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sábado, 7 de janeiro de 2017

Vida Consagrada


Vida Consagrada
§914 "O estado de vida constituído pela profissão dos conselhos evangélicos, embora não pertença à estrutura hierárquica da Igreja, está, contudo, firmemente relacionado com sua vida e santidade."

CONSELHOS EVANGÉLICOS, VIDA CONSAGRADA
§915 Os conselhos evangélicos, em sua multiplicidade, são propostos a todo discípulo de Cristo. A perfeição da caridade à qual todos os fiéis são chamados comporta para os que assumem livremente o chamado à vida consagrada a obrigação de praticar, a castidade no celibato pelo Reino, a pobreza e a obediência. E a profissão desses conselhos em um estado de vida estável reconhecido pela Igreja que caracteriza a "vida consagrada" a Deus.

- O estado da vida consagrada aparece, portanto, como uma das maneiras de conhecer uma consagração "mais íntima", que se radica no Batismo e se dedica totalmente a Deus. Na vida consagrada, os fiéis de Cristo se propõem, sob a moção do Espírito Santo, seguir a Cristo mais de perto, doar-se a Deus amado acima de tudo e, procurando alcançar a perfeição da caridade a serviço do Reino, significar e anunciar na Igreja a glória do mundo futuro.

UMA GRANDE ÁRVORE, DE MÚLTIPLOS RAMOS
§917 Disso resultou que, como numa árvore frondosa e admiravelmente variegada na seara do Senhor - e isto em virtude do germe divinamente plantado -, floresceram as diversas modalidades da vida solitária ou comum, assim como as várias famílias quais vão aumentando tanto para proveito dos próprios membros quanto para o bem de todo o Corpo de Cristo."
- "Desde os primórdios da Igreja existiram homens e mulheres que se propuseram, pela prática dos conselhos evangélicos, seguir a Cristo com maior liberdade e imitá-lo mais de perto, e levaram, cada qual a seu modo, uma vida consagrada a Deus. Dentre eles, muitos, por inspiração do Espírito Santo, ou passaram a vida na solidão ou fundaram famílias religiosas, que a Igreja, de boa vontade, recebeu e aprovou com sua autoridade."
Os Bispos hão de empenhar-se sempre em discernir os novos dons de vida consagrada confiados pelo Espírito Santo à sua Igreja; a aprovação de novas formas de vida consagrada é reservada à Sé Apostólica.

A VIDA EREMÍTICA
§920 Embora nem sempre professem publicamente os três conselhos evangélicos, os eremitas, "por uma separação mais rígida do mundo, pelo silêncio da solidão, pela assídua oração e penitência, consagram a vida ao louvor de Deus e à salvação do mundo.
- Os eremitas mostram a cada um este aspecto interior do mistério da Igreja, que é a intimidade pessoal com Cristo. Escondida aos olhos dos homens, a vida do eremita é pregação silenciosa daquele ao qual entregou sua vida, pois é tudo para Ele. É um chamado peculiar a encontrar no deserto, precisamente no combate espiritual, a glória do Crucificado.

AS VIRGENS E AS VIÚVAS CONSAGRADAS
§922 Desde os tempos apostólicos, virgens e viúvas cristãs, chamadas pelo Senhor a apegar-se a Ele sem partilha em uma liberdade maior de coração, de corpo e de espírito, tomaram a decisão, aprovada pela Igreja, de viver respectivamente no estado de virgindade ou de castidade perpétua "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12).
- "Emitindo o santo propósito de seguir a Cristo mais de perto, [as Virgens] são consagradas a Deus pelo Bispo diocesano segundo o rito litúrgico aprovado, misticamente desposadas com Cristo, Filho de Deus, e dedicadas ao serviço da Igreja." Por este rito solene ("Consecratio virginum"), "a virgem é constituída pessoa consagrada, sinal transcendente do amor da Igreja a Cristo, imagem escatológica desta Esposa do Céu e da vida futura".
- "Acrescentada às outras formas de vida consagrada", a ordem das virgens constitui a mulher que vive no mundo (ou a monja) na oração, na penitência, no serviço a seus irmãos e no trabalho apostólico, conforme o estado e os carismas respectivos oferecidos a cada uma. As virgens consagradas podem associar-se para guardar mais fielmente seus propósitos.

A VIDA RELIGIOSA
§925 Nascida no Oriente nos primeiros séculos do cristianismo e vivida nos institutos canonicamente erigidos pela Igreja, a vida religiosa se distingue das outras modalidades de vida consagrada pelo aspecto cultual, pela profissão pública dos conselhos evangélicos, pela vida fraterna levada em comum, pelo testemunho da união de Cristo com a Igreja.
- A vida religiosa faz parte do mistério da Igreja. É um dom que a Igreja recebe de seu Senhor e que oferece como um estado de vida permanente ao fiel chamado por Deus na profissão dos conselhos. Assim, a Igreja pode ao mesmo tempo manifestar o Cristo e reconhecer-se como esposa do Salvador. A vida religiosa é convidada a significar, em suas variadas formas, a própria caridade de Deus, em linguagem de nossa época.
- Todos os religiosos, isentos ou não, são contados entre os cooperadores do Bispo diocesano em seu ministério pastoral. A implantação e a expansão missionária da Igreja exigiram a presença da vida religiosa sob todas as suas formas desde os inícios da evangelização. "A história atesta os grandes méritos das famílias religiosas na propagação da fé e na formação de novas Igrejas, desde as antigas instituições monásticas e as ordens medievais até as congregações modernas."

