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segunda-feira, 3 de março de 2014

Jesus morreu crucificado

O processo de Jesus
            §595. Entre as autoridades religiosas de Jerusalém não houve somente o fariseu Nicodemos ou o ilustre José de Arimatéia como discípulos secretos de Jesus, mas durante muito tempo foram produzidas dissensões acerca de Jesus, a ponto de, às vésperas de sua Paixão São João poder dizer deles que "um bom número deles creu nele", ainda que de forma bem imperfeita (Jo 12,42). É surpreendente se levarmos em conta que no dia seguinte a Pentecostes "uma multidão de sacerdotes obedecia à fé" (At 6,7) e que "alguns do partido dos fariseus haviam abraçado a fé" (At 15,5), a ponto de São Tiago poder dizer a São Paulo que "zelosos partidários da Lei, milhares de judeus abraçaram a fé" (At 21,20).

§596. As autoridades religiosas de Jerusalém não foram unânimes na conduta a adotar em relação a Jesus. Os fariseus ameaçaram de excomunhão os que o seguissem. Aos que temiam que "todos crerão em Jesus e os romanos virão e destruirão nosso Lugar Santo e a nação" (Jo 11,48), o Sumo Sacerdote Caifás propôs, profetizando: "Não compreendeis que é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?" (Jo 11,50). O Sinédrio, depois de declarar Jesus "passível de morte" na qualidade de blasfemador, mas, tendo perdido o direito de pô-lo à morte, entrega Jesus aos romanos, acusando-o de revolta política, o que colocará Jesus no mesmo pé que Barrabás, acusado de "sedição" (Lc 23,19). São também ameaças políticas o que os chefes dos sacerdotes fazem a Pilatos para que condene Jesus à morte.

Os Judeus não são coletivamente responsáveis pela morte de Jesus
§597. Levando em conta a complexidade histórica do processo de Jesus manifestada nos relatos evangélicos, e qualquer que possa ser o pecado pessoal dos atores do processo (Judas, o Sinédrio, Pilatos), conhecido só de Deus, não se pode atribuirá responsabilidade ao conjunto dos judeus de Jerusalém, a despeito dos gritos de uma multidão manipulada e das censuras globais contidas nos apelos à conversão depois de Pentecostes. O próprio Jesus, ao perdoar na cruz, e Pedro, depois dele, apelaram para a "ignorância" dos judeus de Jerusalém e até dos chefes deles. Menos ainda pode-se, a partir do grito do povo: "Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" (Mt 27,25), que significa uma fórmula de ratificação, estender a responsabilidade aos outros judeus no espaço e no tempo.
·         Por isso a Igreja declarou muito oportunamente no Concílio Vaticano II: "Aquilo que se perpetrou em sua Paixão não pode indistintamente ser imputado a todos os judeus que viviam então, nem aos de hoje... Os judeus não devem ser apresentados nem como condenados por Deus nem como amaldiçoados, como se isto decorresse das Sagradas Escrituras".

Todos os pecadores foram os autores da Paixão de Cristo
§598. No magistério de sua fé e no testemunho de seus santos a Igreja nunca esqueceu que "foram os pecadores como tais os autores e como que os instrumentos de todos os sofrimentos por que passou o Divino Redentor". Levando em conta que nossos pecados atingem o próprio Cristo, a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a responsabilidade mais grave no suplício de Jesus, responsabilidade que com excessiva frequência estes debitaram quase exclusivamente aos judeus.
·         Devemos considerar como culpados desta falta horrível os que continuam a reincidir em pecados. Já que são os nossos crimes que arrastaram Nosso Senhor Jesus Cristo ao suplício da cruz, com certeza os que mergulham nas desordens e no mal "de sua parte crucificam de novo o Filho de Deus e o expõem as injúrias" (Hb 6,6). E é imperioso reconhecer que nosso próprio crime, neste caso é maior do que o dos judeus. Pois estes, como testemunha o Apóstolo, "se tivessem conhecido o Rei da glória, nunca o teriam crucificado" (1Cor 2,8). Nós, porém, fazemos profissão de conhecê-lo. E, quando o negamos por nossos atos, de certo modo levantamos contra Ele nossas mãos homicidas. Os demônios, então, não foram eles que o crucificaram; és tu que com eles o crucificaste e continuas a crucificá-lo, deleitando-te nos vícios e. nos pecados.

A morte redentora de Cristo no desígnio divino de salvação
 “Jesus entregue segundo o desígnio bem determinado de Deus”
§599. A morte violenta de Jesus não foi o resultado do acaso um conjunto infeliz de circunstâncias. Ela faz parte do mistério do projeto de Deus, como explica São Pedro aos judeus de Jerusalém já em seu primeiro discurso de Pentecostes: "Ele foi entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus" (At 2,23). Esta linguagem bíblica não significa que os que "entregaram Jesus" tenham sido apenas executores passivos de um roteiro escrito de antemão por Deus.

          §600. Para Deus, todos os momentos do tempo estão presentes em sua atualidade. Ele estabelece, portanto, seu projeto eterno de "predestinação" incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça:
·         "De fato, contra teu servo Jesus, a quem ungiste, verdadeiramente coligaram-se, nesta cidade, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações pagãs e os povos de Israel, para executar tudo o que, em teu poder e sabedoria, havias predeterminado" (At 4,27-28). Deus permitiu os atos nascidos de sua cegueira, a fim de realizar seu projeto de salvação.

