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domingo, 8 de dezembro de 2013

Virtudes Divinas

Virtudes teologais
- As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina.
- Pois as virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto.
- As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais.
- São infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna.
- São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.

- A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade.
- Pela fé, "o homem livremente se entrega todo a Deus. Por isso o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus.
"O justo viverá da fé" (Rm 1,17).
A fé viva "age pela caridade" (Gl 5,6).
- O dom da fé permanece naquele que não pecou contra ela.
- Mas "é morta a fé sem obras" (Tg 2,26): privada da esperança e do amor, a fé não une plenamente o fiel a Cristo e não faz dele um membro vivo de seu Corpo.
- O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la:
"Todos devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens e segui-lo no caminho da Cruz, entre perseguições que nunca faltam à Igreja.”
- O serviço e o testemunho da fé são requisitos da salvação:
"Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus.
Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus" (Mt 10,32-33).

Esperança
- A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo.
"Continuemos a afirmar nossa esperança,
porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23).
"Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna" (Tt 3,6-7).
- A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem;
  • assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens;
  •  purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus;
  • protege contra o desânimo;
  • dá alento em todo esmorecimento;
  • dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna.
- O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.
- A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem sua origem e modelo na esperança de Abraão, cumulada em Isaac, das promessas de Deus, e purificada pela prova do sacrifício.
"Ele, contra toda a esperança,
acreditou na esperança de tornar-se pai de muitos povos" (Rm 4,18).
- A esperança cristã se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provação reservadas aos discípulos de Jesus.
- Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na "esperança que não decepciona" (Rm 5,5).
- A esperança é a "âncora da alma” segura e firme, "penetrando... onde Jesus entrou por nós, como precursor" (Hb 6,19-20).
- Também é uma arma que nos protege no combate da salvação:
 "Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação" (l Ts 5,8)
- Ela nos traz alegria mesmo na provação:
"alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação" (Rm 12,12).
- Ela se exprime e se alimenta na oração, especialmente no Pai-Nosso resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.
- Podemos esperar, pois, a glória do céu prometida por Deus aos que o amam e fazem sua vontade.
- Em qualquer circunstância, cada qual deve esperar, com a graça de Deus, "perseverar até o fim" e alcançar a alegria do céu como recompensa eterna de Deus pelas boas obras praticadas com a graça de Cristo.
- Na esperança, a Igreja pede que "todos ó homens sejam salvos" (1Tm 2,4). Ela aspira a estar unida a Cristo, seu Esposo, na glória do céu.
  • Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar.
(Santa Tereza de Jesus)

Caridade
- A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
- Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus "até o fim" (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe.
- Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem.
- Por isso diz Jesus:
"Assim como o Pai me amou, também eu vos amei.
Permanecei em meu amor" (Jo 15,9).
E ainda:
"Este é o meu preceito:
Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12).
- Fruto do Espírito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo:
"Permanecei em meu amor.
Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor" (Jo 15,9-10).
- Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda "inimigos" (Rm 5,10). O Senhor exige que amemos, como Ele, mesmo os nossos inimigos, que nos tornemos o próximo do mais afastado, que amemos como Ele as crianças e os pobres.
- O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade:
"A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (l Cor 13,4-7).
- Diz ainda o apóstolo:
"Se não tivesse a caridade, nada seria...".
- E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude...
"se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria".
- A caridade superior a todas as virtudes. E a primeira das virtudes teologais:
"Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas.
A maior delas, porém, é a caridade" (1 Cor 13,13).
- O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o "vinculo da perfeição" (Cl 3,14); é a forma das virtudes, articulando-as e ordenando-as entre si; é fonte e termo de sua prática cristã.
- A caridade assegura purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à feição sobrenatural do amor divino.
- A prática da vida moral, animada pela caridade, dá ao cristão a liberdade espiritual dos filhos de Deus. Já não está diante de Deus como escravo em temor servil, nem como mercenário à espera do pagamento, mas como um filho que responde ao amor daquele "que nos amou primeiro" (1 Jo 4,19):
  • Ou nos afastamos do mal por medo do castigo, estando assim na posição do escravo; ou buscamos o atrativo da recompensa, assemelhando-nos aos mercenários; ou é pelo bem em si mesmo e por amor de quem manda que nós obedecemos... e estaremos então na posição de filhos. (São Basilio)
- A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia exige a beneficência e a correção fraterna; é benevolência; suscita a reciprocidade; é desinteressada e liberal; é amizade e comunhão:
  • A finalidade de todas as nossas obras é o amor. Este é o fim, é para alcançá-lo que corremos, é para ele que corremos; uma vez chegados, é nele que repousaremos.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1812-1829

Virtudes humanas

Virtudes
"Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor" (Fl 4,8).
- A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem.
- Permite a pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si.
- Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática.
"O objetivo da vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus."

