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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Iniciação à vida cristã

Iniciação à vida cristã
§286. São muitos os cristãos que não participam na Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial. Sem esquecer a importância da família na iniciação cristã, esse fenômeno nos desafia profundamente a imaginar e organizar novas formas de nos aproximar deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e do compromisso cidadão. Temos alta porcentagem de católicos sem a consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com identidade cristã fraca e vulnerável.

§287. Isso constitui grande desafio que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a experiência cristã; desafio que devemos encarar com decisão, coragem e criatividade, visto que em muitas partes a iniciação cristã tem sido pobre ou fragmentada. Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para segui-lo, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora. Impõe-se a tarefa irrenunciável de oferecer modalidade de iniciação cristã, que além de marcar o quê, também dê elementos para o quem, o como e o onde se realiza. Dessa forma, assumiremos o desafio de uma nova evangelização, à qual temos sido reiteradamente convocados.

§288. A iniciação cristã, que inclui o querigma, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e inicia-lo no discipulado. Dá-nos, também, a oportunidade de fortalecer a unidade dos três sacramentos da iniciação, e aprofundar o rico sentido deles. A iniciação cristã, propriamente falando, refere-se à primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma do catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequisados. Esse catecumenato está intimamente unido aos sacramentos da iniciação: batismo, confirmação e eucaristia, celebrados solenemente na Vigília Pascal. Teríamos que distingui-la, portanto, de outros processos catequéticos e formativos que podem ter a iniciação cristã como base.

Propostas para a iniciação cristã
§289. Sentimos a urgência de desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação na vida cristã que comece pelo querigma e que, guiado pela Palavra de Deus, conduza a um encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem, experimentado como plenitude da humanidade e que leve à conversão, ao seguimento em uma comunidade eclesial e a um amadurecimento de fé na prática dos sacramentos, do serviço e da missão.

§290. Recordamos que o caminho de formação do cristão, na tradição mais antiga da Igreja, “teve sempre caráter de experiência, na qual era determinante o encontro vivo e persuasivo com Cristo, anunciado por autênticas testemunhas”. Trata-se de uma experiência que introduz o cristão numa profunda e feliz celebração dos sacramentos, com toda a riqueza de seus sinais. Desse modo, a vida vem se transformando progressivamente pelos santos mistérios que se celebram, capacitando o cristão a transformar o mundo. Isso é o que se chama “catequese mistagógica”.

§291. Ser discípulo é dom destinado a crescer. A iniciação cristã dá a possibilidade de uma aprendizagem gradual no conhecimento, no amor e no seguimento de Cristo. Dessa forma, ela forja a identidade cristã com as convicções fundamentais e acompanha a busca do sentido da vida. É necessário assumir a dinâmica catequética da iniciação cristã. Uma comunidade que assume a iniciação cristã renova sua vida comunitária e desperta seu caráter missionário. Isso requer novas atitudes pastorais por parte dos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e agentes de pastoral.

§292. Como características do discípulo, indicadas pela iniciação cristã, destacamos: que ele tenha como centro a pessoa de Jesus Cristo, nosso Salvador e plenitude de nossa humanidade, fonte de toda maturidade humana e cristã; que tenha espírito de oração, seja amante da Palavra, pratique a confissão frequente e participe da Eucaristia; que se insira cordialmente na comunidade eclesial e social, seja solidário no amor e fervoroso missionário.

§293. A paróquia precisa ser o lugar onde se assegure a iniciação cristã e terá como tarefas irrenunciáveis:
  • iniciar na vida cristã os adultos batizados e não suficientemente evangelizados;
  • educar na fé as crianças batizadas em um processo que as leve a completar sua iniciação cristã;
  • iniciar os não batizados que, havendo escutado o querigma, querem abraçar a fé.
- Nessa tarefa, o estudo e a assimilação do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos é referência necessária e apoio seguro.

§294. Assumir essa iniciação cristã exige não só uma renovação de modalidade catequética da paróquia. Propomos que o processo catequético de formação adotado pela Igreja para a iniciação cristã seja assumido em todo o Continente como a maneira ordinária e indispensável de introdução na vida cristã e como a catequese básica e fundamental. Depois, virá a catequese permanente que continua o processo de amadurecimento da fé; nela se deve incorporar o discernimento vocacional e a iluminação para projetos pessoais de vida.