 “Morreu por nossos pecados segundo as escrituras”
§601. Este projeto divino de salvação mediante a morte do "Servo, o Justo" havia sido anunciado antecipadamente na Escritura como um mistério de redenção universal, isto é, de resgate que liberta os homens da escravidão do pecado. São Paulo, em sua confissão de fé professa que "Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras. A morte redentora de Jesus cumpre em particular a profecia do Servo Sofredor.
- Jesus mesmo apresentou o sentido de sua vida e de sua morte à luz do Servo Sofredor. Após a sua Ressurreição, ele deu esta interpretação das Escrituras aos discípulos de Emaús, e depois aos próprios apóstolos.

 “Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós”
§602. Por isso, São Pedro pode formular assim a fé apostólica no projeto divino de salvação: "Fostes resgatados da vida fútil que herdastes de vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeitos e sem mácula, conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado, no fim dos tempos, por causa de vós" (1Pd 1,18-20). Os pecados dos homens, depois do pecado original, são sancionados pela morte. Ao enviar seu próprio Filho na condição de escravo, condição de uma humanidade decaída e fadada à morte por causa do pecado. "Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus" (2Cor 5,21).

§603. Jesus não conheceu a reprovação, como se Ele mesmo tivesse pecado. Mas, no amor redentor que sempre o unia ao Pai, nos assumiu na perdição de nosso pecado em relação a Deus a ponto de poder dizer em nosso nome, na cruz: "Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?" (Mc 15,34). Tendo-o tornado solidário de nós, pecadores, "Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós" (Rm 8,32), a fim de que fôssemos "reconciliados com Ele pela morte de seu Filho" (Rm 5,10).

Deus tem a iniciativa do amor redentor universal
§604. Ao entregar seu Filho por nossos pecados, Deus manifesta que seu desígnio sobre nós é um desígnio de amor benevolente que antecede a qualquer mérito nosso: "Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados" (1Jo 4,10). "Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores" (Rm 5,8).

§605. Este amor não exclui ninguém. Jesus lembrou-o na conclusão da parábola da ovelha perdida: "Assim, também, não é da vontade de vosso Pai, que está  nos céus, que um destes pequeninos se perca" (Mt 18,14). Afirma ele "dar sua vida em resgate por muitos" (Mt 20,28); este último termo não é restritivo: opõe o conjunto da humanidade à única pessoa do Redentor que se entrega para salvá-la. A Igreja, no seguimento dos apóstolos, ensina que Cristo morreu por todos os homens sem exceção: "Não há, não houve e não haverá  nenhum homem pelo qual Cristo não tenha sofrido".

CIC-Catecismo da Igreja Católica

domingo, 8 de dezembro de 2013

Eucaristia, antídoto para a vida eterna

Eucaristia, penhor da glória futura
- Em uma oração, a Igreja aclama o mistério da Eucaristia:
“O sagrado banquete, em que de Cristo nos alimentamos. Celebra-se a memória de sua Paixão, o espírito é repleto de graças e se nos dão penhor da glória".
- Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa do Senhor, se por nossa comunhão ao altar somos repletos "de todas as graças e bênçãos do céu", a Eucaristia é também a antecipação da glória celeste.
- Quando da última Ceia, o Senhor mesmo dirigia o olhar de seus discípulos para a realização da Páscoa no Reino de Deus:
"Desde agora não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino de meu Pai" (Mt 26,29).
- Toda vez que a Igreja celebra a Eucaristia lembra-se desta promessa, e seu olhar se volta para "aquele que vem" (Ap 1,4).
- Em sua oração, suspira por sua vinda:
"Maran athá" (1 Cor 16,22), "Vem, Senhor Jesus" (Ap 22,20),
"Venha vossa graça e passe este mundo!"

- A Igreja sabe que, desde agora, o Senhor vem em sua Eucaristia, e que ali Ele está, no meio de nós.
- Contudo, esta presença é velada. Por isso, celebramos a Eucaristia
“expectantes aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda de nosso Salvador Jesus Cristo", pedindo "saciar-nos eternamente da vossa glória, quando enxugardes toda lágrima dos nossos olhos. Então, contemplando-vos como sois, seremos para sempre semelhantes a vós e cantaremos sem cessar os vossos louvores, por Cristo, Senhor nosso".
- Desta grande esperança, a dos céus novos e da terra nova nos quais habitará a justiça, não temos penhor mais seguro, sinal mais manifesto do que a Eucaristia.
- Com efeito, toda vez que é celebrado este mistério, "opera-se a obra da nossa redenção" e nós "partimos um mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto não para a morte, mas para a vida eterna em Jesus Cristo".
CIC-Catecismo da Igreja Católica §1402-1405

Já não é pão
- Que aconteceu exatamente quando Jesus disse na Última Ceia (e os sacerdotes esta manhã na Missa): “Isto é o meu corpo” sobre o pão, e “Este é o cálice do meu sangue” sobre o vinho?
- Cremos que a substância do pão deixou de existir completa e totalmente, e que a substância do próprio Corpo de Cristo substituiu a substância do pão que foi aniquilada.
- Cremos também que Jesus, pelo seu poder onipotente como Deus, preservou as aparências do pão e do vinho, apesar de as respectivas substâncias terem desaparecido.

