.
- Todos os fiéis de Cristo são chamados a transmiti-lo de geração em geração:
·         anunciando a fé,
·         vivendo-a na partilha fraterna,
·         celebrando-a na liturgia e
·         na oração.

Transmitir a fé - a catequese
- Bem cedo passou-se a chamar de catequese o conjunto de esforços empreendidos na Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a crerem que Jesus é o Filho de Deus, a fim de que, por meio da fé, tenham a vida em nome dele, para educá-los e instruí-los nesta vida, e assim construir o Corpo de Cristo.

"A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com o fim de os iniciar na plenitude da vida cristã."

- Sem confundir-se com eles, a catequese se articula em torno de determinado número de elementos da missão pastoral da Igreja que têm um aspecto catequético e que preparam a catequese ou dela derivam:
  • primeiro anúncio do Evangelho ou pregação missionária para suscitar a fé;
  • busca das razões de crer;
  • experiência de vida cristã;
  • celebração dos sacramentos;
  • integração na comunidade eclesial;
  • testemunho apostólico e missionário.
"A catequese anda intimamente ligada com toda a vida da Igreja. Não é somente a extensão geográfica e o aumento numérico, mas também e mais ainda o crescimento interior da Igreja, sua correspondência ao desígnio de Deus que dependem da catequese mesma."

- Os períodos de renovação da Igreja são também tempos fortes da catequese. Eis por que, na grande época dos Padres da Igreja, vemos Santos Bispos dedicarem uma parte importante de seu ministério à catequese. É a época de São Cirilo de Jerusalém e de São João Crisóstomo, de Santo Ambrósio e de Santo Agostinho, e de muitos outros Padres cujas obras catequéticas permanecem como modelos.

Fazer-se tudo para todos
- Aquele que ensina deve "fazer-se tudo para todos" (1 Cor 9,22), a fim de conquistar todos para Jesus Cristo...
- Particularmente, não imagine ele que lhe é confiado um único tipo de almas, e que consequentemente lhe é permitido ensinar e formar de modo igual todos os fiéis à verdadeira piedade, com um só e mesmo método, sempre igual!
- Saiba ele bem que uns são em Jesus Cristo como que criancinhas recém-nascidas, outros, como que adolescentes, e finalmente alguns estão como que na posse de todas as suas forças...
- Os que são chamados ao ministério da pregação devem, na transmissão dos mistérios da fé e das regras dos costumes, adaptar suas palavras ao espírito e à inteligência de seus ouvintes.

Acima de tudo a caridade
- Toda a finalidade da doutrina e do ensinamento deve ser posta no amor que não acaba.
- Com efeito, pode-se facilmente expor o que é preciso crer, esperar ou fazer; mas sobretudo é preciso fazer sempre com que apareça o Amor de Nosso Senhor, para que cada um compreenda que cada ato de virtude perfeitamente cristão não tem outra origem senão o Amor, e outro fim senão o Amor.

CIC-Catecismo da Igreja Católica  §1-25

domingo, 8 de dezembro de 2013

Virtudes Divinas

Virtudes teologais
- As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina.
- Pois as virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto.
- As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais.
- São infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna.
- São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.

- A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade.
- Pela fé, "o homem livremente se entrega todo a Deus. Por isso o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus.
"O justo viverá da fé" (Rm 1,17).
A fé viva "age pela caridade" (Gl 5,6).
- O dom da fé permanece naquele que não pecou contra ela.
- Mas "é morta a fé sem obras" (Tg 2,26): privada da esperança e do amor, a fé não une plenamente o fiel a Cristo e não faz dele um membro vivo de seu Corpo.
- O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la:
"Todos devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens e segui-lo no caminho da Cruz, entre perseguições que nunca faltam à Igreja.”
- O serviço e o testemunho da fé são requisitos da salvação:
"Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus.
Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus" (Mt 10,32-33).

Esperança
- A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo.
"Continuemos a afirmar nossa esperança,
porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23).
"Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna" (Tt 3,6-7).
- A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem;
  • assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens;
  •  purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus;
  • protege contra o desânimo;
  • dá alento em todo esmorecimento;
  • dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna.
- O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.
- A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem sua origem e modelo na esperança de Abraão, cumulada em Isaac, das promessas de Deus, e purificada pela prova do sacrifício.
"Ele, contra toda a esperança,
acreditou na esperança de tornar-se pai de muitos povos" (Rm 4,18).
- A esperança cristã se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provação reservadas aos discípulos de Jesus.
- Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na "esperança que não decepciona" (Rm 5,5).
- A esperança é a "âncora da alma” segura e firme, "penetrando... onde Jesus entrou por nós, como precursor" (Hb 6,19-20).
- Também é uma arma que nos protege no combate da salvação:
 "Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação" (l Ts 5,8)
- Ela nos traz alegria mesmo na provação:
"alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação" (Rm 12,12).
- Ela se exprime e se alimenta na oração, especialmente no Pai-Nosso resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.
- Podemos esperar, pois, a glória do céu prometida por Deus aos que o amam e fazem sua vontade.
- Em qualquer circunstância, cada qual deve esperar, com a graça de Deus, "perseverar até o fim" e alcançar a alegria do céu como recompensa eterna de Deus pelas boas obras praticadas com a graça de Cristo.
- Na esperança, a Igreja pede que "todos ó homens sejam salvos" (1Tm 2,4). Ela aspira a estar unida a Cristo, seu Esposo, na glória do céu.
  • Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar.
(Santa Tereza de Jesus)

