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sábado, 14 de junho de 2014

Igreja: Una

O Mistério Sagrado da Unidade da Igreja
§813. A Igreja é una por sua fonte: "Deste mistério, o modelo supremo e o princípio é a unidade de um só Deus na Trindade de Pessoas, Pai e Filho no Espírito Santo".
A Igreja é una por seu Fundador: "Pois o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, por sua cruz reconciliou todos os homens com Deus, restabelecendo a união de todos em um só Povo, em um só Corpo".
A Igreja é una por sua "alma": "O Espírito Santo que habita nos crentes, que plenifica e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e os une tão intimamente em Cristo, que ele é o princípio de Unidade da Igreja". Portanto, é da própria essência da Igreja ser una:
  • Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo, um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar; há também uma única virgem que se tornou mãe, e me agrada chamá-la Igreja.
§814. Contudo, desde a origem, esta Igreja una se apresenta com uma grande diversidade, que provém ao mesmo tempo da variedade dos dons de Deus e da multiplicidade das pessoas que os recebem. Na unidade do Povo de Deus se congregam as diversidades dos povos e das culturas.
Entre os membros da Igreja existe uma diversidade de dons, de encargos, de condições e de modos de vida; "na comunhão eclesiástica há, legitimamente, Igrejas particulares gozando de tradições próprias". A grande riqueza desta diversidade não se opõe à unidade da Igreja.
Todavia, o pecado e o peso de suas consequências ameaçam sem cessar o dom da unidade. Assim, o apóstolo tem de exortar a "conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz" (Ef 4,3).

§815. Quais são estes vínculos da unidade? "Sobre tudo isso [está] a caridade, que é o vínculo da perfeição" (Cl 3,14). Mas a unidade da Igreja peregrinante é também assegurada por vínculos visíveis de comunhão:
  • profissão de uma única fé recebida dos Apóstolos
  • a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;
  • a sucessão apostólica, por meio do Sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus.
§816. "A única Igreja de Cristo (...) é aquela que nosso Salvador depois de sua Ressurreição, entregou a Pedro para que fosse seu pastor e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la... Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele":
  • O Decreto sobre o Ecumenismo, do Concílio Vaticano II, explicita: "Pois somente por meio da Igreja católica de Cristo, 'a qual é meio geral de salvação', pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação. Cremos que o Senhor confiou todos os bens da Nova Aliança somente ao Colégio Apostólico, do qual Pedro é o chefe, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que, de que alguma forma, já pertencem ao Povo de Deus".
As feridas da Unidade
§817. Na realidade, "nesta una e única Igreja de Deus, já desde os primórdios, surgiram algumas cisões, que o Apóstolo censura com vigor como condenáveis. Dissensões mais amplas nasceram nos séculos posteriores. Comunidades não pequenas separaram-se da plena comunhão com a Igreja católica, por vezes não sem culpa de homens de ambas as partes". As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (distinguem-se a heresia, a apostasia e o cisma) não acontecem sem os pecados dos homens:
  • “Onde estão os pecados, aí está a multiplicidade (das crenças), aí o cisma, aí as heresias, aí as controvérsias.
  • Onde, porém, está a virtude, aí está a unidade, aí a comunhão, em força disso, os crentes eram um só coração e uma só alma."
§818. Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas "e estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser arguidos de pecado de separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e amor... Justificados pela fé recebida no Batismo; estão incorporados em Cristo, e por isso com razão são honrados com o nome de cristãos e merecidamente reconhecidos pelos filhos da Igreja católica como irmãos no Senhor".

§819. Além disso, "muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja católica": "A palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança, a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis".
O espírito de Cristo serve-se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação cuja força vem da plenitude de graça e de verdade que Cristo confiou à Igreja católica. Todos esses bens provêm de Cristo e levam a Ele e chamam, por eles mesmos, para a "unidade católica".

Rumo a Unidade
§820. A unidade, "Cristo a concedeu, desde o início, à sua Igreja, e nós cremos que ela subsiste sem possibilidade de ser perdida na Igreja católica e esperamos que cresça, dia após dia, até a consumação dos séculos". Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade, mas a Igreja deve sempre orar e trabalhar para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela.
Por isso Jesus mesmo orou na hora de sua Paixão, e não cessa de orar ao Pai pela unidade de seus discípulos: "... Que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles esteja me nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17,21).
O desejo de reencontrar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e convite do Espírito Santo.

§821. Para responder adequadamente a este apelo, exigem-se:
  • uma renovação permanente da Igreja em uma fidelidade maior à sua vocação. Esta renovação é a mola do movimento rumo à unidade.
  • a conversão do coração, "com vistas a viver mais puramente segundo o Evangelho", pois e a infidelidade dos membros ao dom de Cristo que causa as divisões;
  • a oração em comum, pois "a conversão do coração e a santidade de vida, juntamente com as preces particulares e públicas pela unidade dos cristãos, devem ser consideradas a alma de todo o movimento ecumênico e, com razão, podem ser chamadas de ecumenismo espiritual";
  • conhecimento fraterno recíproco,
  • a formação ecumênica dos fiéis e especialmente dos presbíteros;
  • o diálogo entre os teólogos e os encontros entre os cristãos diferentes Igrejas e comunidades;
  • a colaboração entre cristãos nos diversos campos do serviço aos homens.
§822. A preocupação de realizar a união "diz respeito à Igreja inteira, fiéis e pastores". Mas é preciso também "ter consciência de que este projeto sagrado, a reconciliação de todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e as capacidades humanas". Por isso depositamos toda a nossa esperança "na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai por nós e no poder do Espírito Santo".

CIC - Catecismo da Igreja Católica

sábado, 31 de maio de 2014

Igreja: mistério

O mistério da Igreja
§770. A Igreja está na história, mas ao mesmo tempo a transcende. É unicamente "com os olhos da fé" que se pode enxergar em sua realidade visível, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual, portadora de vida divina.