Virtudes humanas
- As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé.
- Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem.
- As virtudes morais são adquiridas humanamente.
- São os frutos e os germes de atos moralmente bons; dispõem todas as forças do ser humano para entrar em comunhão com o amor divino.

Distinção das virtudes cardeais
- Quatro virtudes têm um papel de "dobradiça" (que, em latim, se diz "cardo, cardinis").
- Por esta razão são chamadas "cardeais": todas as outras se agrupam em torno delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
"Ama-se a retidão? As virtudes são seus frutos;
ela ensina a temperança e a prudência a justiça e a fortaleza" (Sb 8,7).
- Estas virtudes são louvadas em numerosas passagens da Escritura sob outros nomes.

- A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo.
"O homem sagaz discerne os seus passos" (Pr 14,15).
"Sede prudentes e sóbrios para entregardes às orações" (1 Pd 4,7).
- A prudência é a "regra certa da ação", escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação.
- É chamada "cocheiro", isto é "portadora das virtudes", porque, conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.
- É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência.
- O homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo este juízo.
- Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar.

- A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.
- A justiça para com Deus chama-se "virtude de religião".
- Para com os homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum.
- O homem justo, muitas vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo.
"Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso.
Julga o próximo conforme a justiça" (Lv 19,15).
"Senhores, dai aos vossos servos o justo e eqüitativo,
sabendo que vós tendes um Senhor no céu" (Cl 4,1).

- A fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem.
- Ela firma a resolução de resistir as tentações e superar os obstáculos na vida moral.
- A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a provação e as perseguições.
- Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa.
"Minha força e meu canto é o Senhor" (Sl 118,14).
"No mundo tereis tribulações, mas tende coragem:
 eu venci o mundo" (Jo 16,33).

- A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados.
- Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade.
- A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e "não se deixa levar a seguir as paixões do coração".
- A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento:
"Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos"
(Eclo 18,30).
- No Novo Testamento, é chamada de "moderação" ou "sobriedade".
Devemos "viver com moderação, justiça e piedade neste mundo" (Tt 2,12).
- Viver bem não é outra coisa senão amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e em toda forma de agir.
- Dedicar-lhe um amor integral (pela temperança) que nenhum infortúnio poderá abalar (o que depende da fortaleza), que obedece exclusivamente a Ele (e nisto consiste a justiça), que vela para discernir todas as coisas com receio de deixar-se surpreender pelo ardil e pela mentira (e isto é a prudência).

As virtudes e a Graça
- As virtudes humanas adquiridas pela educação, por atos deliberados e por uma perseverança sempre retomada com esforço são purificadas e elevadas pela graça divina.
- Com o auxílio de Deus, forjam o caráter e facilitam a prática do bem.
O homem virtuoso sente-se feliz em praticá-las.
- Não é fácil para o homem ferido pelo pecado manter o equilíbrio moral.
- O dom da salvação, trazida por Cristo, nos concede a graça necessária para perseverar na conquista das virtudes.
- Cada um deve sempre pedir esta graça de luz e de fortaleza, recorrer aos sacramentos, cooperar com o Espírito Santo, seguir seus apelos de amar o bem e evitar o mal.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1803-1811

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Onde encontro Jesus

Lugares de encontro com Jesus Cristo
§246. O encontro com Cristo, graças à ação invisível do Espírito Santo, realiza-se na fé recebida e vivida na Igreja.
- Com as palavras do papa Bento XVI, repetimos com certeza:
“A Igreja é nossa casa! Esta é nossa casa! Na Igreja Católica temos tudo o que é bom, tudo o que é motivo de segurança e de consolo!
Quem aceita a Cristo: Caminho, Verdade e Vida, em sua totalidade, tem garantida a paz e a felicidade, nesta e na outra vida!”