Caridade
- A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
- Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus "até o fim" (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe.
- Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem.
- Por isso diz Jesus:
"Assim como o Pai me amou, também eu vos amei.
Permanecei em meu amor" (Jo 15,9).
E ainda:
"Este é o meu preceito:
Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12).
- Fruto do Espírito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo:
"Permanecei em meu amor.
Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor" (Jo 15,9-10).
- Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda "inimigos" (Rm 5,10). O Senhor exige que amemos, como Ele, mesmo os nossos inimigos, que nos tornemos o próximo do mais afastado, que amemos como Ele as crianças e os pobres.
- O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade:
"A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (l Cor 13,4-7).
- Diz ainda o apóstolo:
"Se não tivesse a caridade, nada seria...".
- E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude...
"se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria".
- A caridade superior a todas as virtudes. E a primeira das virtudes teologais:
"Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas.
A maior delas, porém, é a caridade" (1 Cor 13,13).
- O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o "vinculo da perfeição" (Cl 3,14); é a forma das virtudes, articulando-as e ordenando-as entre si; é fonte e termo de sua prática cristã.
- A caridade assegura purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à feição sobrenatural do amor divino.
- A prática da vida moral, animada pela caridade, dá ao cristão a liberdade espiritual dos filhos de Deus. Já não está diante de Deus como escravo em temor servil, nem como mercenário à espera do pagamento, mas como um filho que responde ao amor daquele "que nos amou primeiro" (1 Jo 4,19):
  • Ou nos afastamos do mal por medo do castigo, estando assim na posição do escravo; ou buscamos o atrativo da recompensa, assemelhando-nos aos mercenários; ou é pelo bem em si mesmo e por amor de quem manda que nós obedecemos... e estaremos então na posição de filhos. (São Basilio)
- A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia exige a beneficência e a correção fraterna; é benevolência; suscita a reciprocidade; é desinteressada e liberal; é amizade e comunhão:
  • A finalidade de todas as nossas obras é o amor. Este é o fim, é para alcançá-lo que corremos, é para ele que corremos; uma vez chegados, é nele que repousaremos.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1812-1829

Virtudes humanas

Virtudes
"Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor" (Fl 4,8).
- A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem.
- Permite a pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si.
- Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática.
"O objetivo da vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus."

Virtudes humanas
- As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé.
- Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem.
- As virtudes morais são adquiridas humanamente.
- São os frutos e os germes de atos moralmente bons; dispõem todas as forças do ser humano para entrar em comunhão com o amor divino.

Distinção das virtudes cardeais
- Quatro virtudes têm um papel de "dobradiça" (que, em latim, se diz "cardo, cardinis").
- Por esta razão são chamadas "cardeais": todas as outras se agrupam em torno delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
"Ama-se a retidão? As virtudes são seus frutos;
ela ensina a temperança e a prudência a justiça e a fortaleza" (Sb 8,7).
- Estas virtudes são louvadas em numerosas passagens da Escritura sob outros nomes.

- A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo.
"O homem sagaz discerne os seus passos" (Pr 14,15).
"Sede prudentes e sóbrios para entregardes às orações" (1 Pd 4,7).
- A prudência é a "regra certa da ação", escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação.
- É chamada "cocheiro", isto é "portadora das virtudes", porque, conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.
- É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência.
- O homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo este juízo.
- Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar.

- A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.
- A justiça para com Deus chama-se "virtude de religião".
- Para com os homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum.
- O homem justo, muitas vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo.
"Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso.
Julga o próximo conforme a justiça" (Lv 19,15).
"Senhores, dai aos vossos servos o justo e eqüitativo,
sabendo que vós tendes um Senhor no céu" (Cl 4,1).

- A fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem.
- Ela firma a resolução de resistir as tentações e superar os obstáculos na vida moral.
- A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a provação e as perseguições.
- Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa.
"Minha força e meu canto é o Senhor" (Sl 118,14).
"No mundo tereis tribulações, mas tende coragem:
 eu venci o mundo" (Jo 16,33).