Catequese permanente
§295. Quanto à situação atual da catequese, é evidente que tem havido grande progresso. Tem crescido o tempo que se dedica à preparação para os sacramentos. Tem-se tomado maior consciência de sua necessidade, tanto nas famílias como entre os pastores. Compreende-se que ela é imprescindível em toda formação cristã. Têm-se constituído ordinariamente comissões diocesanas e paroquiais de catequese. É admirável o grande número de pessoas que se sentem chamadas a se fazer catequistas, com grande entrega. A elas, esta Assembleia manifesta sincero reconhecimento.

§296. No entanto, apesar da boa vontade, a formação teológica e pedagógica dos catequistas não costuma ser a desejável.
- Os materiais e subsídios são com frequência muito variados e não se integram em uma pastoral de conjunto; e nem sempre são portadores de métodos pedagógicos atualizados. Os serviços catequéticos das paróquias frequentemente carecem de colaboração próxima das famílias. Os párocos e demais responsáveis não assumem com maior empenho a função que lhes corresponde como primeiros catequistas.

§297. Os desafios que apresenta a situação da sociedade na América latina e no Caribe requerem identidade católica mais pessoal e fundamentada. O fortalecimento dessa identidade passa por uma catequese adequada que promova adesão pessoal e comunitária a Cristo, sobretudo nos mais fracos na fé. É tarefa que cabe a toda a comunidade de discípulos, mas de maneira
especial a nós que, como bispos, fomos chamados a servir à Igreja, pastoreando-a, conduzindo-a ao encontro com Jesus e ensinando-lhe a viver tudo o que Ele nos tem mandado (cf. Mt 28,19-20).

§298. A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas sim “itinerário catequético permanente”. Por isso, compete a cada Igreja particular, com a ajuda das Conferências Episcopais, estabelecer um processo catequético orgânico e progressivo que se estenda por toda a vida, desde a infância até à terceira idade, levando em consideração que o Diretório Geral de Catequese considera a catequese com adultos como a forma fundamental da educação na fé. Para que em verdade o povo conheça Cristo a fundo e o siga fielmente, deve ser conduzido especialmente na leitura e meditação da Palavra de Deus, que é o primeiro fundamento de uma catequese permanente.

§299. A catequese não pode se limitar a uma formação meramente doutrinal, mas precisa ser uma verdadeira escola de formação integral.
- Portanto, é necessário cultivar a amizade com Cristo na oração, o apreço pela celebração litúrgica, a experiência comunitária, o compromisso apostólico mediante um permanente serviço aos demais. Para isso, seriam úteis alguns subsídios catequéticos elaborados a partir do Catecismo da Igreja Católica e do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, estabelecendo cursos e escolas de formação permanente aos catequistas.

§300. Deve-se dar catequese apropriada que acompanhe a fé já presente na religiosidade popular. Maneira concreta pode ser a oferta de um processo de iniciação cristã com visitas às famílias, onde não só se comuniquem a elas os conteúdos da fé, mas que também as conduza à prática da oração familiar, à leitura orante da Palavra de Deus e ao desenvolvimento das virtudes evangélicas, que as consolidem cada vez mais como Igrejas domésticas. Para esse crescimento na fé, também é conveniente aproveitar pedagogicamente o potencial educativo presente na piedade popular mariana. Trata-se de um caminho educativo que, cultivando o amor pessoal à Virgem, verdadeira “educadora na fé” que nos leva a nos assemelhar cada vez mais a Jesus Cristo, provoque a apropriação progressiva de suas atitudes.

Documento de Aparecida 2007

domingo, 8 de dezembro de 2013

Eucaristia, antídoto para a vida eterna

Eucaristia, penhor da glória futura
- Em uma oração, a Igreja aclama o mistério da Eucaristia:
“O sagrado banquete, em que de Cristo nos alimentamos. Celebra-se a memória de sua Paixão, o espírito é repleto de graças e se nos dão penhor da glória".
- Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa do Senhor, se por nossa comunhão ao altar somos repletos "de todas as graças e bênçãos do céu", a Eucaristia é também a antecipação da glória celeste.
- Quando da última Ceia, o Senhor mesmo dirigia o olhar de seus discípulos para a realização da Páscoa no Reino de Deus:
"Desde agora não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino de meu Pai" (Mt 26,29).
- Toda vez que a Igreja celebra a Eucaristia lembra-se desta promessa, e seu olhar se volta para "aquele que vem" (Ap 1,4).
- Em sua oração, suspira por sua vinda:
"Maran athá" (1 Cor 16,22), "Vem, Senhor Jesus" (Ap 22,20),
"Venha vossa graça e passe este mundo!"

