domingo, 12 de janeiro de 2014

Pecado original

O pecado original
A liberdade posta a prova
- Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu em sua amizade.
- Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade como livre submissão a Deus. É o que exprime a proibição, feita ao homem, de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, "pois, no dia em que dela comeres, terás de morrer" (Gn 2,17). "A árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gn 2,l7) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e respeitar com confiança. O homem depende do Criador, está  submetido às leis da criação e às normas morais que regem o uso da liberdade.

O primeiro pecado do homem
- O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem:
  • Todo pecado, daí em diante, será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade.
- Neste pecado, o homem preferiu a si mesmo a Deus, e com isso menosprezou a Deus: optou por si mesmo contra Deus, contrariando as exigências de seu estado de criatura e consequentemente de seu próprio bem.
- Constituído em um estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente "divinizado" por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis "ser como Deus", mas "sem Deus, e antepondo-se a Deus, e não segundo Deus".
- A Escritura mostra as consequências dramáticas desta primeira desobediência. Adão e Eva perdem de imediato a graça da santidade original. Têm medo deste Deus, do qual fizeram uma falsa imagem, a de um Deus enciumado de suas prerrogativas.
- A harmonia na qual estavam, estabelecida graças à justiça original, está destruída:
  • o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo é rompido;
  • a união entre o homem e a mulher é submetida a tensões;
  • suas relações serão marcadas pela cupidez e pela dominação (cf. Gn 3, 16).
  • A harmonia com a criação está rompida:
a criação visível tornou-se para o homem estranha e hostil.
Por causa do homem, a criação está submetida "à servidão da corrupção".
Finalmente, vai realizar-se a consequência explicitamente anunciada para o caso de desobediência: homem "voltará  ao pó do qual é formado" A morte entra na história da humanidade.
- A partir do primeiro pecado, uma verdadeira "invasão" do pecado inunda o mundo:
  • o fratricídio cometido por Caim contra Abel;
  • a corrupção universal em decorrência do pecado;
  • na história de Israel, o pecado se manifesta frequentemente e sobretudo como uma infidelidade ao Deus da Aliança e como transgressão da Lei de Moisés;
  • e mesmo após a Redenção de Cristo, entre os cristãos, o pecado se manifesta de muitas maneiras. A Escritura e a Tradição da Igreja não cessam de recordar a presença e a universalidade do pecado na história do homem:
- O que nos é manifestado pela Revelação divina concorda com a própria experiência. Pois o homem, olhando para seu coração, descobre-se também inclinado ao mal e mergulhado em múltiplos males que não podem provir de seu Criador, que é bom. Recusando-se muitas vezes a reconhecer Deus como seu princípio, o homem destruiu a devida ordem em relação ao fim último e, ao mesmo tempo, toda a sua harmonia consigo mesmo, com os outros homens e com as coisas criadas.

Consequências do pecado de Adão para a humanidade
- Todos os homens estão implicados no pecado de Adão:
  • São Paulo o afirma: "Pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores" (Rm 5,19). "Como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram..." (Rm 5,12).
- A universalidade do pecado e da morte o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo:
  • "Assim como da falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só (a de Cristo), resultou para todos os homens justificação que traz a vida" (Rm 5,18).
- Na linha de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens e sua inclinação para o mal e para a morte são incompreensíveis, a não ser referindo-se ao pecado de Adão e sem o fato de que este nos transmitiu um pecado que por nascença nos afeta a todos e é "morte da alma".
  • Em razão desta certeza de fé, a Igreja ministra o batismo para a remissão dos pecados mesmo às crianças que não cometeram pecado pessoal.
- De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes?
  • O gênero humano inteiro é em Adão “como um só corpo de um só homem" Em virtude desta "unidade do gênero humano", todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo.
- Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao Tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afeta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído:
  • É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado "pecado" de maneira analógica: é um pecado "contraído" e não "cometido", um estado e não um ato.
- Embora próprio a cada um, o pecado original não tem, em nenhum descendente de Adão, um caráter de falta pessoal.
- É a privação da santidade e da justiça originais, mas a natureza humana não é totalmente corrompida: ela é lesada em suas próprias forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (esta propensão ao mal é chamada "concupiscência").
- O Batismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e faz o homem voltar para Deus:
- Porém, as consequências de tal pecado sobre a natureza, enfraquecida e inclinada ao mal, permanecem no homem e o incitam ao combate espiritual.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §396-406