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domingo, 5 de janeiro de 2014

Deus Pai

"Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"
- Os cristãos são batizados "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". - Antes disso, eles respondem "Creio" a tríplice pergunta que os manda confessar sua fé no Pai, no Filho e no Espírito:
A fé de todos os cristãos consiste na Trindade"
- Os cristãos são batizados "em nome" do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e não "nos nomes" destes três, pois só existe um Deus, o Pai Todo-Poderoso, seu Filho Único e o Espírito Santo: a Santíssima Trindade.
- O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na "hierarquia das verdades de fé".
"Toda a história da salvação não é senão a história da via e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e Único, Pai, Filho e Espírito Santo, se revela, reconcilia consigo e une a si os homens que se afastam do pecado"
- As obras de Deus revelam quem Ele é em si mesmo e, inversamente, o mistério de seu Ser íntimo ilumina a compreensão de todas as suas obras.
- Acontece o mesmo, analogicamente, entre as pessoas humanas. A pessoa mostra-se em seu agir e, quanto melhor conhecermos uma pessoa, tanto melhor compreenderemos seu agir.

A revelação de Deus como Trindade
O Pai revelado pelo Filho
- A invocação de Deus como "Pai" é conhecida em muitas religiões.
- Ao designar a Deus com o nome de "Pai", a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é origem primeira de tudo autoridade transcendente, e que ao mesmo tempo é bondade e solicitude de amor para todos os seus filhos.
- Esta ternura paterna de Deus pode também ser expressa pela imagem da maternidade, que indica a intimidade entre Deus e sua criatura.
- A linguagem da fé inspira-se, assim, na experiência humana dos pais (genitores), que são de certo modo os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência humana ensina também que os pais humanos são falíveis e que podem desfigurar o rosto da paternidade e da maternidade. Convém então lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Ele não é nem homem nem mulher, é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas embora seja a sua origem e a medida: ninguém é pai como Deus o é.

O Pai e o Filho revelados pelo Espírito
- Antes de sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de "outro Paráclito" (Defensor), o Espírito Santo. Em ação desde a criação, depois de ter outrora "falado pelos profetas”, ele estará agora junto dos discípulos e neles, a fim de ensiná-1os e conduzi-los "a verdade inteira". O Espírito Santo é assim revelado como outra pessoa divina em relação a Jesus e ao Pai.
- A origem eterna do Espírito revela-se em sua missão temporal.
- O Espírito Santo é enviado aos apóstolos e a Igreja tanto pelo Pai, em nome do Filho, como pelo Filho em pessoa, depois que este tiver voltado para junto do Pai. O envio da pessoa do Espírito após a glorificação de Jesus revela em plenitude o mistério da Santíssima Trindade.

A Santíssima Trindade na doutrina da fé
Dogma da Santíssima Trindade
* A Trindade é Una. Não professamos três deuses, mas só Deus em três pessoas: "a Trindade consubstancial". As pessoas divinas não dividem entre si a única divindade, mas cada uma delas é Deus por inteiro:
  • o Pai é aquilo que é o Filho,
  • o Filho é aquilo que é o Pai,
  • o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus por natureza.
* As pessoas divinas são realmente distintas entre si.
"Deus é único, mas não solitário". A Unidade divina é Trina:
  • aquele que é o Pai não é o Filho, e
  • aquele que é o Filho não é o Pai,
  • nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai ou o Filho.
* As pessoas divinas são relativas umas às outras.
- Por não dividir a unidade divina, a distinção real das pessoas entre si reside unicamente nas relações que as referem umas às outras:
  • o Pai é referido ao Filho,
  • o filho ao Pai,
  • o Espírito Santo aos dois;
quando se fala destas três pessoas considerando as relações, crê-se todavia em uma só natureza ou substância.
  
As obras divinas e as missões trinitárias
- Ó luz, Trindade bendita. Ó primordial Unidade"! Deus é beatitude eterna, vida imortal, luz sem ocaso. Deus é amor: Pai, Filho e Espírito Santo.
- Livremente, Deus quer comunicar a glória de sua vida bem-aventurada. Este é o "desígnio" de benevolência que ele concebeu desde antes da criação do mundo no seu Filho bem-amado predestinando-nos à adoção filial neste", isto é, "a reproduzir a imagem do seu Filho" graças ao "Espírito de adoção filial".
- Esta decisão prévia é uma "graça concedida antes de todos os séculos", proveniente diretamente do amor trinitário. Ele se desdobra na obra da criação, em toda história da salvação após a queda, nas missões do Filho e do Espírito, prolongadas pela missão da Igreja.
- Toda a economia divina é obra comum das três pessoas divinas. Pois da mesma forma que a Trindade não tem senão uma única e mesma natureza, assim também não tem senão uma única e mesma operação.
- "O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três princípios das criaturas, mas um só princípio". Contudo cada pessoa divina cumpre a obra comum segundo sua propriedade pessoal.
- Assim a Igreja confessa, na linha do Novo Testamento:
  • um Deus e Pai do qual são todas as coisas,
  • um Senhor Jesus Cristo mediante o qual são todas as coisas,
  • um Espírito Santo em quem são todas as coisas.
- São sobretudo as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo que manifestam as propriedades das pessoas divinas.