- Por ‘aparências’ de pão e de vinho entendemos todas as formas externas e acidentais que de um modo ou de outro podem ser percebidas pelos sentidos (audição, visão, olfato, paladar, tato).
- A Sagrada Eucaristia ainda parece pão e vinho, ainda tem o sabor do pão e do vinho e cheira a pão e vinho, ainda é sensível ao tato como pão e vinho, e, se a partíssemos ou derramássemos, espalhar-se-ia como o pão e ovinho.
- Mesmo que fizéssemos um exame microscópico, eletrônico e radiológico, só poderíamos perceber nela as qualidades do pão e do vinho.

- Com efeito, a observação humana só pode obter a aparência externa de qualquer coisa. A sua configuração, a sua reação a determinadas circunstâncias, as leis físicas a que parece obedecer, são as únicas questões que a ciência pode investigar.
- Mas a substância de uma coisa, o que lhe está subjacente, a substância como substância, está fora do alcance dos sentidos e dos instrumentos humanos.
- Evidentemente, é um milagre; um milagre contínuo, realizado centenas de milhares de vezes por dia pelo poder infinito de Deus.

- Cabe ainda dizer que é um duplo milagre: é o milagre da transformação do pão e do vinho em Jesus Cristo; e o milagre adicional pelo qual Deus mantém as aparências do pão e do vinho ainda que a substância subjacente tenha desaparecido, como se o rosto de uma pessoa permanecesse num espelho depois de a pessoa ter-se retirado.
- A mudança operada pelas palavras da consagração é de um tipo especial, e a Igreja teve de cunhar um termo especial para a designar: transubstanciação, que, literalmente, significa a passagem de uma substância para outra; neste caso, é uma singular espécie de mudança.

- Jesus Cristo, todo e inteiro, está presente na Sagrada Eucaristia sob as aparências do pão e do vinho.
- Está presente simultaneamente em cada uma das hóstias consagradas de cada altar de todo o mundo e em cada cálice consagrado onde quer que se celebre a Santa Missa.
- Mais ainda, Jesus todo e inteiro está presente em cada partícula consagrada e em cada gota de vinho consagrado.

- Se a Sagrada Hóstia se divide –como o sacerdote o faz durante a missa- , Jesus está totalmente presente em cada uma das partes. Se caísse ao chão uma partícula da Hóstia consagrada ou se derramasse uma gota do Cálice, Jesus estaria presente todo e inteiro nessa partícula e nessa gota.
- É por isso que os panos de altar têm que ser lavados com a máxima reverência, porque pode haver aderida a eles uma partícula das Sagradas Espécies. Estes panos de altar compreendem o corporal, sobre o qual se coloca a patena com a Hóstia e o Cálice consagrados durante a Missa; e o sanguíneo, o pano com que o sacerdote enxuga os lábios depois de consumir o precioso Sangue e seca os dedos e o cálice depois de lavar o cálice com vinho e água, ou só com água.
- Jesus, evidentemente, não deixa o seu lugar no céu, ‘a direita do Pai’, para se tornar presente na Sagrada Eucaristia. Permanece no céu e está no altar. Quem se faz presente sob as aparências do pão e do vinho é o corpo glorificado de Jesus, o seu corpo tal como está no céu.

- A presença de Jesus na Eucaristia –sob dimensões tão pequenas e em tantos lugares ao mesmo tempo- parece suscitar duas aparentes dificuldades:
*Como pode um corpo humano estar presente num espaço tão pequeno?
*Como pode um corpo humano estar em vários lugares ao mesmo tempo?
- Estas dificuldades, é claro, são apenas aparentes.
- Deus assim o fez; portanto, pode ser feito. Deve-se recordar que Deus é o autor da natureza, o amo e o Senhor da Criação.
- As leis físicas do universo foram estabelecidas por Ele, e Ele pode suspender a sua ação se assim o quiser, sem que o seu poder infinito tenha que fazer nenhum esforço.

- Portanto, Jesus está ali na plenitude da sua Pessoa Glorificada, de uma maneira espiritualizada, sem extensão nem espaço. Não tem altura, largura ou espessura.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Juízo Particular

- A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo.
- O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé.
- A parábola do pobre Lázaro e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão assim como outros textos do Novo Testamento, falam de um destino último da alma pode ser diferente para uns e outros.

- Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo:
·         seja por meio de uma purificação,
·         seja para entrar de imediato na felicidade do céu,
·         seja para condenar-se de imediato para sempre.
- No entardecer de nossa vida, seremos julgados sobre o amor.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1021-1022

