Mostrando postagens com marcador Leigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leigos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Fiéis de Cristo: Hierarquia, Leigos e Vida Consagrada

§871. "Fiéis são os que, incorporados a Cristo pelo Batismo, foram constituídos em povo de Deus e, assim, feitos participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, são chamados a exercer, seguindo a condição própria de cada um, a missão que Deus confiou para a Igreja cumprir no mundo."

§872. "Entre todos os fiéis de Cristo, por sua regeneração em Cristo, vigora, no que se refere à dignidade e à atividade, uma verdadeira igualdade, pela qual todos, segundo a condição e os múnus próprios de cada um, cooperam na construção do Corpo de Cristo."

§873. As próprias diferenças que o Senhor quis estabelecer entre os membros de seu Corpo servem à sua unidade e à sua missão. Pois, embora "exista na Igreja diversidade de serviços, há unidade de missão.
·         Cristo confiou aos apóstolos e a seus sucessores o múnus de ensinar, de santificar e de governar em seu nome e por seu poder.
·         Os leigos, por sua vez, participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, compartilham a missão de todo o povo de Deus na Igreja e no mundo".
·         Finalmente, "em ambas as categorias [hierarquia e leigos] há fiéis que, pela profissão dos conselhos evangélicos, se consagram, em seu modo especial, a Deus e servem à missão salvífica da Igreja; seu estado, embora não faça parte da estrutura hierárquica da Igreja, pertence, não obstante, à sua vida e santidade".

A constituição hierárquica da Igreja
Por que o Ministério Eclesial?
§874. O próprio Cristo é a fonte do ministério na Igreja. Instituiu-a, deu-lhe autoridade e missão, orientação e finalidade:
  • Para apascentar e aumentar sempre o Povo de Deus, Cristo Senhor instituiu em sua Igreja uma variedade de ministérios que tendem ao bem de todo o Corpo. Pois os ministros que são revestidos do sagrado poder servem a seus irmãos para que todos os que formam o Povo de Deus... cheguem à salvação.
§875. "Como poderiam crer naquele que não ouviram? E como poderiam ouvir sem pregador? E como podem pregar se não forem enviados?" (Romanos 10,14-15).
Ninguém, nenhum indivíduo, nenhuma comunidade pode anunciar a si mesmo o Evangelho. "A fé vem da pregação" (Romanos 10,17).
Ninguém pode dar a si mesmo o mandato e a missão de anunciar o Evangelho.
  • O enviado do Senhor fala e age não por autoridade própria, mas em virtude da autoridade de Cristo;
  • não como membro da comunidade, mas falando a ela em nome de Cristo.
Ninguém pode conferir a si mesmo a graça;
·         ela precisa ser dada e oferecida.
Isto supõe ministros da graça autorizados e habilitados da parte de Cristo. Dele, os bispos e os presbíteros recebem a missão e a faculdade (o "poder sagrado") de agir "na pessoa de Cristo-Cabeça", os diáconos, a força de servir o Povo de Deus na "diaconia" da liturgia, da palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e seu presbitério.
A tradição da Igreja chama de "sacramento" este ministério, pelo qual os enviados de Cristo fazem e dão, por dom de Deus, o que não podem fazer nem dar por si mesmos. O ministério da Igreja é conferido por um sacramento específico.

§876. Intrinsecamente ligado à natureza sacramental do ministério eclesial está o seu caráter de serviço.
Com efeito, inteiramente dependentes de Cristo, que dá missão e autoridade, os ministros são verdadeiramente "servos de Cristo", a imagem de Cristo que assumiu livremente por nós "a forma de servo" (Filipenses 2,7).
Já que a palavra e a graça de que são ministros não são deles, mas de Cristo, que lhas confiou aos outros, eles se farão livremente servos de todos.

§877. Igualmente, é da natureza sacramental do ministério eclesial que exista um caráter colegial.
Efetivamente, desde o início de seu ministério o Senhor Jesus instituiu os Doze, "os germes do Novo Israel e ao mesmo tempo a origem da sagrada hierarquia. Escolhidos conjuntamente são também enviados conjuntamente, e sua união fraterna estará a serviço da comunhão fraterna de todos os fiéis; esta união será como um reflexo e um testemunho da comunhão das pessoas divinas.
Por isso, todo bispo exerce seu ministério dentro do colégio episcopal, em comunhão com o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro e chefe do colégio; os presbíteros exercem seu ministério dentro do presbitério da diocese, sob a direção de seu Bispo.

§878. Finalmente, é da natureza sacramental do ministério eclesial que haja um caráter pessoal.
Se os ministros de Cristo agem em comunhão, agem também sempre de maneira pessoal. Cada um é chamado pessoalmente - "Tu, segue-me (João 21,22) - para ser, na missão comum, testemunha pessoal, assumindo pessoalmente a responsabilidade diante daquele que dá a missão, agindo "em sua pessoa" e em favor de pessoas: "Eu te batizo em nome do Pai... "Eu te perdôo...".

§879. O ministério sacramental na Igreja é um serviço exercido em nome de Cristo, que tem caráter pessoal e forma colegial.
Isto verifica-se nos vínculos entre o colégio episcopal e seu chefe, o sucessor de Pedro, e na relação entre a responsabilidade pastoral do Bispo por sua Igreja particular e a solicitude comum do colégio episcopal pela Igreja Universal.