OS INSTITUTOS SECULARES"
§928 Instituto secular é um instituto de vida consagrada no qual os fiéis, vivendo no mundo, tendem à perfeição da caridade e procuram cooperar para a santificação do mundo, principalmente a partir de dentro.
- "Por uma "vida perfeita [= perfeitamente] e inteiramente consagrada a [esta] santificação", os membros desses institutos participam da tarefa de evangelização da Igreja, "no mundo e partir do mundo", onde sua presença age "à guisa de um fermento". Seu "testemunho de vida cristã" visa "organizar as coisas temporais de acordo com Deus e impregnar o mundo com a força do Evangelho". Eles assumem por vínculos sagrados os conselhos evangélicos e mantêm entre si a comunhão e a fraternidade próprias de seu "modo de vida secular".
  
AS SOCIEDADES DE VIDA APOSTÓLICA
§930 Às formas diversas de vida consagrada "acrescentam-se as sociedades de vida apostólica, cujos membros, sem os votos religiosos, buscam a finalidade apostólica própria de sua sociedade e, levando vida fraterna em comum, segundo o próprio modo de vida, tendem à perfeição da caridade pela observância das constituições. Entre elas há sociedades cujos membros assumem os conselhos evangélicos" por meio de algum vínculo determinado pelas constituições.

CONSAGRAÇÃO E MISSÃO: ANUNCIAR O REI QUE VEM
§931 Entregue a Deus supremamente amado, aquele que pelo Batismo já estava consagrado a ele é assim consagrado mais intimamente ao serviço divino e dedicado ao bem da Igreja. Pelo estado de consagração a Deus, a Igreja manifesta Cristo e mostra como o Espírito Santo age nela de maneira admirável.
- Os que professam os conselhos evangélicos têm, pois, por missão primeiramente viver sua consagração. Mas "enquanto dedicados, em virtude da própria consagração, ao serviço da Igreja têm obrigação de se entregar, de maneira especial, à ação missionária no modo próprio de seu instituto".
- Na Igreja -ela é como sacramento, isto é, o sinal e o instrumento da vida de Deus-, a vida consagrada aparece como um sinal peculiar do mistério da redenção. Seguir e imitar a Cristo "mais de perto", manifestar "mais claramente" seu aniquilamento é estar "mais profundamente" presente a seus contemporâneos, no coração de Cristo. Pois os que estão nesta via "mais estreita" estimulam seus irmãos por seu exemplo, dão este testemunho brilhante de "que o mundo não pode ser transfigurado e oferecido a Deus sem o espírito das bem-aventuranças".
- Seja este testemunho público, como no estado religioso, ou mais discreto, ou até secreto, o advento de Cristo permanece para todos os consagrados a origem e a orientação de sua vida:
- Como o povo de Deus não possui aqui na terra morada permanente, o estado religioso manifesta já aqui neste mundo a todos os crentes a presença dos bens celestes, dá testemunho da vida nova e eterna adquirida pela redenção de Cristo, prenuncia a, ressurreição futura e a glória do Reino celeste.
Catecismo da Igreja Católica


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Boa Nova da Vida

Alegria de ser discípulo missionário
§101. Neste momento, com incertezas no coração, perguntamos com Tomé: “Como vamos saber o caminho?” (Jo 14,5).
- Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Ele é o verdadeiro caminho para o Pai, o qual tanto amou ao mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16). Esta é a vida eterna: “que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado” (Jo 17,3). A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida.
- Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tuas palavras dão Vida eterna” (Jo 6,68). “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

§102. Jesus é o Filho de Deus, a Palavra feita carne (cf. Jo 1,14), verdadeiro Deus e verdadeiro homem, prova do amor de Deus aos homens. - Sua vida é uma entrega radical de si mesmo a favor de todas as pessoas, consumada definitivamente em sua morte e ressurreição. Por ser o Cordeiro de Deus, Ele é o Salvador.
- Sua paixão, morte e ressurreição possibilita a superação do pecado e a vida nova para toda a humanidade. NEle, o Pai se faz presente, porque quem conhece o Filho conhece o Pai (cf. Jo 14,7).

§103. Como discípulos de Jesus reconhecemos que Ele é o primeiro e maior evangelizador enviado por Deus (cf. Lc 4,44) e ao mesmo tempo o Evangelho de Deus (cf. Rm 1,3). Cremos e anunciamos “a boa nova de Jesus, Messias, Filho de Deus” (Mc 1,1). Como filhos obedientes à voz do Pai, queremos escutar a Jesus (cf. Lc 9,35) porque Ele é o único Mestre (cf. Mt 23,8).
- Como seus discípulos, sabemos que suas palavras são Espírito e Vida (cf. Jo 6,63.68). Com a alegria da fé, somos missionários para proclamar o Evangelho de Jesus Cristo e, nEle, a boa nova da dignidade humana, da vida, da família, do trabalho, da ciência e da solidariedade com a criação.