- Obra ao mesmo tempo comum e pessoal, toda a Economia divina dá a conhecer tanto a propriedade das pessoas divinas como sua única natureza. - Toda a vida cristã é comunhão com cada uma das pessoas divinas, sem de modo algum separá-las.
  • quem rende glória ao Pai o faz pelo Filho no Espírito Santo;
  • quem segue a Cristo, o faz porque o Pai atrai e o Espírito o impulsiona.
- O fim último de toda a Economia divina é a entrada das criaturas na unidade perfeita da Santíssima Trindade. Mas desde já somos chamados a ser habitados pela Santíssima Trindade:
"Se alguém me ama - diz o Senhor-, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos a ele, e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23).

CIC-Catecismo da Igreja Católica §232-260

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Profissão de Fé


A Profissão de Fé Cristã
- Quem diz “creio” diz "dou minha adesão àquilo que não cremos".
- A comunhão na fé precisa de uma linguagem comum da fé, normativa para todos e que una na mesma confissão de fé.
- Desde a origem, a Igreja apostólica exprimiu e transmitiu sua própria fé em fórmulas breves e normativas para todos.
- Mas já muito cedo a Igreja quis também recolher o essencial de sua fé em resumos orgânicos e articulados, destinados sobretudo aos candidatos ao Batismo:
  • Esta síntese da fé não foi elaborada segundo as opiniões humanas mas da Escritura inteira recolheu-se o que existe de mais importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé.
- E assim com a semente de mostarda contém em um pequeníssimo grão um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento.
- Estas sínteses da fé podem ser chamadas de:
  •  "Profissões de Fé", pois resumem a fé que os cristãos professam.
  •  "Credo" em razão da primeira palavra com que normalmente começam: "Creio".
  •  "Símbolos da fé":
A palavra grega "symbolon" significava a metade de um objeto quebrado (por exemplo, um sinete) que era apresentada como sinal de reconhecimento. As partes quebradas eram juntadas para se verificar a identidade do portador.
O "símbolo da fé" é, pois, um sinal de reconhecimento e de comunhão entre os crentes.
"Symbolon" passa em seguida a significar coletânea, coleção ou sumário.
O "símbolo da fé" é a coletânea das principais verdades da fé.
Daí o fato de ele servir como ponto de referência primeiro e fundamental da catequese.


- A primeira "profissão de fé" é feita por ocasião do Batismo.
- O "símbolo da fé" é inicialmente o símbolo batismal.
- Uma vez que o Batismo é dado "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19), as verdades de fé professadas por ocasião do Batismo estão articuladas segundo sua referência as três pessoas da Santíssima Trindade.
- O símbolo está, pois, dividido em três partes:
1º.    fala da primeira Pessoa divina e da obra admirável da criação;
2º.     fala da segunda Pessoa divina e do Mistério da Redenção dos homens;
3º.     fala da terceira Pessoa divina, fonte e princípio de nossa santificação.
Esses são "os três capítulos de nosso selo (batismal)".

- Estas três partes são distintas, embora interligadas. Segundo uma comparação usada com frequência pelos Padres, chamamo-las de artigos.
-Pois da mesma forma que em nossos membros existem certas articulações que os distinguem e os separam, assim também nesta profissão de fé, com acerto e razão, se deu o nome de artigos as verdades em que devemos crer especificamente e de forma distinta.
- Segundo uma antiga tradição, já atestada por Santo Ambrósio, também se costuma contar doze artigos do Credo, simbolizando com o número dos apóstolos o conjunto da fé apostólica.
- As profissões ou símbolos da fé têm sido numerosos ao longo dos séculos e em resposta as necessidades das diversas épocas:
  • os símbolos das diferentes Igrejas apostólicas e antigas, o Símbolo "Quicumque", dito de Santo Atanásio, as profissões de fé de certos Concílios (Toledo; Latrão; Lião; Trento) ou de certos papas, como a "Fides Damasi" (Profissão de Fé de São Dâmaso) ou o "Credo do Povo de Deus" [SPF], de Paulo VI (1968).
- Nenhum dos símbolos das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado ultrapassado e inútil. Eles nos ajudam a viver e a aprofundar hoje a fé de sempre por meio dos diversos resumos que dela têm sido feitos.
- Entre todos os símbolos da fé, dois ocupam um lugar particularíssimo na vida da Igreja:
- O Símbolo dos Apóstolos, assim chamado por ser, com razão considerado o resumo fiel da fé dos apóstolos. É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma. Sua grande autoridade vem do seguinte ato:
  • "Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro apóstolo, teve sua Sé e para onde ele trouxe comum expressão de fé (sententia communis = opinião comum)".
- O Símbolo denominado niceno-constantinopolitano tem sua grande autoridade no fato de ter resultado dos dois primeiros Concílios ecumênicos (325 e 381). Ainda hoje ele é comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente."

- Como no dia de nosso batismo, quando toda a nossa vida foi confiada "a regra de doutrina" (Rm 6,17), acolhamos Símbolo de nossa fé que dá a vida.
- Recitar com fé o Credo:
  • é entrar em comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo
  • é também entrar em comunhão com a Igreja inteira, que nos transmite a fé e no seio da qual cremos:
- Este Símbolo é:
·         o selo espiritual,
·         a meditação do nosso coração e
·         o guardião sempre presente; ele é, seguramente,
·         o tesouro da nossa alma.

Rezemos:
  1. Creio em Deus Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra...
  2. e em Jesus Cristo, seu Único Filho, Nosso Senhor.
  3. Foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria...
  4. padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado...
  5. desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia...
  6. subiu aos céus, está sentado a direita de Deus Pai Todo-Poderoso...
  7. de onde virá julgar os vivos e os mortos...
  8. Creio no Espírito Santo...
  9. na Santa Igreja Católica...
  10. na remissão dos pecados...
  11. na Ressurreição da carne...
  12. na Vida eterna,
amém.