CIC - Catecismo da Igreja Católica

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Morte dos Santos inocentes

Menino Bernardo
Herodes daqui, Herodes de lá. O tirano continua a matar.
Matou os inocentes, matou Isabela, Joaquim, e agora Bernardo.
Quantos outros ainda irá matar? Quantos outros teremos de chorar?
Aquele menino gaúcho, tranquilo, abraços ele pedia sem cessar.
Pedia ajuda, queria um lar.
A nossa justiça, senhora falida, o menino Bernardo à Herodes mandou entregar.
Parecia Pilatos, suas mãos a lavar.
Era um doce menino que queria um lar.
Na comunidade ele sempre estava a ajudar.
Era coroinha, servia ao altar, na igreja da Mártir Inês, e ele estava a trabalhar.
Na sua comunidade encontrava forças para voltar para casa e a Herodes encontrar.
Quantos outros nós iremos chorar?
Choremos agora, choremos sem cessar, mas saiamos de nós mesmos e nos coloquemos a lutar, a gritar, a reclamar!
Os inocentes não devem mais pagar! Sua vida Herodes não pode mais tirar!
No céu ele está, num Santo lugar.
O menino Bernardo não precisa mais chorar.
Pela sua morte dolorosa, com Jesus a Cruz, ele estava a carregar.
E agora com Jesus, Bernardo ressuscitado está.
Pequeno gaúchinho, menino carinhoso, pede por nós a Jesus.
Que ele nos console. Que Herodes não retorne.
Que os inocentes vivam, em paz, tranquilos, na Luz.
Seminarista Adailton Gomes
https://www.facebook.com/adailtongomesnogueira
23/04/2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Encontro com Jesus nas devoções

A piedade popular como lugar de encontro com Jesus Cristo
§258. O Santo Padre destacou a “rica e profunda religiosidade popular, na qual aparece a alma dos povos latino-americanos”, e a apresentou como “o precioso tesouro da Igreja Católica na América Latina”. Convidou a promovê-la e a protegê-la.
- Essa maneira de expressar a fé está presente de diversas formas em todos os setores sociais, em uma multidão que merece nosso respeito e carinho, porque sua piedade “reflete uma sede de Deus que somente os pobres e simples podem conhecer”. A “religião do povo latino-americano é expressão da fé católica.
- É um catolicismo popular”, profundamente inculturado, que contém a dimensão mais valiosa da cultura latino-americana.

§259. Entre as expressões dessa espiritualidade contam-se:
* as festas patronais, as novenas, os rosários e via-sacras, as procissões,
* as danças e os cânticos do folclore religioso, o carinho aos santos e aos anjos, as promessas, as orações em família.
- Destacamos as peregrinações onde é possível reconhecer o Povo de Deus a caminho. Aí o cristão celebra a alegria de se sentir imerso em meio a tantos irmãos, caminhando juntos para Deus que os espera.
- O próprio Cristo se faz peregrino e caminha ressuscitado entre os pobres. - A decisão de caminhar em direção ao santuário já é uma confissão de fé, o caminhar é um verdadeiro canto de esperança e a chegada é um encontro de amor.
- O olhar do peregrino se deposita sobre uma imagem que simboliza a ternura e a proximidade de Deus. O amor se detém, contempla o mistério, desfruta dele em silêncio.
- Também se comove, derramando todo o peso de sua dor e de seus sonhos. A súplica sincera, que flui confiante, é a melhor expressão de um coração que renunciou à auto-suficiência, reconhecendo que sozinho nada pode.
- Um breve instante condensa uma viva experiência espiritual.

§260. Aí, o peregrino vive a experiência de um mistério que o supera, não só da transcendência de Deus, mas também da Igreja, que transcende sua família e seu bairro. Nos santuários, muitos peregrinos tomam decisões que marcam suas vidas. As paredes dos santuários contêm muitas histórias de conversão, de perdão e de dons recebidos que milhões poderiam contar.
§261. A piedade popular penetra delicadamente a existência pessoal de cada fiel e, ainda que se viva em uma multidão, não é uma “espiritualidade de massas”. Nos diferentes momentos da luta cotidiana, muitos recorrem a algum pequeno sinal do amor de Deus: um crucifixo, um rosário, uma vela que se acende para acompanhar um filho em sua enfermidade, um Pai Nosso recitado entre lágrimas, um olhar entranhável a uma imagem querida de Maria, um sorriso dirigido ao Céu em meio a uma alegria singela.

§262. É verdade que a fé que se encarnou na cultura pode ser aprofundada e penetrar cada vez mais na forma de viver de nossos povos.
- Mas isso só pode acontecer se valorizarmos positivamente o que o Espírito Santo já semeou. A piedade popular é “imprescindível ponto de partida para conseguir que a fé do povo amadureça e se faça mais fecunda”.
- Por isso, o discípulo missionário precisa ser “sensível a ela, saber perceber suas dimensões interiores e seus valores inegáveis”. Quando afirmamos que é necessário evangelizá-la ou purificá-la, não queremos dizer que esteja privada de riqueza evangélica. Simplesmente desejamos que todos os membros do povo fiel, reconhecendo o testemunho de Maria e também dos santos, procurem imitá-los cada dia mais. Assim procurarão contato mais direto com a Bíblia e maior participação nos sacramentos, chegarão a desfrutar da celebração dominical da Eucaristia e viverão ainda melhor o serviço do amor solidário.
- Por esse caminho será possível aproveitar ainda mais o rico potencial de santidade e justiça social que a mística popular encerra.

§263. Não podemos desvalorizar a espiritualidade popular ou considerá-la como modo secundário da vida cristã, porque seria esquecer o primado da ação do Espírito e a iniciativa gratuita do amor de Deus. A piedade popular contém e expressa um intenso sentido da transcendência, uma capacidade espontânea de se apoiar em Deus e uma verdadeira experiência de amor teologal.
- É também uma expressão de sabedoria sobrenatural, porque a sabedoria do amor não depende diretamente da ilustração da mente, mas da ação interna da graça. Por isso, a chamamos de espiritualidade popular. Ou seja, uma espiritualidade cristã que, sendo um encontro pessoal com o Senhor, integra muito o corpóreo, o sensível, o simbólico e as necessidades mais concretas das pessoas. É uma espiritualidade encarnada na cultura dos simples, que nem por isso é menos espiritual, mas que o é de outra maneira.