- A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados.
- Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade.
- A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e "não se deixa levar a seguir as paixões do coração".
- A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento:
"Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos"
(Eclo 18,30).
- No Novo Testamento, é chamada de "moderação" ou "sobriedade".
Devemos "viver com moderação, justiça e piedade neste mundo" (Tt 2,12).
- Viver bem não é outra coisa senão amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e em toda forma de agir.
- Dedicar-lhe um amor integral (pela temperança) que nenhum infortúnio poderá abalar (o que depende da fortaleza), que obedece exclusivamente a Ele (e nisto consiste a justiça), que vela para discernir todas as coisas com receio de deixar-se surpreender pelo ardil e pela mentira (e isto é a prudência).

As virtudes e a Graça
- As virtudes humanas adquiridas pela educação, por atos deliberados e por uma perseverança sempre retomada com esforço são purificadas e elevadas pela graça divina.
- Com o auxílio de Deus, forjam o caráter e facilitam a prática do bem.
O homem virtuoso sente-se feliz em praticá-las.
- Não é fácil para o homem ferido pelo pecado manter o equilíbrio moral.
- O dom da salvação, trazida por Cristo, nos concede a graça necessária para perseverar na conquista das virtudes.
- Cada um deve sempre pedir esta graça de luz e de fortaleza, recorrer aos sacramentos, cooperar com o Espírito Santo, seguir seus apelos de amar o bem e evitar o mal.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1803-1811

sábado, 30 de novembro de 2013

Cristão, reconhece tua dignidade

A vida em Cristo
Cristão, reconhece a tua dignidade.
- Por participares agora da natureza divina, não te degeneres, retornando à decadência de tua vida passada:
  • Lembra-te da Cabeça a que pertences e do Corpo de que és membro.
  • Lembra-te de que foste arrancado do poder das trevas e transferido para a luz e o Reino de Deus.

- O Símbolo da fé professou a grandeza dos dons de Deus ao homem na obra de sua criação e, mais ainda, pela redenção e santificação.
- O que a fé confessa os sacramentos comunicam; pelos "sacramentos que os fizeram renascer", os cristãos se tornaram:
·         "filhos de Deus" (1Jo 3,1),
·         "participantes da natureza divina" (Pd 1,4).
- Reconhecendo na fé sua nova dignidade, os cristãos são chamados a levar a partir de então uma "vida digna do Evangelho de Cristo".
- Pelos sacramentos e pela oração, recebem a graça de Cristo e os dons de seu Espírito, que os tomam capazes disso.

- Jesus Cristo sempre fez o que era do agrado do Pai. Sempre viveu em perfeita comunhão com Ele.
- Também os discípulos são convidados a viver sob o olhar do Pai, "que vê o que esta oculto" (Mt 6,6), para se tomarem "perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" Mt 5,48).
- Incorporados a Cristo pelo Batismo, os cristãos estão "mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus", participando assim da vida do Ressuscitado.
- Seguindo a Cristo e em união com ele, podem procurar "tornar-se imitadores de Deus como filhos amados e andar no amor", conformando seus pensamentos, palavras e ações aos "sentimentos de Cristo Jesus e seguindo seus exemplos".

- "Justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus" (1Cor 5,11), "santificados... chamados a ser santos", os cristãos se tornaram "templo do Espírito Santo" (1Cor 6,19).
- Esse "Espírito do Filho" os ensina a orar ao Pai e, tendo-se tornado vida deles, os faz agir para carregarem em si "os frutos do Espírito" pela caridade operante.
- Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo nos "renova pela transformação espiritual de nossa mente", ele nos ilumina e fortifica para vivermos como "filhos da luz" (Ef 5,8), na "bondade, justiça e verdade" em todas as coisas (Ef 5,9).

O caminho de Cristo "conduz à vida",
um caminho contrário "leva à perdição".
- A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. Significa a importância das decisões morais para nossa salvação. Há dois caminhos, um da vida e outro da morte; mas entre os dois há grande diferença.

