sábado, 5 de outubro de 2013

Beleza Original

A imagem Divina está presente em cada pessoa.
- Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre a sua altíssima vocação:
  • Em Cristo, "imagem do Deus invisível" (Cl 1,15), foi o homem criado à "imagem e semelhança" do Criador.
  • Em Cristo, Redentor e Salvador, a imagem Divina, deformada no homem pelo primeiro pecado, foi restaurada em sua Beleza Original e enobrecida pela graça de Deus. Dotada de alma "espiritual e imortal", a pessoa humana é "a única criatura na terra que Deus quis por si mesma".
Desde sua concepção, você foi destinado à bem-aventurança (felicidade) eterna.
- A pessoa humana participa da luz e da força do Espírito Divino:
  • Pela razão, é capaz de compreender a ordem das coisas estabelecidas pelo Criador.
  • Por sua vontade, ela é capaz de ir, por si, ao encontro de seu verdadeiro bem. Encontra sua perfeição na "busca e no amor da verdade e do bem".
- Em virtude de sua alma e de seus poderes espirituais de inteligência e vontade, o homem é dotado de liberdade, sinal eminente da imagem de Deus:
  • Por sua razão, o homem conhece a voz de Deus, que o insta a "fazer o bem e a evitar o mal". Cada qual é obrigado a seguir esta lei que ressoa na consciência e se cumpre no amor a Deus e ao próximo.
O exercício da vida moral atesta a dignidade da pessoa.
- "Instigado pelo Maligno, desde o inicio da história o homem abusou da própria liberdade." Sucumbiu à tentação e praticou o mal. Conserva o desejo do bem, mas sua natureza traz a ferida do pecado original. Tornou-se inclinado ao mal e sujeito ao erro:
  • O homem está dividido em si mesmo. Por esta razão, toda a vida humana, individual e coletiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas.
- Por sua paixão, Cristo livrou-nos de Satanás e do pecado. Ele nos mereceu a vida nova no Espírito Santo: Sua graça restaura o que o pecado deteriorou em nós.
- Quem crê em Cristo torna-se filho de Deus. Esta adoção filial o transforma, propiciando-lhe seguir o exemplo de Cristo. Ela torna-o capaz de agir corretamente e de praticar o bem.
- Em união com seu Salvador, o discípulo alcança a perfeição da caridade, a santidade. Amadurecida na graça, a vida moral desabrocha em vida eterna
Nossa vocação é viver as bem-aventuranças.
- As bem-aventuranças estão no cerne da pregação de Jesus. Seu anúncio retoma as promessas feitas ao povo eleito desde Abraão. Jesus as completa, ordenando-as não mais ao simples bem-estar gozoso na terra, mas ao Reino dos Céus:
*Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
*Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
*Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
*Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados.
*Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
*Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
*Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
*Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
*Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus (Mt 5,3-12a)
- As bem-aventuranças traçam a imagem de Cristo e descrevem sua caridade; exprimem a vocação dos fiéis associados à glória de sua Paixão e Ressurreição; iluminam as ações e atitudes características da vida cristã; são promessas paradoxais que sustentam a esperança nas tribulações; anunciam as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas pelos discípulos; são iniciadas na vida da Virgem Maria e de todos os santos.

O desejo de felicidade
- As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem, a fim de atraí-lo a si, pois só ele pode satisfazê-lo.
  • Todos certamente queremos viver felizes, e não existe no gênero humano pessoa que não concorde com esta proposição.
  • Então, como vos hei de procurar, Senhor? Visto que, procurando a vós, meu Deus, eu procuro a vida bem-aventurada. Fazei que vos procure para que minha alma viva, pois meu corpo vive de minha alma, e minha alma vive de vós. Só Deus satisfaz.
- As bem-aventuranças desvendam o objetivo da existência humana, o fim último dos atos humanos. Deus nos chama à sua própria bem-aventurança:
·          Este chamado se dirige a cada um pessoalmente, mas também a toda a Igreja, povo novo formado por aqueles que acolheram a promessa e nela vivem na fé.
A bem-aventurança cristã
- O Novo Testamento usa várias expressões para caracterizar a bem-aventurança à qual Deus chama o homem:
  • a vinda do Reino de Deus;
  • a visão de Deus: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" (Mt 5,8);
  • entrada na alegria do Senhor;
  • entrada no repouso de Deus: Aí descansaremos e veremos, veremos e amaremos, amaremos e louvaremos. Eis a essência do fim sem fim. E que outro fim mais nosso que chegarmos ao reino que não terá fim?
- Deus nos colocou no mundo para conhecê-lo, servi-lo e amá-lo e, assim, chegar ao paraíso. A bem-aventurança nos faz participar da natureza divina (l Pd 1,4) e da vida eterna. Com ela, o homem entra na glória de Cristo e no gozo da vida trinitária:
  • Tal bem-aventurança ultrapassa a inteligência e as forças exclusivamente humanas. Resulta de um dom gratuito de Deus. É por isso que se diz ser sobrenatural, como também a graça que dispõe o homem a entrar no gozo divino.
- "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus." Por certo, de acordo com sua grandeza e glória inefável, "ninguém verá a Deus e viverá", pois o Pai é inacessível; mas, devido a seu amor, sua bondade para com os homens e sua onipotência, chega até a conceder àqueles que o amam o privilégio de ver a Deus... "pois o que é impossível aos homens é possível a Deus." Esta bem-aventurança nos coloca diante de escolhas morais decisivas:
  • Convida-nos a purificar nosso coração de seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo.
  • Ensina que a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo bem e de todo amor.
- O Decálogo(10-mandamentos), o Sermão da Montanha e a Catequese Apostólica nos descrevem os caminhos que levam ao Reino dos Céus. Neles nos engajamos, passo a passo, pelas ações de todos os dias, sustentados pela graça do Espírito Santo. Fecundados pela Palavra de Cristo, daremos, aos poucos, frutos na Igreja para a glória de Deus.

CIC-Catecismo da Igreja Católica §1701-1729; 374-379; 399
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