A boa nova da dignidade humana
§104. Bendizemos a Deus pela dignidade da pessoa humana, criada à sua imagem e semelhança. Ele nos criou livres e nos fez sujeitos de direitos e deveres em meio à criação. Agradecemos a Ele ter-nos associado ao aperfeiçoamento do mundo, dando-nos inteligência e capacidade para amar; e lhe agradecemos a dignidade, que recebemos também como tarefa que devemos proteger, cultivar e promover.
- Bendizemos a Deus pelo dom da fé que nos permite viver em aliança com Ele até o momento de compartilhar a vida eterna.
- Bendizemos a Deus por nos fazer suas filhas e filhos em Cristo, por nos haver redimido com o preço de seu sangue e pelo relacionamento permanente que estabelece conosco, que é fonte de nossa dignidade absoluta, inegociável e inviolável. Se o pecado deteriorou a imagem de Deus no homem e feriu sua condição, a boa nova, que é Cristo, o redimiu e o restabeleceu na graça (cf. Rm 5,12-21).

§105. Louvamos a Deus pelos homens e mulheres da América Latina e do Caribe que, movidos por sua fé, têm trabalhado incansavelmente na defesa da dignidade da pessoa humana, especialmente dos pobres e marginalizados. Em seu testemunho, levado até à entrega total, resplandece a dignidade do ser humano.

A boa nova da vida
§106. Louvamos a Deus pelo dom maravilhoso da vida e por aqueles que a honram e a dignificam ao colocá-la a serviço dos demais; pelo espírito alegre de nossos povos que amam a música, a dança, a poesia, a arte, o esporte e cultivam uma firme esperança em meio a problemas e lutas.
- Louvamos a Deus porque, sendo nós pecadores, Ele nos mostrou seu amor reconciliando-nos consigo pela morte de seu Filho na cruz.
- Louvamos a Deus porque Ele continua derramando seu amor em nós pelo Espírito Santo e nos alimentando com a Eucaristia, pão da vida (cf. Jo 6,35).
- A Encíclica “Evangelho da Vida”, de João Paulo II, ilumina o grande valor da vida humana, da qual devemos cuidar e pela qual continuamente devemos louvar a Deus.

§107. Bendizemos ao Pai pelo dom de seu Filho Jesus Cristo, “rosto humano de Deus e rosto divino do homem”. “Na realidade, tão só o mistério do Verbo encarnado explica verdadeiramente o mistério do homem. Cristo, na própria revelação do mistério do Pai e de seu amor, manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre sua altíssima vocação”.

§108. Bendizemos ao Pai porque, mesmo entre dificuldades e incertezas, todo homem aberto sinceramente à verdade e ao bem comum pode chegar a descobrir, na lei natural escrita em seu coração (cf. Rm 2,14-15), o valor sagrado da vida humana desde seu início até seu fim natural, e afirmar o direito de cada ser humano de ver respeitado totalmente este seu bem primário. “A convivência humana e a própria comunidade política” se fundamenta no reconhecimento desse direito.

§109. Diante de uma vida sem sentido, Jesus nos revela a vida íntima de Deus em seu mistério mais elevado, a comunhão trinitária. É tal o amor de Deus, que faz do homem, peregrino neste mundo, sua morada: “Viremos a ele e viveremos nele” (Jo 14,23).
- Diante do desespero de um mundo sem Deus, que só vê na morte o final definitivo da existência, Jesus nos oferece a ressurreição e a vida eterna na qual Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28).
- Diante da idolatria dos bens terrenos, Jesus apresenta a vida em Deus como valor supremo: “De que vale alguém ganhar o mundo e perder a própria vida?” (Mc 8,36).

§110. Diante do subjetivismo hedonista, Jesus propõe entregar a vida para ganhá-la, porque “quem aprecia sua vida terrena, a perderá” (Jo 12,25). É próprio do discípulo de Jesus gastar a vida como sal da terra e luz do mundo.
- Diante do individualismo, Jesus convoca a viver e caminhar juntos. A vida cristã só se aprofunda e se desenvolve na comunhão fraterna.
- Jesus nos diz: “Um é o seu Mestre, e todos vocês são irmãos” (Mt 23,8). Diante da despersonalização, Jesus ajuda a construir identidades integradas.

§111. A própria vocação, a própria liberdade e a própria originalidade são dons de Deus para a plenitude e o serviço ao mundo.

§112. Diante da exclusão, Jesus defende os direitos dos fracos e a vida digna de todo ser humano. De seu Mestre, o discípulo tem aprendido a lutar contra toda forma de desprezo da vida e de exploração da pessoa humana. Só o Senhor é autor e dono da vida. O ser humano, sua imagem vivente, é sempre sagrado, desde a sua concepção até a sua morte natural, em todas as circunstâncias e condições de sua vida.
- Diante das estruturas de morte, Jesus faz presente a vida plena. “Eu vim para dar vida aos homens e para que a tenham em plenitude” (Jo 10,10). Por isso, cura os enfermos, expulsa os demônios e compromete os discípulos na promoção da dignidade humana e de relacionamentos sociais fundados na justiça.

§113. Diante da natureza ameaçada, Jesus, que conhecia o cuidado do Pai pelas criaturas que Ele alimenta e embeleza (cf Lc 12,28), convoca-nos a cuidar da terra para que ela ofereça abrigo e sustento a todos os homens (cf. Gn 1,29; 2,15).

Documento de Aparecida-2007

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Alegria de Evangelizar

A doce e reconfortante alegria de evangelizar
9. O bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem. Assim, não nos deveriam surpreender frases de São Paulo como estas:
«O amor de Cristo nos absorve completamente» (2 Cor 5, 14);
«ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9, 16).