§264. A piedade popular é uma maneira legítima de viver a fé, um modo de se sentir parte da Igreja e uma forma de ser missionários, onde se recolhem as mais profundas vibrações da América Latina. É parte de uma “originalidade histórica cultural” dos pobres deste Continente, e fruto de “uma síntese entre as culturas e a fé cristã”.
- No ambiente de secularização que vivem nossos povos, continua sendo uma poderosa confissão do Deus vivo que atua na história e um canal de transmissão da fé.
- O caminhar juntos para os santuários e o participar em outras manifestações da piedade popular, levando também os filhos ou convidando a outras pessoas, é em si mesmo um gesto evangelizador pelo qual o povo cristão evangeliza a si mesmo e cumpre a vocação missionária da Igreja.

§265. Nossos povos se identificam particularmente com o Cristo sofredor, olham-no, beijam-no ou tocam seus pés machucados, como se dissessem: Este é “o que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).
- Muitos deles golpeados, ignorados, despojados, não abaixam os braços.
- Com sua religiosidade característica se agarram no imenso amor que Deus tem por eles e que lhes recorda permanentemente sua própria dignidade.
- Também encontram a ternura e o amor de Deus no rosto de Maria. Nela vêem refletida a mensagem essencial do Evangelho. Nossa Mãe querida, desde o santuário de Guadalupe, faz sentir a seus filhos menores que eles estão na dobra de seu manto. Agora, desde Aparecida, convida-os a lançar as redes ao mundo, para tirar do anonimato aqueles que estão submersos no esquecimento e aproximá-los da luz da fé. Ela, reunindo os filhos, integra nossos povos ao redor de Jesus Cristo.


Documento de Aparecida 2007

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Coração do Evangelho, 2ª parte

Continua... A missão que se encarna nas limitações humanas
41. Ao mesmo tempo, as enormes e rápidas mudanças culturais exigem que prestemos constante atenção ao tentar exprimir as verdades de sempre numa linguagem que permita reconhecer a sua permanente novidade; é que, no depósito da doutrina cristã, «uma coisa é a substância (...) e outra é a formulação que a reveste». Por vezes, mesmo ouvindo uma linguagem totalmente ortodoxa, aquilo que os fiéis recebem, devido à linguagem que eles mesmos utilizam e compreendem, é algo que não corresponde ao verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. 
- Com a santa intenção de lhes comunicar a verdade sobre Deus e o ser humano, nalgumas ocasiões, damos-lhes um falso deus ou um ideal humano que não é verdadeiramente cristão. Deste modo, somos fiéis a uma formulação, mas não transmitimos a substância. Este é o risco mais grave. Lembremo-nos de que «a expressão da verdade pode ser multiforme. E a renovação das formas de expressão torna-se necessária para transmitir ao homem de hoje a mensagem evangélica no seu significado imutável».

42. Isto possui uma grande relevância no anúncio do Evangelho, se temos verdadeiramente a peito fazer perceber melhor a sua beleza e fazê-la acolher por todos. Em todo o caso, não poderemos jamais tornar os ensinamentos da Igreja uma realidade facilmente compreensível e felizmente apreciada por todos; a fé conserva sempre um aspecto de cruz, certa obscuridade que não tira firmeza à sua adesão. 
- Há coisas que se compreendem e apreciam só a partir desta adesão que é irmã do amor, para além da clareza com que se possam compreender as razões e os argumentos. Por isso, é preciso recordar-se de que cada ensinamento da doutrina deve situar-se na atitude evangelizadora que desperte a adesão do coração com a proximidade, o amor e o testemunho.

43. No seu constante discernimento, a Igreja pode chegar também a reconhecer costumes próprios não diretamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns muito radicados no curso da história, que hoje já não são interpretados da mesma maneira e cuja mensagem habitualmente não é percebida de modo adequado. Podem até ser belos, mas agora não prestam o mesmo serviço à transmissão do Evangelho. 
- Não tenhamos medo de os rever! Da mesma forma, há normas ou preceitos eclesiais que podem ter sido muito eficazes noutras épocas, mas já não têm a mesma força educativa como canais de vida. São Tomás de Aquino sublinhava que os preceitos dados por Cristo e pelos Apóstolos ao povo de Deus «são pouquíssimos». E, citando Santo Agostinho, observava que os preceitos adicionados posteriormente pela Igreja se devem exigir com moderação, «para não tornar pesada a vida aos fiéis» nem transformar a nossa religião numa escravidão, quando «a misericórdia de Deus quis que fosse livre». Esta advertência, feita há vários séculos, tem uma atualidade tremenda. Deveria ser um dos critérios a considerar, quando se pensa numa reforma da Igreja e da sua pregação que permita realmente chegar a todos.

44. Aliás, tanto os Pastores como todos os fiéis que acompanham os seus irmãos na fé ou num caminho de abertura a Deus não podem esquecer aquilo que ensina, com muita clareza, o Catecismo da Igreja Católica: «A imputabilidade e responsabilidade dum ato podem ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as afeições desordenadas e outros fatores psíquicos ou sociais».
Portanto, sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar, com misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia.
- Aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor que nos incentiva a praticar o bem possível. Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades. A todos deve chegar a consolação e o estímulo do amor salvífico de Deus, que opera misteriosamente em cada pessoa, para além dos seus defeitos e das suas quedas.

45. Vemos assim que o compromisso evangelizador se move por entre as limitações da linguagem e das circunstâncias. Procura comunicar cada vez melhor a verdade do Evangelho num contexto determinado, sem renunciar à verdade, ao bem e à luz que pode dar quando a perfeição não é possível. 
- Um coração missionário está consciente destas limitações, fazendo-se «fraco com os fracos (...) e tudo para todos» (1 Cor 9, 22). Nunca se fecha, nunca se refugia nas próprias seguranças, nunca opta pela rigidez auto-defensiva. Sabe que ele mesmo deve crescer na compreensão do Evangelho e no discernimento das sendas do Espírito, e assim não renuncia ao bem possível, ainda que corra o risco de sujar-se com a lama da estrada.

Uma mãe de coração aberto
46. A Igreja «em saída» é uma Igreja com as portas abertas. Sair em direção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direção nem sentido. Muitas vezes é melhor diminuir o ritmo, pôr de parte a ansiedade para olhar nos olhos e escutar, ou renunciar às urgências para acompanhar quem ficou caído à beira do caminho. Às vezes, é como o pai do filho pródigo, que continua com as portas abertas para, quando este voltar, poder entrar sem dificuldade.