A Igreja – Ao mesmo tempo visível e espiritual
§771. "O Mediador único, Cristo, constituiu e incessantemente sustenta aqui na terra sua santa Igreja, comunidade de fé, esperança e caridade, como um 'todo' visível pelo qual difunde a verdade e a graça a todos." A Igreja é ao mesmo tempo:
  • "sociedade provida de órgãos hierárquicos e Corpo Místico de Cristo;
  • assembleia visível e comunidade espiritual;
  • Igreja terrestre e Igreja enriquecida de bens celestes".
- Essas dimensões constituem "uma só realidade complexa em que se funde o elemento divino e humano":
  • Caracteriza-se a Igreja por ser humana e ao mesmo tempo divina, visível, mas ornada de dons invisíveis, operosa na ação e devotada à contemplação presente no mundo e, no entanto, peregrina. E isso de modo que nela o humano se ordene divino e a ele se subordine, o visível ao invisível, a ação à contemplação e o presente à cidade futura, que buscamos.
  • Ó humildade! Ó sublimidade! Tabernáculo de Cedar e santuário de Deus; morada terrestre e palácio celeste; casa de barro e sala régia; corpo de morte e templo de luz; finalmente, desprezo para os soberbos e esposa de Cristo! És negra, mas formosa, ó filha de Jerusalém: ainda que desfigurada pelo labor e pela dor longo exílio, a beleza celeste te adorna. 
A Igreja – mistério da união dos homens com Deus
§772. É na Igreja que Cristo realiza e revela seu próprio mistério como a meta do desígnio de Deus: "Recapitular tudo nele" (Ef 1,10).
São Paulo denomina de "grande mistério" (Ef 5,32) a união esponsal entre Cristo e a Igreja. Por estar ela unida a Cristo como a seu Esposo, a própria Igreja também se torna mistério. Contemplando nela o mistério, São Paulo exclama "Cristo em vós, a esperança da glória" (Cl 1,27).

§773. Na Igreja, esta comunhão dos homens com Deus pela "caridade que nunca passará" (1 Cor 13,8) é a finalidade que comanda tudo o que nela é meio sacramental ligado ao mundo presente que passa.
Sua estrutura se ordena integralmente à santidade dos membros do corpo místico de Cristo. E a santidade é medida segundo o 'grande mistério', em que a Esposa responde com o dom do amor ao dom do Esposo.
Maria nos precede a todos na santidade que é o mistério da Igreja como "a Esposa sem mancha nem ruga". Por isso, "a dimensão marial da Igreja antecede sua dimensão petrina".

A Igreja – Sacramento universal da salvação
§774. A palavra grega "mysterion" foi traduzida para o latim por dois termos: "mysterium" e "sacramentum".
Na interpretação ulterior, o termo "sacramentum" exprime mais o sinal visível da realidade escondida da salvação, indicada pelo termo "mysterium". Neste sentido, Cristo mesmo é o mistério da salvação:
·         "Non est enim aliud Dei mysterium, Christus - Pois não existe outro mistério de Deus a não ser Cristo".
A obra salvífica de sua humanidade santa e santificante é o sacramento da salvação que se manifesta e age nos sacramentos da Igreja (que as Igrejas do Oriente denominam também "os santos mistérios").
Os sete sacramentos são os sinais e os instrumentos pelos quais o Espírito Santo difunde a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja, que é seu Corpo. A Igreja contém, portanto, e comunica a graça invisível que ela significa. É neste sentido analógico que ela é chamada de "sacramento".

§775. "A Igreja é, em Cristo, como que o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano."
Ser o sacramento da união íntima dos homens com Deus é o primeiro objetivo da Igreja.
Visto que a comunhão entre os homens está enraizada na união com Deus, a Igreja é também o sacramento da unidade do gênero humano. Nela, esta unidade já começou, pois ela congrega homens "de toda nação, raça, povo e língua" (Ap 7,9); ao mesmo tempo, a Igreja é "sinal e instrumento" da plena realização desta unidade que ainda deve vir.

§776. Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. "Nas mãos dele, ela é o instrumento da Redenção de todos os homens" o sacramento universal da salvação" pelo qual Cristo "manifesta e atualiza o amor de Deus pelos homens".

A Igreja "é o projeto visível do amor de Deus pela humanidade" que quer que o "gênero humano inteiro constitua o único povo de Deus, se congregue no único Corpo de Cristo, seja construído no único templo do Espírito Santo". 
CIC - Catecismo da Igreja Católica

domingo, 12 de janeiro de 2014

Homem e mulher, um para o outro

"Homem e mulher os criou"
Igualdade e diferença queridas por Deus
- O homem e a mulher são criados, isto é, são queridos por Deus: por um lado, em perfeita igualdade como pessoas humanas e, por outro, em seu ser respectivo de homem e de mulher. "Ser homem, 'ser mulher" é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível que lhes vem diretamente de Deus, seu Criador.
- O homem e a mulher são criados em idêntica dignidade, "à imagem de Deus". Em seu "ser-homem" e seu "ser-mulher" refletem a sabedoria e a bondade do Criador.
  • Deus não é de modo algum à imagem do homem. Não é nem homem nem mulher. Deus é puro espírito, não havendo nele lugar para a diferença dos sexos. Mas as "perfeições" do homem e da mulher refletem algo da infinita perfeição de Deus: as de uma mãe e as de um pai e esposo.
“Um para o outro” – “Uma unidade a dois”
- Criados conjuntamente, Deus quer o homem e a mulher um para o outro.
- A Palavra de Deus dá-nos a entender isto por meio de diversas passagens do texto sagrado. "Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda" (Gn 2,18).
- A mulher que Deus "modela" da costela tirada do varão e que leva a ele provoca da parte do homem um grito de admiração, uma exclamação de amor e de comunhão: "É osso de meus ossos e carne de minha carne" (Gn 2,23). O homem descobre a mulher como um outro "eu" da mesma humanidade.
- O homem e a mulher são feitos "um para o outro": não que Deus os tivesse feito apenas "pela metade" e "incompletos"; criou-os para uma comunhão de pessoas, na qual cada um dos dois pode ser "ajuda" para o outro, por serem ao mesmo tempo iguais enquanto pessoas ("osso de meus ossos...") e complementares enquanto masculino e feminino.
- No matrimônio, Deus os une de maneira que, formando "uma só carne" (Gn 2,24), possam transmitir a vida humana:
"Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra" (Gn 1,28).

- Ao transmitir a seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos e pais, cooperam de forma única na obra do Criador.
- No desígnio de Deus, o homem e a mulher têm a vocação de "submeter" a terra como "intendentes" de Deus. Esta soberania não deve ser uma dominação arbitrária e destrutiva. À imagem do Criador "que ama tudo o que existe" (Sb 11,24), o homem e a mulher são chamados a participar da Providência divina em relação às demais criaturas.
- Daí a responsabilidade deles para com o mundo que Deus lhes confiou.