10. A proposta é viver a um nível superior, mas não com menor intensidade: «Na doação, a vida se fortalece; e se enfraquece no comodismo e no isolamento. De facto, os que mais desfrutam da vida são os que deixam a segurança da margem e se apaixonam pela missão de comunicar a vida aos demais».
- Quando a Igreja faz apelo ao compromisso evangelizador, não faz mais do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo da realização pessoal: «Aqui descobrimos outra profunda lei da realidade: “A vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros”. Isto é, definitivamente, a missão». Consequentemente, um evangelizador não deveria ter constantemente uma cara de funeral. Recuperemos e aumentemos o fervor de espírito, «a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! (...) E que o mundo do nosso tempo, que procura ora na angústia ora com esperança, possa receber a Boa Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo».

Uma eterna novidade
11. Um anúncio renovado proporciona aos crentes, mesmo tíbios ou não praticantes, uma nova alegria na fé e uma fecundidade evangelizadora.
Na realidade, o seu centro e a sua essência são sempre o mesmo: o Deus que manifestou o seu amor imenso em Cristo morto e ressuscitado.
- Ele torna os seus fiéis sempre novos; ainda que sejam idosos, «renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer» (Is 40, 31). Cristo é a «Boa Nova de valor eterno» (Ap 14, 6), sendo «o mesmo ontem, hoje e pelos séculos» (Heb 13, 8), mas a sua riqueza e a sua beleza são inesgotáveis. Ele é sempre jovem, e fonte de constante novidade. A Igreja não cessa de se maravilhar com a «profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência de Deus» (Rm 11, 33). - São João da Cruz dizia: «Esta espessura de sabedoria e ciência de Deus é tão profunda e imensa, que, por mais que a alma saiba dela, sempre pode penetrá-la mais profundamente».
- Ou ainda, como afirmava Santo Ireneu: «Na sua vinda, [Cristo] trouxe consigo toda a novidade». Com a sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a proposta cristã, ainda que atravesse períodos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece. Jesus Cristo pode romper também os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-Lo, e surpreende-nos com a sua constante criatividade divina. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual. Na realidade, toda a ação evangelizadora autêntica é sempre «nova».

12. Embora esta missão nos exija uma entrega generosa, seria um erro considerá-la como uma heroica tarefa pessoal, dado que ela é, primariamente e acima de tudo o que possamos sondar e compreender, obra de Deus. Jesus é «o primeiro e o maior evangelizador». Em qualquer forma de evangelização, o primado é sempre de Deus, que quis chamar-nos para cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito. A verdadeira novidade é aquela que o próprio Deus misteriosamente quer produzir, aquela que Ele inspira, aquela que Ele provoca, aquela que Ele orienta e acompanha de mil e uma maneiras.
- Em toda a vida da Igreja, deve-se sempre manifestar que a iniciativa pertence a Deus, «porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19) e é «só Deus que faz crescer» (1 Cor 3, 7). Esta convicção permite-nos manter a alegria no meio duma tarefa tão exigente e desafiadora que ocupa inteiramente a nossa vida. Pede-nos tudo, mas ao mesmo tempo dá-nos tudo.

13. E também não deveremos entender a novidade desta missão como um desenraizamento, como um esquecimento da história viva que nos acolhe e impele para diante. A memória é uma dimensão da nossa fé, que, por analogia com a memória de Israel, poderíamos chamar «deuteronomica». Jesus deixa-nos a Eucaristia como memória quotidiana da Igreja, que nos introduz cada vez mais na Páscoa (cf. Lc 22, 19).
- A alegria evangelizadora refulge sempre sobre o horizonte da memória agradecida: é uma graça que precisamos de pedir. Os Apóstolos nunca mais esqueceram o momento em que Jesus lhes tocou o coração: «Eram as quatro horas da tarde» (Jo 1, 39). A memória faz-nos presente, juntamente com Jesus, uma verdadeira «nuvem de testemunhas» (Heb 12, 1). De entre elas, distinguem-se algumas pessoas que incidiram de maneira especial para fazer germinar a nossa alegria crente: «Recordai-vos dos vossos guias, que vos pregaram a palavra de Deus» (Heb 13, 7). Às vezes, trata-se de pessoas simples e próximas de nós, que nos iniciaram na vida da fé: «Trago à memória a tua fé sem fingimento, que se encontrava já na tua avó Lóide e na tua mãe Eunice» (2 Tm 1, 5). O crente é, fundamentalmente, «uma pessoa que faz memória».


Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” Papa Francisco 24.11.2013

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Alegria Renovada

1. A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos.

Alegria que se renova e comunica
2. O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado.

3. Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído». Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. Este é o momento para dizer a Jesus Cristo: «Senhor, deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor; aceitai--me mais uma vez nos vossos braços redentores». Como nos faz bem voltar para Ele, quando nos perdemos!

- Insisto uma vez mais: Deus nunca Se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia. Aquele que nos convidou a perdoar «setenta vezes sete» (Mt 18, 22) dá-nos o exemplo: Ele perdoa setenta vezes sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus ombros.
- Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere. Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria. Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos, suceda o que suceder. Que nada possa mais do que a sua vida que nos impele para diante!