§247. Encontramos Jesus na Sagrada Escritura, lida na Igreja.
- A Sagrada Escritura, “Palavra de Deus escrita por inspiração do Espírito Santo”, é, com a Tradição, fonte de vida para a Igreja e alma de sua ação evangelizadora. Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo. Daí o convite de Bento XVI:
“Ao iniciar a nova etapa que a Igreja missionária da América Latina e do Caribe se dispõe a empreender, a partir desta V Conferência em Aparecida, é condição indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus.
- Por isso, é necessário educar o povo na leitura e na meditação da Palavra: que ela se converta em seu alimento para que, por experiência própria, vejam que as palavras de Jesus são espírito e vida (cf.Jo 6,63).
- Do contrário, como vão anunciar uma mensagem cujo conteúdo e espírito não conhecem profundamente? É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida na rocha da Palavra de Deus”.

§248. Faz-se, pois, necessário propor aos fiéis a Palavra de Deus como dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de “autêntica conversão e de renovada comunhão e solidariedade”.
- Essa proposta será mediação de encontro com o Senhor se for apresentada a Palavra revelada, contida na Escritura, como fonte de evangelização.
- Os discípulos de Jesus desejam alimentar-se com o Pão da Palavra: querem chegar à interpretação adequada dos textos bíblicos, empregá-los como mediação de diálogo com Jesus Cristo, e a que sejam alma da própria evangelização e do anúncio de Jesus a todos.
- Por isso, a importância de uma “pastoral bíblica”, entendida como animação bíblica da pastoral, que seja escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, de comunhão com Jesus ou oração com a Palavra, e de evangelização inculturada ou de proclamação da Palavra.
- Isso exige, da parte dos bispos, presbíteros, diáconos e ministros leigos da Palavra, uma aproximação à Sagrada Escritura que não seja só intelectual e instrumental, mas com coração “faminto de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11).

§249. Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura existe uma privilegiada à qual todos somos convidados:
  • a Lectio divina ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura.
- Essa leitura orante, bem praticada:
  • conduz ao encontro com Jesus-Mestre,
  • ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias,
  • à comunhão com Jesus-Filho de Deus
  • e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo.
- Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração, contemplação), a leitura orante favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo semelhante ao modo de tantos personagens do evangelho:
  • Nicodemos e sua ânsia de vida eterna (cf. Jo 3,1-21),
  • a Samaritana e seu desejo de culto verdadeiro (cf. Jo 4,1-42),
  • o cego de nascimento e seu desejo de luz interior (cf. Jo 9),
  • Zaqueu e sua vontade de ser diferente (cf. Lc 19,1-10)...
- Todos eles, graças a esse encontro, foram iluminados e recriados porque se abriram à experiência da misericórdia do Pai que se oferece por sua Palavra de verdade e vida. Não abriram o coração para algo do Messias, mas ao próprio Messias, caminho de crescimento na “maturidade conforme a sua plenitude” (Ef 4,13), processo de discipulado, de comunhão com os irmãos e de compromisso com a sociedade.

§250. Encontramos Jesus Cristo, de modo admirável, na Sagrada Liturgia.
- Ao vivê-la, celebrando o mistério pascal, os discípulos de Cristo penetram mais nos mistérios do Reino e expressam de modo sacramental sua vocação de discípulos e missionários.
- A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano II nos mostra o lugar e a função da liturgia no seguimento de Cristo, na ação missionária dos cristãos, na vida nova em Cristo e na vida de nossos povos nEle.

§251. A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo. Com este Sacramento, Jesus nos atrai para si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Existe estreito vínculo entre as três dimensões da vocação cristã:
  • crer,
  • celebrar e
  • viver o mistério de Jesus Cristo, de tal modo que a existência cristã adquira verdadeiramente forma eucarística.
- Em cada Eucaristia, os cristãos celebram e assumem o mistério pascal, participando nEle. Portanto, os fiéis devem viver sua fé na centralidade do mistério pascal de Cristo através da Eucaristia, de maneira que toda a sua vida seja cada vez mais vida eucarística.
- A Eucaristia, fonte inesgotável da vocação cristã é, ao mesmo tempo, fonte inextinguível do impulso missionário. Aí, o Espírito Santo fortalece a identidade do discípulo e desperta nele a decidida vontade de anunciar com audácia aos demais o que tem escutado e vivido.