domingo, 10 de novembro de 2013

Função Régia

Somos participantes da função Régia de Cristo
- Por sua obediência até a morte, Cristo comunicou a seus discípulos o dom da liberdade régia, "para que vençam em si mesmos o reino do pecado, por meio de sua abnegação e vida santa":
  • Aquele que submete seu próprio corpo e governa sua alma, sem deixar-se submergir pelas paixões, é seu próprio senhor (é dono de si mesmo): pode ser chamado rei porque é capaz de reger sua própria pessoa; é livre e independente e não se deixa aprisionar por uma escravidão culposa.
- Além disso, com forças conjugadas, que os leigos sanem as instituições e condições do mundo, caso estas incitem ao pecado. E isto de tal modo que todas essas coisas se conforme com as normas da justiça e, em vez de a elas se opor, antes favoreçam o exercício das virtudes:
  • Agindo dessa forma impregnarão de valor moral a cultura e as obras humanas.
- Os leigos podem também sentir-se chamados ou vir a ser chamados para colaborar com os próprios pastores no serviço da comunidade eclesial, para o crescimento e a vida da mesma, exercendo ministérios bem diversificados, segundo a graça e os carismas que o Senhor quiser depositar neles:
  • Na Igreja, "os fiéis leigos podem cooperar juridicamente no exercício do poder de governo" Isto se diz de sua presença nos concílios particulares, nos sínodos diocesanos nos conselhos pastorais; do exercício do encargo pastoral de uma paróquia; da colaboração nos conselhos de assuntos econômicos; da participação nos tribunais eclesiásticos etc.
- Os fiéis devem distinguir acuradamente entre os direitos e os deveres que lhes incumbem enquanto membros da Igreja e os que lhes competem enquanto membros da sociedade humana:
  • Procurarão conciliar ambos harmonicamente entre si, lembrados de que em qualquer situação temporal devem conduzir-se pela consciência cristã, uma vez que nenhuma atividade humana, nem mesmo nas coisas temporais, pode ser subtraída ao domínio de Deus.
- Assim, todo leigo, em virtude dos dons que lhe foram conferidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da própria missão da Igreja "pela medida do dom de Cristo" (Efésios 4,7).

CIC-Catecismo da Igreja Católica §908-913

sábado, 2 de novembro de 2013

Igreja, Comunhão entre o céu e a terra


A comunhão entre a Igreja do Céu e a terra
Os três estados da Igreja:
- Até que o Senhor venha em Sua majestade e, com ele, todos os anjos e, tendo sido destruída a morte, todas as coisas lhe forem sujeitas,
  1. alguns dentre os seus discípulos peregrinam na terra;
  2. outros, terminada esta vida, são purificados;
  3. enquanto outros são glorificados, vendo claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é.
  • Todos, porém, em grau e modo diverso, participamos da mesma caridade de Deus e do próximo e cantamos o mesmo hino de glória a nosso Deus. Pois todos quantos são de Cristo, tendo o seu Espírito, congregam-se em uma só Igreja e nele estão unidos entre si.
- A união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo de maneira alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé perene da Igreja, vê-se fortalecida pela comunicação dos bens espirituais.
LG-Lumen Gentium §49

A intercessão dos santos:
- Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus.
- Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio:
  • Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida. São Domingos
  • Passarei meu céu fazendo bem na terra. Santa Terezinha Menino Jesus

A comunhão com os santos:
- Veneramos a memória dos habitantes do céu não somente a título de exemplo; fazemo-lo ainda mais para corroborar a união de toda a Igreja no Espírito, pelo exercício da caridade fraterna.
- Pois, assim como a comunhão entre os cristãos da terra nos aproxima de Cristo, da mesma forma o consórcio com os santos nos une a Cristo, do qual como de sua fonte e cabeça, promana toda a graça e a vida do próprio Povo de Deus.
  • Nós adoramos Cristo qual Filho de Deus. Quanto aos mártires, os amamos quais discípulos e imitadores do Senhor e, o que é justo, por causa de sua incomparável devoção por seu Rei e Mestre. Possamos também nós ser companheiros e condiscípulos seus.
São Policarpo

A comunhão com os falecidos:
- Reconhecendo cabalmente esta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os tempos primevos da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos (...) e,
`já que é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados' (II Macabeus 12, 46),
também ofereceu sufrágios em favor deles.
- Nossa oração por eles pode não somente ajudá-los, mas também tornar eficaz sua intercessão por nós.

... na única família de Deus:
- Todos os que somos filhos de Deus e constituímos uma única família em Cristo, enquanto nos comunicamos uns com os outros em mútua caridade e num mesmo louvor à Santíssima Trindade, realizamos a vocação própria da Igreja.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §954-959

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Morte

A liberdade posta a prova
- Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu em sua amizade.
- Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade como livre submissão a Deus. É o que exprime a proibição, feita ao homem, de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, "pois, no dia em que dela comeres, terás de morrer" (Gn 2,17). "A árvore do conhecimento do bem e do mal" evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e respeitar com confiança:
  • O homem depende do Criador, está submetido às leis da criação e às normas morais que regem o uso da liberdade.

O primeiro pecado do homem
- O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem.
  • Todo pecado, daí em diante, será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade.
- O homem preferiu a si mesmo a Deus, e com isso menosprezou a Deus:
  • optou por si mesmo contra Deus, contrariando as exigências de seu estado de criatura e consequentemente de seu próprio bem.
- Constituído em um estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente "divinizado" por Deus na glória.
  • Pela sedução do Diabo, quis "ser como Deus", mas "sem Deus, e antepondo-se a Deus, e não segundo Deus".
- A Escritura mostra as conseqüências dramáticas desta primeira desobediência. Adão e Eva perdem a graça da santidade original.
- A harmonia, estabelecida graças à justiça original, está destruída:
  • o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo é rompido;
  • a união entre o homem e a mulher é submetida a tensões;
  • suas relações serão marcadas pela ambição e pela dominação.
- A harmonia com a criação está rompida:
  • a criação visível tornou-se para o homem estranha e hostil.
- Por causa do homem, a criação está submetida "à servidão da corrupção". - Finalmente, vai realizar-se a conseqüência explicitamente anunciada para o caso de desobediência:
  • o homem "voltará ao pó do qual é formado"
                                          A morte entra na história da humanidade.