4. Os livros do Antigo Testamento preanunciaram a alegria da salvação, que havia de tornar-se superabundante nos tempos messiânicos. O profeta Isaías dirige-se ao Messias esperado, saudando-O com regozijo: «Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo» (9, 2). E anima os habitantes de Sião a recebê-Lo com cânticos: «Exultai de alegria!» (12, 6). A quem já O avistara no horizonte, o profeta convida-o a tornar-se mensageiro para os outros: «Sobe a um alto monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém» (40, 9). A criação inteira participa nesta alegria da salvação: «Cantai, ó céus! Exulta de alegria, ó terra! Rompei em exclamações, ó montes! Na verdade, o Senhor consola o seu povo e se compadece dos desamparados» (49, 13).

- Zacarias, vendo o dia do Senhor, convida a vitoriar o Rei que chega «humilde, montado num jumento»: «Exulta de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti. Ele é justo e vitorioso» (9, 9). Mas o convite mais tocante talvez seja o do profeta Sofonias, que nos mostra o próprio Deus como um centro irradiante de festa e de alegria, que quer comunicar ao seu povo este júbilo salvífico. Enche-me de vida reler este texto: «O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como poderoso salvador! Ele exulta de alegria por tua causa, pelo seu amor te renovará. Ele dança e grita de alegria por tua causa» (3, 17).
- É a alegria que se vive no meio das pequenas coisas da vida quotidiana, como resposta ao amoroso convite de Deus nosso Pai: «Meu filho, se tens com quê, trata-te bem (...). Não te prives da felicidade presente» (Sir 14, 11.14). Quanta ternura paterna se vislumbra por detrás destas palavras!

5. O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria. Apenas alguns exemplos: «Alegra-te» é a saudação do anjo a Maria (Lc 1, 28). 
A visita de Maria a Isabel faz com que João salte de alegria no ventre de sua mãe (cf. Lc 1, 41). 
No seu cântico, Maria proclama: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1, 47). 
E, quando Jesus começa o seu ministério, João exclama: «Esta é a minha alegria! E tornou-se completa!» (Jo 3, 29). 
O próprio Jesus «estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo» (Lc 10, 21). 
A sua mensagem é fonte de alegria: «Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa» (Jo 15, 11). 
A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante. Ele promete aos seus discípulos: «Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há de conver­ter-se em alegria» (Jo 16, 20). E insiste: «Eu hei de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16, 22). 
Depois, ao verem-No ressuscitado, «encheram-se de alegria» (Jo 20, 20).
- O livro dos Atos dos Apóstolos conta que, na primitiva comunidade, «tomavam o alimento com alegria» (2, 46). Por onde passaram os discípulos, «houve grande alegria» (8, 8); e eles, no meio da perseguição, «estavam cheios de alegria» (13, 52). Um eunuco, recém-batizado, «seguiu o seu caminho cheio de alegria» (8, 39); e o carcereiro «entregou--se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus» (16, 34). Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?

6. Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados. 
Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: «A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o que é a felicidade (…). Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. (...) Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor» (Lm 3, 17.21-23.26).

7. A tentação apresenta-se, frequentemente, sob forma de desculpas e queixas, como se tivesse de haver inúmeras condições para ser possível a alegria. Habitualmente isto acontece, porque «a sociedade técnica teve a possibilidade de multiplicar as ocasiões de prazer; no entanto ela encontra dificuldades grandes no engendrar também a alegria». Posso dizer que as alegrias mais belas e espontâneas, que vi ao longo da minha vida, são as alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar. 
Recordo também a alegria genuína daqueles que, mesmo no meio de grandes compromissos profissionais, souberam conservar um coração crente, generoso e simples. De várias maneiras, estas alegrias bebem na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestado em Jesus Cristo. Não me cansarei de repetir estas palavras de Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo».

8. Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da auto-referencialidade.
- Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da ação evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?

Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” Papa Francisco 24.11.2013

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Temperamento controlado pelo Espírito Santo

Autocontrole
- Autocontrole ou autodisciplina; a inclinação instintiva é adotar a atitude do mínimo de resistência.
- O autocontrole solucionará o problema do Cristão quanto às explosões de raiva, ódio, medo, ciúme, etc.. e o possibilita de evitar excessos emocionais de qualquer espécie.
- O temperamento controlado pelo Espírito é aquele que é estável, digno de confiança e ordenado.
- A vida religiosa inconsistente e sem proveito é comum entre os 4-temperamentos, porém será vencida pela plenitude do Espírito de Autocontrole que lhe dará forças para nutrir-se da Palavra de Deus diariamente.

- O Srº Sanguíneo é por demais inquieto e pusilânime por natureza para levantar-se mais cedo e ter um período dedicado a Palavra de Deus;

- O Srº Colérico tem a força de vontade suficientemente forte para ser consistente em qualquer coisa que decida fazer, mas seu problema é compreender a necessidade de tal hábito, leva algum tempo para compreender o que Jesus disse: “Sem mim nada podeis fazer”;

- O Srº Melancólico é o mais provável dos quatro a ser metódico em sua vida religiosa, embora sua capacidade analítica, muitas vezes, o faça partir em busca de uma verdade abstrata, teologicamente sutil em demasia, em vez de permitir que Deus lhe fale, quando controlado pelo Espírito Santo sua vida de oração será “dar Graças” (I Tess 5,18);

- O Srº Fleumático tem a tendência de recomendar um período metódico de calma, mas se sua inclinação morosa, indolente e indiferente não for controlada pelo Espírito Santo, ele jamais conseguirá suprir-se metodicamente da Palavra de Deus.