§254. O sacramento da reconciliação é o lugar onde o pecador experimenta de maneira singular o encontro com Jesus Cristo, que se compadece de nós e nos dá o dom de seu perdão misericordioso, nos faz sentir que o amor é mais forte que o pecado cometido, nos liberta de tudo o que nos impede de permanecer em seu amor, e nos devolve a alegria e o entusiasmo de anunciá-lo aos demais de coração aberto e generoso.

§255. A oração pessoal e comunitária é o lugar onde o discípulo, alimentado pela Palavra e pela Eucaristia, cultiva uma relação de profunda amizade com Jesus Cristo e procura assumir a vontade do Pai.
- A oração diária é sinal do primado da graça no caminho do discípulo missionário. Por isso, “é necessário aprender a orar, voltando sempre a aprender essa arte dos lábios do Mestre”.

Documento de Aparecida

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Igreja cresce por atração

Viver em comunhão
§158. Igual às primeiras comunidades de cristãos, hoje nos reunimos assiduamente para:
  • “escutar o ensinamento dos apóstolos,
  • viver unidos e tomar parte no partir do pão e nas orações”
- A comunhão da Igreja se nutre com o Pão da Palavra de Deus e com o Pão do Corpo de Cristo. A Eucaristia, participação de todos no mesmo Pão de Vida e no mesmo Cálice de Salvação, nos faz membros do mesmo Corpo (cf. 1 Cor 10,17).
Ela é a fonte e o ponto mais alto da vida cristã, sua expressão mais perfeita e o alimento da vida em comunhão. Na Eucaristia, nutrem-se as novas relações evangélicas que surgem do fato de sermos filhos e filhas do Pai e irmãos e irmãs em Cristo. A Igreja que a celebra é “casa e escola de comunhão”, onde os discípulos compartilham a mesma fé, esperança e amor a serviço da missão evangelizadora.

§159. A Igreja, como “comunidade de amor” é chamada a refletir a glória do amor de Deus, que é comunhão, e assim atrair as pessoas e os povos para Cristo. No exercício da unidade desejada por Jesus, os homens e mulheres de nosso tempo se sentem convocados e recorrem à formosa aventura da fé.
“Que também eles vivam unidos a nós para que o mundo creia” (Jo 17,21). 
- A Igreja cresce, não por proselitismo mas “por ‘atração’:
  • como Cristo ‘atrai tudo para si’ com a força do seu amor”.
  • A Igreja “atrai” quando vive em comunhão, pois os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou (cf. Rm 12,4-13; Jo 13,34). (Bento XVI/13.05.2007)

§160. A Igreja peregrina vive antecipadamente a beleza do amor que se realizará no final dos tempos na perfeita comunhão com Deus e com os homens. Sua riqueza consiste em viver, já neste tempo, a “comunhão dos santos”, ou seja, a comunhão nos bens divinos entre todos os membros da Igreja, em particular entre os que peregrinam e os que já gozam da glória. Constatamos que em nossa Igreja existem numerosos católicos que expressam sua fé e sua pertença de forma esporádica, especialmente através da piedade a Jesus Cristo, à Virgem e sua devoção aos santos.
- Convidamos esses a aprofundarem sua fé e participarem mais plenamente na vida da Igreja recordando-lhes que:
“em virtude do batismo,
são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo”.

§161. A Igreja é comunhão no amor. Esta é sua essência e o sinal através do qual é chamada a ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade. O novo mandamento é o que une os discípulos entre si, reconhecendo-se como irmãos e irmãs, obedientes ao mesmo Mestre, membros unidos à mesma Cabeça e, por isso, chamados a cuidarem uns dos outros (1Cor 13; Cl 3,12-14).

§162. A diversidade de carismas, ministérios e serviços, abre o horizonte para o exercício cotidiano da comunhão através da qual os dons do Espírito são colocados à disposição dos demais para que circule a caridade (cf. 1Cor 12,4-12).
- De fato, cada batizado é portador de dons que deve desenvolver em unidade e complementaridade com os dons dos outros, a fim de formar o único Corpo de Cristo, entregue para a vida do mundo. O reconhecimento prático da unidade orgânica e da diversidade de funções assegurará maior vitalidade missionária e será sinal e instrumento de reconciliação e paz para nossos povos.
- Cada comunidade é chamada a descobrir e integrar os talentos escondidos
e silenciosos que o Espírito presenteia aos fiéis.