48. Se a Igreja inteira assume este dinamismo missionário, há de chegar a todos, sem exceção. Mas, a quem deveria privilegiar?
- Quando se lê o Evangelho, encontramos uma orientação muito clara: não tanto aos amigos e vizinhos ricos, mas sobretudo aos pobres e aos doentes, àqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, «àqueles que não têm com que te retribuir» (Lc 14, 14). Não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem esta mensagem claríssima. Hoje e sempre, «os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho», e a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer. Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos!

49. Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a Igreja, aquilo que muitas vezes disse aos sacerdotes e aos leigos de Buenos Aires: prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. 
- Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. 
- Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6, 37).


Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” Papa Francisco 24.11.2013

Coração do Evangelho, 1ª parte

A partir do coração do Evangelho
34. Se pretendemos colocar tudo em chave missionária, isso aplica-se também à maneira de comunicar a mensagem. No mundo atual, com a velocidade das comunicações e a seleção interessada dos conteúdos feita pelos mass-media, a mensagem que anunciamos corre mais do que nunca o risco de aparecer mutilada e reduzida a alguns dos seus aspectos secundários. Consequentemente, algumas questões que fazem parte da doutrina moral da Igreja ficam fora do contexto que lhes dá sentido. 
- O problema maior ocorre quando a mensagem que anunciamos parece então identificada com tais aspectos secundários, que, apesar de serem relevantes, por si sozinhos não manifestam o coração da mensagem de Jesus Cristo. Portanto, convém ser realistas e não dar por suposto que os nossos interlocutores conhecem o horizonte completo daquilo que dizemos ou que eles podem relacionar o nosso discurso com o núcleo essencial do Evangelho que lhe confere sentido, beleza e fascínio.

35. Uma pastoral em chave missionária não está obsessionada pela transmissão desarticulada de uma imensidade de doutrinas que se tentam impor à força de insistir. Quando se assume um objetivo pastoral e um estilo missionário, que chegue realmente a todos sem exceções nem exclusões, o anúncio concentra-se no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário. A proposta acaba simplificada, sem com isso perder profundidade e verdade, e assim se torna mais convincente e radiosa.

36. Todas as verdades reveladas procedem da mesma fonte divina e são acreditadas com a mesma fé, mas algumas delas são mais importantes por exprimir mais diretamente o coração do Evangelho. Neste núcleo fundamental, o que sobressai é a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado. Neste sentido, o Concílio Vaticano II afirmou que «existe uma ordem ou “hierarquia” das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente». Isto é válido tanto para os dogmas da fé como para o conjunto dos ensinamentos da Igreja, incluindo a doutrina moral.

37. São Tomás de Aquino ensinava que, também na mensagem moral da Igreja, há uma hierarquia nas virtudes e ações que delas procedem. Aqui o que conta é, antes de mais nada, «a fé que atua pelo amor» (Gal 5, 6). As obras de amor ao próximo são a manifestação externa mais perfeita da graça interior do Espírito: «O elemento principal da Nova Lei é a graça do Espírito Santo, que se manifesta através da fé que opera pelo amor». Por isso afirma que, relativamente ao agir exterior, a misericórdia é a maior de todas as virtudes:
«Em si mesma, a misericórdia é a maior das virtudes; na realidade, compete-lhe debruçar-se sobre os outros e – o que mais conta – remediar as misérias alheias. Ora, isto é tarefa especialmente de quem é superior; é por isso que se diz que é próprio de Deus usar de misericórdia e é, sobretudo nisto, que se manifesta a sua omnipotência».

38. É importante tirar as consequências pastorais desta doutrina conciliar, que recolhe uma antiga convicção da Igreja. Antes de mais nada, deve-se dizer que, no anúncio do Evangelho, é necessário que haja uma proporção adequada. Esta reconhece-se na frequência com que se mencionam alguns temas e nas acentuações postas na pregação. Por exemplo, se um pároco, durante um ano litúrgico, fala dez vezes sobre a temperança e apenas duas ou três vezes sobre a caridade ou sobre a justiça, gera-se uma desproporção, acabando obscurecidas precisamente aquelas virtudes que deveriam estar mais presentes na pregação e na catequese. E o mesmo acontece quando se fala mais da lei que da graça, mais da Igreja que de Jesus Cristo, mais do Papa que da Palavra de Deus.

39. Tal como existe uma unidade orgânica entre as virtudes que impede de excluir qualquer uma delas do ideal cristão, assim também nenhuma verdade é negada. Não é preciso mutilar a integridade da mensagem do Evangelho. Além disso, cada verdade entende-se melhor se a colocarmos em relação com a totalidade harmoniosa da mensagem cristã: e, neste contexto, todas as verdades têm a sua própria importância e iluminam-se reciprocamente. 
- Quando a pregação é fiel ao Evangelho, manifesta-se com clareza a centralidade de algumas verdades e fica claro que a pregação moral cristã não é uma ética estóica, é mais do que uma ascese, não é uma mera filosofia prática nem um catálogo de pecados e erros. O Evangelho convida, antes de tudo, a responder a Deus que nos ama e salva, reconhecendo-O nos outros e saindo de nós mesmos para procurar o bem de todos. Este convite não há de ser obscurecido em nenhuma circunstância! 
- Todas as virtudes estão ao serviço desta resposta de amor. Se tal convite não refulge com vigor e fascínio, o edifício moral da Igreja corre o risco de se tornar um castelo de cartas, sendo este o nosso pior perigo; é que, então, não estaremos propriamente a anunciar o Evangelho, mas algumas acentuações doutrinais ou morais, que derivam de certas opções ideológicas. A mensagem correrá o risco de perder o seu frescor e já não ter «o perfume do Evangelho».