CIC-Catecismo da Igreja Católica 185-197

sábado, 23 de novembro de 2013

Sístole / Diástole

Recomeçar de Cristo
- A catequese constitui uma coluna para a educação da fé, e são precisos bons catequistas! Obrigado por este serviço à Igreja e na Igreja.
- Embora possa às vezes ser difícil – trabalha-se tanto, empenha-se e não se vêem os resultados desejados –, mas educar na fé é maravilhoso!
·         É talvez a melhor herança que possamos dar a alguém: a fé!
- Educar na fé, para que essa pessoa cresça. Ajudar as crianças, os adolescentes, os jovens, os adultos a conhecerem e amarem cada vez mais o Senhor é uma das mais belas aventuras educativas.
·         «Ser» catequista! Não trabalhar como catequista: isso não adianta!
-  Trabalho como catequista, porque gosto de ensinar… Se porém tu não és catequista, não adianta! Não serás fecundo, não serás fecunda!
- Catequista é uma vocação:
Ser catequista: esta é a vocação; não trabalhar como catequista.
- Lembrai-vos daquilo que nos disse Bento XVI:
“A Igreja não cresce por proselitismo. Cresce por atração”.
- As palavras têm o seu lugar… mas primeiro o testemunho: que as pessoas vejam na nossa vida o Evangelho, possam ler o Evangelho.
- E «ser» catequista requer amor: amor cada vez mais forte a Cristo, amor ao seu povo santo. Este amor vem de Cristo! É um presente de Cristo! E se vem de Cristo, parte de Cristo; e nós devemos Recomeçar de Cristo, deste amor que Ele nos dá. Que significa este Recomeçar de Cristo?

1-União com Jesus
- Recomeçar de Cristo significa cultivar a familiaridade com Ele: Jesus recomenda-o, com insistência, aos discípulos na Última Ceia, quando Se prepara para viver o dom mais sublime de amor, o sacrifício da Cruz.
- Jesus diz: Permanecei no meu amor, permanecei ligados a mim, como o ramo está ligado à videira. Se estivermos unidos a Ele, podemos dar fruto, e esta é a familiaridade com Cristo. É permanecer em Jesus! Permanecer ligados a Ele, dentro d’Ele, com Ele, falando com Ele: permanecer em Jesus. Necessário para um discípulo é estar com o Mestre, ouvi-Lo, aprender d’Ele.
- Tenho o título de catequista!. Isso não adianta, não tens nada, fizeste apenas um bocado de estrada! Quem te ajudará? Isto sim, que vale sempre!
- Não um título, mas um procedimento: estar com Ele; e dura toda a vida!
- É estar na presença do Senhor, deixar-se olhar por Ele. Pergunto-vos:
- Como estais na presença do Senhor?
-Quando ides ter com o Senhor, enquanto olhais o Sacrário, que fazeis?
- Sem palavras… Mas eu falo, falo, penso, medito, ouço… Muito bem!
- Mas tu… deixas-te olhar pelo Senhor? Sim, deixar-se olhar pelo Senhor. Ele olha-nos, e esta é uma maneira de rezar. Mas, como se faz? Olhas para o Sacrário e deixas-te olhar… é simples! É um pouco maçador, adormeço… Se adormeceres, adormeces! Ele olhar-te-á igualmente.

2-Imitar Jesus
- Recomeçar de Cristo significa imitá-Lo na saída de Si mesmo para ir ao encontro do outro. Trata-se de uma experiência maravilhosa, embora um pouco paradoxal. Porquê? Porque, quem coloca Cristo no centro da sua vida, descentraliza-se! Quanto mais te unes a Jesus e Ele Se torna o centro da tua vida, tanto mais Ele te faz sair de ti mesmo, te descentraliza e abre aos outros. Este é o verdadeiro dinamismo do amor, este é o movimento do próprio Deus! Sem deixar de ser o centro, Deus é sempre dom de Si, relação, vida que se comunica... E assim nos tornamos também nós, se permanecermos unidos a Cristo, porque Ele faz-nos entrar neste dinamismo do amor. Onde há verdadeira vida em Cristo, há abertura ao outro, há saída de si mesmo para ir ao encontro do outro no nome de Cristo. E o trabalho do catequista é este: por amor, sair continuamente de si mesmo para testemunhar Jesus e falar de Jesus, anunciar Jesus. Isto é importante, porque é obra do Senhor: é precisamente o Senhor que nos impele a sair.
- O coração do catequista vive sempre este movimento:
·         Sístole: União com Jesus / Diástole: Encontro com o outro.
·          Uno-me a Jesus e saio ao encontro dos outros.
- Se falta um destes dois movimentos, o coração deixa de bater, não pode viver. Recebe em dom o querigma e, por sua vez, oferece-o em dom. O catequista está consciente de que recebeu um dom: o dom da fé; e dela faz dom aos outros. Isto é maravilhoso! E não reserva uma percentagem para si! Tudo aquilo que recebe, dá-o. Aqui não se trata de um negócio! Não é um negócio! É puro dom: dom recebido e dom transmitido.
3-Não ter medo
- Recomeçar de Cristo significa não ter medo de ir com Ele para as periferias. Não tenha medo de sair dos esquemas para seguir a Deus, porque Deus vai sempre mais além. Sabeis uma coisa? Deus não tem medo! Sabíeis isto?! Não tem medo! Ultrapassa sempre os nossos esquemas! Deus não tem medo das periferias. Se fordes às periferias, encontrá-Lo-eis lá. Deus é sempre fiel, é criativo. Mas, por favor, não se compreende um catequista que não seja criativo. A criatividade é como que a coluna do ser catequista. Deus é criativo, não se fecha, e por isso nunca é rígido. Deus não é rígido! Acolhe-nos, vem ao nosso encontro, compreende-nos. Para sermos fiéis, para sermos criativos, é preciso saber mudar. E porque devo mudar? É para me adequar às circunstâncias em que devo anunciar o Evangelho. Para permanecermos com Deus, é preciso saber sair, não ter medo de sair. Se um catequista se deixa tomar pelo medo, é um covarde; se um catequista se fecha tranquilo, acaba por ser uma estátua de museu: e temos muitos! Se um catequista é rígido, torna-se encarquilhado e estéril. Pergunto-vos: Alguém de vós quer ser covarde, estátua de museu ou estéril? Quando nós, cristãos, estamos fechados no nosso grupo, no nosso movimento, na nossa paróquia, no nosso ambiente, permanecemos fechados; e acontece-nos o que sucede a tudo aquilo que está fechado: quando um quarto está fechado, começa a cheirar a mofo. E se uma pessoa está fechada naquele quarto, adoece!