- A Igreja sabe que, desde agora, o Senhor vem em sua Eucaristia, e que ali Ele está, no meio de nós.
- Contudo, esta presença é velada. Por isso, celebramos a Eucaristia
“expectantes aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda de nosso Salvador Jesus Cristo", pedindo "saciar-nos eternamente da vossa glória, quando enxugardes toda lágrima dos nossos olhos. Então, contemplando-vos como sois, seremos para sempre semelhantes a vós e cantaremos sem cessar os vossos louvores, por Cristo, Senhor nosso".
- Desta grande esperança, a dos céus novos e da terra nova nos quais habitará a justiça, não temos penhor mais seguro, sinal mais manifesto do que a Eucaristia.
- Com efeito, toda vez que é celebrado este mistério, "opera-se a obra da nossa redenção" e nós "partimos um mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto não para a morte, mas para a vida eterna em Jesus Cristo".
CIC-Catecismo da Igreja Católica §1402-1405

Já não é pão
- Que aconteceu exatamente quando Jesus disse na Última Ceia (e os sacerdotes esta manhã na Missa): “Isto é o meu corpo” sobre o pão, e “Este é o cálice do meu sangue” sobre o vinho?
- Cremos que a substância do pão deixou de existir completa e totalmente, e que a substância do próprio Corpo de Cristo substituiu a substância do pão que foi aniquilada.
- Cremos também que Jesus, pelo seu poder onipotente como Deus, preservou as aparências do pão e do vinho, apesar de as respectivas substâncias terem desaparecido.

- Por ‘aparências’ de pão e de vinho entendemos todas as formas externas e acidentais que de um modo ou de outro podem ser percebidas pelos sentidos (audição, visão, olfato, paladar, tato).
- A Sagrada Eucaristia ainda parece pão e vinho, ainda tem o sabor do pão e do vinho e cheira a pão e vinho, ainda é sensível ao tato como pão e vinho, e, se a partíssemos ou derramássemos, espalhar-se-ia como o pão e ovinho.
- Mesmo que fizéssemos um exame microscópico, eletrônico e radiológico, só poderíamos perceber nela as qualidades do pão e do vinho.

- Com efeito, a observação humana só pode obter a aparência externa de qualquer coisa. A sua configuração, a sua reação a determinadas circunstâncias, as leis físicas a que parece obedecer, são as únicas questões que a ciência pode investigar.
- Mas a substância de uma coisa, o que lhe está subjacente, a substância como substância, está fora do alcance dos sentidos e dos instrumentos humanos.
- Evidentemente, é um milagre; um milagre contínuo, realizado centenas de milhares de vezes por dia pelo poder infinito de Deus.

- Cabe ainda dizer que é um duplo milagre: é o milagre da transformação do pão e do vinho em Jesus Cristo; e o milagre adicional pelo qual Deus mantém as aparências do pão e do vinho ainda que a substância subjacente tenha desaparecido, como se o rosto de uma pessoa permanecesse num espelho depois de a pessoa ter-se retirado.
- A mudança operada pelas palavras da consagração é de um tipo especial, e a Igreja teve de cunhar um termo especial para a designar: transubstanciação, que, literalmente, significa a passagem de uma substância para outra; neste caso, é uma singular espécie de mudança.

- Jesus Cristo, todo e inteiro, está presente na Sagrada Eucaristia sob as aparências do pão e do vinho.
- Está presente simultaneamente em cada uma das hóstias consagradas de cada altar de todo o mundo e em cada cálice consagrado onde quer que se celebre a Santa Missa.
- Mais ainda, Jesus todo e inteiro está presente em cada partícula consagrada e em cada gota de vinho consagrado.

- Se a Sagrada Hóstia se divide –como o sacerdote o faz durante a missa- , Jesus está totalmente presente em cada uma das partes. Se caísse ao chão uma partícula da Hóstia consagrada ou se derramasse uma gota do Cálice, Jesus estaria presente todo e inteiro nessa partícula e nessa gota.
- É por isso que os panos de altar têm que ser lavados com a máxima reverência, porque pode haver aderida a eles uma partícula das Sagradas Espécies. Estes panos de altar compreendem o corporal, sobre o qual se coloca a patena com a Hóstia e o Cálice consagrados durante a Missa; e o sanguíneo, o pano com que o sacerdote enxuga os lábios depois de consumir o precioso Sangue e seca os dedos e o cálice depois de lavar o cálice com vinho e água, ou só com água.
- Jesus, evidentemente, não deixa o seu lugar no céu, ‘a direita do Pai’, para se tornar presente na Sagrada Eucaristia. Permanece no céu e está no altar. Quem se faz presente sob as aparências do pão e do vinho é o corpo glorificado de Jesus, o seu corpo tal como está no céu.