  • “Peço que considereis que Jesus Cristo nosso Senhor é vossa verdadeira Cabeça e que vós sois um de seus membros. Ele é para vós o que a Cabeça é para os membros; tudo o que é dele é vosso, seu espírito, coração, corpo, alma e todas as suas faculdades, e deveis fazer uso disso como coisa vossa para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Vós sois em relação a Ele o que os membros são em relação à cabeça. Assim, Ele deseja ardentemente fazer uso de tudo o que está em vós para o serviço e a glória de seu Pai, como coisa sua.” (São João Eudes)
CIC-Catecismo da Igreja Católica 1691-1696

Para mim , viver é Cristo (Fl 1,21)
  • Tu, que segues Cristo e o imitas;
  • Tu, que vives na Palavra de Deus;
  • Tu, que meditas sobre sua lei noite e dia;
  • Tu, que observas os seus mandamentos;
  • Tu, estás sempre no santuário e nunca sais dele.
- Não é em um lugar que se deve procurar o santuário, mas nos atos, na vida, nos costumes.
- Se eles são conforme os preceitos de Deus e se eles se cumprem segundo os seus desígnios, pouco importa que estejas em tua casa ou no fórum, pouco importa que estejas até mesmo no teatro: Se tu serves ao Verbo de Deus, tu estás no santuário, não tenha nenhuma duvida.

Homilias sobre Orígenes- Levitico, XII,4

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Marcos 10, 13-16

“Apresentaram-lhe, então, crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
Vendo-os, Jesus indignou-Se e disse-lhes: ‘Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se assemelham a eles. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará’.

Em seguida, Ele abraçou e abençoou as crianças, impondo-lhes Suas Mãos.”

“Ele está no meio de nós”, hoje.
‘Toque’ e ação de Jesus
Efeito do ‘Toque’
Palavra         (Deus se Revela)
Purifica a Alma
Sacramentos (Deus se Doa)
Purifica o Corpo
Próximo        (Deus dá sentido a vida)
Purifica o Coração
Quanto mais unido a Jesus, mais purificado se fica.

Deus faz a parte D’Ele, nós fazemos a nossa
Temos que ter ‘disposição’, ‘desejo santo’, ‘acolhimento (Jo 12, 47)’, e ‘adesão ao projeto Divino’.
“Minha alma tem sede de ti, minha carne te deseja com ardor” Salmo 62

2-tipos de ‘desejo’
Pureza e Impureza Tito 1, 15-16
“Para os puros, todas as coisas são puras;
mas para os impuros e descrentes, nada é puro:
  • Tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.
  • Afirmam conhecer a Deus, mas negam-no com seus atos, pois são abomináveis, desobedientes e incapazes para qualquer boa obra.”

A adesão a Cristo supõe a Imitação de Cristo

Entrada Impureza
Resgate Pureza
CORPO                       Sentidos*                                      Jejum Corporal
(Sede dos Sentidos)                                                                    Castidade
Tiago 1, 13-15

ALMA                         Vontade                                         Fugir das ocasiões
(Sede das Potências)                                                                  Inteligência c/ Sabedoria
                                                                                                   Memória constante Deus
                                                                                                   Vontade de Deus
Sabedoria 7, 22-30
10º Mandamento Desejo desordenado-Instrui nos desejos do Espírito Santo CIC 2534-57

CORAÇÃO                    Amor próprio                            * Desprendimento bens:
(Sede Personalidade Moral)                                                      materiais e criaturas
                                                 Egoísmo                                     * Preparado para perder:
                                                                                                   tudo e todos
Marcos 7, 20-23 / Filipenses 4, 8-9
9º Mandamento: Desejo da carne-Luta pela pureza do coração CIC 2514-33

- Nada existe no intelecto sem antes passar pelos sentidos:
* “A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa a vista, e que essa árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou o fruto e comeu. Deu também ao seu marido” Gênesis 3, 6
Viu: corpo
Desejável: alma
Deu ao marido: coração

* “Aquele que olha para a mulher com desejo já cometeu adultério no seu coraçãoMateus 5, 27
Olha: corpo
Desejo: alma
Coração: coração


‘Aderir’ e ‘Permanecer’ em Jesus
- O Senhor nos convida 11-vezes em João 15 a ‘permanecer’ N’Ele:
  • O Espírito Santo nos capacita a fazer o mundo a voltar a Deus;
  • Restauramos a Beleza Original;
  • Levantamos uma barreira a nossa volta contra o mal e o pecado;
  • Obtemos nossa conversão e daqueles a quem o Senhor nos confiar.

Maria, nosso modelo de pureza
- Escolhida para ser pura e receber o puro.
“Quando o Espírito Santo, seu Esposo encontra Maria numa alma, voa para ela, entra na alma com plenitude e comunicasse-lhe tanto mais abundantemente quanto maior lugar esta alma dá a sua Esposa”
São Luiz Maria G Monfort


Homem novo
- Deus nos ‘concedeu’ os meios para nos ‘aperfeiçoar’ até que alcancemos:
  • a unidade da fé;
  • o pleno conhecimento do Filho de Deus,
  • e o estado do Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo.
- Por isso,
  • remova o vosso modo de vida anterior –Homem velho- e 
  • revista-se do –Homem novo- criado na justiça e santidade da verdade. Efésios 4