O amor vem restaurar o amado
- Desfigurado pelo pecado e pela morte, o homem continua sendo "à imagem de Deus", mas é "privado da Glória de Deus", privado da "semelhança".
- A promessa feita a Abraão inaugura a Economia da salvação, no fim da qual o próprio Filho assumirá "a imagem" e a restaurará na "semelhança" com o Pai, restituindo-lhe a Glória, o Espírito "que dá a vida".

Morrer em Cristo
- Para ressuscitar com Cristo é preciso morrer com Cristo, é preciso "deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor". Nesta "partida" que é a morte, a alma é separada do corpo. Ela será reunida a seu corpo no dia da ressurreição dos mortos
- "É diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto." Em certo sentido, a morte corporal é natural; mas para a fé ela é na realidade "salário do pecado". E, para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de sua Ressurreição.
A morte é o termo da vida terrestre.
- Nossas vidas são medidas pelo tempo, ao longo do qual passamos por mudanças, envelhecemos e, como acontece com todos os seres vivos da terra, a morte aparece como o fim normal da vida. Este aspecto da morte marca nossas vidas com um caráter de urgência:
  • a lembrança de nossa mortalidade serve também para recordar-nos de que temos um tempo limitado para realizar nossa vida:
Lembra-te de teu Criador nos dias de tua mocidade antes que o pó volte à terra donde veio, e o sopro volte a Deus, que o concedeu (Ecl 12,1.7).

A morte é transformada por Cristo.
- Jesus, o Filho de Deus sofreu também Ele a morte, própria da condição humana. Todavia, apesar de seu pavor diante dela, assumiu-a em um ato de submissão total e livre à vontade de seu Pai:
  • A obediência de Jesus transformou a maldição da morte em bênção.
O sentido da morte cristã
- Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. "Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro" (Fl 1,21). "Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos" (2Tm 2,11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, o cristão já está sacramentalmente "morto com Cristo", para Viver de uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma este "morrer com Cristo" e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor:
  • É bom para mim morrer em Cristo Jesus, melhor do que reinar até as extremidades da terra. É a Ele que procuro, Ele que morreu por nós: é Ele que quero, Ele que ressuscitou por nós. Meu nascimento aproxima-se. Deixai-me receber a pura luz; quando tiver chegado lá, serei homem. (Santo Inácio de Antioquia)
- Na morte, Deus chama o homem a si. É por isso que o cristão pode sentir, em relação à morte, um desejo semelhante ao de São Paulo: "O meu desejo é partir e ir estar com Cristo" (Fl 1,23); e pode transformar sua própria morte em um ato de obediência e de amor ao Pai, a exemplo de Cristo:
  • Meu desejo terrestre foi crucificado; há em mim uma água viva que murmura e que diz dentro de mim: "Vem para o Pai".(Santo Inácio...)
  • Quero ver a Deus, e para vê-lo é preciso morrer. (Santa Tereza)
  • Eu não morro, entro na vida. (Santa Terezinha Menino Jesus)
- Está claro aqui que o ‘desejo santo’ de voltar para a casa do Papai é diferente do ‘desejo de morrer’ por causa de nossas frustrações com pessoas, com o mundo ou com os problemas da vida, quem sabe a hora é somente o Papai.
- A visão cristã da morte é expressa de forma privilegiada na liturgia da Igreja:
  • Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível.
- A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado "o único curso de nossa vida terrestre", não voltaremos mais a outras vidas terrestres. "Os homens devem morrer uma só vez" (Hb 9,27):
  • Não existe "reencarnação" depois da morte.
- A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte:
  • Orando: "Livra-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista";
  • A pedir à Mãe de Deus que interceda por nós "na hora de nossa morte";
  • E a entregar-nos a São José, padroeiro da boa morte.
Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesses de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranqüila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte.
Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã?

CIC-Catecismo da Igreja Católica 396-400; 705; 1005-1014

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Santidade Cristã

"E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam:
  • Porque os que de antemão Ele conheceu, esses também predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de ser ele o primogênito entre muitos irmãos. E os que predestinou, também os chamou; e os que chamou, também os justificou; e os que justificou, também os glorificou" (Rm 8,28-30).
- Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.
- Todos são chamados à santidade:
"Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48):
  • Com o fim de conseguir esta perfeição, façam os fiéis uso das forças recebidas, a fim de que, cumprindo em tudo a vontade do Pai, se dediquem inteiramente à glória de Deus e ao serviço do próximo. Assim, a santidade do povo de Deus se expandirá em abundantes frutos, como se demonstra luminosamente na história da Igreja pela vida de tantos santos.
- O progresso espiritual tende à união sempre mais íntima com Cristo. Esta união recebe o nome de "mística", pois ela participa no mistério de Cristo pelos sacramentos -"os santos mistérios"- e, nele, no mistério da Santíssima Trindade, Deus nos chama a todos a esta íntima união com Ele, mesmo que graças especiais ou sinais extraordinários desta vida mística sejam concedidos apenas a alguns, em vista de manifestar o dom gratuito feito a todos.
O caminho da perfeição passa pela cruz.
Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual.
- O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças:
  • Aquele que vai subindo jamais cessa de progredir de começo em começo, por começos que não têm fim. Aquele que sobe jamais cessa de desejar aquilo que já conhece.
- Os filhos da Santa Igreja, nossa Mãe, esperam justamente a graça da perseverança final e a recompensa de Deus, seu Pai, pelas boas obras realizadas com sua graça, em comunhão com Jesus.
- Observando a mesma regra de vida, os fiéis cristãos partilham "a feliz esperança" daqueles que a misericórdia divina reúne na "Cidade santa, uma Jerusalém nova que desce do céu de junto de Deus, preparada como uma esposa" (Ap 21,2).
Um Duro Combate
- A doutrina sobre o pecado original ligada à doutrina da Redenção por meio de Cristo propicia um olhar de discernimento lúcido sobre a situação do homem e de sua ação no mundo. Pelo pecado dos primeiros pais, o Diabo adquiriu certa dominação sobre o homem, embora este último permaneça livre.
- O pecado original acarreta a ''servidão debaixo do poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo". Ignorar que o homem tem uma natureza lesada, inclinada ao mal, dá lugar a graves erros no campo da educação, da política, da ação social e, dos costumes.