Documento de Aparecida

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sabedoria 7

A Sabedoria é:
·         um espírito inteligente,
·         santo,
·         único,
·         múltiplo,
·         sutil,
·         móvel,
·         penetrante,
·         puro,
·         claro,
·         inofensivo,
·         inclinado ao bem,
·         agudo,
·         livre,
·         benéfico,
·         benévolo,
·         estável,
·         seguro,
·         livre de inquietação,
·         que pode tudo,
·         que cuida de tudo,
·         que penetra em todos os espíritos:
·         os inteligentes,
·         os puros,
·         os mais sutis.
A Sabedoria é
·         mais ágil que todo o movimento,
·         ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza.
A Sabedoria é
·         um sopro do poder de Deus,
·         uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela.
A Sabedoria é
·         uma efusão da luz eterna,
·         um espelho sem mancha da atividade de Deus,
·         e uma imagem de sua bondade.
A Sabedoria
·         embora única, tudo pode;
·         imutável em si mesma, renova todas as coisas.
·         Ela se derrama de geração em geração nas almas santas e forma os amigos e os intérpretes de Deus,
·         porque Deus somente ama quem vive com a sabedoria!
A Sabedoria é
·         mais bela que o sol e
·         ultrapassa o conjunto dos astros.
·         comparada à luz, ela se sobreleva, porque à luz sucede a noite, enquanto que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece.
A Sabedoria
·         estende seu vigor de uma extremidade do mundo à outra e
·         governa todas as coisas com felicidade.

- Se alguém dentre vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a concede generosamente a todos, sem recriminações, e ela ser-lhe-á dada; contanto que peça com fé, sem duvidar, porque aquele que duvida é semelhante às ondas do mar, impelidas e agitadas pelo vento.
Tiago 1, 5-7

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Vida em Cristo

Cristão, reconhece a tua dignidade.
- Por participares agora da natureza divina, não te degeneres, retornando à decadência de tua vida passada:
  • Lembra-te da Cabeça a que pertences e do Corpo de que és membro.
  • Lembra-te de que foste arrancado do poder das trevas e transferido para a luz e o Reino de Deus.
- Em nossa profissão de fé (Creio em Deus Pai Todo Poderoso...) professamos a grandeza dos dons de Deus ao homem na obra de sua criação, redenção e santificação.
- O que a fé confessa os sacramentos comunicam:
  • pelos sacramentos que os fizeram renascer, os cristãos se tornaram "filhos de Deus" e "participantes da natureza divina".
- Reconhecendo na fé sua nova dignidade, os cristãos são chamados a levar a partir de então uma "vida digna do Evangelho de Cristo":
  • Pelos sacramentos e pela oração, recebem a graça de Cristo e os dons de seu Espírito, que os tornam capazes disso.
Cristão, seja imitador de Cristo.
- Jesus Cristo sempre fez o que era do agrado do Pai. Sempre viveu em perfeita comunhão com Ele. Também os discípulos são convidados a viver sob o olhar do Pai, "que vê o que está oculto", para se tornarem "perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48).
- Incorporados a Cristo pelo Batismo, os cristãos estão "mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus", participando assim da vida do Ressuscitado. Seguindo a Cristo e em união com ele, podem procurar "tornar-se imitadores de Deus como filhos amados e andar no amor", conformando seus pensamentos, palavras e ações aos "sentimentos de Cristo Jesus e seguindo seus exemplos".
- "Justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus", "santificados... chamados a ser santos", os cristãos se tornaram "templo do Espírito Santo" (1Cor 6,19).
  • Esse "Espírito do Filho" os ensina a orar ao Pai e, tendo-se tornado vida deles, os faz agir para carregarem em si "os frutos do Espírito" pela caridade operante.
  • Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo nos "renova pela transformação espiritual de nossa mente", ele nos ilumina e fortifica para vivermos como "filhos da luz, na bondade, justiça e verdade" em todas as coisas (Ef 5,8-9).
Viver em Cristo.
- O caminho de Cristo "conduz à vida", um caminho contrário "leva à perdição". A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. Significa a importância das decisões morais para nossa salvação.
  • Há dois caminhos: um da vida e a felicidade e outro da morte e a infelicidade; mas entre os dois há grande diferença.(Deut 30, 15-20)
- A Igreja revela com toda clareza a alegria e as exigências do caminho de Cristo, ou seja, a "vida nova" em Cristo é:
* Viver do Espírito Santo, Mestre interior da vida segundo Cristo, doce hóspede e amigo que inspira, conduz, retifica e fortifica esta vida. Por ser o Espírito Santo a unção de Cristo, é Cristo, a Cabeça do Corpo, que o difunde em seus membros, para alimentá-los, curá-los, organizá-los em suas funções mútuas, vivificá-los, enviá-los a testemunhar, associá-los à sua oferta ao Pai e à sua intercessão pelo mundo inteiro.