A missão que se encarna nas limitações humanas
40. A Igreja, que é discípula missionária, tem necessidade de crescer na sua interpretação da Palavra revelada e na sua compreensão da verdade. A tarefa dos exegetas e teólogos ajuda a «amadurecer o juízo da Igreja». Embora de modo diferente, fazem-no também as outras ciências. Referindo-se às ciências sociais, por exemplo, João Paulo II disse que a Igreja presta atenção às suas contribuições «para obter indicações concretas que a ajudem no cumprimento da sua missão de Magistério». Além disso, dentro da Igreja, há inúmeras questões à volta das quais se indaga e reflete com grande liberdade. 
- As diversas linhas de pensamento filosófico, teológico e pastoral, se se deixam harmonizar pelo Espírito no respeito e no amor, podem fazer crescer a Igreja, enquanto ajudam a explicitar melhor o tesouro riquíssimo da Palavra. A quantos sonham com uma doutrina monolítica defendida sem nuances por todos, isto poderá parecer uma dispersão imperfeita; mas a realidade é que tal variedade ajuda a manifestar e desenvolver melhor os diversos aspectos da riqueza inesgotável do Evangelho.
- São Tomás de Aquino sublinhava que a multiplicidade e a distinção «provêm da intenção do primeiro agente», d’Aquele que quis que, «aquilo que faltasse a cada coisa para representar a bondade divina, fosse compensado pelas outras», porque a sua bondade «não poderia ser representada convenientemente por uma só criatura» (Suma I, q. 47, a. 1).
- Por isso, precisamos de captar a variedade das coisas nas suas múltiplas relações. Por análogas razões, temos necessidade de ouvir-nos uns aos outros e completar-nos na nossa recepção parcial da realidade e do Evangelho.


Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” Papa Francisco 24.11.2013

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Renovação Eclesial

Uma renovação eclesial inadiável
27. Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à auto-preservação.
A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de «saída» e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade. Como dizia João Paulo II aos Bispos da Oceânia, «toda a renovação na Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial».

28. A paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do Pastor e da comunidade. Embora não seja certamente a única instituição evangelizadora, se for capaz de se reformar e adaptar constantemente, continuará a ser «a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas». Isto supõe que esteja realmente em contato com as famílias e com a vida do povo, e não se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos.    A paróquia é presença eclesial no território, âmbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a caridade generosa, a adoração e a celebração. Através de todas as suas atividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização. É comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário. Temos, porém, de reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias ainda não deu suficientemente fruto, tornando-as ainda mais próximas das pessoas, sendo âmbitos de viva comunhão e participação e orientando-as completamente para a missão.

29. As outras instituições eclesiais, comunidades de base e pequenas comunidades, movimentos e outras formas de associação são uma riqueza da Igreja que o Espírito suscita para evangelizar todos os ambientes e setores. Frequentemente trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja. Mas é muito salutar que não percam o contato com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular. Esta integração evitará que fiquem só com uma parte do Evangelho e da Igreja, ou que se transformem em nómades sem raízes.

30. Cada Igreja particular, porção da Igreja Católica sob a guia do seu Bispo, está, também ela, chamada à conversão missionária. Ela é o sujeito primário da evangelização, enquanto é a manifestação concreta da única Igreja num lugar da terra e, nela, «está verdadeiramente presente e opera a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica».
É a Igreja encarnada num espaço concreto, dotada de todos os meios de salvação dados por Cristo, mas com um rosto local. A sua alegria de comunicar Jesus Cristo exprime-se tanto na sua preocupação por anunciá-Lo noutros lugares mais necessitados, como numa constante saída para as periferias do seu território ou para os novos âmbitos socioculturais. - Procura estar sempre onde fazem mais falta a luz e a vida do Ressuscitado. Para que este impulso missionário seja cada vez mais intenso, generoso e fecundo, exorto também cada uma das Igrejas particulares a entrar decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma.

31. O Bispo deve favorecer sempre a comunhão missionária na sua Igreja diocesana, seguindo o ideal das primeiras comunidades cristãs, em que os crentes tinham um só coração e uma só alma (cf. Act 4, 32).
Para isso, às vezes pôr-se-á à frente para indicar a estrada e sustentar a esperança do povo, outras vezes manter-se-á simplesmente no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, deverá caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram e sobretudo porque o próprio rebanho possui o olfato para encontrar novas estradas.
Na sua missão de promover uma comunhão dinâmica, aberta e missionária, deverá estimular e procurar o amadurecimento dos organismos de participação propostos pelo Código de Direito Canónico34 e de outras formas de diálogo pastoral, com o desejo de ouvir a todos, e não apenas alguns sempre prontos a lisonjeá-lo. Mas o objetivo destes processos participativos não há de ser principalmente a organização eclesial, mas o sonho missionário de chegar a todos.

32. Dado que sou chamado a viver aquilo que peço aos outros, devo pensar também numa conversão do papado. Compete-me, como Bispo de Roma, permanecer aberto às sugestões tendentes a um exercício do meu ministério que o torne mais fiel ao significado que Jesus Cristo pretendeu dar-lhe e às necessidades atuais da evangelização.
O Papa João Paulo II pediu que o ajudassem a encontrar «uma forma de exercício do primado que, sem renunciar de modo algum ao que é essencial da sua missão, se abra a uma situação nova». Pouco temos avançado neste sentido. Também o papado e as estruturas centrais da Igreja universal precisam de ouvir este apelo a uma conversão pastoral.
O Concílio Vaticano II afirmou que, à semelhança das antigas Igrejas patriarcais, as conferências episcopais podem «aportar uma contribuição múltipla e fecunda, para que o sentimento colegial leve a aplicações concretas». Mas este desejo não se realizou plenamente, porque ainda não foi suficientemente explicitado um estatuto das conferências episcopais que as considere como sujeitos de atribuições concretas, incluindo alguma autêntica autoridade doutrinal. Uma centralização excessiva, em vez de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária.