- A medida que vê essas nove características admiráveis do homem pleno do Espírito, você não apenas vislumbra o que Deus deseja de você, mas o que Ele está disposto a fazer de você, apesar de seu temperamento ingênito. - Deve-se ter em mente que nenhuma quantidade de auto aperfeiçoamento ou auto esforço pode trazer quaisquer dessas características para nossas vidas sem o poder do Espírito Santo.
- Conclui-se que a mais importante e única coisa na vida de qualquer Cristão é sentir-se pleno do Espírito Santo.

- Como posso ficar pleno do Espírito Santo?
Basicamente é:
¨  Aceitar Jesus Cristo com seu Senhor e Salvador!
¨  Em oração buscar uma intimidade com o Espírito Santo!
¨  Encare suas fraquezas como pecado!
¨  Confesse seu pecado todas as vezes! (João1,9)
¨  Peça ao seu amoroso Pai Celeste para livra-lo deste hábito! (João 5,14)
¨  Creia que Deus tenha dado a vitória!
¨  Solicite a plenitude do Espírito Santo! (Lucas 11,13 - Efésios 5,18)
¨  Andai segundo o Espírito e habitai em Cristo! (João 5,1-11 - Gálatas 5,16)
- O cristão pleno é aquele que é capaz de:
·         Regozijar-se sempre (Filipenses 4,4)
·         Render Graças em todas as circunstâncias (I Tess 5,18)

Para descansar
“O super esforçado Colérico fabrica as invenções do genial Melancólico,
as quais são vendidas pelo elegante Sanguíneo e desfrutadas pelo afável Fleumático”
¨  O Sanguíneo gosta das pessoas e depois as esquece;
¨  As pessoas aborrecem o Melancólico, mas ele as deixa seguir seus caminhos tortuosos;
¨  O Colérico rico utiliza as pessoas para seu beneficio próprio, mais tarde, ele as ignora;
¨  O Fleumático analisa as pessoas com indiferença desdenhosa;
- Isso faz com que os temperamentos pareçam casos perdidos, mas o temperamento não é nem caráter, nem personalidade...

- O mais importante é que o temperamento pode ser controlado pelo Espírito Santo.
Pois,
¨  As circunstâncias não devem determinar nossas reações;
¨  Nossas forças e fraquezas de temperamento prevalecem á nossa escolha;
- Os cristãos podem vencer fraquezas ingênitas e acentuar forças inatas através da Plenitude Sobrenatural do Espírito Santo. (Ingênitas e Inatas = fraquezas ou forças nascidas com o individuo, herança biológica e espiritual nascidas com o individuo).

 (Extraído do Livro: Temperamento Controlado Pelo Espírito Santo – Tim LaHaye)

Temperamento Pleno do Espírito Santo

 “O Fruto do Espírito Santo é: Amor, Alegria, Paz, Paciência, 
Delicadeza, Bondade, Confiança, Mansidão, Continência” (Gálatas 5,22-23)

- O Temperamento Pleno do Espírito Santo desconhece fraquezas, em lugar delas, possui nove forças inteiramente abrangentes; é o homem como Deus entende que deva ser, ele terá suas próprias forças ingênitas, a manter-lhe a individualidade, mas não será dominado pelas suas fraquezas, as nove características do Espírito Santo as transformarão.
- Todas essas características se encontram exemplificadas na vida de Jesus Cristo, ele é o exemplo máximo do homem controlado pelo Espírito Santo, qualquer individuo ao evidenciar tais características há de ser um homem feliz, ajustado e muito produtivo.
- Esta vida não é fruto do esforço do homem, mas o resultado Sobrenatural do Espírito Santo controlando todas as facetas do Cristão.

AMOR: O Senhor Jesus disse: “Amarás ao Senhor teu Deus com todo coração, toda alma, todo raciocínio” e “Amarás o próximo como a ti mesmo”;
- Muito honestamente, essa espécie de amor é sobrenatural!
- Amor a Deus que torne um homem mais interessado no Reino de Deus do que no reino material em que vive é Sobrenatural, pois o homem, por natureza, é uma criatura gananciosa;
- Amor ao próximo não apenas por aqueles que suscitam admiração ou a compaixão em nós, mas por todos os homens. Essa espécie de amor é gerada pelo homem e efetivada por Deus.

ALEGRIA: A alegria é uma das virtudes fundamentais do Cristão; merece um lugar ao lado do Amor, o pessimismo é um grave defeito. Não é a alegria ilusória tal qual o mundo a concebe; é a alegria duradoura emanada de toda Graça de Deus em nossa posse da benção que é nossa e que não é enfraquecida pela adversidade.
- A alegria concedida pelo Espírito Santo não é limitada pelas circunstâncias; existe uma diferença entre alegria e felicidade:
- A felicidade é algo que acontece exatamente devido ao equilíbrio das circunstancias, mas a alegria persiste a despeito delas.
- A alegria não é resultado de esforço individual, mas obra do Espírito Santo na sua vida, a qual convence você a entregar seu destino ao Senhor e confiar nele.

PAZ: A paz com Deus é o resultado da nossa experiência redentora pela fé. - O homem estranho a Jesus Cristo nada conhece de paz em relação a Deus porque o seu pecado está sempre em evidencia diante dele e ele sabe que terá que prestar contas no juízo final. Quando este individuo se prende a Jesus Cristo e a sua palavra e o convida a integrar sua vida como Senhor e Salvador, Jesus Cristo, não só aceita, mas purifica-o do pecado.
- A paz de Deus é a que se mantem imperturbável diante das circunstancias difíceis; as circunstancias jamais devem gerar a nossa paz, devemos contar com Deus para obter nossa paz, somente ele é estável.

