domingo, 27 de outubro de 2013

Igreja, Povo de Deus

- "Em qualquer época e em qualquer povo é aceito por Deus todo aquele que o teme e pratica a justiça.
- Aprouve, contudo, a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que o conhecesse na verdade e santamente o servisse.
- Escolheu, por isso Israel como seu povo. Estabeleceu com ele uma aliança e instruiu-o passo a passo...
- Tudo isso, porém, aconteceu em preparação e figura para aquela nova e perfeita aliança que se estabeleceria em Cristo... Esta é a Nova Aliança, isto é o Novo Testamento em seu sangue, chamando de entre judeus e gentios um povo que junto crescesse na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito.

As Características do Povo de Deus
- O Povo de Deus tem características que o distinguem nitidamente de todos os agrupamentos religiosos, étnicos, políticos ou culturais da história:
·         Ele é o Povo de Deus: Deus não pertence, como propriedade, a nenhum povo. Mas adquiriu para si um povo dentre os que outrora não eram um povo: "Uma raça eleita, um sacerdócio régio, uma nação santa" (1Pd 2,9).
·         A pessoa torna-se membro deste povo: não pelo nascimento físico, mas pelo "nascimento do alto", "da  água e do Espírito" (Jo 3,3-5), isto é, pela fé em Cristo e pelo Batismo.
·         Este povo tem por Chefe: (Cabeça) Jesus Cristo (Ungido, Messias); pelo fato de a mesma Unção, o Espírito Santo, fluir da Cabeça para o Corpo, ele é "o Povo messiânico".
·         A condição deste povo é: a dignidade da liberdade dos filhos de Deus: nos corações deles, como em um templo, reside o Espírito Santo.
·         "Sua lei é: o mandamento novo de amar como Cristo mesmo nos amou.". É a lei "nova" do Espírito Santo.
·         Sua missão é: ser o sal da terra e a luz do mundo. "Ele constitui para todo o gênero humano o mais forte germe de unidade, esperança e salvação."
·         Sua meta é: "o Reino de Deus, iniciado na terra por Deus mesmo, Reino a ser estendido mais e mais, até que, no fim dos tempos, seja consumado por Deus mesmo".
Um povo: Sacerdotal, Profético de Régio
- Jesus Cristo é aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e que constituiu "Sacerdote, Profeta e Rei". O Povo de Deus inteiro participa dessas três funções de Cristo e assume as responsabilidades de missão e de serviço que daí decorrem.

- Ao entrar no Povo de Deus pela fé e pelo Batismo, recebe-se participação na vocação única deste povo, em sua vocação sacerdotal:
·         "Cristo Senhor, Pontífice tomado dentre os homens, fez do novo povo 'um reino e sacerdotes para Deus Pai'.
- Pois os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma morada espiritual e sacerdócio santo.

- "O povo santo de Deus participa também da função profética de Cristo."
 -Isso se verifica de modo particular pelo sentido sobrenatural da fé, que é de todo o povo, leigos e hierarquia, apegando-se "indefectivelmente à fé uma vez para sempre transmitida aos santos", e aprofunda a compreensão da mesma e torna-se testemunha de Cristo no meio deste mundo.

- O Povo de Deus participa finalmente da função régia de Cristo.
- Cristo exerce sua realeza atraindo para si todos os homens por sua morte e Ressurreição. Cristo, Rei e Senhor do universo, se fez servidor de todos, não veio "para ser servido, mas para servir e para dar sua vida em resgate por muitos" (Mt 20,28).
- Para o cristão, "reinar é servir", particularmente "nos pobres e nos sofredores, nos quais a Igreja reconhece a imagem de seu Fundador pobre e sofredor".
·         O povo de Deus realiza sua "dignidade régia" vivendo em conformidade com esta vocação de servir com Cristo.

- Todos os que renasceram em Cristo obtiveram, pelo sinal da cruz, a dignidade real e, pela unção do Espírito Santo, receberam a consagração sacerdotal. Por isso, não obstante o serviço especial do nosso ministério, todos os cristãos foram revestidos de um carisma espiritual que os torna membros desta família de reis e deste povo de sacerdotes.
·         Não será, na verdade, função régia o fato de uma alma, submetida a Deus, governar seu corpo?
·         E não será função sacerdotal consagrar ao Senhor uma consciência pura e oferecer no altar do coração a hóstia imaculada de nossa piedade?
São Leão Magno

CIC-Catecismo da Igreja Católica §781-786