33. A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: «fez-se sempre assim». Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades.
Uma identificação dos fins, sem uma condigna busca comunitária dos meios para os alcançar, está condenada a traduzir-se em mera fantasia. A todos exorto a aplicarem, com generosidade e coragem, as orientações deste documento, sem impedimentos nem receios. Importante é não caminhar sozinho, mas ter sempre em conta os irmãos e, de modo especial, a guia dos Bispos, num discernimento pastoral sábio e realista.

Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” Papa Francisco 24.11.2013

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Temperamento controlado pelo Espírito Santo

Autocontrole
- Autocontrole ou autodisciplina; a inclinação instintiva é adotar a atitude do mínimo de resistência.
- O autocontrole solucionará o problema do Cristão quanto às explosões de raiva, ódio, medo, ciúme, etc.. e o possibilita de evitar excessos emocionais de qualquer espécie.
- O temperamento controlado pelo Espírito é aquele que é estável, digno de confiança e ordenado.
- A vida religiosa inconsistente e sem proveito é comum entre os 4-temperamentos, porém será vencida pela plenitude do Espírito de Autocontrole que lhe dará forças para nutrir-se da Palavra de Deus diariamente.

- O Srº Sanguíneo é por demais inquieto e pusilânime por natureza para levantar-se mais cedo e ter um período dedicado a Palavra de Deus;

- O Srº Colérico tem a força de vontade suficientemente forte para ser consistente em qualquer coisa que decida fazer, mas seu problema é compreender a necessidade de tal hábito, leva algum tempo para compreender o que Jesus disse: “Sem mim nada podeis fazer”;

- O Srº Melancólico é o mais provável dos quatro a ser metódico em sua vida religiosa, embora sua capacidade analítica, muitas vezes, o faça partir em busca de uma verdade abstrata, teologicamente sutil em demasia, em vez de permitir que Deus lhe fale, quando controlado pelo Espírito Santo sua vida de oração será “dar Graças” (I Tess 5,18);

- O Srº Fleumático tem a tendência de recomendar um período metódico de calma, mas se sua inclinação morosa, indolente e indiferente não for controlada pelo Espírito Santo, ele jamais conseguirá suprir-se metodicamente da Palavra de Deus.

- A medida que vê essas nove características admiráveis do homem pleno do Espírito, você não apenas vislumbra o que Deus deseja de você, mas o que Ele está disposto a fazer de você, apesar de seu temperamento ingênito. - Deve-se ter em mente que nenhuma quantidade de auto aperfeiçoamento ou auto esforço pode trazer quaisquer dessas características para nossas vidas sem o poder do Espírito Santo.
- Conclui-se que a mais importante e única coisa na vida de qualquer Cristão é sentir-se pleno do Espírito Santo.

- Como posso ficar pleno do Espírito Santo?
Basicamente é:
¨  Aceitar Jesus Cristo com seu Senhor e Salvador!
¨  Em oração buscar uma intimidade com o Espírito Santo!
¨  Encare suas fraquezas como pecado!
¨  Confesse seu pecado todas as vezes! (João1,9)
¨  Peça ao seu amoroso Pai Celeste para livra-lo deste hábito! (João 5,14)
¨  Creia que Deus tenha dado a vitória!
¨  Solicite a plenitude do Espírito Santo! (Lucas 11,13 - Efésios 5,18)
¨  Andai segundo o Espírito e habitai em Cristo! (João 5,1-11 - Gálatas 5,16)
- O cristão pleno é aquele que é capaz de:
·         Regozijar-se sempre (Filipenses 4,4)
·         Render Graças em todas as circunstâncias (I Tess 5,18)

Para descansar
“O super esforçado Colérico fabrica as invenções do genial Melancólico,
as quais são vendidas pelo elegante Sanguíneo e desfrutadas pelo afável Fleumático”
¨  O Sanguíneo gosta das pessoas e depois as esquece;
¨  As pessoas aborrecem o Melancólico, mas ele as deixa seguir seus caminhos tortuosos;
¨  O Colérico rico utiliza as pessoas para seu beneficio próprio, mais tarde, ele as ignora;
¨  O Fleumático analisa as pessoas com indiferença desdenhosa;
- Isso faz com que os temperamentos pareçam casos perdidos, mas o temperamento não é nem caráter, nem personalidade...

- O mais importante é que o temperamento pode ser controlado pelo Espírito Santo.
Pois,
¨  As circunstâncias não devem determinar nossas reações;
¨  Nossas forças e fraquezas de temperamento prevalecem á nossa escolha;
- Os cristãos podem vencer fraquezas ingênitas e acentuar forças inatas através da Plenitude Sobrenatural do Espírito Santo. (Ingênitas e Inatas = fraquezas ou forças nascidas com o individuo, herança biológica e espiritual nascidas com o individuo).

 (Extraído do Livro: Temperamento Controlado Pelo Espírito Santo – Tim LaHaye)

Temperamento Pleno do Espírito Santo

 “O Fruto do Espírito Santo é: Amor, Alegria, Paz, Paciência, 
Delicadeza, Bondade, Confiança, Mansidão, Continência” (Gálatas 5,22-23)

- O Temperamento Pleno do Espírito Santo desconhece fraquezas, em lugar delas, possui nove forças inteiramente abrangentes; é o homem como Deus entende que deva ser, ele terá suas próprias forças ingênitas, a manter-lhe a individualidade, mas não será dominado pelas suas fraquezas, as nove características do Espírito Santo as transformarão.
- Todas essas características se encontram exemplificadas na vida de Jesus Cristo, ele é o exemplo máximo do homem controlado pelo Espírito Santo, qualquer individuo ao evidenciar tais características há de ser um homem feliz, ajustado e muito produtivo.
- Esta vida não é fruto do esforço do homem, mas o resultado Sobrenatural do Espírito Santo controlando todas as facetas do Cristão.

AMOR: O Senhor Jesus disse: “Amarás ao Senhor teu Deus com todo coração, toda alma, todo raciocínio” e “Amarás o próximo como a ti mesmo”;
- Muito honestamente, essa espécie de amor é sobrenatural!
- Amor a Deus que torne um homem mais interessado no Reino de Deus do que no reino material em que vive é Sobrenatural, pois o homem, por natureza, é uma criatura gananciosa;
- Amor ao próximo não apenas por aqueles que suscitam admiração ou a compaixão em nós, mas por todos os homens. Essa espécie de amor é gerada pelo homem e efetivada por Deus.