- As consequências do pecado original e de todos os pecados pessoais dos homens conferem ao mundo em seu conjunto uma condição pecadora, que pode ser designada com a expressão de São João: "O pecado do mundo" (Jo 1,29). Com esta expressão quer-se exprimir também a influência negativa que exercem sobre as pessoas, as situações comunitárias e as estruturas sociais, que são o fruto dos pecados dos homens.

- Esta situação dramática do mundo, que "inteiro está sob o poder do Maligno" (1Jo 5,19), faz da vida do homem um combate:
  • Uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo vai durar até o último dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem; não consegue alcançar a unidade interior senão com grandes labutas e o auxílio da graça de Deus.

“Não o abandonaste ao poder da morte”
- Depois da queda, o homem não foi abandonado por Deus.
- Ao contrário, Deus o chama e lhe anuncia de modo misterioso a vitória sobre o mal e o soerguimento da queda. Esta passagem do Gênesis foi chamada de "proto-evangelho", por ser o primeiro anúncio do Messias redentor, a do combate entre a serpente e a Mulher e a vitória final de um descendente desta última.
- A tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do "novo Adão", que, por sua "obediência até a morte de Cruz" (Fl 2,8), repara com superabundância a desobediência de Adão.
- De resto, numerosos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher anunciada no "proto-evangelho" a mãe de Cristo, Maria, como "nova Eva". - Foi ela que, primeiro e de uma forma única, se beneficiou da vitória sobre o pecado conquistada por Cristo: ela foi preservada de toda mancha do pecado original e durante toda a vida terrestre, por uma graça especial de Deus, não cometeu nenhuma espécie de pecado.

- Mas por que Deus não impediu o primeiro homem de pecar?
* São Leão Magno responde: "A graça inefável de Cristo deu-nos bens melhores do que aqueles que a inveja do Demônio nos havia subtraído".
* E Santo Tomás de Aquino: "Nada obsta' a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais elevado após o pecado. Com efeito, Deus permite que os males aconteçam para tirar deles um bem maior.
* Donde a palavra de São Paulo: 'Onde abundou o pecado superabundou a graça" (Rm 5,20).
* E o canto do Exultet: "Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor".

O combate da oração
- A oração é um dom da graça e uma resposta decidida de nossa parte: Supõe sempre um esforço.
- Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, como também a Mãe de Deus e os santos com Ele, nos ensinam:
A oração é um combate. Contra quem?
Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador, que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com seu Deus.
  • Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não quisermos habitualmente agir segundo o Espírito de Cristo, também não poderemos habitualmente rezar em seu Nome. O "combate espiritual" da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração.
- A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração. Fundada sobre o Sacramento do Matrimônio, ela é a "Igreja doméstica", onde os filhos de Deus aprendem a orar "como Igreja" e a perseverar na oração.
- Para as crianças, particularmente, a oração familiar cotidiana é o primeiro testemunho da memória viva da Igreja reavivada pacientemente pelo Espírito Santo.

CIC-Catecismo da Igreja Católica 2012-2016; 2685; 2725; 407-409

sábado, 19 de outubro de 2013

Anticristo

- Existem pessoas que gostam de falar do Anticristo. Existem filmes que tratam deste assunto. Existem seitas religiosas que anunciaram o nascimento desse personagem, que ainda está escondido e logo aparecerá, muitas destas seitas ainda dizem que o Anticristo é o Papa.
- Irmãos católicos, não se deixem guiar por fantasias e lendas. Sempre houve e sempre haverá gente insensata que semeia dúvidas e mentiras; eles são filhos da ‘mentira’.
A expressões que podemos traduzir para a palavra Anticristo é:
o que está contra Cristo, malvado, homem do pecado, rebelde e sem lei.
- Não devemos tomar ao pé da letra os textos, visões e imagens que são consideradas em alguns textos; não é esta a intenção dos autores sagrados. A grande mensagem de fundo de todos estes textos é a seguinte:
Cristo é o centro de toda a história; O mundo é o cenário da luta entre:
 os eleitos de Cristo (sua Igreja) e as forças do demônio (pai da mentira);
Mas Cristo já venceu o mal, e os cristãos são chamados a dar corajosamente seu testemunho.

Textos Bíblicos
“Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos. Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho. Muitos sedutores têm saído pelo mundo afora, os quais não proclamam Jesus Cristo que se encarnou. Quem assim proclama é o sedutor e o Anticristo.” (1ªJoão 2,18-22; 2ªJoão 7)

 “Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus. Porque o mistério da iniqüidade já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. (2ª Tessalonicenses 2,3-12) + (Apocalipse 12; 13 e 17)
Cristo já Reina pela Igreja a espera que tudo lhe seja submetido.
Tempo da Misericórdia (Jesus Caminho)
- Já presente em sua Igreja, o Reino de Cristo ainda não está consumado "com poder e grande glória" (Lc 21, 17) pelo advento do Rei na terra. Esse Reino é ainda atacado pelos poderes maus, embora estes já tenham sido vencidos em suas bases pela Páscoa de Cristo.