Atenção, porém! Jesus não diz: Ide, arranjai-vos. Jesus diz: Ide, Eu estou convosco! Nisto está o nosso encanto e a nossa força: se formos, se sairmos para levar o seu Evangelho com amor, com verdadeiro espírito apostólico, com franqueza, Ele caminha conosco, precede-nos. Ele é o primeiro! Para nós, isto é fundamental: Deus sempre nos precede! Quando pensamos que temos de ir para longe, para uma periferia extrema, talvez nos assalte um pouco de medo; mas, na realidade, Ele já está lá: Jesus espera-nos no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sem fé.
Que o Senhor vos abençoe. Maria é nossa Mãe; Maria, nos leva a Jesus!
Papa Francisco 27.09.2013 / Congrego Internacional de Catequese
A integra do Discurso se encontra em www.vatican.van

Sístole - Diástole
- As batidas do coração são os movimentos sincronizados de contração e dilatação:
·         A contração é chamada sístole (União com Deus).
·         A dilatação é chamada diástole (Encontro com o outro).

- Jesus ao nos ensinar a oração do Pai Nosso Ele nos direciona a vivermos estas duas dimensões, que Ele mesmo viveu: “Fiel e Misericordioso” e “Solidário com os homens” Hebreus 2, 17.

domingo, 13 de outubro de 2013

Pai Nosso explicado

Pai Nosso
- Um dia, em certo lugar, Jesus rezava. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a orar como João ensinou a seus discípulos”. È em resposta a este pedido que o Senhor confia a seus discípulos e à sua Igreja a oração cristã fundamental, o Pai-Nosso.

Pai Nosso que estais no céu...
- Se rezamos verdadeiramente ao "Nosso Pai", saímos do individualismo, pois o Amor que acolhemos nos liberta (do individualismo). O "nosso" do início da Oração do Senhor, como o "nós" dos quatro últimos pedidos, não exclui ninguém. Para que seja dito em verdade, nossas divisões e oposições devem ser superadas.
  • É com razão que estas palavras "Pai Nosso que estais no céu" provêm do coração dos justos, onde Deus habita como que em seu templo. Por elas também o que reza desejará ver morar em si aquele que ele invoca.

Os sete pedidos
- Depois de nos ter posto na presença de Deus, nosso Pai, para adorá-lo, amá-lo e bendizê-lo, o Espírito filial faz subir de nossos corações sete pedidos, sete bênçãos:
- Os três primeiros pedidos nos leva em direção a Ele, para Ele:
vosso Nome, vosso Reino, vossa Vontade!
É próprio do amor pensar primeiro naquele que amamos.
- Em cada um destes três pedidos não nos mencionamos, mas o que se apodera de nós é "o desejo ardente", "a angústia", do Filho bem-amado para a Glória de seu Pai: "Seja santificado... Venha... Seja feita...":
essas três súplicas já foram atendidas pelo Sacrifício do Cristo Salvador, mas se elevam doravante, na esperança, para seu cumprimento final, enquanto Deus ainda não é tudo em todos.

- Os quatro últimos pedidos desenrola-se no ritmo de certas invocações eucarísticas: é apresentação de nossas expectativas e atrai o olhar do Pai das misericórdias. Sobe de nós e nos diz respeito desde agora, neste mundo:
  • dai-nos... perdoai-nos... referem-se à nossa vida, como tal, seja para alimentá-la, seja para curá-la do pecado.
  • não nos deixeis... livrai-nos... referem-se ao nosso combate pela vitória da Vida, o combate da própria oração.
Santificado seja o Vosso Nome...
- Na água do Batismo fomos "lavados, santificados, justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus". Durante toda nossa vida, nosso Pai “nos chama à santidade. E, já que é "por ele que vós sois em Cristo Jesus, que se tornou para nós santificação", contribui para sua Glória e para nossa vida o fato de seu nome ser santificado em nós e por nós. Essa é a urgência de nosso primeiro pedido.
  • Quem poderia santificar a Deus, já que é Ele mesmo quem santifica? Mas, inspirando-nos nesta palavra: "Sede santos porque eu sou Santo", nós pedimos que, santificado pelo Batismo, perseveremos naquilo que começamos a ser. Pedimos todos os dias, porque cometemos faltas todos os dias e devemos purificar-nos de nossos pecados por uma santificação retomada sem cessar... Recorremos, portanto, à oração para que esta santidade permaneça em nós.