O homem no Paraíso
- O primeiro homem não só foi criado bom, mas também foi constituído em uma amizade com seu Criador e em tal harmonia consigo mesmo e com a criação que o rodeava que só serão superadas pela glória da nova criação em Cristo.
- Interpretando de maneira autêntica o simbolismo da linguagem bíblica à luz do Novo Testamento e da Tradição, a Igreja ensina que nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos em um estado "de santidade e de justiça original". Esta graça da santidade original era uma participação da vida divina.
- Pela irradiação desta graça, todas as dimensões da vida do homem eram fortalecidas. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não devia nem morrer nem sofrer. A harmonia interior da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher e, finalmente, a harmonia entre o primeiro casal e toda a criação constituíam o estado denominado "justiça original".
- O "domínio" do mundo que Deus havia outorgado ao homem desde o início realizava-se antes de tudo no próprio homem como “domínio de si mesmo”.
- O homem estava intacto e ordenado em todo o seu ser, porque livre da tríplice concupiscência que o submete aos prazeres dos sentidos, à cobiça dos bens terrestres e à auto-afirmação contra os imperativos da razão.
- O sinal da familiaridade com Deus é o fato de Deus o colocar no jardim. Lá  vive "para cultivá-lo e guardá-lo" (Gn 2,15): o trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível.
  • E toda esta harmonia da justiça original, prevista para o homem pelo desígnio de Deus, que será perdida pelo pecado de nossos primeiros pais.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §369-379

Deus Criador: do homem

"À imagem de Deus"
- De todas as criaturas visíveis, só o homem é "capaz de conhecer e amar seu Criador"; ele é "a única criatura na terra que Deus quis por si mesma"; só ele é chamado a compartilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Foi para este fim que o homem foi criado, e aí reside a razão fundamental de sua dignidade:
  • Que motivo vos fez constituir o homem em dignidade tão grande? O amor inestimável pelo qual enxergastes em vós mesmo vossa criatura, e vos apaixonastes por ela; foi por amor que a criastes, foi por amor que lhe destes um ser capaz de degustar vosso Bem eterno.
- Por ser à imagem de Deus, o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas alguma coisa, mas alguém. É capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente e entrar em comunhão com outras pessoas, e é chamado, por graça, a uma aliança com seu Criador, a oferecer-lhe uma resposta de fé e de amor que ninguém mais pode dar em seu lugar.
- Deus criou tudo para o homem, mas o homem foi criado, para servir e amar a Deus e oferecer-lhe toda a criação:
  • Quem é, pois, o ser que vai vir à existência cercado de tal consideração? É o homem, grande e admirável figura viva, mais precioso aos olhos de Deus do que a criação inteira: é o homem, é para ele que existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação, e é à salvação dele que Deus atribuiu tanta importância que nem sequer poupou seu Filho único em seu favor. Pois Deus não cessou de tudo empreender para fazer o homem subir até ele e fazê-lo sentar-se à sua direita.
- Na realidade o mistério do homem só se torna claro  verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado:
  • Dois homens estão na origem do gênero humano: Adão e Cristo...
*O primeiro Adão, foi criado como um ser humano que recebeu a vida; o segundo é um ser espiritual que dá a vida. O primeiro foi criado pelo segundo, de quem recebeu a alma que o faz viver...
*O segundo Adão estabeleceu sua imagem no primeiro Adão quando o modelou. E assim se revestiu da natureza deste último e dele recebeu o nome, a fim de não deixar perder aquilo que havia feito à sua imagem. Primeiro Adão, segundo Adão: o primeiro começou, o segundo não acabará. Pois o segundo é verdadeiramente o primeiro, como ele mesmo disse: "Eu sou o Primeiro e o último"
- Graças à origem comum, o gênero humano forma uma unidade.
Pois Deus "de um só fez toda a raça humana" (At 1 7,26):
  • Maravilhosa visão que nos faz contemplar o gênero humano...
na unidade de sua origem em Deus...;
na unidade de sua natureza, composta igualmente em todos de um corpo material e de uma alma espiritual;
na unidade de seu fim imediato e de sua missão no mundo;
na unidade de seu hábitat: a terra, de cujos bens todos os homens, por direito natural, podem usar para sustentar e desenvolver a vida;
na unidade de seu fim sobrenatural: Deus mesmo, ao qual todos devem tender;
na unidade dos meios para atingir este fim;...
na unidade do seu resgate, realizado em favor de todos por Cristo.
- "Esta lei de solidariedade humana e de caridade", sem excluir a rica variedade das pessoas, das culturas e dos povos, nos garante que todos os homens são verdadeiramente irmãos.

Uno de alma e corpo
- A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. O relato bíblico exprime esta realidade com uma linguagem simbólica, ao afirmar que "O Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente" (Gn 2,7).
- Portanto, o homem em sua totalidade é querido por Deus.
- Muitas vezes o termo alma designa na Sagrada Escritura a vida humana ou a pessoa humana inteira. Mas designa também o que há de mais íntimo no homem e o que há nele de maior valor, aquilo que mais particularmente o faz ser imagem de Deus: "alma" significa o princípio espiritual no homem.
- O corpo do homem participa da dignidade da "imagem de Deus": ele é corpo humano precisamente porque é animado pela alma espiritual, e é a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito.

- Unidade de corpo e de alma, o homem, por sua própria condição corporal, sintetiza em si os elementos do mundo material, que nele assim atinge sua plenitude e apresenta livremente ao Criador uma voz de louvor. Não é, portanto, lícito ao homem desprezar a vida corporal; ao contrario, deve estimar e honrar seu corpo, porque criado por Deus e destinado à ressurreição no último dia.
- A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a "forma" do corpo; ou seja, é graças à alma espiritual que o corpo constituído de matéria é um corpo humano e vivo; o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza.

- A Igreja ensina que cada alma espiritual é diretamente criada por Deus - não é "produzida" pelos pais - e é imortal: ela não perece quando da separação do corpo na morte e se unirá novamente ao corpo na ressurreição final.
- Por vezes ocorre que a alma aparece distinta do espírito. Assim, São Paulo ora para que nosso "ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo", seja guardado irrepreensível na Vinda do Senhor (1 Ts 5,23).
- A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade na alma. "Espírito" significa que o homem está ordenado desde a sua criação para seu fim sobrenatural, e que sua alma é capaz de ser elevada gratuitamente à comunhão com Deus.
- A tradição espiritual da Igreja insiste também no coração, no sentido bíblico de "fundo do ser" (Jr 31,33), onde a pessoa se decide ou não por Deus.
CIC-Catecismo da Igreja Católica §355-368


O mundo visível

O mundo visível
- Foi Deus mesmo quem criou o mundo visível em toda a sua riqueza, diversidade e ordem. A Escritura apresenta a obra do Criador simbolicamente como uma sequência de seis dias "de trabalho" divino que terminam com o "descanso" do sétimo dia.
- O texto sagrado ensina, a respeito da criação, verdades reveladas por Deus para nossa salvação que permitem "reconhecer a natureza profunda da criação, seu valor e sua finalidade, que é a glória de Deus".