ALEGRIA: A alegria é uma das virtudes fundamentais do Cristão; merece um lugar ao lado do Amor, o pessimismo é um grave defeito. Não é a alegria ilusória tal qual o mundo a concebe; é a alegria duradoura emanada de toda Graça de Deus em nossa posse da benção que é nossa e que não é enfraquecida pela adversidade.
- A alegria concedida pelo Espírito Santo não é limitada pelas circunstâncias; existe uma diferença entre alegria e felicidade:
- A felicidade é algo que acontece exatamente devido ao equilíbrio das circunstancias, mas a alegria persiste a despeito delas.
- A alegria não é resultado de esforço individual, mas obra do Espírito Santo na sua vida, a qual convence você a entregar seu destino ao Senhor e confiar nele.

PAZ: A paz com Deus é o resultado da nossa experiência redentora pela fé. - O homem estranho a Jesus Cristo nada conhece de paz em relação a Deus porque o seu pecado está sempre em evidencia diante dele e ele sabe que terá que prestar contas no juízo final. Quando este individuo se prende a Jesus Cristo e a sua palavra e o convida a integrar sua vida como Senhor e Salvador, Jesus Cristo, não só aceita, mas purifica-o do pecado.
- A paz de Deus é a que se mantem imperturbável diante das circunstancias difíceis; as circunstancias jamais devem gerar a nossa paz, devemos contar com Deus para obter nossa paz, somente ele é estável.

- O Amor, a Alegria e a Paz são emoções que neutralizam decididamente as fraquezas mais comuns, como: crueldade, ira, indiferença, pessimismo, melancolia, maledicência.

LONGANIMIDADE: È próximo da paciência e tolerância, caracterizada por uma capacidade de suportar ofensas, passar provações e enfrentar desgostos sem revidar; consegue executar as tarefas domesticas árduas e desprezíveis da vida sem queixas ou revoltas.

BENIGNIDADE: Vem a ser bondade profunda, polido, afável, atencioso e compreensivo, que tem origem num coração muito terno.
- È o resultado da compaixão do Espírito Santo para com uma humanidade perdida e agonizante.
- Um exemplo de Benignidade de Jesus é quando disse a Maria após a ressurreição: “Vai contar aos meus discípulos e a Pedro”. “E a Pedro” era, na verdade, um acréscimo desnecessário, pois Pedro era um discípulo; mas o Senhor Jesus sabia do remorso de Pedro por tê-lo negado 3-vezes durante a crucificação.
- A Benignidade do Salvador é vista em seu entendimento da situação e seu obvio desejo de incluir o vacilante, hesitante e inconsequente discípulo Sanguíneo.
- O Espírito Santo é capaz de conceder benignidade a toda espécie de dificuldade.

GENEROSIDADE: È a benevolência em seu sentido mais puro, inclui a hospitalidade e todos os atos de generosidade que emanam de um coração desprendido que está mais interessado em dar do que receber.
- O homem é tão egoísta, por natureza, que precisa ser lembrado constantemente pela palavra de Deus e pelo Espírito Santo, o que nele reside, para se ocupar com a generosidade, então, naturalmente se interessa em fazer mais pelo próximo do que por si mesmo.
- A generosidade é necessária àqueles com tendências melancólicas, como cura para depressão e tristeza, causada pelo pensamento egocêntrico.
- Existe algo terapêutico em trabalhar para o próximo que liberta o individuo do hábito de pensar somente em si; assim como o Senhor Jesus disse: “È melhor dar do que receber”; muitos cristãos lesam a si mesmos, por não obedecerem a este estimulo.

FÉ: Subentende uma completa fidelidade a Deus e uma dependência absoluta dele. È o antídoto perfeito ao temor, que causa preocupação e pessimismo. A fé é a chave para muitas outras Graças Cristãs. Se realmente cremos que Deus seja capaz de suprir todas as nossas necessidades, isso nos trará felicidade e alegria e eliminará a dúvida, o temor, a lida e muitos outros trabalhos físicos. A bíblia ensina que existem duas fontes de fé:
A primeira é a Palavra de Deus na vida do crente “A fé, portanto, depende da pregação, e a pregação se faz por causa da Palavra de Cristo” Rom 10,17;
- A segunda é o Espírito Santo que no texto de Gálatas 5,22-23 define a fé como fruto do Espírito;
- Se você percebe que possui um temperamento propicio a duvida, indecisão e medo, então, como crente, deve procurar a Plenitude do Espírito Santo para que lhe conceda um coração devoto que há de dissipar as emoções e ações de sua natureza ingênita.

DOCILIDADE: O homem é por natureza orgulhoso, altivo, arrogante, egoísta e egocêntrico, mas quando um individuo tem a vida plena no Espírito Santo é humilde, meigo, submisso, cedendo facilmente ás súplicas.
- O maior exemplo de docilidade é o próprio Jesus Cristo. Foi ele o criador do universo, e contudo dispõe-se a humilhar-se e, na forma de um servo ficar sujeito aos caprichos da humanidade, a ponto de morrer, para que pudesse obter nossa redenção com seu sangue.
- Vemos o criador do homem ser esbofeteado, ridicularizado, injuriado e cuspido pela sua própria criação. Deixou-nos o exemplo de não revidar injurias; pediu a Pedro para guardar a espada: “...ou pensas que eu não possa recorrer a meu Pai, o qual me mandaria num momento mais de doze legiões de anjos ? Como, então, se cumpririam as escrituras, segundo as quais é mister que isto aconteça” (Mateus 26,53-54)
- Por nossa causa, ele foi dócil para que pudéssemos ter uma vida eterna.
- Tal docilidade não é natural!
- Só o Espírito Santo de Deus poderia fazer com que nossa reação fosse dócil a perseguição física e emocional.