Venha a nós o Vosso Reino...
- O Reino de Deus existe antes de nós. Aproximou-se no Verbo encarnado, é anunciado ao longo de todo o Evangelho, veio na morte e na Ressurreição de Cristo. O Reino de Deus vem desde a santa Ceia e na Eucaristia: ele está no meio de nós. O Reino virá na glória quando Cristo o restituir a seu Pai:
  • O Reino de Deus pode até significar o Cristo em pessoa, a quem invocamos com nossas súplicas todos os dias e cuja vinda queremos apressar por nossa espera. Assim como Ele é nossa Ressurreição, pois nele nós ressuscitamos, assim também pode ser o Reino de Deus, pois nele nós reinaremos.

Seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu...
- Pela oração é que podemos "discernir qual é a vontade de Deus" e obter "a perseverança para cumpri-la".
Jesus nos ensina que entramos no Reino dos céus não por palavras, mas “praticando a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).

"Se alguém faz a vontade de Deus, a este Deus escuta" (Jo 9,31).
Tal é a força da oração da Igreja em Nome de seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; é comunhão de intercessão com a Santíssima Mãe de Deus e com todos os santos que foram "agradáveis" ao Senhor por não terem querido fazer senão a Sua Vontade.
O pão nosso de cada dia nos daí hoje...
"Reza e trabalha." "Rezai como se tudo dependesse de Deus e trabalhai como se tudo dependesse de vós." Tendo realizado nosso trabalho, o alimento fica sendo um dom de nosso Pai; convém pedi-lo e disso render-lhe graças. É esse o sentido da bênção da mesa numa família cristã.
- Este pedido e a responsabilidade que ele implica valem também para outra fome da qual os homens padecem: "O homem não vive apenas de pão, mas de tudo aquilo que procede da boca de Deus", isto é, Sua Palavra e seu Sopro.
­ Os cristãos devem envidar todos os seus esforços para "anunciar o Evangelho aos pobres". Há uma fome na terra, "não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a Palavra de Deus" (Amós 8,11). Por isso, o sentido especificamente cristão desse quarto pedido refere-se ao Pão de Vida: a Palavra de Deus a ser acolhida na fé, o Corpo de Cristo recebido na Eucaristia.
  • A Eucaristia é nosso pão cotidiano. A virtude própria deste alimento divino é uma força de união que nos vincula ao Corpo do Salvador e nos faz seus membros, a fim de que nos transformemos naquilo que recebemos... Este pão cotidiano está ainda nas leituras que ouvis cada dia na Igreja, nos hinos que são cantados e que vós cantais. Tudo isso é necessário à nossa peregrinação.
- O Papai do céu nos exorta a pedir, como filhos do céu, o Pão do céu, Cristo: "é Ele mesmo o pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na Paixão, cozido no forno do sepulcro, colocado em reserva na Igreja, levado aos altares, proporciona cada dia aos fiéis um alimento celeste".

Perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...
- Neste pedido, nós nos voltamos ao Papai como o filho pródigo, e nos reconhecemos pecadores, diante dele, como o publicano (Lc 15, 11-32; 18,13).
- Nosso pedido começa por uma "confissão", na qual declaramos, ao mesmo tempo, nossa miséria e Sua Misericórdia.
- Este mar de misericórdia não pode penetrar em nosso coração enquanto não tivermos perdoado aos que nos ofenderam.
- O amor, como o Corpo de Cristo, é indivisível: não podemos amar o Deus que não vemos, se não amamos o irmão, a irmã, que vemos.
Recusando-nos a perdoar nossos irmãos e irmãs, nosso coração se fecha,
sua dureza o torna impermeável ao amor misericordioso do Papai.
- Confessando nosso pecado, nosso coração se abre à sua graça.
Oremos: Por livre vontade e a exemplo de Jesus, perdoo, rezo, amo, abençoo e agradeço a Deus pela vida de todas as pessoas que sinto que me rejeitam, me odeiam e amaldiçoam, não me amam, não me aceitam, me difamam e perseguem.
Não nos deixeis cair em tentação...
- Este pedido atinge a raiz do precedente, pois nossos pecados são fruto do consentimento na tentação. Pedimos ao nosso Papai que não nos "deixe cair" nela. Nós lhe pedimos que não nos deixe enveredar pelo caminho que conduz ao pecado. Estamos empenhados no combate "entre a carne e o Espírito". Este pedido implora o Espírito de discernimento e de fortaleza.

- O Espírito Santo nos faz discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior em vista de uma "virtude comprovada", e a tentação, que leva ao pecado e à morte. Devemos também discernir entre "ser tentado e consentir" na tentação. Por fim, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, seu objeto é "bom, sedutor para a vista, agradável" (Gn 3,6), ao passo que, na realidade, seu fruto é a morte.

Livrai-nos do mal...
- O último pedido ao nosso Papai aparece, também, na oração de Jesus: "Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno" (Jo 17,15). Diz respeito a cada um de nós pessoalmente, mas somos sempre "nós" que rezamos em comunhão com toda a Igreja e pela libertação de toda a família humana.