* Não existe nada que não deva sua existência a Deus criador:
- O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus; todos os seres existentes, toda a natureza, toda a história humana têm suas raízes neste acontecimento primordial: é a própria gênese pela qual o mundo foi constituído e o tempo começou.

*Cada criatura possui sua bondade e sua perfeição próprias:
- Para cada uma das obras dos "seis dias" se diz:
"E Deus viu que isto era bom".
- "Pela própria condição da criação, todas as coisas são dotadas de fundamento próprio, verdade, bondade, leis e ordens especificas."
- As diferentes criaturas, queridas em seu próprio ser, refletem, cada uma a seu modo, um raio da sabedoria e da bondade infinitas de Deus.
- É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura para evitar um uso desordenado das coisas, que menospreze o Criador e acarrete consequências nefastas para os homens e seu meio ambiente.

* A interdependência das criaturas é querida por Deus:
- O sol e a lua, o cedro e a pequena flor, a águia e o pardal: as inúmeras diversidades e desigualdades significam que nenhuma criatura se basta a si mesma, que só existem em dependência recíproca, para se completarem mutuamente, a serviço umas das outras.

* A beleza do universo:
- A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações que existem entre eles. O homem as descobre progressivamente como leis da natureza. Elas despertam a admiração dos sábios.
- A beleza da criação reflete a infinita beleza do Criador. Ela deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência do homem e de sua vontade.

* A hierarquia das criaturas...: é expressa pela ordem dos "seis dias", que vai do menos perfeito ao mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas, cuida de cada uma, até mesmo dos pássaros.
- Apesar disso, Jesus diz: "Vós valeis mais do que muitos pardais", ou ainda: "Um homem vale muito mais do que uma ovelha".

* O homem é a obra-prima do obra do criação:
- A narração bíblica exprime isto distinguindo nitidamente a criação do homem da criação das outras criaturas.

* Existe uma solidariedade entre todas as criaturas... pelo fato de terem todas o mesmo Criador e de todas estarem ordenadas à sua glória:
  •  Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e com sua LUZ nos alumia.
  • Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é muito útil e humilde, preciosa e casta...
  • Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas.
  • Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças, e servi-o com grande humildade. (São Francisco de Assis)

* O Sábado - fim da obra dos "seis dias":
- O texto sagrado diz que "Deus concluiu no sétimo dia a obra que tinha feito", e assim "o céu e a terra foram terminados", e no sétimo dia Deus "descansou", e santificou e abençoou este dia (Gn 2,1-3).
- Essas palavras inspiradas são ricas de ensinamentos salutares:
- Na criação, Deus depositou um fundamento e leis que permanecem estáveis, nos quais o crente poderá apoiar-se com confiança e que para ele serão o sinal e a garantia da fidelidade inabalável da Aliança de Deus.
- Por sua parte, o homem deverá ficar fiel a este fundamento e respeitar as leis que o Criador inscreveu nele.
- A criação está em função do Sábado e portanto do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação. "Nada se anteponha à obra de Deus", diz a regra de São Bento, indicando assim a ordem correta das preocupações humanas.
- O Sábado constitui o coração da lei de Israel. Observar os mandamentos é corresponder à sabedoria e à vontade de Deus expressa em sua obra de criação.

*O oitavo dia:
- Mas para nós nasceu um dia novo: o dia da Ressurreição de Cristo.
- O sétimo dia encerra a primeira criação. O oitavo dia dá início à nova criação. Assim, a obra da criação culmina na obra maior da redenção.
- A primeira criação encontra seu sentido e seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira.
CIC-Catecismo da Igreja Católica §337-349

domingo, 8 de dezembro de 2013

Eucaristia, antídoto para a vida eterna

Eucaristia, penhor da glória futura
- Em uma oração, a Igreja aclama o mistério da Eucaristia:
“O sagrado banquete, em que de Cristo nos alimentamos. Celebra-se a memória de sua Paixão, o espírito é repleto de graças e se nos dão penhor da glória".
- Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa do Senhor, se por nossa comunhão ao altar somos repletos "de todas as graças e bênçãos do céu", a Eucaristia é também a antecipação da glória celeste.
- Quando da última Ceia, o Senhor mesmo dirigia o olhar de seus discípulos para a realização da Páscoa no Reino de Deus:
"Desde agora não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino de meu Pai" (Mt 26,29).
- Toda vez que a Igreja celebra a Eucaristia lembra-se desta promessa, e seu olhar se volta para "aquele que vem" (Ap 1,4).
- Em sua oração, suspira por sua vinda:
"Maran athá" (1 Cor 16,22), "Vem, Senhor Jesus" (Ap 22,20),
"Venha vossa graça e passe este mundo!"

- A Igreja sabe que, desde agora, o Senhor vem em sua Eucaristia, e que ali Ele está, no meio de nós.
- Contudo, esta presença é velada. Por isso, celebramos a Eucaristia
“expectantes aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda de nosso Salvador Jesus Cristo", pedindo "saciar-nos eternamente da vossa glória, quando enxugardes toda lágrima dos nossos olhos. Então, contemplando-vos como sois, seremos para sempre semelhantes a vós e cantaremos sem cessar os vossos louvores, por Cristo, Senhor nosso".
- Desta grande esperança, a dos céus novos e da terra nova nos quais habitará a justiça, não temos penhor mais seguro, sinal mais manifesto do que a Eucaristia.
- Com efeito, toda vez que é celebrado este mistério, "opera-se a obra da nossa redenção" e nós "partimos um mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto não para a morte, mas para a vida eterna em Jesus Cristo".
CIC-Catecismo da Igreja Católica §1402-1405

Já não é pão
- Que aconteceu exatamente quando Jesus disse na Última Ceia (e os sacerdotes esta manhã na Missa): “Isto é o meu corpo” sobre o pão, e “Este é o cálice do meu sangue” sobre o vinho?
- Cremos que a substância do pão deixou de existir completa e totalmente, e que a substância do próprio Corpo de Cristo substituiu a substância do pão que foi aniquilada.
- Cremos também que Jesus, pelo seu poder onipotente como Deus, preservou as aparências do pão e do vinho, apesar de as respectivas substâncias terem desaparecido.

