domingo, 8 de dezembro de 2013

Virtudes Divinas

Virtudes teologais
- As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina.
- Pois as virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto.
- As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais.
- São infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna.
- São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.

- A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade.
- Pela fé, "o homem livremente se entrega todo a Deus. Por isso o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus.
"O justo viverá da fé" (Rm 1,17).
A fé viva "age pela caridade" (Gl 5,6).
- O dom da fé permanece naquele que não pecou contra ela.
- Mas "é morta a fé sem obras" (Tg 2,26): privada da esperança e do amor, a fé não une plenamente o fiel a Cristo e não faz dele um membro vivo de seu Corpo.
- O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la:
"Todos devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens e segui-lo no caminho da Cruz, entre perseguições que nunca faltam à Igreja.”
- O serviço e o testemunho da fé são requisitos da salvação:
"Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus.
Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus" (Mt 10,32-33).

Esperança
- A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo.
"Continuemos a afirmar nossa esperança,
porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23).
"Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna" (Tt 3,6-7).
- A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem;
  • assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens;
  •  purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus;
  • protege contra o desânimo;
  • dá alento em todo esmorecimento;
  • dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna.
- O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.
- A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem sua origem e modelo na esperança de Abraão, cumulada em Isaac, das promessas de Deus, e purificada pela prova do sacrifício.
"Ele, contra toda a esperança,
acreditou na esperança de tornar-se pai de muitos povos" (Rm 4,18).
- A esperança cristã se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provação reservadas aos discípulos de Jesus.
- Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na "esperança que não decepciona" (Rm 5,5).
- A esperança é a "âncora da alma” segura e firme, "penetrando... onde Jesus entrou por nós, como precursor" (Hb 6,19-20).
- Também é uma arma que nos protege no combate da salvação:
 "Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação" (l Ts 5,8)
- Ela nos traz alegria mesmo na provação:
"alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação" (Rm 12,12).
- Ela se exprime e se alimenta na oração, especialmente no Pai-Nosso resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.
- Podemos esperar, pois, a glória do céu prometida por Deus aos que o amam e fazem sua vontade.
- Em qualquer circunstância, cada qual deve esperar, com a graça de Deus, "perseverar até o fim" e alcançar a alegria do céu como recompensa eterna de Deus pelas boas obras praticadas com a graça de Cristo.
- Na esperança, a Igreja pede que "todos ó homens sejam salvos" (1Tm 2,4). Ela aspira a estar unida a Cristo, seu Esposo, na glória do céu.
  • Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar.
(Santa Tereza de Jesus)

Caridade
- A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
- Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus "até o fim" (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe.
- Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem.
- Por isso diz Jesus:
"Assim como o Pai me amou, também eu vos amei.
Permanecei em meu amor" (Jo 15,9).
E ainda:
"Este é o meu preceito:
Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12).
- Fruto do Espírito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo:
"Permanecei em meu amor.
Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor" (Jo 15,9-10).
- Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda "inimigos" (Rm 5,10). O Senhor exige que amemos, como Ele, mesmo os nossos inimigos, que nos tornemos o próximo do mais afastado, que amemos como Ele as crianças e os pobres.
- O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade:
"A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (l Cor 13,4-7).
- Diz ainda o apóstolo:
"Se não tivesse a caridade, nada seria...".
- E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude...
"se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria".
- A caridade superior a todas as virtudes. E a primeira das virtudes teologais:
"Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas.
A maior delas, porém, é a caridade" (1 Cor 13,13).
- O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o "vinculo da perfeição" (Cl 3,14); é a forma das virtudes, articulando-as e ordenando-as entre si; é fonte e termo de sua prática cristã.
- A caridade assegura purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à feição sobrenatural do amor divino.
- A prática da vida moral, animada pela caridade, dá ao cristão a liberdade espiritual dos filhos de Deus. Já não está diante de Deus como escravo em temor servil, nem como mercenário à espera do pagamento, mas como um filho que responde ao amor daquele "que nos amou primeiro" (1 Jo 4,19):
  • Ou nos afastamos do mal por medo do castigo, estando assim na posição do escravo; ou buscamos o atrativo da recompensa, assemelhando-nos aos mercenários; ou é pelo bem em si mesmo e por amor de quem manda que nós obedecemos... e estaremos então na posição de filhos. (São Basilio)
- A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia exige a beneficência e a correção fraterna; é benevolência; suscita a reciprocidade; é desinteressada e liberal; é amizade e comunhão:
  • A finalidade de todas as nossas obras é o amor. Este é o fim, é para alcançá-lo que corremos, é para ele que corremos; uma vez chegados, é nele que repousaremos.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1812-1829