"Homicida desde o princípio, mentiroso e pai da mentira" (Jo 8,44), "Satanás, sedutor de toda a terra habitada" (Ap 12,9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo e é por sua derrota definitiva que a criação toda será "liberta da corrupção do pecado e da morte".
- Ao pedir que nos livre do maligno, pedimos igualmente que sejamos libertados de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador.

- Neste último pedido, a Igreja traz toda a miséria do mundo diante do Pai. - Com a libertação dos males que oprimem a humanidade, ela implora o dom precioso da paz e a graça de esperar perseverantemente o retorno de Cristo. Rezando dessa forma, ela antecipa, na humildade da fé, a recapitulação de todos e de tudo naquele que...
"detém as chaves da morte e do hades" (Ap 1,18),
"O Todo-Poderoso, Aquele que é, Aquele que era Aquele que vem" (Ap 1,8).

(CIC-Catecismo da Igreja Católica §2759-2865)
Imprima frente e verso folha A4 (folheto)

Credo Católico

“Os fiéis devem crer nos artigos do símbolo (Creio),
para que,
·        CRENDO, obedeçam a Deus;
·        OBEDECENDO, vivam corretamente,
·        VIVENDO CORRETAMENTE, purifiquem seu coração,
·        PURIFICANDO O CORAÇÃO, compreendam o que crêem”

Santo Agostinho 
CIC-Catecismo da Igreja Católica §2518

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Creio na Vida Eterna

(12º artigo do Credo Católico ou 12ª verdade de fé)
Creio na Vida Eterna
- Todos nós, quando professamos nossa fé não cremos em fórmulas, mas nas realidades que elas expressam e que a fé nos permite ‘tocar’.
- O ato de fé do crente não para no enunciado, mas chega até a realidade enunciada; assim acontece quando rezamos algum artigo do Creio.
- O cristão, que une sua própria morte à de Jesus, vê a morte como um caminhar ao seu encontro e uma entrada na Vida Eterna.
- Depois de a Igreja, pela última vez, pronunciar as palavras de perdão da absolvição de Cristo sobre o cristão moribundo, selá-lo pela última vez com uma unção fortificadora e dar-lhe o Cristo no viático como alimento para a Viagem, diz-lhe com doce segurança estas palavras:
  • Deixa este mundo, alma cristã, em nome do Pai Todo-Poderoso que te criou, em nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, que sofreu por ti, em nome do Espírito Santo que foi derramado em ti. Toma teu lugar hoje na paz e fixa tua morada com Deus na Santa Sião, com a Virgem Maria, a Mãe de Deus, com São José, os anjos e todos os santos de Deus. Volta para junto de teu Criador, que te formou do pó da terra. Que na hora em que tua alma sair de teu corpo se apressem a teu encontro Maria, os anjos e todos os santos. Que possas ver teu Redentor face a face.

O Juízo Particular
- A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo. O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na sua segunda vinda, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé.
  • A parábola do pobre Lázaro e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão assim como outros textos do Novo Testamento, falam de um destino último da alma pode ser diferente para uns e outros.
- Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo:
  • seja por meio de uma purificação, /seja para entrar de imediato na felicidade do céu, /seja para condenar-se de imediato para sempre.

No entardecer de nossa vida, seremos julgados sobre o amor.
O Céu
- Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem "tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12):
  • Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo... e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura.
- Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada "o Céu". O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.
  • Viver no Céu é "viver com Cristo". Os eleitos vivem "nele", mas lá conservam - ou melhor, lá encontram – sua verdadeira identidade, seu próprio nome.
A purificação final ou Purgatório
- Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.
- A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador:
  • Este ensinamento apóia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis por que ele [Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2Mc 12,46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus.
O Inferno
- Não podemos estar unidos a Deus se não fizermos livremente a opção de amá-lo. Mas não podemos amar a Deus se pecamos gravemente contra Ele, contra nosso próximo ou contra nós mesmos: "Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida; e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele"(IJo 3, 14-15).
- Os ensinamentos da Igreja acerca do Inferno são um chamado à responsabilidade com a qual o homem deve usar de sua liberdade em vista de seu destino eterno. Deus não predestina ninguém para o Inferno; para isso é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal) e persistir nela até o fim. A Igreja implora a misericórdia de Deus, que quer "que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se" (2Pd 3,9). E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa com a palavra "inferno".

O Juízo Final
- A ressurreição de todos os mortos, "dos justos e dos injustos", antecederá o Juízo Final. Esta será a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento. É diante de Cristo - que é a Verdade - que será definitivamente desvendada a verdade sobre a relação de cada homem com Deus:
  • Todo o mal que os maus praticam é registrado sem que o saibam. No dia em que Deus não se calará, voltar-se-á para os maus: Eu havia, dir-lhes-á, colocado na terra meus pobrezinhos para vós. Eu, seu Chefe, reinava no céu à direita do meu Pai, mas na terra os meus membros passavam fome. Se tivésseis dado aos meus membros, vosso dom teria chegado até a Cabeça. Quando coloquei meus pobrezinhos na terra, os constituí meus tesoureiros para recolher vossas boas obras em meu tesouro; vós, porém, nada depositastes em suas mãos, razão por que nada possuís junto a mim.