- Por ‘aparências’ de pão e de vinho entendemos todas as formas externas e acidentais que de um modo ou de outro podem ser percebidas pelos sentidos (audição, visão, olfato, paladar, tato).
- A Sagrada Eucaristia ainda parece pão e vinho, ainda tem o sabor do pão e do vinho e cheira a pão e vinho, ainda é sensível ao tato como pão e vinho, e, se a partíssemos ou derramássemos, espalhar-se-ia como o pão e ovinho.
- Mesmo que fizéssemos um exame microscópico, eletrônico e radiológico, só poderíamos perceber nela as qualidades do pão e do vinho.

- Com efeito, a observação humana só pode obter a aparência externa de qualquer coisa. A sua configuração, a sua reação a determinadas circunstâncias, as leis físicas a que parece obedecer, são as únicas questões que a ciência pode investigar.
- Mas a substância de uma coisa, o que lhe está subjacente, a substância como substância, está fora do alcance dos sentidos e dos instrumentos humanos.
- Evidentemente, é um milagre; um milagre contínuo, realizado centenas de milhares de vezes por dia pelo poder infinito de Deus.

- Cabe ainda dizer que é um duplo milagre: é o milagre da transformação do pão e do vinho em Jesus Cristo; e o milagre adicional pelo qual Deus mantém as aparências do pão e do vinho ainda que a substância subjacente tenha desaparecido, como se o rosto de uma pessoa permanecesse num espelho depois de a pessoa ter-se retirado.
- A mudança operada pelas palavras da consagração é de um tipo especial, e a Igreja teve de cunhar um termo especial para a designar: transubstanciação, que, literalmente, significa a passagem de uma substância para outra; neste caso, é uma singular espécie de mudança.

- Jesus Cristo, todo e inteiro, está presente na Sagrada Eucaristia sob as aparências do pão e do vinho.
- Está presente simultaneamente em cada uma das hóstias consagradas de cada altar de todo o mundo e em cada cálice consagrado onde quer que se celebre a Santa Missa.
- Mais ainda, Jesus todo e inteiro está presente em cada partícula consagrada e em cada gota de vinho consagrado.

- Se a Sagrada Hóstia se divide –como o sacerdote o faz durante a missa- , Jesus está totalmente presente em cada uma das partes. Se caísse ao chão uma partícula da Hóstia consagrada ou se derramasse uma gota do Cálice, Jesus estaria presente todo e inteiro nessa partícula e nessa gota.
- É por isso que os panos de altar têm que ser lavados com a máxima reverência, porque pode haver aderida a eles uma partícula das Sagradas Espécies. Estes panos de altar compreendem o corporal, sobre o qual se coloca a patena com a Hóstia e o Cálice consagrados durante a Missa; e o sanguíneo, o pano com que o sacerdote enxuga os lábios depois de consumir o precioso Sangue e seca os dedos e o cálice depois de lavar o cálice com vinho e água, ou só com água.
- Jesus, evidentemente, não deixa o seu lugar no céu, ‘a direita do Pai’, para se tornar presente na Sagrada Eucaristia. Permanece no céu e está no altar. Quem se faz presente sob as aparências do pão e do vinho é o corpo glorificado de Jesus, o seu corpo tal como está no céu.

- A presença de Jesus na Eucaristia –sob dimensões tão pequenas e em tantos lugares ao mesmo tempo- parece suscitar duas aparentes dificuldades:
*Como pode um corpo humano estar presente num espaço tão pequeno?
*Como pode um corpo humano estar em vários lugares ao mesmo tempo?
- Estas dificuldades, é claro, são apenas aparentes.
- Deus assim o fez; portanto, pode ser feito. Deve-se recordar que Deus é o autor da natureza, o amo e o Senhor da Criação.
- As leis físicas do universo foram estabelecidas por Ele, e Ele pode suspender a sua ação se assim o quiser, sem que o seu poder infinito tenha que fazer nenhum esforço.

- Portanto, Jesus está ali na plenitude da sua Pessoa Glorificada, de uma maneira espiritualizada, sem extensão nem espaço. Não tem altura, largura ou espessura.

sábado, 23 de novembro de 2013

Sístole / Diástole

Recomeçar de Cristo
- A catequese constitui uma coluna para a educação da fé, e são precisos bons catequistas! Obrigado por este serviço à Igreja e na Igreja.
- Embora possa às vezes ser difícil – trabalha-se tanto, empenha-se e não se vêem os resultados desejados –, mas educar na fé é maravilhoso!
·         É talvez a melhor herança que possamos dar a alguém: a fé!
- Educar na fé, para que essa pessoa cresça. Ajudar as crianças, os adolescentes, os jovens, os adultos a conhecerem e amarem cada vez mais o Senhor é uma das mais belas aventuras educativas.
·         «Ser» catequista! Não trabalhar como catequista: isso não adianta!
-  Trabalho como catequista, porque gosto de ensinar… Se porém tu não és catequista, não adianta! Não serás fecundo, não serás fecunda!
- Catequista é uma vocação:
Ser catequista: esta é a vocação; não trabalhar como catequista.
- Lembrai-vos daquilo que nos disse Bento XVI:
“A Igreja não cresce por proselitismo. Cresce por atração”.
- As palavras têm o seu lugar… mas primeiro o testemunho: que as pessoas vejam na nossa vida o Evangelho, possam ler o Evangelho.
- E «ser» catequista requer amor: amor cada vez mais forte a Cristo, amor ao seu povo santo. Este amor vem de Cristo! É um presente de Cristo! E se vem de Cristo, parte de Cristo; e nós devemos Recomeçar de Cristo, deste amor que Ele nos dá. Que significa este Recomeçar de Cristo?