- A presença de Jesus na Eucaristia –sob dimensões tão pequenas e em tantos lugares ao mesmo tempo- parece suscitar duas aparentes dificuldades:
*Como pode um corpo humano estar presente num espaço tão pequeno?
*Como pode um corpo humano estar em vários lugares ao mesmo tempo?
- Estas dificuldades, é claro, são apenas aparentes.
- Deus assim o fez; portanto, pode ser feito. Deve-se recordar que Deus é o autor da natureza, o amo e o Senhor da Criação.
- As leis físicas do universo foram estabelecidas por Ele, e Ele pode suspender a sua ação se assim o quiser, sem que o seu poder infinito tenha que fazer nenhum esforço.

- Portanto, Jesus está ali na plenitude da sua Pessoa Glorificada, de uma maneira espiritualizada, sem extensão nem espaço. Não tem altura, largura ou espessura.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ordem


O que é Sacramento?
- Sacramento é uma representação material, visível, de uma realidade invisível, que está contida nele e é comunicada quando há convivência e correspondência; são sete:
Iniciação Cristã:Batismo / Crisma / Eucaristia;
Cura: Penitência / Unção dos Enfermos;
Serviço: Matrimônio / Ordem (CIC-Catecismo da Igreja Católica 1536-1600)
- Os sete Sacramentos atingem todas as etapas e todos os momentos importantes da vida do cristão. Dão à vida de fé do cristão: origem e crescimento, cura e missão. Nisto existe certa semelhança entre as etapas da vida natural e as etapas da vida sobrenatural.

O que é um sacerdote?
- Para saber o que é um sacerdote, é preciso saber primeiro o que é sacrifício.
- Hoje em dia, a palavra, ‘sacrificio’ é usada em muitos sentidos.
- Mas, no seu significado estrito e original, é a oferenda de um dom a Deus, feita por determinado grupo, por intermédio de alguém que tenha o direito de representar esse grupo. Hebreus 5, 1-3
- O propósito da oferenda é prestar culto coletivo a Deus; quer dizer, reconhecer o supremo domínio de Deus sobre os homens, agradecer-lhe as suas graças, satisfazer pelos pecados do homem e pedir-lhe os seus benefícios.
- Deus não necessita dos nossos dons, pois tudo o que existe, foi Ele que o fez. Mesmo que lhe oferecêssemos uma montanha de diamantes, estes em si não teriam nenhum valor aos olhos de Deus.
- Antes de Jesus se ter dado a nós como oferenda perfeita no Sacrifício da Missa, o homem nada tinha a oferecer a Deus que fosse realmente digno dEle.
- Desde o começo da história humana, foi do agrado de Deus que o homem lhe manifestasse os seus sentimentos por meio de sacrifícios.
- De tudo o que Ele nos desse, tomaríamos o melhor (fossem cordeiros, bois, frutas ou grãos), e lho restituiríamos, sacrificando no altar como símbolo da nossa oferenda. Essas oferendas não podiam ser senão um gesto simbólico.
- Um sacrifício é a oração em ação de um grupo. E aquele que oferece o sacrifício em nome do grupo –como ministro de Deus- é o Sacerdote.
- Mas quem seria o sacerdote humano que estaria diante do altar, o homem cujos lábios e mãos Cristo usaria para a oferenda de Si?
- Quem seria o sacerdote humano a quem Cristo daria o poder de tornar Deus-Homem presente no altar, sob as aparências de pão e de vinho?
Resposta: “Todo sacerdote é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens em suas relações com Deus... Ninguém se apropria desta honra, senão somente o que foi chamado por Deus” Hebreus 5,1.4

O Sacramento da Ordem
- Os Sacramentos da Ordem e do Matrimônio, estão ordenados à salvação do outro. Contribuem também para a salvação pessoal; isto acontece por meio do serviço aos outros.
- O Sacramento da Ordem é uma graça que o próprio Cristo confiou aos seus apóstolos; transcende uma simples eleição, designação, delegação ou instituição pela comunidade, pois confere um dom do Espírito Santo que permite exercer um ‘poder sagrado’ que só pode vir do próprio Cristo, por meio de sua Igreja.
- O Sacramento da Ordem torna a pessoa semelhante a Cristo por meio de uma graça especial do Espírito Santo, para servir de instrumento de Cristo para o bem de toda a Igreja. O padre age como representante de Cristo, Cabeça da Igreja, em sua tríplice função: Sacerdote, Profeta e Rei.
- No serviço comunitário do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja enquanto: Cabeça de seu Corpo, /Pastor de seu rebanho, /Sumo Sacerdote do sacrifício redentor, /Mestre da Verdade.
- Quem age e opera a salvação é Cristo, por meio do Sacerdote. Mesmo que o Sacerdote esteja em pecado, isto não impede Cristo de agir por meio dele.