O viático, último sacramento do cristão
- Aos que estão para deixar esta vida, a Igreja oferece, além da Unção dos Enfermos, a Eucaristia. Recebida neste momento de passagem para o Pai, a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo tem significado e importância particulares; é semente de vida eterna e poder de ressurreição, segundo as palavras do Senhor: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,54).
  • Sacramento de Cristo morto e ressuscitado, a Eucaristia é aqui sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai. CIC 1524

CIC-Catecismo da Igreja Católica 1020-1050
Imprima frente e verso na folha A4 (folheto) 

Creio na Ressurreição da Carne...

(11º artigo do Credo Católico ou 11ª verdade de fé)
Creio na Ressurreição da carne
- O Credo cristão - profissão de nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e em sua ação criadora, salvadora e santificadora - culmina na proclamação da ressurreição dos mortos, no fim dos tempos e na vida eterna.
- Cremos firmemente - e assim esperamos - que, da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará  no último dia. Como a ressurreição de Cristo, também a nossa será obra da Santíssima Trindade:
  • Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também aos vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós (Rm 8,11).
- O termo "carne" designa o homem em sua condição de fraqueza e de mortalidade. A "ressurreição da carne" significa que após a morte não haverá somente a vida da alma imortal, mas que mesmo os nossos "corpos mortais" (Rm 8,11) readquirirão vida.

- Crer na ressurreição dos mortos foi, desde o início, um elemento essencial da fé cristã. A confiança dos cristãos é a ressurreição dos mortos; crendo nela, somos cristãos:
·          Como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação e vazia é também a vossa fé. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram (1Cor 15,12-14-.20).

De que maneira os mortos ressuscitam?
Que é "ressuscitar"?
- Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus.
Quem ressuscitará ?
- Todos os homens que morreram: "Os que tiverem feito o bem (sairão) para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento" (Jo 5,29).

De que maneira?
- Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: "Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!" (Lc 24,39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele" ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora"; porém, este corpo será "transfigurado em corpo de g1ória", em "corpo espiritual" (1Cor 15, 44). Nossa participação na Eucaristia, já nos dá  um antegozo da transfiguração de nosso corpo por Cristo:
  • Assim como o pão que vem da terra, depois de ter recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, Constituída por duas realidades, uma terrestre e a outra celeste, da mesma forma os nossos corpos que participam da Eucaristia não são mais corruptíveis, pois têm a esperança da ressurreição.
Quando?
- Definitivamente "no último dia"; "no fim do mundo". Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo:
  • Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro (1Ts 4,16).

Morrer em Cristo Jesus
- Para ressuscitar com Cristo é preciso morrer com Cristo, é preciso "deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor" (2 Cor 5,8). Nesta "partida" que é a morte, a alma é separada do corpo. Ela será  reunida a seu corpo no dia da ressurreição dos mortos

A Morte
- É diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto. Em certo sentido, a morte corporal é natural; mas para a fé ela é na realidade "salário do pecado" (Rm 6,23). E, para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de sua Ressurreição.
- A morte é o termo da vida terrestre. Nossas vidas são medidas pelo tempo, ao longo do qual passamos por mudanças, envelhecemos e, como acontece com todos os seres vivos da terra, a morte aparece como o fim normal da vida. Este aspecto da morte marca nossas vidas com um caráter de urgência: a lembrança de nossa mortalidade serve também para recordar-nos de que temos um tempo limitado para realizar nossa vida.
- A morte é consequência do pecado. Intérprete autêntico das afirmações da Sagrada Escritura e da tradição, o magistério da Igreja ensina que a morte entrou no mundo por causa do pecado do homem. Embora o homem tivesse uma natureza mortal, Deus o destinava a não morrer. A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus criador e entrou no mundo como conseqüência do pecado. "A morte corporal, à qual o homem teria sido subtraído se não tivesse pecado", é assim "o último inimigo" do homem a ser vencido.
- A morte é transformada por Cristo. Jesus, o Filho de Deus sofreu também Ele a morte, própria da condição humana. Todavia, apesar de seu pavor diante dela, assumiu-a em um ato de submissão total e livre à vontade de seu Pai. A obediência de Jesus transformou a maldição da morte em bênção.

O sentido da morte cristã
- Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. "Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro". A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, o cristão já está sacramentalmente morto com Cristo, para Viver de uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma este "morrer com Cristo" e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor.

- Na morte, Deus chama o homem a si. É por isso que o cristão pode sentir, em relação à morte, um desejo semelhante ao de São Paulo: "O meu desejo é partir e ir estar com Cristo"; e pode transformar sua própria morte em um ato de obediência e de amor ao Pai, a exemplo de Cristo.

- A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado "o único curso de nossa vida terrestre", não voltaremos mais a outras vidas terrestres. "Os homens devem morrer uma só vez" (Hb 9,27). Não existe "reencarnação" depois da morte.

- A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte: "Livra-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista" (antiga ladainha de todos os santos), e a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós na hora de nossa morte (oração da "Ave-Maria) e a entregar-nos a São José, padroeiro da boa morte.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §988-1019
Imprima frente e verso na folha A4 (folheto) 

Creio no Perdão dos Pecados...

(10º artigo do Credo Católico ou 10ª verdade de fé)
Um só Batismo para o perdão dos pecados
- Nosso Senhor ligou o perdão dos pecados à fé e ao Batismo:
"Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura.
Aquele que crer e for batizado será salvo" (Mc 16,15.16)
- O Batismo é o primeiro e principal sacramento do perdão dos pecados, porque nos une a Cristo morto por nossos pecados, ressuscitado para nossa justificação, para que "também vivamos vida nova" (Rm 6,4).