- O Amor, a Alegria e a Paz são emoções que neutralizam decididamente as fraquezas mais comuns, como: crueldade, ira, indiferença, pessimismo, melancolia, maledicência.

LONGANIMIDADE: È próximo da paciência e tolerância, caracterizada por uma capacidade de suportar ofensas, passar provações e enfrentar desgostos sem revidar; consegue executar as tarefas domesticas árduas e desprezíveis da vida sem queixas ou revoltas.

BENIGNIDADE: Vem a ser bondade profunda, polido, afável, atencioso e compreensivo, que tem origem num coração muito terno.
- È o resultado da compaixão do Espírito Santo para com uma humanidade perdida e agonizante.
- Um exemplo de Benignidade de Jesus é quando disse a Maria após a ressurreição: “Vai contar aos meus discípulos e a Pedro”. “E a Pedro” era, na verdade, um acréscimo desnecessário, pois Pedro era um discípulo; mas o Senhor Jesus sabia do remorso de Pedro por tê-lo negado 3-vezes durante a crucificação.
- A Benignidade do Salvador é vista em seu entendimento da situação e seu obvio desejo de incluir o vacilante, hesitante e inconsequente discípulo Sanguíneo.
- O Espírito Santo é capaz de conceder benignidade a toda espécie de dificuldade.

GENEROSIDADE: È a benevolência em seu sentido mais puro, inclui a hospitalidade e todos os atos de generosidade que emanam de um coração desprendido que está mais interessado em dar do que receber.
- O homem é tão egoísta, por natureza, que precisa ser lembrado constantemente pela palavra de Deus e pelo Espírito Santo, o que nele reside, para se ocupar com a generosidade, então, naturalmente se interessa em fazer mais pelo próximo do que por si mesmo.
- A generosidade é necessária àqueles com tendências melancólicas, como cura para depressão e tristeza, causada pelo pensamento egocêntrico.
- Existe algo terapêutico em trabalhar para o próximo que liberta o individuo do hábito de pensar somente em si; assim como o Senhor Jesus disse: “È melhor dar do que receber”; muitos cristãos lesam a si mesmos, por não obedecerem a este estimulo.

FÉ: Subentende uma completa fidelidade a Deus e uma dependência absoluta dele. È o antídoto perfeito ao temor, que causa preocupação e pessimismo. A fé é a chave para muitas outras Graças Cristãs. Se realmente cremos que Deus seja capaz de suprir todas as nossas necessidades, isso nos trará felicidade e alegria e eliminará a dúvida, o temor, a lida e muitos outros trabalhos físicos. A bíblia ensina que existem duas fontes de fé:
A primeira é a Palavra de Deus na vida do crente “A fé, portanto, depende da pregação, e a pregação se faz por causa da Palavra de Cristo” Rom 10,17;
- A segunda é o Espírito Santo que no texto de Gálatas 5,22-23 define a fé como fruto do Espírito;
- Se você percebe que possui um temperamento propicio a duvida, indecisão e medo, então, como crente, deve procurar a Plenitude do Espírito Santo para que lhe conceda um coração devoto que há de dissipar as emoções e ações de sua natureza ingênita.

DOCILIDADE: O homem é por natureza orgulhoso, altivo, arrogante, egoísta e egocêntrico, mas quando um individuo tem a vida plena no Espírito Santo é humilde, meigo, submisso, cedendo facilmente ás súplicas.
- O maior exemplo de docilidade é o próprio Jesus Cristo. Foi ele o criador do universo, e contudo dispõe-se a humilhar-se e, na forma de um servo ficar sujeito aos caprichos da humanidade, a ponto de morrer, para que pudesse obter nossa redenção com seu sangue.
- Vemos o criador do homem ser esbofeteado, ridicularizado, injuriado e cuspido pela sua própria criação. Deixou-nos o exemplo de não revidar injurias; pediu a Pedro para guardar a espada: “...ou pensas que eu não possa recorrer a meu Pai, o qual me mandaria num momento mais de doze legiões de anjos ? Como, então, se cumpririam as escrituras, segundo as quais é mister que isto aconteça” (Mateus 26,53-54)
- Por nossa causa, ele foi dócil para que pudéssemos ter uma vida eterna.
- Tal docilidade não é natural!
- Só o Espírito Santo de Deus poderia fazer com que nossa reação fosse dócil a perseguição física e emocional.