1-União com Jesus
- Recomeçar de Cristo significa cultivar a familiaridade com Ele: Jesus recomenda-o, com insistência, aos discípulos na Última Ceia, quando Se prepara para viver o dom mais sublime de amor, o sacrifício da Cruz.
- Jesus diz: Permanecei no meu amor, permanecei ligados a mim, como o ramo está ligado à videira. Se estivermos unidos a Ele, podemos dar fruto, e esta é a familiaridade com Cristo. É permanecer em Jesus! Permanecer ligados a Ele, dentro d’Ele, com Ele, falando com Ele: permanecer em Jesus. Necessário para um discípulo é estar com o Mestre, ouvi-Lo, aprender d’Ele.
- Tenho o título de catequista!. Isso não adianta, não tens nada, fizeste apenas um bocado de estrada! Quem te ajudará? Isto sim, que vale sempre!
- Não um título, mas um procedimento: estar com Ele; e dura toda a vida!
- É estar na presença do Senhor, deixar-se olhar por Ele. Pergunto-vos:
- Como estais na presença do Senhor?
-Quando ides ter com o Senhor, enquanto olhais o Sacrário, que fazeis?
- Sem palavras… Mas eu falo, falo, penso, medito, ouço… Muito bem!
- Mas tu… deixas-te olhar pelo Senhor? Sim, deixar-se olhar pelo Senhor. Ele olha-nos, e esta é uma maneira de rezar. Mas, como se faz? Olhas para o Sacrário e deixas-te olhar… é simples! É um pouco maçador, adormeço… Se adormeceres, adormeces! Ele olhar-te-á igualmente.

2-Imitar Jesus
- Recomeçar de Cristo significa imitá-Lo na saída de Si mesmo para ir ao encontro do outro. Trata-se de uma experiência maravilhosa, embora um pouco paradoxal. Porquê? Porque, quem coloca Cristo no centro da sua vida, descentraliza-se! Quanto mais te unes a Jesus e Ele Se torna o centro da tua vida, tanto mais Ele te faz sair de ti mesmo, te descentraliza e abre aos outros. Este é o verdadeiro dinamismo do amor, este é o movimento do próprio Deus! Sem deixar de ser o centro, Deus é sempre dom de Si, relação, vida que se comunica... E assim nos tornamos também nós, se permanecermos unidos a Cristo, porque Ele faz-nos entrar neste dinamismo do amor. Onde há verdadeira vida em Cristo, há abertura ao outro, há saída de si mesmo para ir ao encontro do outro no nome de Cristo. E o trabalho do catequista é este: por amor, sair continuamente de si mesmo para testemunhar Jesus e falar de Jesus, anunciar Jesus. Isto é importante, porque é obra do Senhor: é precisamente o Senhor que nos impele a sair.
- O coração do catequista vive sempre este movimento:
·         Sístole: União com Jesus / Diástole: Encontro com o outro.
·          Uno-me a Jesus e saio ao encontro dos outros.
- Se falta um destes dois movimentos, o coração deixa de bater, não pode viver. Recebe em dom o querigma e, por sua vez, oferece-o em dom. O catequista está consciente de que recebeu um dom: o dom da fé; e dela faz dom aos outros. Isto é maravilhoso! E não reserva uma percentagem para si! Tudo aquilo que recebe, dá-o. Aqui não se trata de um negócio! Não é um negócio! É puro dom: dom recebido e dom transmitido.
3-Não ter medo
- Recomeçar de Cristo significa não ter medo de ir com Ele para as periferias. Não tenha medo de sair dos esquemas para seguir a Deus, porque Deus vai sempre mais além. Sabeis uma coisa? Deus não tem medo! Sabíeis isto?! Não tem medo! Ultrapassa sempre os nossos esquemas! Deus não tem medo das periferias. Se fordes às periferias, encontrá-Lo-eis lá. Deus é sempre fiel, é criativo. Mas, por favor, não se compreende um catequista que não seja criativo. A criatividade é como que a coluna do ser catequista. Deus é criativo, não se fecha, e por isso nunca é rígido. Deus não é rígido! Acolhe-nos, vem ao nosso encontro, compreende-nos. Para sermos fiéis, para sermos criativos, é preciso saber mudar. E porque devo mudar? É para me adequar às circunstâncias em que devo anunciar o Evangelho. Para permanecermos com Deus, é preciso saber sair, não ter medo de sair. Se um catequista se deixa tomar pelo medo, é um covarde; se um catequista se fecha tranquilo, acaba por ser uma estátua de museu: e temos muitos! Se um catequista é rígido, torna-se encarquilhado e estéril. Pergunto-vos: Alguém de vós quer ser covarde, estátua de museu ou estéril? Quando nós, cristãos, estamos fechados no nosso grupo, no nosso movimento, na nossa paróquia, no nosso ambiente, permanecemos fechados; e acontece-nos o que sucede a tudo aquilo que está fechado: quando um quarto está fechado, começa a cheirar a mofo. E se uma pessoa está fechada naquele quarto, adoece!

Atenção, porém! Jesus não diz: Ide, arranjai-vos. Jesus diz: Ide, Eu estou convosco! Nisto está o nosso encanto e a nossa força: se formos, se sairmos para levar o seu Evangelho com amor, com verdadeiro espírito apostólico, com franqueza, Ele caminha conosco, precede-nos. Ele é o primeiro! Para nós, isto é fundamental: Deus sempre nos precede! Quando pensamos que temos de ir para longe, para uma periferia extrema, talvez nos assalte um pouco de medo; mas, na realidade, Ele já está lá: Jesus espera-nos no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sem fé.
Que o Senhor vos abençoe. Maria é nossa Mãe; Maria, nos leva a Jesus!
Papa Francisco 27.09.2013 / Congrego Internacional de Catequese
A integra do Discurso se encontra em www.vatican.van

Sístole - Diástole
- As batidas do coração são os movimentos sincronizados de contração e dilatação:
·         A contração é chamada sístole (União com Deus).
·         A dilatação é chamada diástole (Encontro com o outro).

- Jesus ao nos ensinar a oração do Pai Nosso Ele nos direciona a vivermos estas duas dimensões, que Ele mesmo viveu: “Fiel e Misericordioso” e “Solidário com os homens” Hebreus 2, 17.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Jesus nasceu de Maria


Jesus Cristo... foi Concebido pelo Espírito Santo...
- A Anunciação a Maria inaugura a "plenitude dos tempos" (Gl 4,4), isto é, o cumprimento das promessas e das preparações. Maria é convidada a conceber aquele em quem habitará "corporalmente a plenitude da divindade" (Cl 2,9). A resposta divina à sua pergunta "Como se fará isto, se não conheço homem algum?" (Lc 1,34) é dada pelo poder do Espírito:
"O Espírito Santo virá  sobre ti" (Lc 1,35).

