domingo, 8 de dezembro de 2013

Virtudes humanas

Virtudes
"Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor" (Fl 4,8).
- A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem.
- Permite a pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si.
- Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática.
"O objetivo da vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus."

Virtudes humanas
- As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé.
- Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem.
- As virtudes morais são adquiridas humanamente.
- São os frutos e os germes de atos moralmente bons; dispõem todas as forças do ser humano para entrar em comunhão com o amor divino.

Distinção das virtudes cardeais
- Quatro virtudes têm um papel de "dobradiça" (que, em latim, se diz "cardo, cardinis").
- Por esta razão são chamadas "cardeais": todas as outras se agrupam em torno delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
"Ama-se a retidão? As virtudes são seus frutos;
ela ensina a temperança e a prudência a justiça e a fortaleza" (Sb 8,7).
- Estas virtudes são louvadas em numerosas passagens da Escritura sob outros nomes.

- A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo.
"O homem sagaz discerne os seus passos" (Pr 14,15).
"Sede prudentes e sóbrios para entregardes às orações" (1 Pd 4,7).
- A prudência é a "regra certa da ação", escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação.
- É chamada "cocheiro", isto é "portadora das virtudes", porque, conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.
- É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência.
- O homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo este juízo.
- Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar.

- A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.
- A justiça para com Deus chama-se "virtude de religião".
- Para com os homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum.
- O homem justo, muitas vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo.
"Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso.
Julga o próximo conforme a justiça" (Lv 19,15).
"Senhores, dai aos vossos servos o justo e eqüitativo,
sabendo que vós tendes um Senhor no céu" (Cl 4,1).

- A fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem.
- Ela firma a resolução de resistir as tentações e superar os obstáculos na vida moral.
- A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a provação e as perseguições.
- Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa.
"Minha força e meu canto é o Senhor" (Sl 118,14).
"No mundo tereis tribulações, mas tende coragem:
 eu venci o mundo" (Jo 16,33).

- A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados.
- Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade.
- A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e "não se deixa levar a seguir as paixões do coração".
- A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento:
"Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos"
(Eclo 18,30).
- No Novo Testamento, é chamada de "moderação" ou "sobriedade".
Devemos "viver com moderação, justiça e piedade neste mundo" (Tt 2,12).
- Viver bem não é outra coisa senão amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e em toda forma de agir.
- Dedicar-lhe um amor integral (pela temperança) que nenhum infortúnio poderá abalar (o que depende da fortaleza), que obedece exclusivamente a Ele (e nisto consiste a justiça), que vela para discernir todas as coisas com receio de deixar-se surpreender pelo ardil e pela mentira (e isto é a prudência).

As virtudes e a Graça
- As virtudes humanas adquiridas pela educação, por atos deliberados e por uma perseverança sempre retomada com esforço são purificadas e elevadas pela graça divina.
- Com o auxílio de Deus, forjam o caráter e facilitam a prática do bem.
O homem virtuoso sente-se feliz em praticá-las.
- Não é fácil para o homem ferido pelo pecado manter o equilíbrio moral.
- O dom da salvação, trazida por Cristo, nos concede a graça necessária para perseverar na conquista das virtudes.
- Cada um deve sempre pedir esta graça de luz e de fortaleza, recorrer aos sacramentos, cooperar com o Espírito Santo, seguir seus apelos de amar o bem e evitar o mal.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1803-1811