“Sem o Sacramento da Ordem não teríamos o Senhor:
* Quem O colocou ali naquele sacrário?
* Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida?
* Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação?
* Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no Sangue de Jesus Cristo?
* E se esta alma chega a morrer (pelo pecado), quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz?
Resposta: O Sacerdote, sempre o Sacerdote.
- Depois de Deus, o Sacerdote é tudo!... Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no Céu.
- Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto mas de amor.
Sem o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra.

- Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta?
O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador de seus bens.
O Padre não é padre para si mesmo é para vós.(Cura D’arns)

Pensar para não julgar
Quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem Miguel, nem Rafael, nem Gabriel, nem príncipe algum daqueles que venceram lúcifer podem fazer o que um sacerdote faz;

Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a lhe faltar esse pouquinho de pão e esse pouquinho de vinho;

Quando se pensa que isso pode acontecer, porque estão faltando às vocações sacerdotais; e que quando isso acontecer se estremecerão os céus e se romperá a Terra, como se a mão de Deus tivesse deixado de sustentá-la; e as pessoas gritarão de fome e angústia, e pedirão por esse Pão, e não haverá ninguém que lhes dê; e pedirão a absolvição de suas culpas, e não haverá quem as absolva, e morrerão com os olhos abertos pelo maior dos espantos...

Quando se pensa que um sacerdote é mais necessário que um presidente, mais do que um militar, mais do que um banqueiro, mais do que um médico, mais do que um professor, porque ele pode substituir a todos e ninguém pode substituí-lo;

Quando se pensa tudo isso,...

Compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações sacerdotais;

Compreende-se que, se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um titulo de honra incomparável;

Compreende-se que ajudar a construir ou manter um seminário ou noviciado é multiplicar os nascimentos do Redentor;

Compreende-se que ajudar a custear os estudos de um jovem seminarista ou de um noviço é aplainar o caminho por onde chegará ao altar um homem que, durante meia hora, todos os dias, será muito mais que todas as celebridades da Terra e que todos os santos do Céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando o seu Corpo e o seu Sangue, para alimentar o mundo.

Fonte: Hugo Wast (Romancista Mexicano) - Legionários de Cristo

Matrimônio

O que é Sacramento?
- Sacramento é uma representação material, visível, de uma realidade invisível, que está contida nele e é comunicada quando há convivência e correspondência; são sete:
Iniciação Cristã: Batismo / Crisma / Eucaristia;
Cura: Penitência / Unção dos Enfermos;
Serviço: Matrimônio / Ordem.
- Para que você receba todas as graças que cada sacramento confere, é essencial que se apresente para recebê-lo com fé e humildade, dando a Deus ocasião de mostrar o seu poder.

O Sacramento do Matrimônio confere graças especiais
- Se o esposo ou a esposa tenha tido um dia mau e estiver talvez desanimado pela pressão de um problema doméstico sério, sentindo-se tentado a autocompadecer-se e a pensar que foi um erro casar-se, esse é o momento de recordar que o matrimônio é um sacramento.
- É o momento de recordar que tem absoluto direito a qualquer graça de que possa necessitar nessa situação; a qualquer graça de que possa carecer para fortalecer a sua humana fraqueza e chegar à solução do problema.
- Aos esposos que fazem tudo o que está em seu alcance para que seu matrimônio seja verdadeiramente cristão, Deus comprometeu-se a dar todas as graças de que necessitam e quando as necessitem, e Deus é sempre fiel aos seus compromissos.

- Por ser um sacramento, o matrimônio confere dois gêneros de graça:
1º) No exato momento em que é recebido, infunde um aumento de Graça Santificante. Quando os noivos se voltam para descer os degraus do altar, suas almas são espiritualmente mais fortes e mais belas do que quando, minutos antes, subiram ao altar.