* Viver da graça, pois é pela graça que somos salvos, e é pela graça que nossas obras podem produzir frutos para a vida eterna.
* Viver as bem-aventuranças, pois o caminho de Cristo se resume às bem-aventuranças (Mt 5, 3-12), único caminho para a felicidade eterna, à qual o coração do homem aspira. As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem, a fim de atraí-lo a si, pois só ELE pode satisfazê-lo.

* Viver o perdão após o pecado, pois, sem reconhecer-se pecador, o homem não pode conhecer a verdade sobre si mesmo, condição do reto agir, e sem a oferta do perdão não poderia suportar essa verdade. "Deus nos criou sem nós, mas não quis salvar-nos sem nós." Acolher sua misericórdia exige de nossa parte a confissão de nossas faltas. "Se dissermos: 'Não temos pecado', enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos nossos pecados, Ele, que é fiel e justo, perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça".
* Viver as virtudes humanas, que faz abraçar a beleza e a atração das retas disposições em vista do bem. As virtudes humanas são disposições estáveis da inteligência e da vontade que, regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Podem ser agrupadas em torno de quatro virtudes cardeais: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
* Viver as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade, que se inspira com prodigalidade no exemplo dos santos. As virtudes teologais dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade. Têm a Deus por origem, motivo e objeto, Deus conhecido pela fé, esperado e amado por causa de si mesmo.

* Viver o duplo mandamento da caridade desenvolvido no Decálogo. Os Dez Mandamentos enunciam as exigências do amor de Deus e do próximo. Os três primeiros se referem mais ao amor de Deus, e os outros sete ao amor do próximo. O que Deus manda, torna-o possível por sua graça.

* Viver em comunidade, pois é nos múltiplos intercâmbios dos "bens espirituais" na "comunhão dos santos" que a vida cristã pode crescer, desenvolver-se e comunicar-se. "Uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros... Assim, é preciso crer que existe uma comunhão dos bens na Igreja. Mas o membro mais importante é Cristo, por ser a Cabeça... Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz por meio dos sacramentos da Igreja." Como esta Igreja é governada por um só e mesmo Espírito, todos os bens que ela recebeu se tornam necessariamente um fundo comum. O menor dos nossos atos praticado na caridade irradia em benefício de todos, nesta solidariedade com todos os homens, vivos ou mortos, que se funda na comunhão dos santos. Todo pecado prejudica esta comunhão.

Jesus Cristo, é "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6).
- Contemplando-o na fé, os fiéis podem esperar que Cristo realize neles suas promessas e, amando-o com o amor com que Ele os amou, façam as obras que correspondem à sua dignidade:
  • “Peço que considereis que Jesus Cristo nosso Senhor é vossa verdadeira Cabeça e que vós sois um de seus membros. Ele é para vós o que a Cabeça é para os membros; tudo o que é dele é vosso, seu espírito, coração, corpo, alma e todas as suas faculdades, e deveis fazer uso disso como coisa vossa para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Vós sois em relação a Ele o que os membros são em relação à cabeça. Assim, Ele deseja ardentemente fazer uso de tudo o que está em vós para o serviço e a glória de seu Pai, como coisa sua.” (São João Eudes)
  • “Para mim, viver é Cristo” (São Paulo Fl 1,21)

CIC-Catecismo da Igreja Católica 1691-1698