- A missão do Espírito Santo está sempre conjugada e ordenada à do Filho. O Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que é "o Senhor que dá a Vida", fazendo com que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma humanidade proveniente da sua.
- Ao ser concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho Único do Pai é "Cristo", isto é, ungido pelo Espírito Santo desde o início de sua existência humana, ainda que sua manifestação só se realize progressivamente: aos pastores, aos magos, a João Batista, aos discípulos. Toda a Vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, "como Deus o ungiu com o Espírito e com poder" (At 10,38).

Jesus Cristo...Nasceu da Virgem Maria...
- O que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo, mas o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo.
A Predestinação de Maria
- "Deus enviou Seu Filho" (Gl 4,4), mas, para "formar-lhe um corpo" quis a livre cooperação de uma criatura. Por isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galiléia, "uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria" (Lc 1,26-27):
  • Quis o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida.
 A Imaculada Conceição
- Para ser a Mãe do Salvador, Maria "'foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função". No momento da Anunciação, o anjo Gabriel a saúda como "cheia de graça". Efetivamente, para poder dar o assentimento livre de sua fé ao anúncio de sua vocação era preciso que ela estivesse totalmente sob a moção da graça de Deus.

- Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, "cumulada de graça" por Deus, foi redimida desde a concepção. É isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo papa Pio IX:
  • A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano foi preservada imune de toda mancha do pecado original.
- Esta "santidade resplandecente, absolutamente única" da qual Maria é "enriquecida desde o primeiro instante de sua conceição lhe vem inteiramente de Cristo: "Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime". Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a "abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo" (Ef 1,3). Ele a "escolheu nele (Cristo), desde antes da fundação do mundo, para ser santa e imaculada em sua presença, no amor" (Ef 1,4).

- Os Padres da tradição oriental chamam a Mãe de Deus "a toda santa", celebram-na como "imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo, e formada como uma nova criatura". Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.

Faça-se em mim segundo a Tua Palavra
- Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude do Espírito Santo, Maria respondeu com a "obediência da fé", certa de que "nada é impossível a Deus": "Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,37-38).
- Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tornou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção:
  • Como diz Santo Irineu, "obedecendo, se fez causa de salvação tanto para si como para todo o gênero humano. O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade a virgem Maria desligou pela fé". Comparando Maria com Eva, chamam Maria de "mãe dos viventes" e com freqüência afirmam: "Veio a morte por Eva e a vida por Maria".

A maternidade Divina de Maria
- Denominada nos Evangelhos "a Mãe de Jesus" (João 2,1;19,25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como "a Mãe de meu Senhor" (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus.

A Virgindade de Maria
- Desde as primeiras formulações da fé, a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando também o aspecto corporal deste evento: Jesus foi concebido "do Espírito Santo, sem sêmen". Os Padres vêem na conceição virginal o sinal de que foi verdadeiramente o Filho de Deus que veio numa humanidade como a nossa:
  • Assim, Santo Inácio de Antioquia (início do século II) disse: "Estais firmemente convencidos acerca de Nosso Senhor, que é verdadeiramente da raça de Davi segundo a carne, Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus, verdadeiramente nascido de uma virgem... ele foi verdadeiramente pregado, na sua carne, {à cruz} por nossa salvação sob Pôncio Pilatos... ele sofreu verdadeiramente, como também ressuscitou verdadeiramente".

- Os relatos evangélicos entendem a conceição virginal como uma obra divina que ultrapassa toda compreensão e toda possibilidade humanas: "O que foi gerado nela vem do Espírito Santo", diz o anjo a José acerca de Maria, sua noiva (Mt 1,20). A Igreja vê aí o cumprimento da promessa divina dada pelo profeta Isaias: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho" (Is 7,14; Mt 1,23).

CIC-Catecismo da Igreja Católica 484-570

domingo, 13 de outubro de 2013

Pai Nosso explicado

Pai Nosso
- Um dia, em certo lugar, Jesus rezava. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a orar como João ensinou a seus discípulos”. È em resposta a este pedido que o Senhor confia a seus discípulos e à sua Igreja a oração cristã fundamental, o Pai-Nosso.

Pai Nosso que estais no céu...
- Se rezamos verdadeiramente ao "Nosso Pai", saímos do individualismo, pois o Amor que acolhemos nos liberta (do individualismo). O "nosso" do início da Oração do Senhor, como o "nós" dos quatro últimos pedidos, não exclui ninguém. Para que seja dito em verdade, nossas divisões e oposições devem ser superadas.
  • É com razão que estas palavras "Pai Nosso que estais no céu" provêm do coração dos justos, onde Deus habita como que em seu templo. Por elas também o que reza desejará ver morar em si aquele que ele invoca.

Os sete pedidos
- Depois de nos ter posto na presença de Deus, nosso Pai, para adorá-lo, amá-lo e bendizê-lo, o Espírito filial faz subir de nossos corações sete pedidos, sete bênçãos:
- Os três primeiros pedidos nos leva em direção a Ele, para Ele:
vosso Nome, vosso Reino, vossa Vontade!
É próprio do amor pensar primeiro naquele que amamos.
- Em cada um destes três pedidos não nos mencionamos, mas o que se apodera de nós é "o desejo ardente", "a angústia", do Filho bem-amado para a Glória de seu Pai: "Seja santificado... Venha... Seja feita...":
essas três súplicas já foram atendidas pelo Sacrifício do Cristo Salvador, mas se elevam doravante, na esperança, para seu cumprimento final, enquanto Deus ainda não é tudo em todos.

- Os quatro últimos pedidos desenrola-se no ritmo de certas invocações eucarísticas: é apresentação de nossas expectativas e atrai o olhar do Pai das misericórdias. Sobe de nós e nos diz respeito desde agora, neste mundo:
  • dai-nos... perdoai-nos... referem-se à nossa vida, como tal, seja para alimentá-la, seja para curá-la do pecado.
  • não nos deixeis... livrai-nos... referem-se ao nosso combate pela vitória da Vida, o combate da própria oração.
Santificado seja o Vosso Nome...
- Na água do Batismo fomos "lavados, santificados, justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus". Durante toda nossa vida, nosso Pai “nos chama à santidade. E, já que é "por ele que vós sois em Cristo Jesus, que se tornou para nós santificação", contribui para sua Glória e para nossa vida o fato de seu nome ser santificado em nós e por nós. Essa é a urgência de nosso primeiro pedido.
  • Quem poderia santificar a Deus, já que é Ele mesmo quem santifica? Mas, inspirando-nos nesta palavra: "Sede santos porque eu sou Santo", nós pedimos que, santificado pelo Batismo, perseveremos naquilo que começamos a ser. Pedimos todos os dias, porque cometemos faltas todos os dias e devemos purificar-nos de nossos pecados por uma santificação retomada sem cessar... Recorremos, portanto, à oração para que esta santidade permaneça em nós.

