segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Vida em Cristo

Cristão, reconhece a tua dignidade.
- Por participares agora da natureza divina, não te degeneres, retornando à decadência de tua vida passada:
  • Lembra-te da Cabeça a que pertences e do Corpo de que és membro.
  • Lembra-te de que foste arrancado do poder das trevas e transferido para a luz e o Reino de Deus.
- Em nossa profissão de fé (Creio em Deus Pai Todo Poderoso...) professamos a grandeza dos dons de Deus ao homem na obra de sua criação, redenção e santificação.
- O que a fé confessa os sacramentos comunicam:
  • pelos sacramentos que os fizeram renascer, os cristãos se tornaram "filhos de Deus" e "participantes da natureza divina".
- Reconhecendo na fé sua nova dignidade, os cristãos são chamados a levar a partir de então uma "vida digna do Evangelho de Cristo":
  • Pelos sacramentos e pela oração, recebem a graça de Cristo e os dons de seu Espírito, que os tornam capazes disso.
Cristão, seja imitador de Cristo.
- Jesus Cristo sempre fez o que era do agrado do Pai. Sempre viveu em perfeita comunhão com Ele. Também os discípulos são convidados a viver sob o olhar do Pai, "que vê o que está oculto", para se tornarem "perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48).
- Incorporados a Cristo pelo Batismo, os cristãos estão "mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus", participando assim da vida do Ressuscitado. Seguindo a Cristo e em união com ele, podem procurar "tornar-se imitadores de Deus como filhos amados e andar no amor", conformando seus pensamentos, palavras e ações aos "sentimentos de Cristo Jesus e seguindo seus exemplos".
- "Justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus", "santificados... chamados a ser santos", os cristãos se tornaram "templo do Espírito Santo" (1Cor 6,19).
  • Esse "Espírito do Filho" os ensina a orar ao Pai e, tendo-se tornado vida deles, os faz agir para carregarem em si "os frutos do Espírito" pela caridade operante.
  • Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo nos "renova pela transformação espiritual de nossa mente", ele nos ilumina e fortifica para vivermos como "filhos da luz, na bondade, justiça e verdade" em todas as coisas (Ef 5,8-9).
Viver em Cristo.
- O caminho de Cristo "conduz à vida", um caminho contrário "leva à perdição". A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. Significa a importância das decisões morais para nossa salvação.
  • Há dois caminhos: um da vida e a felicidade e outro da morte e a infelicidade; mas entre os dois há grande diferença.(Deut 30, 15-20)
- A Igreja revela com toda clareza a alegria e as exigências do caminho de Cristo, ou seja, a "vida nova" em Cristo é:
* Viver do Espírito Santo, Mestre interior da vida segundo Cristo, doce hóspede e amigo que inspira, conduz, retifica e fortifica esta vida. Por ser o Espírito Santo a unção de Cristo, é Cristo, a Cabeça do Corpo, que o difunde em seus membros, para alimentá-los, curá-los, organizá-los em suas funções mútuas, vivificá-los, enviá-los a testemunhar, associá-los à sua oferta ao Pai e à sua intercessão pelo mundo inteiro.

* Viver da graça, pois é pela graça que somos salvos, e é pela graça que nossas obras podem produzir frutos para a vida eterna.
* Viver as bem-aventuranças, pois o caminho de Cristo se resume às bem-aventuranças (Mt 5, 3-12), único caminho para a felicidade eterna, à qual o coração do homem aspira. As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem, a fim de atraí-lo a si, pois só ELE pode satisfazê-lo.

* Viver o perdão após o pecado, pois, sem reconhecer-se pecador, o homem não pode conhecer a verdade sobre si mesmo, condição do reto agir, e sem a oferta do perdão não poderia suportar essa verdade. "Deus nos criou sem nós, mas não quis salvar-nos sem nós." Acolher sua misericórdia exige de nossa parte a confissão de nossas faltas. "Se dissermos: 'Não temos pecado', enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos nossos pecados, Ele, que é fiel e justo, perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça".
* Viver as virtudes humanas, que faz abraçar a beleza e a atração das retas disposições em vista do bem. As virtudes humanas são disposições estáveis da inteligência e da vontade que, regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Podem ser agrupadas em torno de quatro virtudes cardeais: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
* Viver as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade, que se inspira com prodigalidade no exemplo dos santos. As virtudes teologais dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade. Têm a Deus por origem, motivo e objeto, Deus conhecido pela fé, esperado e amado por causa de si mesmo.

* Viver o duplo mandamento da caridade desenvolvido no Decálogo. Os Dez Mandamentos enunciam as exigências do amor de Deus e do próximo. Os três primeiros se referem mais ao amor de Deus, e os outros sete ao amor do próximo. O que Deus manda, torna-o possível por sua graça.

* Viver em comunidade, pois é nos múltiplos intercâmbios dos "bens espirituais" na "comunhão dos santos" que a vida cristã pode crescer, desenvolver-se e comunicar-se. "Uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros... Assim, é preciso crer que existe uma comunhão dos bens na Igreja. Mas o membro mais importante é Cristo, por ser a Cabeça... Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz por meio dos sacramentos da Igreja." Como esta Igreja é governada por um só e mesmo Espírito, todos os bens que ela recebeu se tornam necessariamente um fundo comum. O menor dos nossos atos praticado na caridade irradia em benefício de todos, nesta solidariedade com todos os homens, vivos ou mortos, que se funda na comunhão dos santos. Todo pecado prejudica esta comunhão.

Jesus Cristo, é "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6).
- Contemplando-o na fé, os fiéis podem esperar que Cristo realize neles suas promessas e, amando-o com o amor com que Ele os amou, façam as obras que correspondem à sua dignidade:
  • “Peço que considereis que Jesus Cristo nosso Senhor é vossa verdadeira Cabeça e que vós sois um de seus membros. Ele é para vós o que a Cabeça é para os membros; tudo o que é dele é vosso, seu espírito, coração, corpo, alma e todas as suas faculdades, e deveis fazer uso disso como coisa vossa para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Vós sois em relação a Ele o que os membros são em relação à cabeça. Assim, Ele deseja ardentemente fazer uso de tudo o que está em vós para o serviço e a glória de seu Pai, como coisa sua.” (São João Eudes)
  • “Para mim, viver é Cristo” (São Paulo Fl 1,21)

CIC-Catecismo da Igreja Católica 1691-1698