- Enquanto tudo não for submetido a ele, "enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, a Igreja peregrina leva consigo em seus sacramentos e em suas instituições, que pertencem à idade presente, a figura deste mundo que passa, e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como que dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus" Por este motivo os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para apressar a volta de Cristo, dizendo-lhe: "Vem, Senhor" (Ap 22,20).

- Cristo afirmou antes de sua Ascensão que ainda não chegara a hora do estabelecimento glorioso do Reino messiânico esperado por Israel, que deveria trazer a todos os homens, segundo os profetas a ordem definitiva da justiça, do amor e da paz.
- O tempo presente é, segundo o Senhor, o tempo do Espírito e do testemunho mas é também um tempo ainda marcado pela "tristeza" e pela provação do mal, que não poupa a Igreja e inaugura os combates dos últimos dias. É um tempo de expectativa e de vigília. CIC 671-672

Viver na Verdade (Jesus Verdade)
- O Antigo Testamento atesta: Deus é fonte de toda verdade. Sua Palavra é verdade. Sua lei é verdade. "Sua fidelidade continua de geração em geração" (Sl 119,90). Uma vez que Deus é "veraz" (Rm 3,4), os membros de seu Povo são chamados a viver na verdade.
- Em Jesus Cristo, a verdade de Deus se manifestou plenamente. "Cheio de graça e verdade, Ele é a "luz do mundo" (Jo 8,12), é a Verdade.".. para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas." O discípulo de Jesus "permanece em sua palavra" para conhecer "a verdade que liberta" (Jo 8,32) e santifica. Seguir a Jesus é viver do "Espírito da verdade" que o Pai envia em seu nome e conduz "à verdade plena" (Jo 16,13). Jesus ensina a seus discípulos o amor incondicional da verdade: "Seja o vosso 'sim', sim, e o vosso 'não', não" (Mt 5,37).
- O homem tende naturalmente para a verdade. É obrigado a honrá-la e testemunhá-la: "É postulado da própria dignidade que os homens todos, por serem pessoas... se sintam por natureza impelidos e moralmente obrigados a procurar a verdade, sobretudo a que concerne à religião. São obrigados também a aderir à verdade conhecida e a ordenar toda a vida segundo as exigências da verdade"
- "Os homens não poderiam viver juntos se não tivessem confiança recíproca, quer dizer, se não manifestassem a verdade uns aos outros." A virtude da verdade devolve ao outro o que lhe é devido. Por justiça, "um homem deve honestamente a outro a manifestação da verdade".
- O discípulo de Cristo aceita "viver na verdade", isto é, na simplicidade de uma vida conforme o exemplo do Senhor, permanecendo em sua verdade. "Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade" (1 Jo 1,6). CIC 2464-2470

A esperança dos céus novos e terra nova / Tempo da Justiça (Jesus Vida)
- No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude. Depois do Juízo Universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado:
Então a Igreja será "consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas, e com o gênero humano também o mundo todo, que está intimamente ligado ao homem e por meio dele atinge sua finalidade, encontrará sua restauração definitiva em Cristo"
- Esta renovação misteriosa, que há de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura a chama de "céus novos e terra nova" (2Pd 3,13). Ser a realização definitiva do projeto de Deus de "reunir, sob um só chefe, Cristo, todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra" (Ef 1,10).

- Neste "universo novo", a Jerusalém celeste, Deus terá sua morada entre os homens. "Enxugará toda lágrima de seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim! As coisas antigas se foram!" (Ap 21,4).
- Para o homem, esta consumação será a realização última da unidade do gênero humano, querida por Deus desde a criação...
- Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos remidos, a Cidade Santa de Deus (Ap 21,2), "a Esposa do Cordeiro" (Ap 21,9).
- Esta não será mais ferida pelo pecado, pelas impurezas, pelo amor-próprio, que destroem ou ferem a comunidade terrestre dos homens.

 (CIC-Catecismo da Igreja Católica 1042-1045)

sábado, 5 de outubro de 2013

Providência Divina

Divina Providência
- A criação tem sua bondade e sua perfeição próprias, mas não saiu completamente acabada das mãos do Criador. Ela é criada "em estado de caminhada" para uma perfeição última a ser ainda atingida, para a qual Deus a destinou. Chamamos de Divina Providência as disposições pelas quais Deus conduz sua criação para esta perfeição:
  • Deus conserva e governa com sua providência tudo o que criou; ela se estende "com vigor de um extremo ao outro e governa o universo com suavidade" (Sb 8,1). Pois "tudo está nu e descoberto aos seus olhos" (Hb 4,13), mesmo os atos dependentes da ação livre das criaturas.

O homem e a Providência
- Deus é o Senhor soberano de seus desígnios. Mas, para a realização dos mesmos, serve-se também do concurso das criaturas. Isso não é um sinal de fraqueza, mas da grandeza e da bondade do Deus Todo-Poderoso. Pois Deus não somente dá às suas criaturas o existir, mas também a dignidade de agirem elas mesmas, de serem causas e princípios umas das outras e de assim cooperarem no cumprimento de seu desígnio.

