terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Profissão de Fé


A Profissão de Fé Cristã
- Quem diz “creio” diz "dou minha adesão àquilo que não cremos".
- A comunhão na fé precisa de uma linguagem comum da fé, normativa para todos e que una na mesma confissão de fé.
- Desde a origem, a Igreja apostólica exprimiu e transmitiu sua própria fé em fórmulas breves e normativas para todos.
- Mas já muito cedo a Igreja quis também recolher o essencial de sua fé em resumos orgânicos e articulados, destinados sobretudo aos candidatos ao Batismo:
  • Esta síntese da fé não foi elaborada segundo as opiniões humanas mas da Escritura inteira recolheu-se o que existe de mais importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé.
- E assim com a semente de mostarda contém em um pequeníssimo grão um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento.
- Estas sínteses da fé podem ser chamadas de:
  •  "Profissões de Fé", pois resumem a fé que os cristãos professam.
  •  "Credo" em razão da primeira palavra com que normalmente começam: "Creio".
  •  "Símbolos da fé":
A palavra grega "symbolon" significava a metade de um objeto quebrado (por exemplo, um sinete) que era apresentada como sinal de reconhecimento. As partes quebradas eram juntadas para se verificar a identidade do portador.
O "símbolo da fé" é, pois, um sinal de reconhecimento e de comunhão entre os crentes.
"Symbolon" passa em seguida a significar coletânea, coleção ou sumário.
O "símbolo da fé" é a coletânea das principais verdades da fé.
Daí o fato de ele servir como ponto de referência primeiro e fundamental da catequese.


- A primeira "profissão de fé" é feita por ocasião do Batismo.
- O "símbolo da fé" é inicialmente o símbolo batismal.
- Uma vez que o Batismo é dado "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19), as verdades de fé professadas por ocasião do Batismo estão articuladas segundo sua referência as três pessoas da Santíssima Trindade.
- O símbolo está, pois, dividido em três partes:
1º.    fala da primeira Pessoa divina e da obra admirável da criação;
2º.     fala da segunda Pessoa divina e do Mistério da Redenção dos homens;
3º.     fala da terceira Pessoa divina, fonte e princípio de nossa santificação.
Esses são "os três capítulos de nosso selo (batismal)".

- Estas três partes são distintas, embora interligadas. Segundo uma comparação usada com frequência pelos Padres, chamamo-las de artigos.
-Pois da mesma forma que em nossos membros existem certas articulações que os distinguem e os separam, assim também nesta profissão de fé, com acerto e razão, se deu o nome de artigos as verdades em que devemos crer especificamente e de forma distinta.
- Segundo uma antiga tradição, já atestada por Santo Ambrósio, também se costuma contar doze artigos do Credo, simbolizando com o número dos apóstolos o conjunto da fé apostólica.
- As profissões ou símbolos da fé têm sido numerosos ao longo dos séculos e em resposta as necessidades das diversas épocas:
  • os símbolos das diferentes Igrejas apostólicas e antigas, o Símbolo "Quicumque", dito de Santo Atanásio, as profissões de fé de certos Concílios (Toledo; Latrão; Lião; Trento) ou de certos papas, como a "Fides Damasi" (Profissão de Fé de São Dâmaso) ou o "Credo do Povo de Deus" [SPF], de Paulo VI (1968).
- Nenhum dos símbolos das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado ultrapassado e inútil. Eles nos ajudam a viver e a aprofundar hoje a fé de sempre por meio dos diversos resumos que dela têm sido feitos.
- Entre todos os símbolos da fé, dois ocupam um lugar particularíssimo na vida da Igreja:
- O Símbolo dos Apóstolos, assim chamado por ser, com razão considerado o resumo fiel da fé dos apóstolos. É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma. Sua grande autoridade vem do seguinte ato:
  • "Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro apóstolo, teve sua Sé e para onde ele trouxe comum expressão de fé (sententia communis = opinião comum)".
- O Símbolo denominado niceno-constantinopolitano tem sua grande autoridade no fato de ter resultado dos dois primeiros Concílios ecumênicos (325 e 381). Ainda hoje ele é comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente."

- Como no dia de nosso batismo, quando toda a nossa vida foi confiada "a regra de doutrina" (Rm 6,17), acolhamos Símbolo de nossa fé que dá a vida.
- Recitar com fé o Credo:
  • é entrar em comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo
  • é também entrar em comunhão com a Igreja inteira, que nos transmite a fé e no seio da qual cremos:
- Este Símbolo é:
·         o selo espiritual,
·         a meditação do nosso coração e
·         o guardião sempre presente; ele é, seguramente,
·         o tesouro da nossa alma.

Rezemos:
  1. Creio em Deus Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra...
  2. e em Jesus Cristo, seu Único Filho, Nosso Senhor.
  3. Foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria...
  4. padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado...
  5. desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia...
  6. subiu aos céus, está sentado a direita de Deus Pai Todo-Poderoso...
  7. de onde virá julgar os vivos e os mortos...
  8. Creio no Espírito Santo...
  9. na Santa Igreja Católica...
  10. na remissão dos pecados...
  11. na Ressurreição da carne...
  12. na Vida eterna,
amém.

CIC-Catecismo da Igreja Católica 185-197