Venha a nós o Vosso Reino...
- O Reino de Deus existe antes de nós. Aproximou-se no Verbo encarnado, é anunciado ao longo de todo o Evangelho, veio na morte e na Ressurreição de Cristo. O Reino de Deus vem desde a santa Ceia e na Eucaristia: ele está no meio de nós. O Reino virá na glória quando Cristo o restituir a seu Pai:
  • O Reino de Deus pode até significar o Cristo em pessoa, a quem invocamos com nossas súplicas todos os dias e cuja vinda queremos apressar por nossa espera. Assim como Ele é nossa Ressurreição, pois nele nós ressuscitamos, assim também pode ser o Reino de Deus, pois nele nós reinaremos.

Seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu...
- Pela oração é que podemos "discernir qual é a vontade de Deus" e obter "a perseverança para cumpri-la".
Jesus nos ensina que entramos no Reino dos céus não por palavras, mas “praticando a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).

"Se alguém faz a vontade de Deus, a este Deus escuta" (Jo 9,31).
Tal é a força da oração da Igreja em Nome de seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; é comunhão de intercessão com a Santíssima Mãe de Deus e com todos os santos que foram "agradáveis" ao Senhor por não terem querido fazer senão a Sua Vontade.
O pão nosso de cada dia nos daí hoje...
"Reza e trabalha." "Rezai como se tudo dependesse de Deus e trabalhai como se tudo dependesse de vós." Tendo realizado nosso trabalho, o alimento fica sendo um dom de nosso Pai; convém pedi-lo e disso render-lhe graças. É esse o sentido da bênção da mesa numa família cristã.
- Este pedido e a responsabilidade que ele implica valem também para outra fome da qual os homens padecem: "O homem não vive apenas de pão, mas de tudo aquilo que procede da boca de Deus", isto é, Sua Palavra e seu Sopro.
­ Os cristãos devem envidar todos os seus esforços para "anunciar o Evangelho aos pobres". Há uma fome na terra, "não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a Palavra de Deus" (Amós 8,11). Por isso, o sentido especificamente cristão desse quarto pedido refere-se ao Pão de Vida: a Palavra de Deus a ser acolhida na fé, o Corpo de Cristo recebido na Eucaristia.
  • A Eucaristia é nosso pão cotidiano. A virtude própria deste alimento divino é uma força de união que nos vincula ao Corpo do Salvador e nos faz seus membros, a fim de que nos transformemos naquilo que recebemos... Este pão cotidiano está ainda nas leituras que ouvis cada dia na Igreja, nos hinos que são cantados e que vós cantais. Tudo isso é necessário à nossa peregrinação.
- O Papai do céu nos exorta a pedir, como filhos do céu, o Pão do céu, Cristo: "é Ele mesmo o pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na Paixão, cozido no forno do sepulcro, colocado em reserva na Igreja, levado aos altares, proporciona cada dia aos fiéis um alimento celeste".

Perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...
- Neste pedido, nós nos voltamos ao Papai como o filho pródigo, e nos reconhecemos pecadores, diante dele, como o publicano (Lc 15, 11-32; 18,13).
- Nosso pedido começa por uma "confissão", na qual declaramos, ao mesmo tempo, nossa miséria e Sua Misericórdia.
- Este mar de misericórdia não pode penetrar em nosso coração enquanto não tivermos perdoado aos que nos ofenderam.
- O amor, como o Corpo de Cristo, é indivisível: não podemos amar o Deus que não vemos, se não amamos o irmão, a irmã, que vemos.
Recusando-nos a perdoar nossos irmãos e irmãs, nosso coração se fecha,
sua dureza o torna impermeável ao amor misericordioso do Papai.
- Confessando nosso pecado, nosso coração se abre à sua graça.
Oremos: Por livre vontade e a exemplo de Jesus, perdoo, rezo, amo, abençoo e agradeço a Deus pela vida de todas as pessoas que sinto que me rejeitam, me odeiam e amaldiçoam, não me amam, não me aceitam, me difamam e perseguem.
Não nos deixeis cair em tentação...
- Este pedido atinge a raiz do precedente, pois nossos pecados são fruto do consentimento na tentação. Pedimos ao nosso Papai que não nos "deixe cair" nela. Nós lhe pedimos que não nos deixe enveredar pelo caminho que conduz ao pecado. Estamos empenhados no combate "entre a carne e o Espírito". Este pedido implora o Espírito de discernimento e de fortaleza.

- O Espírito Santo nos faz discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior em vista de uma "virtude comprovada", e a tentação, que leva ao pecado e à morte. Devemos também discernir entre "ser tentado e consentir" na tentação. Por fim, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, seu objeto é "bom, sedutor para a vista, agradável" (Gn 3,6), ao passo que, na realidade, seu fruto é a morte.

Livrai-nos do mal...
- O último pedido ao nosso Papai aparece, também, na oração de Jesus: "Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno" (Jo 17,15). Diz respeito a cada um de nós pessoalmente, mas somos sempre "nós" que rezamos em comunhão com toda a Igreja e pela libertação de toda a família humana.

"Homicida desde o princípio, mentiroso e pai da mentira" (Jo 8,44), "Satanás, sedutor de toda a terra habitada" (Ap 12,9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo e é por sua derrota definitiva que a criação toda será "liberta da corrupção do pecado e da morte".
- Ao pedir que nos livre do maligno, pedimos igualmente que sejamos libertados de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador.

- Neste último pedido, a Igreja traz toda a miséria do mundo diante do Pai. - Com a libertação dos males que oprimem a humanidade, ela implora o dom precioso da paz e a graça de esperar perseverantemente o retorno de Cristo. Rezando dessa forma, ela antecipa, na humildade da fé, a recapitulação de todos e de tudo naquele que...
"detém as chaves da morte e do hades" (Ap 1,18),
"O Todo-Poderoso, Aquele que é, Aquele que era Aquele que vem" (Ap 1,8).

(CIC-Catecismo da Igreja Católica §2759-2865)
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