- No momento em que fazemos nossa primeira profissão de fé, recebendo o santo Batismo que nos purifica, o perdão que recebemos é tão pleno e tão completo que não nos resta absolutamente nada a apagar, seja do pecado original, seja dos pecados cometidos por nossa própria vontade, nem nenhuma pena a sofrer para expiá-los.
- Contudo, a graça do Batismo não livra ninguém de todas as fraquezas da natureza. Pelo contrário, ainda temos de combater os movimentos da concupiscência, que não cessam de arrastar-nos para o mal.
- Neste combate contra a inclinação para o mal, quem seria suficientemente forte e vigilante para evitar toda ferida do pecado?
- Se, portanto, era necessário que a Igreja tivesse o poder de perdoar os pecados, também era preciso que o Batismo não fosse para ela o único meio de servir-se dessas chaves do Reino dos Céus, que havia recebido de Jesus Cristo; era preciso que ela fosse capaz de perdoar as faltas a todos os penitentes, ainda que tivessem pecado até o último instante de sua vida.

O Sacramento da Penitência
- É pelo sacramento da Penitência que o batizado pode ser reconciliado com Deus e com a Igreja:
  • Os Padres da Igreja com razão chamavam a Penitência de "um Batismo laborioso". O sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que caíram depois do Batismo, assim como o Batismo é necessário para os que ainda não foram regenerados.

- Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores de sua Igreja, antes de tudo para aqueles que, depois do Batismo, cometeram pecado grave e com isso perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de converter-se e de recobrar a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como a segunda tábua de salvação depois do naufrágio que é a perda da graça.
Efeitos do sacramento da Penitência
- Toda a força da Penitência reside no fato de ela nos reconstituir na graça de Deus e de nos unir a Ele com a máxima amizade; portanto, a finalidade e o efeito deste sacramento é a Reconciliação com Deus.
- Os que recebem o sacramento da Penitência com coração contrito e disposição religiosa "podem usufruir a paz e a tranquilidade da consciência, que vem acompanhada de uma intensa consolação espiritual".
- Com efeito, o sacramento da Reconciliação com Deus traz consigo uma verdadeira "ressurreição espiritual", uma restituição da dignidade e dos bens da vida dos filhos de Deus, entre os quais o mais precioso é a amizade de Deus.
- Este sacramento nos Reconcilia com a Igreja. O pecado fende ou quebra a comunhão fraterna. O sacramento da Penitência a repara ou restaura.
- Neste sentido, ele não cura apenas aquele que é restabelecido na comunhão eclesial, mas tem também um efeito vivificante sobre a vida da Igreja, que sofreu com o pecado de um de seus membros.
- Restabelecido ou confirmado na comunhão dos santos, o pecador sai fortalecido pela participação dos bens espirituais de todos os membros vivos do Corpo de Cristo, quer estejam ainda em estado de peregrinação, quer já estejam na pátria celeste:
  • Não devemos esquecer que a Reconciliação com Deus tem como conseqüência, por assim dizer, outras reconciliações capazes de remediar outras rupturas ocasionadas pelo pecado:
* reconcilia-se consigo mesmo no íntimo mais profundo de seu ser, onde recupera a própria verdade interior;
* reconcilia-se com os irmãos que de alguma maneira ofendeu e feriu;
* reconcilia-se com a Igreja; e
* reconcilia-se com toda a criação.
- Neste sacramento, o pecador, entregando-se ao julgamento misericordioso de Deus, antecipa de certa maneira o julgamento a que ser sujeito no fim desta vida terrestre. Pois é agora, nesta vida, que nos é oferecida a escolha entre a vida e a morte, e só pelo caminho da conversão poderemos entrar no Reino do qual somos excluídos pelo pecado grave.
  • Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé, o pecador passa da morte para a vida "sem ser julgado" (Jo 5,24).
O poder das chaves
- Depois de sua Ressurreição, Cristo enviou seus Apóstolos para "anunciar a todas as nações o arrependimento em seu Nome, em vista da remissão dos pecados" (Lc 24,47). Este "ministério da reconciliação" (2Cor 5,18) os Apóstolos e seus sucessores não o exercem somente anunciando aos homens o perdão de Deus merecido para nós por Cristo e chamando-os à conversão e à fé, mas também comunicando-lhes a remissão dos pecados pelo Batismo e reconciliando-os com Deus e com a Igreja graças ao poder das chaves recebido de Cristo:
  • A Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus para que se opere nela a remissão dos pecados pelo sangue de Cristo e pela ação do Espírito Santo. É nesta Igreja que a alma revive, ela que estava morta pelos pecados, a fim de viver com Cristo, cuja graça nos salvou.

- Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar.
  • Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança a seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero.
- Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado.

- A catequese empenhar-se-á em despertar e alimentar nos fiéis a fé na grandeza incomparável do dom que Cristo ressuscitado concedeu à sua Igreja: a missão e o poder de perdoar verdadeiramente os pecados, pelo ministério dos apóstolos de seus sucessores:
  • O Senhor quer que seus discípulos tenham um poder imenso: quer que seus pobres servidores realizem em seu nome tudo que havia feito quando estava na terra.
  • Os presbíteros receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos nem aos arcanjos. Deus sanciona lá no alto tudo o que os sacerdotes fazem aqui embaixo.
  • Se na Igreja não existisse a remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma perspectiva de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Demos graças a Deus, que deu à Igreja tal dom.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §976-987.1446.1468-1470
Imprima frente e verso na folha A4 (folheto)