2º) Recebem também a Graça Sacramental, que consiste no direito de receber de Deus as Graças atuais de que os esposos possam necessitar através dos anos para assegurarem uma união feliz e frutuosa:
Aperfeiçoa o amor natural entre marido e mulher, elevando-o a um nível sobrenatural que ultrapassa a mera compatibilidade mental e física. Confere generosidade e responsabilidade para gerar e criar os filhos, prudência e discernimento para enfrentar os inúmeros problemas que a vida familiar traz consigo. Ajuda os esposos a adaptarem-se aos defeitos um do outro e a desculpá-los.

Matrimônio: Igreja Doméstica
- Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família: José e Maria.
- A Igreja não é outra coisa senão a "família de Deus". Desde suas origens, o núcleo da Igreja era em geral constituído por aqueles que, "com toda a sua casa", se tornavam cristãos. Quando eles se convertiam, desejavam também que "toda a sua casa" fosse salva. Essas famílias que se tornavam cristãs eram redutos de vida cristã num mundo incrédulo.

- Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante.
É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada.

- É na família que se exerce de modo privilegiado o sacerdócio batismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, "na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa". O lar é, assim, a primeira escola de vida cristã e "uma escola de enriquecimento humano". É aí que se aprende:
  •  a resistência à fadiga e a alegria do trabalho, 
  • o amor fraterno, 
  • o perdão generoso e mesmo reiterado e, sobretudo, 
  • o culto divino pela oração e oferenda de sua vida.


Fecundidade no Matrimônio
- O instituto do Matrimônio e o amor dos esposos estão, por sua índole natural, ordenados à procriação e à educação dos filhos, e por causa dessas coisas são como que coroados de maior glória.
- Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: "Não convém ao homem ficar sozinho" Gn 2,18, e "criou de início o homem como varão e mulher" Mt 19,4; querendo conferir ao homem participação especial em sua obra criadora, abençoou o varão e a mulher dizendo: "Crescei e multiplicai-vos" Gn 1,28. Donde se segue que o cultivo do verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura da vida familiar que daí promana, sem desprezar os outros fins do Matrimônio, tendem a dispor os cônjuges a cooperar corajosamente como amor do Criador e do Salvador que, por intermédio dos esposos, quer incessantemente aumentar e enriquecer sua família.

- A fecundidade do amor conjugal se estende aos frutos vida moral, espiritual e sobrenatural que os pais transmitem a seus filhos pela educação. Os pais são os principais e primeiros educadores de seus filhos. Neste sentido, a tarefa fundamental do Matrimônio e da família é estar a serviço da vida.

- Os esposos a quem Deus não concedeu ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente. Seu Matrimônio pode irradiar uma fecundidade de caridade, acolhimento e sacrifício.

A Fidelidade do amor conjugal
- O amor conjugal exige dos esposos, por sua própria natureza, uma fidelidade inviolável. 
- Isso é a conseqüência do dom de si mesmos que os esposos fazem um ao outro. 
- O amor quer ser definitivo. Não pode ser "até nova ordem". 
"Esta união íntima, doação recíproca de duas pessoas e o bem dos filhos 
exigem perfeita fidelidade dos cônjuges e sua indissolúvel unidade."
- O motivo mais profundo se encontra na fidelidade de Deus à sua aliança, de Cristo à sua Igreja. Pelo sacramento do Matrimônio, os esposos se habilitam a representar esta fidelidade e a testemunhá-la. Pelo sacramento, a indissolubilidade do casamento recebe um novo e mais profundo sentido.

- Pode parecer difícil e até impossível ligar-se por toda a vida a um ser humano. Por isso é de suma importância anunciar a Boa Nova de que Deus nos ama com um amor definitivo e irrevogável, que os esposos participam deste amor, que Ele os apóia e mantém e que, por meio de sua fidelidade, podem ser testemunhas do amor fiel de Deus. Os esposos que, com a graça de Deus, dão esse testemunho, não raro em condições bem difíceis, merecem a gratidão e o apoio da comunidade eclesial.

- Cristo é a fonte desta graça. "Como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador dos homens, Esposo da Igreja, vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do Matrimônio." Permanece com eles, concede-lhes a força de segui-lo levando sua cruz e de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente, carregar o fardo uns dos outros, submeter-se uns aos outros no temor de Cristo e amar-se com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias de seu amor e de sua vida familiar, Ele lhes dá, aqui na terra, um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro.

(CIC-Catecismo da Igreja Católica 1601-1666)