(Extraído do Livro: Temperamento Controlado Pelo Espírito Santo – Tim LaHaye)

Temperamento Fleumático

Fleumático
Principais características ingênitas Fleumático:
Qualidades: Calmo, Tranquilo, Cumpridor, Eficiente, Conservador, Prático, Líder, Diplomata, Bem-humorado.
Defeitos: Calculista, Temeroso, Indeciso, Contemplativo, Desconfiado, Pretensioso, Introvertido, Desmotivado.
Personagens do dia a dia: Diplomatas, Administradores, Professores, Técnicos.
Personagem Bíblico: Abraão.
¨  A vida para ele é uma experiência feliz, serena e agradável na qual tenta envolver-se o mínimo possível;
¨  Em qualquer circunstância parece não se preocupar;
¨  Raramente explode em riso ou raiva, mantendo sempre suas emoções sob controle;
¨  Coerente;
¨  Personalidade fria, reticente, quase tímido;
¨  Sempre mais emotivo do que demonstra;
¨  Grande capacidade de apreciar as belas artes e as melhores coisas da vida;
¨  Não lhe faltam amigos, porque gosta do convívio social;
¨  Mantém muitas pessoas “as gargalhadas” sem jamais de deixar escapar um sorriso;
¨  Sempre encontra algo engraçado nas ações dos outros;
¨  Cérebro organizado, ótima memória;
¨  Bom imitador;
¨  Diverte-se com os outros tipos de temperamentos;
¨  Sente-se irritado com o entusiasmo desorientado e inquieto do Sanguíneo, apontando-lhe estas futilidades;
¨  Fica aborrecido com as disposições sombrias do melancólico e está sempre disposto a ridiculariza-lo;
¨  Sente enorme prazer em “gelar” os planos efervescentes e nas ambições do Colérico;
¨  Tem profunda tendência a ser expectador da vida e tenta não se envolver com o próximo;
¨  Gosta de rotina;
¨  Na luta contra a injustiça social sempre acha que alguém tem que solucionar o problema, dificilmente se inclui para soluciona-los;
¨  Simpático e bom coração, raramente deixa transparecer seus verdadeiros sentimentos;
¨  Incitado à ação, demonstra-se capaz e eficiente;
¨  Nunca aceita a liderança por sua vontade, mas quando lhe é imposta prova ser um chefe capaz;
¨  Exerce uma influência conciliadora sobre as pessoas.

Forças Ingênitas do Fleumático:
¨  Seu bom humor o preserva de se envolver com a vida e com as coisas, frequentemente enxerga algo cômico na maioria das experiências mundanas;
¨  Seu senso de humor provoca gargalhadas nos outros;
¨  Bom conselheiro;
¨  Sua disposição morosa e acessível torna-lhe fácil saber ouvir;
¨  Digno de confiança em sua natureza alegre e bem humorada;
¨  Amigo fiel, não se envolvendo muito;
¨  Prático e eficiente;
¨  Uma vez não estimulado a tomar decisões repentinas, procura um modo prático de atingir seu objetivo com o mínimo de esforço;
¨  Trabalha bem sob pressão;
¨  Produz melhor em circunstâncias que causariam “fracasso” dos outros temperamentos;
¨  Trabalho sempre caracterizado pela perfeição e eficiência;
¨  Possui padrões elevados de zelo e precisão;
¨  Hábitos metódicos;

Fraquezas ingênitas do Fleumático:
¨  Moroso e indolente, parece estar “arrastando os pés” porque ressente ter sido forçado a ação, contra a sua vontade, caminha o mais vagarosamente possível;
¨  Motivado a ser um espectador a vida, fazer o mínimo necessário, impedindo-o de iniciar novos projetos que é capaz de levar adiante, mas para ele parece se “trabalho excessivo”;
¨  O desassossego do Sanguíneo e a atividade do Colérico muitas vezes o aborrecem porque receia que possam motiva-lo a trabalhar;
¨  Devido ao seu senso de humor agudo e capacidade de ser observador desinteressado, possui ele a facilidade de utilizar sua habilidade espirituosa para provocar o próximo que o enerva ou ameaça motiva-lo;
¨  Se um Sanguíneo entra animado e entusiasta, o Fleumático se torna distante e gélido;
¨  Se o Melancólico vem pessimista, a lamentar-se das misérias do mundo, o Fleumático se torna mais otimista do que nunca e o provoca de maneira insuportável;
¨  Se um Colérico se aproxima, repleto de planos e projetos, é um prazer requintado para o Fleumático derramar água fria em seu entusiasmo, com o seu equilíbrio e aguda percepção é-lhe muito fácil apontar as fraquezas da proposta do Colérico;
¨  Se assim decide, usa seu humor e espírito decidido para atiçar ou enraivecer o próximo, enquanto ele próprio jamais perde a compostura ou se agita;
¨  Deixa transparecer seu egoísmo, aprendendo a proteger-se com o passar dos anos;
¨  Opõe-se a qualquer mudança, não quer comprometer-se, deseja manter-se conservador;
¨  À medida que se torna maduro, consegue disfarçar sua obstinação sob seu afável bom humor, enquanto se torna ainda mais obstinado;
¨  Cada vez que é forçado a participar de projeto e atividades que não correspondem suas expectativas, torna-se mais resistente ás sugestões futuras; esta obstinação tende a torna-lo avarento e egoísta, pois seu pensamento é quanto isto vai me custar? , o que vai exigir de mim? , o egoísmo no Fleumático é mais forte que nos outros temperamentos;
¨  Indeciso com o passar dos anos, devido à sua reserva em ficar “implicado”;
¨  Sente-se inclinado a vacilar entre o desejo de fazer alguma coisa e a má vontade de pagar pelo seu preço;
¨  Esta prática indecisa poderá se transformar num hábito que sobrepuja o aspecto utilitário de seu raciocínio.

Necessidades Espirituais básicas do Fleumático:
Amor, Bondade, Docilidade, Temperança, Fé.

 (Extraído do Livro: Temperamento Controlado Pelo Espírito Santo – Tim LaHaye)