domingo, 6 de outubro de 2013

Creio em Deus Pai...

(1º artigo do Credo Católico ou 1ª verdade de fé)

A Profissão da Fé Cristã
- Desde a origem, a Igreja apostólica exprimiu e transmitiu sua própria fé em fórmulas breves e normativas para todos. Mas já muito cedo a Igreja quis também recolher o essencial de sua fé em resumos, destinados sobretudo aos candidatos ao Batismo:
  • Esta síntese da fé não foi elaborada segundo as opiniões humanas mas da Escritura inteira recolheu-se o que existe de mais importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim com a semente de mostarda contém em um pequeníssimo grão um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento.
- Neste sentido vamos, a partir desta edição, expor os doze artigos do Credo que professamos.

Creio em Deus...
- Crer em Deus, o Único, e amá-lo com todo o próprio ser tem conseqüências imensas para toda a nossa vida:
  • Significa conhecer a grandeza e a majestade de Deus. "Deus, é grande demais para que o possamos conhecer"(Jó 36,26). É por isso que Deus deve ser o "primeiro a ser servido".
  • Significa viver em ação de graças. Se Deus é o Único, tudo o que somos e tudo o que possuímos vem dele:
      "Que é que possuis, que não tenhas recebido?" (1Cor 4,7).
      "Como retribuirei ao Senhor todo o bem que me fez?" (Sl 116,12).
  • Significa conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens. Todos eles são feitos "à imagem e à semelhança de Deus".
  • Significa usar corretamente das coisas criadas. A fé no Deus único nos leva a usar de tudo o que não é Ele, na medida em que isso nos aproxima dele, e a desapegar-nos das coisas, na medida em que nos desviam dele:
             Meu Senhor e meu Deus, tirai-me tudo o que me afasta de vós.
             Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo o que me aproxima de vós.
             Desprendei-me de mim mesmo para doar-me por inteiro a vós.
  • Significa confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade: Nada te perturbe /Nada te assuste /Tudo passa /Deus não muda /A paciência tudo alcança /Quem a Deus tem /Nada lhe falta. /Só Deus basta.
Pai Todo Poderoso...
- Deus é o Pai Todo-Poderoso. Sua paternidade e seu poder iluminam-se mutuamente. Com efeito, ele mostra sua onipotência paternal pela maneira como cuida de nossas necessidades, pela adoção filial que nos outorga: "Serei para vós um pai, e sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso" 2Cor 6,18, e finalmente por sua misericórdia infinita, pois mostra seu poder no mais alto grau, perdoando livremente os pecados.
- A onipotência divina de modo algum é arbitrária. Em Deus o poder e a essência, a vontade e a inteligência, a sabedoria e a justiça são uma só e mesma coisa, de sorte que nada pode estar no poder divino que não possa estar na vontade justa de Deus ou em sua inteligência sábia.

Criador...
- Cremos que Deus criou o mundo segundo sua sabedoria. O mundo não é o produto de uma necessidade qualquer, de um destino cego ou do acaso.

- Cremos que o mundo procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participarem de seu ser, de sua sabedoria e de sua bondade:
"Pois tu criaste todas as coisas; por tua vontade é que elas existiam e foram criadas". (Ap 4,11). "Quão numerosas são as tuas obras, Senhor, e todas fizeste com sabedoria!" (Sl 104,24). "O Senhor é bom para todos, compassivo com todas as suas obras" (Sl 145,9).

- Cremos que Deus não precisa de nada preexistente nem de nenhuma ajuda para criar. A criação também não é uma emanação necessária da substância divina. Deus cria livremente "do nada".
- Uma vez que Deus pôde criar "do nada", pode, pelo Espírito Santo, dar a vida da alma a pecadores, criando neles um coração puro, e a vida do corpo aos falecidos, pela ressurreição, Ele, "que faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem" (Rm 4,17). E uma vez que, pela sua Palavra, pôde fazer resplandecer a luz a partir das trevas, pode também dar a luz da fé àqueles que a desconhecem.

Sim, tu amas tudo o que criaste, não te aborreces com nada do que fizeste; se alguma coisa tivesses odiado, não a terias feito. E como poderia subsistir alguma coisa se não a tivesses querido? Como conservaria a sua existência se não a tivesses chamado? Mas a todos perdoas, porque são teus:  Senhor, amigo da vida! (Sb 11,24-26)
do Céu e da Terra.
"Pois foi nele(Jesus) que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Dominações, Principados, Potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele" (Cl 1,16).

- Não existe nada que não deva sua existência a Deus criador. O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus; todos os seres existentes, toda a natureza, toda a história humana têm suas raízes neste acontecimento primordial: é a própria gênese pela qual o mundo foi constituído e o tempo começou.

- Cada criatura possui sua bondade e sua perfeição próprias. Para cada uma das obras dos "seis dias" se diz: "E Deus viu que isto era bom". "Pela própria condição da criação, todas as coisas são dotadas de fundamento próprio, verdade, bondade, leis e ordens especificas." As diferentes criaturas, queridas em seu próprio ser, refletem, cada uma a seu modo, um raio da sabedoria e da bondade infinitas de Deus. É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura para evitar um uso desordenado das coisas, que menospreze o Criador e acarrete conseqüências nefastas para os homens e seu meio ambiente.

- A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a pequena flor, a águia e o pardal: as inúmeras diversidades e desigualdades significam que nenhuma criatura se basta a si mesma, que só existem em dependência recíproca, para se completarem mutuamente, a serviço umas das outras.

- A beleza do universo. A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações que existem entre eles. O homem as descobre progressivamente como leis da natureza. Elas despertam a admiração dos sábios. A beleza da criação reflete a infinita beleza do Criador. Ela deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência do homem e de sua vontade.
 - A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos "seis dias", que vai do menos perfeito ao mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas, cuida de cada uma, até mesmo dos pássaros. Apesar disso, Jesus diz aos homens:
"Vós valeis mais do que muitos pardais" (Lc 12,7), ou ainda:
"Um homem vale muito mais do que uma ovelha" (Mt 12,12).

CIC-Catecismo da Igreja Católica 198-421

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