(Extraído do Livro: Temperamento Controlado Pelo Espírito Santo – Tim LaHaye)

Temperamento Fleumático

Fleumático
Principais características ingênitas Fleumático:
Qualidades: Calmo, Tranquilo, Cumpridor, Eficiente, Conservador, Prático, Líder, Diplomata, Bem-humorado.
Defeitos: Calculista, Temeroso, Indeciso, Contemplativo, Desconfiado, Pretensioso, Introvertido, Desmotivado.
Personagens do dia a dia: Diplomatas, Administradores, Professores, Técnicos.
Personagem Bíblico: Abraão.
¨  A vida para ele é uma experiência feliz, serena e agradável na qual tenta envolver-se o mínimo possível;
¨  Em qualquer circunstância parece não se preocupar;
¨  Raramente explode em riso ou raiva, mantendo sempre suas emoções sob controle;
¨  Coerente;
¨  Personalidade fria, reticente, quase tímido;
¨  Sempre mais emotivo do que demonstra;
¨  Grande capacidade de apreciar as belas artes e as melhores coisas da vida;
¨  Não lhe faltam amigos, porque gosta do convívio social;
¨  Mantém muitas pessoas “as gargalhadas” sem jamais de deixar escapar um sorriso;
¨  Sempre encontra algo engraçado nas ações dos outros;
¨  Cérebro organizado, ótima memória;
¨  Bom imitador;
¨  Diverte-se com os outros tipos de temperamentos;
¨  Sente-se irritado com o entusiasmo desorientado e inquieto do Sanguíneo, apontando-lhe estas futilidades;
¨  Fica aborrecido com as disposições sombrias do melancólico e está sempre disposto a ridiculariza-lo;
¨  Sente enorme prazer em “gelar” os planos efervescentes e nas ambições do Colérico;
¨  Tem profunda tendência a ser expectador da vida e tenta não se envolver com o próximo;
¨  Gosta de rotina;
¨  Na luta contra a injustiça social sempre acha que alguém tem que solucionar o problema, dificilmente se inclui para soluciona-los;
¨  Simpático e bom coração, raramente deixa transparecer seus verdadeiros sentimentos;
¨  Incitado à ação, demonstra-se capaz e eficiente;
¨  Nunca aceita a liderança por sua vontade, mas quando lhe é imposta prova ser um chefe capaz;
¨  Exerce uma influência conciliadora sobre as pessoas.

Forças Ingênitas do Fleumático:
¨  Seu bom humor o preserva de se envolver com a vida e com as coisas, frequentemente enxerga algo cômico na maioria das experiências mundanas;
¨  Seu senso de humor provoca gargalhadas nos outros;
¨  Bom conselheiro;
¨  Sua disposição morosa e acessível torna-lhe fácil saber ouvir;
¨  Digno de confiança em sua natureza alegre e bem humorada;
¨  Amigo fiel, não se envolvendo muito;
¨  Prático e eficiente;
¨  Uma vez não estimulado a tomar decisões repentinas, procura um modo prático de atingir seu objetivo com o mínimo de esforço;
¨  Trabalha bem sob pressão;
¨  Produz melhor em circunstâncias que causariam “fracasso” dos outros temperamentos;
¨  Trabalho sempre caracterizado pela perfeição e eficiência;
¨  Possui padrões elevados de zelo e precisão;
¨  Hábitos metódicos;

Fraquezas ingênitas do Fleumático:
¨  Moroso e indolente, parece estar “arrastando os pés” porque ressente ter sido forçado a ação, contra a sua vontade, caminha o mais vagarosamente possível;
¨  Motivado a ser um espectador a vida, fazer o mínimo necessário, impedindo-o de iniciar novos projetos que é capaz de levar adiante, mas para ele parece se “trabalho excessivo”;
¨  O desassossego do Sanguíneo e a atividade do Colérico muitas vezes o aborrecem porque receia que possam motiva-lo a trabalhar;
¨  Devido ao seu senso de humor agudo e capacidade de ser observador desinteressado, possui ele a facilidade de utilizar sua habilidade espirituosa para provocar o próximo que o enerva ou ameaça motiva-lo;
¨  Se um Sanguíneo entra animado e entusiasta, o Fleumático se torna distante e gélido;
¨  Se o Melancólico vem pessimista, a lamentar-se das misérias do mundo, o Fleumático se torna mais otimista do que nunca e o provoca de maneira insuportável;
¨  Se um Colérico se aproxima, repleto de planos e projetos, é um prazer requintado para o Fleumático derramar água fria em seu entusiasmo, com o seu equilíbrio e aguda percepção é-lhe muito fácil apontar as fraquezas da proposta do Colérico;
¨  Se assim decide, usa seu humor e espírito decidido para atiçar ou enraivecer o próximo, enquanto ele próprio jamais perde a compostura ou se agita;
¨  Deixa transparecer seu egoísmo, aprendendo a proteger-se com o passar dos anos;
¨  Opõe-se a qualquer mudança, não quer comprometer-se, deseja manter-se conservador;
¨  À medida que se torna maduro, consegue disfarçar sua obstinação sob seu afável bom humor, enquanto se torna ainda mais obstinado;
¨  Cada vez que é forçado a participar de projeto e atividades que não correspondem suas expectativas, torna-se mais resistente ás sugestões futuras; esta obstinação tende a torna-lo avarento e egoísta, pois seu pensamento é quanto isto vai me custar? , o que vai exigir de mim? , o egoísmo no Fleumático é mais forte que nos outros temperamentos;
¨  Indeciso com o passar dos anos, devido à sua reserva em ficar “implicado”;
¨  Sente-se inclinado a vacilar entre o desejo de fazer alguma coisa e a má vontade de pagar pelo seu preço;
¨  Esta prática indecisa poderá se transformar num hábito que sobrepuja o aspecto utilitário de seu raciocínio.

Necessidades Espirituais básicas do Fleumático:
Amor, Bondade, Docilidade, Temperança, Fé.

 (Extraído do Livro: Temperamento Controlado Pelo Espírito Santo – Tim LaHaye)