- Aos homens, Deus concede até de poderem participar livremente de sua providência, confiando-lhes a responsabilidade de "submeter" a terra e de dominá-la. Deus concede assim aos homens serem causas inteligentes e livres para completar a obra da Criação, aperfeiçoar sua harmonia para o bem deles e de seus próximos.
- Cooperadores muitas vezes inconscientes da vontade divina, os homens podem entrar deliberadamente no plano divino, por suas ações, por suas orações, mas também por seus sofrimentos. Tornam-se então plenamente "cooperadores de Deus" (1Cor 3,9) e do seu Reino.

A Providência e o escândalo do mal
- Se Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do mundo ordenado e bom, cuida de todas as suas criaturas, por que então o mal existe?
O conjunto da fé cristã constitui a resposta a esta pergunta:
  • a bondade da criação,
  • o drama do pecado,
  • o amor paciente de Deus que se antecipa ao homem por suas Alianças,
  • pela Encarnação redentora de seu Filho,
  • pelo dom do Espírito,
  • pela Igreja,
  • pela força dos sacramentos,
  • pelo chamado a uma vida bem-aventurada à qual as criaturas livres são convidadas antecipadamente a assentir, mas da qual podem, por um terrível mistério, abrir mão também antecipadamente.
Não há nenhum elemento da mensagem cristã que não seja, por uma parte, uma resposta da providência à questão do mal.

- Mas por que Deus não criou um mundo tão perfeito que nele não possa existir mal algum?
- Segundo seu poder infinito, Deus sempre poderia criar algo melhor:
  • Todavia, em sua sabedoria e bondade infinitas, Deus quis livremente criar um mundo "em estado de caminhada" para sua perfeição última. Este devir permite, no desígnio de Deus, juntamente com o aparecimento de determinados seres, também o desaparecimento de outros, juntamente com o mais perfeito, também o menos imperfeito, juntamente com as construções da natureza, também as destruições. Juntamente com o bem físico existe, portanto, o mal físico, enquanto a criação não houver atingido sua perfeição.

- Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para seu destino último por opção livre e amor preferencial. Podem, no entanto, desviar-se. E, de fato, pecaram:
  • Foi assim que o mal moral entrou no mundo, incomensuravelmente mais grave do que o mal físico. Deus não é de modo algum, nem direta nem indiretamente, a causa do mal moral. Todavia, permite-o, respeitando a liberdade de sua criatura e, misteriosamente, sabe auferir dele o bem:
- Pois o Deus Todo-Poderoso..., por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio ma1.
- Cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Mas os caminhos de sua providência muitas vezes nos são desconhecidos.
- Só no final, quando acabar o nosso conhecimento parcial, quando virmos Deus "face a face", teremos pleno conhecimento dos caminhos pelos quais, mesmo por meio dos dramas do mal e do pecado, Deus terá conduzido sua criação até o descanso, em vista do qual criou o céu e a terra.
CIC-Catecismo da Igreja Católica § 302-314
A Providência e a reconstrução do homem
- A humanidade não foi leal e fiel para comigo:
  • desobedeceu minha ordem (Gn 2,17) e achou a morte.
- De minha parte mantive a fidelidade, conservei a finalidade para a qual a criara, com a intenção de dar ao homem a felicidade.
- Uni a natureza divina, tão perfeita, à misera natureza humana, resgatei a humanidade, restitui-lhe a graça pela morte de meu Filho.
- Os homens sabem de tudo isso mas não acreditam que sou:
  • poderoso para socorrê-los,
  • forte para auxilia-los e defende-los dos inimigos,
  • sábio para iluminar suas inteligências,
  • clemente para fornecer-lhes o necessário à salvação,
  • rico para sacia-los,
  • belo para aprimora-los,
  • possuidor de bens para nutri-los e de roupas para vesti-los.
- Seu modo de viver diz que não confiam em mim; caso contrário, suas ações seriam santas e honestas.

- Enviei ao mundo o Verbo encarnado que destruiu a maldade do mundo, arrancou os espinheiros do pecado original e construiu um novo jardim.
- A natureza divina uniu-se ao homem ‘com todos os seus membros’, ou seja, com o poder do Pai, com a sabedoria do Filho e com a clemência do Espírito Santo. Todo o abismo da Trindade conformou-se, uniu-se à vossa humanidade.
- Depois dessa união, o amoroso Verbo pôs em prática uma outra quando, apaixonadamente, procurou a morte da cruz: estendeu-se sobre o madeiro.
- Depois, pelo Batismo, soprou sobre o homem morto, deu-lhe os sete dons do Espírito Santo e destruiu o pecado. Cristo “sopra” a fim de indicar que possui a vida e que expulsa para longe os sete vícios capitais.

- Concedo favores aos homens, porque sou rico, e posso dar ainda mais.
- Minha riqueza é infinita. Tudo quanto existe foi feito por mim, sem minha intervenção nada subsiste:
  • Se queres beleza, eu sou a beleza; se queres bondade, eu sou a bondade. Sou a sabedoria, o Deus benigno, piedoso, justo, misericordioso.          Sou liberal sem avareza e recompenso quem trabalha por minha glória. Sou feliz e faço feliz quem cumpre minha vontade.                                Sou providência que jamais falha ao cuidar dos servidores que em mim confiam, seja no que se refere à alma como ao corpo.  O Diálogo-Santa Catarina de Sena- página 312-316